A verdadeira Intenção

Os primeiros raios de sol despertaram a vida no jardim do hospital como também o sol aquecia a cidade e acordava os primeiro moradores. Kagome despertou sem saber identificar onde estava depois de ser atendida em situação de emergência, mais calma, ainda sob o efeito da medicação. Reconheceu o local ao notar a presença de seus irmãos e amigos, procurou por Kouga, mas ele estava ao seu lado dormindo de uma forma desconfortável em uma cadeira. No entanto, ao tentar levantar, silenciosamente, terminou despertando-o. Assim que ele a viu, abraçou-a chamando por seu nome fazendo com que os presentes despertassem. Segurou o rosto dela, alisando os cabelos, beijando seu rosto, ajeitou-a na cama para poder ficar sentada, mesmo magoada com o marido ela o deixou beijar-lhe a boca tudo poderia se uma fase ruim para os dois, ou não.

- Como se sente? Ainda está sentindo dor? Quer... – Kagome o interrompeu Kouga das suas perguntas de preocupação e seus amigos se aproximarem.

- Eu estou bem Kouga. – Ela respondeu com tristeza na voz – Só quero ir embora deste lugar e procurar a minha filha – abaixou a cabeça em sinal claro de aflição, levantou na direção dos seus amigos – Porque vocês não foram para casa?

- Não iria deixar você ficar sozinha outra vez – respondeu Miroku próximo a ela, dando-lhe um beijo em sua testa, percebeu que ela ia retrucar alguma coisa continuou – Foi Souta que pediu para ficar e com certeza ele não reclamou. – Kagome apenas sorriu sabendo que seus irmãos tinham medo que ela repetisse o seu ato anterior.

- Não nos dê outro susto desses Kagome – reclamou Sesshoumaru.

- Nós entendemos o que está passando, mas não adianta nada querer resolver tudo sozinha – Sango revelou segurando em uma das mãos dela sentada ao seu lado na cama. – Nós te amamos! – beijou-lhe o rosto.

A conversa continuou com certo alivio para todos por saber que Kagome já tinha despertado e que seu bebê estava bem. Em um canto do quarto Inuyasha observava a conversa de seus amigos ao redor dela, "se naquele momento há anos atrás..." pensou ele. Foi em direção deles e inesperadamente ele abraçou Kagome como se aquele abraço devolvesse as forças que tinham partido desde o desaparecimento de Rin, necessitava dele, sem dizer mais nada, seus sentimentos se misturavam com a vontade de vê-la sorrir. Entretanto, tal aproximação causou ciúmes em Kouga que pedira para Inuyasha se afastar dela durante a madrugada.



Com algumas horas depois, Kagome recebeu alta, mas sob protestos de seu irmão foram para a casa dele, já que Kouga queria levá-la para onde moravam. Entretanto, Kagome tinha um pressentimento que não tinha acabado por ali algo estava para acontecer, mas sentia necessidade forte de ir para casa do seu irmão. Com resíduo do passado Miroku sentia medo que sua irmã resolvesse desaparecer como da última vez, por isso não queria sair de perto dela e nem seus amigos a deixariam sozinha.

Durante o trajeto para a residência de Miroku o celular de Inuyasha não para de tocar, assim que viu o individuo desligava para não atender a chamada, a cada dez minutos seu aparelho tocava para não incomodar colocou no silencioso.

Chegaram ao lugar indicado, entraram, mas não perceberam nada anormal, indiciando algum tipo de arrombamento. Kagome tinha muito para conversar, principalmente, com Kouga e Inuyasha, mas sob recomendação médica tinha que estar de repouso, sem dizer ou revelar nada ela seguiu direto para seu antigo quarto fazendo-os olhá-la sem questionar. Souta estava sonolento e foi guiado por seu irmão mais velho para seu quarto, deitou-o e voltou para presença de seus amigos na sala sentando ao lado de Sango.

Kagome estava perdida em seus pensamentos e lembranças de tudo o que tinha acontecido com ela relacionado com o Naraku enquanto seguia para o quarto, mas ao chegar à porta do mesmo ela pára. Não acredita na imagem de seus olhos, sua filha, a pequena Rin, deitada na cama com a mesma roupa que estava no parquinho. Kagome levou às mãos a boca diante da surpresa e depois ao peito para tentar se acalmar e ter a certeza que era mesmo a sua filha, ela entra cautelosamente e toca no corpo da menina. Lágrimas inundaram seus olhos certificando que não era um sonho ou mera ilusão de sua mente, sua filhinha estava ali, em seus braços, agora estaria tudo melhor já que seu precioso tesouro estava outra vez com ela.

