Avisos: Saint Seiya não me pertence. Direitos a Masami Kurumada, Toei Animation, Bandai e quem mais tiver os direitos dessa obra, seja lá no Japão ou aqui.

Fic feita totalmente sem fins lucrativos, visando somente o entretenimento e minha aprimoração como escritora.

Contem yaoi (relacionamento homem x homem) e vampiros, se não gosta, se sente ofendido de alguma forma, recomendo-o a não prosseguir. Se mesmo assim insistir, que seja por sua conta e risco.

Capítulo com lemon (relacionamento sexual entre homens). Não recomendado para quem não curte.

Desculpe a demora com esse caítulo. Ele estava pronto desde semana passada, mas o FFNet não quis me deixar publicar ¬¬"


Capítulo II –Sweet Intoxication

Acordou tarde aquele dia. Tateou o despertador na mesinha de cabeceira e notou, perplexo, que já passara do meio-dia. Passou a mão pelos cabelos ruivos e bocejou longamente. Mais um dia. Mais um longo dia. Demorou a levantar-se, pensando no estranho sonho que tivera noite passada. Que um anjo o visitara. Um anjo de asas cor de ébano. E que tal anjo começara a acariciá-lo intimamente, até que ambos se acabassem de prazer. Olhou a situação da calça de seu pijama e balançou a cabeça em reprovação. Já fazia muito tempo que não tinha tais tipos de sonhos. Na verdade, há muito tempo não mais sonhava. Nem dormindo, nem acordado.

Levantou-se mais por reflexo do que por vontade, indo ao banheiro para se lavar. Jogou o pijama num balde que fazia as vezes de cesto de roupa suja e ligou o chuveiro, a água fria –pois não havia água quente nos micro-banheiros daquele lugar –caindo pesadamente sobre seu corpo bem talhado, causando um momentâneo arrepio. Passou o sabonete pelo rosto de traços delicados, pescoço, tórax, barriga, costas, nádegas, pernas com um estranho toque de cuidado. Lavou os cabelos e enxagüou-se, sua mente ainda a matutar sobre o tal sonho. Achara aquele anjo tão real...Poderia jurar que ele o tocara de verdade, que tudo fora concreto e não apenas sonho. Desligou o chuveiro e pegou a toalha, decidido a parar de pensar sobre o que quer que fosse. Teria uma longa noite e se não se dedicasse minimamente a atender os pérfidos desejos e fetiches de seus clientes seria proibido de ir ao teatro, um das poucas coisas que o fazia esquecer de quem era, que vida levava e que trazia um pouco de alegria a seu coração empedernido.

Secou-se rapidamente e voltou ao quarto, rumo ao pequeno armário. Tirou de lá algumas mudas de roupa simples e vestiu-as maquinalmente. Passou a toalha pelos cabelos uma vez mais, tirando o excesso d'água e