Na sala os dois sofás estavam ocupados por seus entes discutindo sobre algum tema relacionado a desaparecimentos e seqüestros de crianças, o celular de Inuyasha vibrava sem parar, mas ele não iria desligar muito menos atender, pois sabia de quem se tratava. Sango percebeu a inquietação de seu amigo com o aparelho olhou para ele repreendendo-o, mas este nem ligou.

Então, ouviram Kagome chamar pela filha e seguido pelo nome do marido, sem esperar mais tempo todos correm em direção ao som do choro dela encontrando-a com a sua filha nos braços, beijando-a, alisando os cabelos. Olhou para Kouga sentindo mais aliviada por está com sua pequena nos braços, mas algo estava errado, Rin não acordava.



Após ver que sua filha estava de volta Inuyasha suspirou mais aliviado virou para Miroku, o abraçou e juntos saíram do local para a cozinha na intenção de conversar e preparar um lanche para eles.

- Kouga... – chamou-o com a voz falha por causa das lágrimas – Ela está aqui. – sorriu – Mas... Não quer acordar.

- Eu sei. Tudo vai ficar bem agora. – ficou ao lado dela tirou a Rin dos braços dela – Deixe Sesshoumaru examiná-la – deitou a menina outra vez na cama. Tentou tirar Kagome de perto dela, mas ela não queria se afastar, Kouga olhou para Sango pedindo para ela tentar tirar Kagome do local para ela não se emocionar mais.

- Vamos Kagome, comer alguma coisa. – Sango chamou, para ver se ela desprendia atenção de sua filha – Além do mais, são recomendações médicas, boa alimentação e repouso. – Kagome olhou para sua filha saindo do quarto.

- Vamos sim, mas... – balançou a cabeça na tentativa de tirar o mau sentimento que ainda sentia – Huh, huh! – seguiu seu caminho.

Inuyasha e Miroku estavam na cozinha preparando um lanche tanto para eles quanto para os outros ocupantes da casa e mais uma vez o celular dele voltou a vibrar como ele já sabia de quem se tratava, não atendia rejeitando a ligação, incomodando Miroku.

- Como Rin voltou para casa? Quem a trouxe? – essa pergunta não saia da mente de ambos – E não tem motivo dela não acordar, a não ser que tenham... – Miroku não terminou a frase pegando uma panela.

- Sinceramente?! Eu não sei. – interrompeu Inuyasha – Mas tem alguma coisa errada. – ele abriu a geladeira tirando alguns ingredientes para fazer o lanche – Por que a tirar do parquinho para depois deixá-la em casa? Se Naraku a pareceu, como confirmou a Sango, de alguma maneira ele está envolvido.

- É meu amigo, eis um mistério. – Miroku parou colocando a panela em cima da pia – Sabe Inuyasha, agora que estamos falando em Rin, como se sente sabendo que seu sonho realizou?

- Sonho? – perguntou sem entender onde seu amigo queria chegar.

- Ora Inuyasha! Não se faça de desentendido. – balançando a mão em sinal ansiedade, desistindo depois de um tempo. – De a Rin ser sua filha. Sei que era o que mais queria.



- Ah! Miroku. Nem imagina a felicidade que estou. – os olhos dele brilhavam só em pensar da Rin, filha da Kagome, ser sua também. – Não sei, estou temeroso, vai ser difícil me aceitar como pai, como também Kagome contar a ela. Já que Rin só tem Kouga como seu pai legítimo. – suspirou parando de fazer o lanche – O melhor é com a mulher que eu amo.

Miroku aproximou dele dando batidinhas em suas costas em sinal de solidariedade. – E quanto a Kagome, não a esquece mesmo não é?

- Tudo o que eu mais quero agora é ficar com ela, mas tem um obstáculo. E sabe muito bem como se chama. - voltou a preparar o lanche

- E se ela...

- Estou disposto a lutar por ela, Miroku, principalmente, agora que sei que Rin é nossa filha. Não vou abandoná-las. - Inuyasha afirmou mais confiante do seu sentimento.

Sem perceberem que havia outras duas pessoas presentes na cozinha, mas ao virarem para pegar outro utensílio doméstico, se deram conta que Sango e Kagome ouviram parte da conversa dos dois. Sango correu os olhos na direção de Inuyasha, Miroku e Kagome ao seu lado, a expressão da amiga depois de ouvir tais palavras era de pura surpresa, afetividade e temor.

Desconcertado pela afirmação de ainda apaixonado, Inuyasha, temendo a reação de Kagome tenta reverter à situação, mas logo desiste e se entrega ao amor que sente por ela.

- Kagome, eu... - tentou pronunciar algumas palavras - O que você... - pigarreou tentando conter o nervosismo - É verdade o que você ouviu - aproximou dela pegando suas mãos beijando-as. Kagome não acreditava no que Inuyasha estava fazendo, mas o impediu.

- Pare Inuyasha. – pediu Kagome puxando as mãos e se afastando dele. – Você não sabe o que diz, o que faz - parou ainda de costas a ele e falando por cima dos ombros – Kouga está no quarto com a Rin e seu irmão – baixou a cabeça alisando o ventre demonstrando claramente que estava grávida de Kouga – Depois conversamos. Sango estou sem fome – e se retirou.

Sango que estava ouvindo calada sorriu discretamente interrogando-os com o olhar. – Tenha calma Inuyasha, para ela, está indo tudo rápido de mais – aproximou do noivo beijando seus lábios e bochecha ao sair atrás da amiga – Aconselhe Miroku, por favor. Quando terminar o lanche nos leve, sim.

Kikyou estava cansada de ligar para Inuyasha e ele rejeitar as ligações ou simplesmente não as atender, tinha muito que conversar sobre a intenção de seu irmão. Entretanto ele era um 

intermediário para facilitar a aproximação com Kouga, pois este é o pai da menina, mesmo ela sabendo que os dois tinham rivalidades por causa da ex-namorada do seu ex-noivo. Tinha a necessidade de lhes contar sobre o desaparecimento da Rin, e os futuros planos de Naraku para intervir na vida de Kagome.

Mais uma vez ligou para ele e o mesmo a rejeitava a ligação, desligou a chamada saindo do seu apartamento indo ao local que suspeitava que estivesse: A casa de Miroku.

A campainha soou algumas vezes naquele recinto algumas vezes, perturbando a tensão sobre a menina. Depois de alguma demora a porta foi aberta pelo anfitrião da casa que ficou surpreso da presença de Kikyou. Ela não esperou a permissão para entrar na residência e imediatamente foi marcando sua presença ali, Miroku fechou a porta pedindo que se sentasse.

- Por favor, Miroku. – pediu Kikyou com certa angustia no tom de voz – Preciso falar com Inuyasha e com você. É algo do interesse de vocês e, principalmente, do dele.

No entanto, as palavras que ela dizia têm um tom de verdade. Mas não houve tempo de chamar Inuyasha, pois o mesmo surgia na sala encontrando Kikyou a sua espera.

- O que você quer aqui, Kikyou? – perguntou Inuyasha com raiva – Já falei tudo o que tinha para falar com você no dia que sai de casa, agora, por favor. – deu as costas voltando de onde tinha saído – Não percebeu que não quero falar com você?

Sem saber o que dizer, mas tinha que ser rápida para chamar a atenção deles – Como está a menina? – viu a expressão de chocado no rosto de ambos – E é por isso que estou aqui.

- Oh! Kouga. – Miroku resolveu chamar o cunhado sabendo que é o maior interessado depois de seu amigo – Pode vim aqui, por favor.

Kagome se encontrava no quarto onde estava sua filha junto a Sango esperando algum sinal que a menina estava bem, estava com muito pesar sobre o que aconteceu com sua pequena. Esperava ansiosa para ouvir a voz da pequenina dizendo "mamãe", Kouga observava sua esposa, então se aproximou dela beijando-lhe a testa. Kagome o olhou querendo que ele dissesse "está tudo bem, nada vai acontecer", mas ele a penas segurou suas mãos passando conforto e confiança.

Como Kagome adora quando Kouga agia dessa forma, esse gesto protetor a fez lembrar no dia que reviu seus irmãos na casa da sua amiga. Mesmo magoada com ele, ela não podia deixar de admirar o homem que ele é, com quem dividiu sua vida por cinco anos e agora é mãe de um filho. Tinha muito que conversar, mas antes queria ter a certeza que sua filha estava bem.



- Kagome. – chamou-a Sesshoumaru para acalmá-la – Rin está bem, só está dormindo. – Kagome levou uma das mãos ao peito em sinal de tranqüilidade, mas ele a repreendeu – Deveria está de repouso, ontem teve muitas contrações e se continuara assim vou aplicar um calmante.

- Sesshoumaru tem razão Kagome – afirmou Sango o amigo – Estamos todos aqui, nada vai acontecer.

- Agora estou mais calma, só gostaria de ouvir a voz dela. – virou o rosto para o marido encostando sua cabeça a dele quando ouviram Miroku o chamar, saindo em seguida.

Entretanto, aquele pressentimento que Kagome sentia a fez seguir os passos de Kouga, Sango notou que ela seguia o marido a passos lentos, mas para não deixá-la sozinha foi a trás dela. Ouvia vozes, vindo da sala indo na direção delas.

- Kouga, Kikyou que nos contar algo muito importante – Miroku disse ressaltando nos fato da importância do assunto.

- E o que seria tão importante vindo dela. – apontou para a ex-noivo do rival – Nada que venha dela ou do irmão me interessa.

- É sobre o desaparecimento de Rin – continuou Miroku.

Ao ouvir o nome da criança Kagome apareceu espantando os presentes – O que você quer nos contar sobre o que aconteceu a ela. – Kagome estava, outra vez, exaltada – Vamos conte.

- Kagome, vá para o quarto e fique lá com Rin e Sesshoumaru. Você precisa de repouso – Kouga lhe pediu – Por nosso filho sim. – ela negou com a cabeça. Inuyasha se aproximou do casal.

- Então fique. Só até saber o que aconteceu ou se percebemos que você não está bem, você vai para o quarto – afastou-se com ar de vitória para Kouga que estava com ciúmes – Depois vá descansar. – direcionou para Sango – Sango, por favor, fique com ela.

Kikyou estava nervosa sem saber por onde começar suas mãos suava e mexia umas nas outros para tentar passar o nervosismo. Procuravam em sua mente uma forma de começar a contar o motivo de sua presença, observou Kagome, ela é importante para todos e dois homens a amavam e gostaria que um homem olhasse para ela como eles olham para Kagome.

- Antes, eu gostaria de saber como está a Rin? – Kikyou perguntou para que qualquer um pudesse responder.



- Aparentemente, bem. – respondeu Sesshoumaru entrando na sala, reconhecendo a voz da ex-cunhada que ouvia no corredor – Só que ela... – percebeu que a mesma colocava a mão no peito aliviando um pouco o peso da sua consciência.

- Ela está sedada, por causa do forte medicamento que meu irmão deu a ela. – falou de cabeça baixa levantando fixando o olhar em Kagome – Eu... Eu tive medo que ele a machucasse, por isso não saí de perto dela até que ele resolveu deixá-la aqui – os olhos de Kagome se enchiam de lágrimas que aos poucos marcava seu rosto – A menina pedia pela mãe e isso o aborreceu.

- Por que ele fez isso com uma criança? – perguntou Sango chocada pela atitude do Naraku – Imagine se ele soubesse que Rin é filha de Inuyasha.

Kikyou se surpreendeu arregalando os olhos – Oh! – digeriu rapidamente tal informação e continuou – Meu irmão sente uma paixão doentia por você, Kagome. E eu ajudei a alimentar separando você e Inuyasha – seus olhos correu para ele e depois voltou para Kagome – Por isso ele quer se vingar por você não querer ele, por ter rejeitado.

Nem Kagome nem Inuyasha estavam prontos para reviver o passado.

- Que você está envolvida com os acontecimentos do passado, nos já sabemos. – Comentou Sesshoumaru – Então quer dizer que no seqüestro de Rin também.

- Sim, por que isso foi um seqüestro. Agora que sabemos um pouco mais. – se intrometeu Miroku.

Kikyou nada disse confirmando as suspeitas deles.

- Como pode fazer isso? – indagou Sango – Para que?

- No começo eu sentia inveja por Kagome esta rodeada de pessoas que a amam e por Inuyasha está com ela. – Kikyou baixou a cabeça enquanto terminava de falar levantando em seguida – Depois que eu consegui o que queria vi o quanto é diferente. Gostaria que você me olhasse como olha para ela e da mesma forma me amasse – ela apontou o dedo tanto para seu ex quanto para sua ex-amiga.

Ao ouvir tais palavras Kagome tentou levantar, mas Sango a impediu negando com a cabeça.

- Eu o ajudei em tudo, só que... Passou dos limites. – continuou Kikyou.

- Como assim "passou dos limites"? – Kouga se referiu as próprias palavras dela.



- Naraku quer ver Kagome longe de todos aqueles que a protege e ama e para isso começaria com sua família. – levantou dando a volta em um dos sofás indo em direção a janela próxima – A menina foi o primeiro alvo, sendo apenas um aviso.

As palavras ditas por Kikyou deixavam Kagome temerosa não por ela, mas sim com sua filha que passara algumas horas com Naraku. As lágrimas manchavam seu belo rosto, o que tinha feito para merecer isso? Não bastava ter perdido os pais e ter que cuidar de seu irmão com apenas dois anos? Ser violentada? Traída pelo ex-namorado? Kagome passou por uma fase difícil e agora sua filha estava no meio de tudo, não permitiria que sua família sofresse por causa de um paranóico.

- Naraku estará partindo para a Yokohama no final desta tarde para se esconder em uma de suas casas por causa da policia, mas ele prometeu voltar.

- E o que você ganharia nos contando toda a história? – Inuyasha se atreveu a perguntar

- Certamente vai convencer Inuyasha a reatar o noivado – Miroku continuou.

- E nem quero. – Kikyou encarou Inuyasha – Eu só estou arrependida de tudo o que fiz para eles e gostaria que me perdoassem. – saiu de frente da janela indo para perto da Kagome. – Principalmente você.

- Eu... Eu... – sem saber o que dizer Kagome gaguejava correu os olhos em todos fixando nela, olhou para Sango na intenção de receber um incentivo, mas a amiga não fez nada.

Rin surgiu na sala coçando os olhos, sonolenta, ainda sob o fraco efeito do medicamento, procurou entre aquelas vozes a voz de sua mãe. Ninguém tinha notado a presença dela ali, pois estavam todos com atenção em Kagome.

- Mamãe! – Chamou Rin quebrando a tensão sob sua mãe. Kagome imediatamente saiu de onde estava abraçando a sua filha sentando no chão, sentiu que seu coração estava mais aliviado.

- Oi meu amor! – conseguiu pronunciar apenas essas palavras diante da sua ansiedade.

- Por que você demorou a me achar, mamãe? – ela perguntou com inocência – Eu tive tanto medo daquele homem. A tia Kikyou ficou comigo o tempo todo.

- Eu seu pequena, eu sei. – beijou-lhe a testa – Que tal tomar um banho e tirar essa roupa suja – afastou um pouco a sua filha certificando que ela estava bem. – Prometa a mamãe que você não vai mais brincar desse jeito. – a menina afirmou com a cabeça – Fiquei tão preocupada. – falou mais para si do que para filha.



- Desculpe mamãe – Rin baixou a cabeça – Não queria preocupar você.

- Sango pode dar um banho nela, sim? – sem nada a dizer a amiga pegou a menina pela mão para dar banho e saiu – Miroku me ajude a levantar - e assim ele fez ajudando a ir ao quarto.

- Foi muita coisa para ela – Kouga justificou a atitude de sua esposa – Deve está muito confusa.

- Vamos ao que interessa. Então, seu irmão parte para o litoral. – afirmou Inuyasha com certa curiosidade, ainda não se encaixava o fato de Kikyou contar-lhes tudo.

- Temos que ligar para a polícia e você irá dar o seu depoimento. – disse por fim Sesshoumaru.

- Acho que não vai adiantar muito, Naraku tem muita influência política. – ela tentou afastar a policia, mas era necessário – mesmo assim irei.

- Eu vou atrás desse desgraçado. – afirmou Inuyasha – Ele atrapalhou muito a minha vida e a da Kagome.

- Também irei, Não vou deixar esse idiota se intrometer onde não deve – concluiu Kouga a respeito do rival, aproximou dele – Foi com a minha família que ele mexeu, não tem nada a ver com você.

- A Rin é minha filha ou já se esqueceu? – ironizou Inuyasha.

- Parem já com essa briguinha adolescente vocês dois – reclamou Sesshoumaru, enquanto Kikyou observava-os – Podemos contar com você, Kikyou?

- Sim, é para isso que estou aqui.

Ao terminar a conversa Kouga, Sesshoumaru e Kikyou foram à delegacia prestar queixa do seqüestro da Rin e Kikyou depor contra seu irmão, mas será que ela se arrependeu mesmo ou faz parte dos planos deles?

Todos os medos de Kagome tinham retornado em questão de horas, mas não tinha como fugir o melhor é enfrentá-los com a ajuda da sua família e seus amigos. E o que fazer em relação ao Inuyasha e a Kouga? Estava muito confusa. Souta e Rin brincavam sob o olhar vigilante de Sango e Miroku que por medo de deixá-los só pudesse acontecer algo como poucas horas atrás, eram apenas crianças não entendiam direito o que estava ocorrendo.

Inuyasha aproveitando que Kouga tinha ido a delegacia prestar queixa se dirigiu para o antigo quarto de Kagome. Enfrente a porta, andava de um lado para o outro indeciso se entrava ou a deixava sob a recomendação médica. Pegou na maçaneta por alguns segundo ainda pensou em não entrar, mas 

tinha que aproveitar o tempo. Bateu algumas vezes antes de entrar e encontrá-la sorrindo alisando o ventre em garantia que o bebê estava bem.

- Pensei não a veria sorrir tão rápido – Inuyasha disse fechando a porta atrás de si – O seu sorriso não perdeu seu resplendor – sentou ao lado dela na cama.

- Não podia deixar de sorrir ao sentir meu bebê mexer. – respondeu tranqüila. – Achei que demoraria a sentir ele me chutar.

- Posso? – pediu ele para alisar a barriga dela e ouviu "Claro!" como resposta – Como é bom saber que aí dentro tem um garotinho ou outra garotinha.

- Ele está inquieto hoje, pelo menos sei que não... – respondeu tranqüila – Não me deixou descansar. Sentiu? – ela perguntou ao sentir que o bebê mexer. Inuyasha usou as duas mãos para melhor sentir os movimentos, mas as retirou pegando nas mãos dela.

- Precisamos conversar. – disse sério.

- Eu sei. – Kagome se ajeitou na cama sendo ajudada por ele. – Só não sei por onde começar.

- Deixe que eu pergunto e você responde é mais fácil. – ela voltou a acariciar seu ventre – Por que você não me contou que Rin é minha filha? – segurou outra vez a mão dela – Até posso imaginar, mas gostaria que me dissesse.

- Kouga e eu não tínhamos a intenção de voltar a Tókio, mas por ironia ele recebeu ma promoção e voltamos. – sorriu sentindo o filho mexer olhando para Inuyasha a sua frente – Da forma como você... Você não acreditou em mim sabia que não acreditaria se eu contasse e dissesse que a minha filha era do... Naraku. – as últimas palavras a deixava melancólica.

- Perdoe-me. – pediu ele – Eu deveria confiar mais em você, estava cego de ciúmes e Kikyou sempre me dizia coisas sobre vocês. – confessou triste – Mesmo assim, eu nunca deixei de pensar em você, amar você... Só que esse amor estava adormecido e com sua volta... – Kagome calou-o depositando o dedo indicador em seus lábios.

- Por favor, Inuyasha. – ele pegou a mão dela que estava a calar-lhe e beijou. – Não... – sem esperar por outra reação da parte dela, Inuyasha foi em direção do seu corpo beijando-a suavemente nos lábios, lembrando dos beijos trocados na época que eram namorados, dos momentos que viveram juntos. Kagome correspondia na mesma intensidade, aquele beijo durou alguns poucos segundos, mas foi o necessário para saber que ela ainda gostava dele. Separou os lábios que pediam por mais e com o olhar fixo nos olhos dela.



- Eu ainda amo você, Kagome. – revelou enfim seu sentimento – Tanto que prefiro ver você feliz e eu a pagar por aquilo que te fiz sofrer. Apesar de tudo, tenho um presente, que você me deu: uma filha, com você.

Kagome não queria mais ouvir sobre o passado atrelado ao presente, seu relacionamento com Inuyasha, mudou logo de assunto.

- Eu peço um tempo para contar a Rin.

- Não tente me enganar mudando de assunto, Kagome. – falou docemente – Tudo bem, tenha o tempo que quiser – levantou para sair do quarto, mas antes – Posso? – pediu para paparicar o ventre dela. – Eu gostaria muito de ter acompanhado a gestação da Rin, mas foi melhor do jeito que foi. – acariciou dando beijos e alguns minutos depois ele se retirou.

A queixa sobre o desaparecimento de Rin e o depoimento de Kikyou confirmou o seu envolvimento ajudando a polícia a pedir um mandado de busca para Naraku, no entanto, este, estava sendo esperado ser expedido pelo juiz que cuidava do caso, já que o desaparecimento da criança foi classificado como seqüestro. Kikyou emitiu alguns fatos como: ser ela a tirar a menina do local onde brincava, mas revelou sobre o planejamento e o que estava para acontecer tinha sido obra da mente doentia de seu irmão. De certa forma é verdade, mas a sua participação foi ativa.

Sesshoumaru e Kouga não entendiam essa mudança repentina de Kikyou, eles achavam muito estranho, podia ser uma armação para machucar Kagome. Poderia Kikyou ter realmente se arrependido? De certo que não podiam julgá-la, afinal os erros faz parte do aprendizado da vida.

Ao chegarem à casa de Miroku, Kouga e Sesshoumaru, foram recebidos por Rin e Souta que brincavam de correr pela casa, mas Kouga seguiu a para conversar com sua esposa sobre o que ela tinha visto no dia anterior. Ele mal tinha dormido preocupado pelo seu estado de saúde, entrou silenciosamente no quarto a encontrando dormindo. Deitou ao lado da cama devagar para não acordá-la, mas seu esforço foi em vão desapertando do seu repouso. Aproximou um pouco mais do corpo da amada, beijando a testa e seu ventre saudando-os.

- Desculpa por ter te acordar. – levando a mão ao rosto de sua esposa. – Precisamos conversar, sobre... Sobre o que você viu no hospital. - Kagome nada disse deixando-o continuar – Eu te amo mais do que tudo nesse mundo só que... Aquilo foi... Um... Vacilo meu e...

- Por favor, Kouga – Kagome o cortou sem o deixar terminar – Não me venha com essa "Eu te amo" e outras coisas a mais. É clichê de mais para você. – respondeu com um olhar de repreensão.

- Você está certa, mas eu tenho muito medo de perder você.



- Kouga, sabe que não sou de julgar – disse serenamente – Eu tenho um enorme carinho por você. Vamos conte-me como tudo começou até ontem.

- Não tem muito tempo, apenas algumas semanas atrás Ayame, me beijou antes de uma cirurgia e desde esse dia ela vem me seduzindo – deitou ao lado dela e ambos ficaram deitados olhando para o teto – Mas, em alguns dias eu venho correspondendo – a expressão do rosto de Kagome é de pura surpresa – Ontem eu iria colocar um ponto final, mas você nos viu – Kouga terminou de contar com pesar.

Kagome nada disse, ficou de lado para olhar melhor as expressões que ele fazia, estava muito confusa. A confissão de Kouga sobre a sua traição a deixou muito triste, entretanto não podia fazer mais nada, já estava feito. Ele também virou para ficar de frente a ela.

- Por favor, Kagome, diga alguma coisa – pediu Kouga aflito segurando uma mecha do cabelo dela esperando por uma resposta.

- Eu entendo. – ela levantou da cama saindo do quarto sendo seguida por ele indo para a cozinha. Abriu a geladeira pegando um copo com água – Você... Nunca pensou...

- Não, meu anjo, nunca. – a interrompeu retirando o copo de sua mão abraçando-a – Nunca pensei em ti traí só que, foi inevitável. – afastou-se segurando seu rosto.

- Estou tão confusa – mais uma vez se abraçou encostado à cabeça dela no seu peito.

- Eu compreendo. – beijando-lhe os lábios e novamente se abraçaram.

O casal permaneceu em silêncio até que foram interrompidos por Sesshoumaru com noticias de Naraku, não saíram daquela posição apenas olharam o amigo cortar aquele momento tão indispensável param ambos. Seguiu para a sala a fim de resolver os últimos detalhes da ida a Yokohama, mas o pressentimento, que ela sentia, ficou mais forte.

Comentário da autora:

O que acharam? Por favor, façam suas criticas. Então Kikyou está mentindo ou não? Que pressentimento é esse que Kagome está sentindo. O que está aguardando nossos personagens no próximo capitulo?

Muito obrigado a todas (os) por lerem e também aos anônimos que no fundo eu os entendo.

Beijos...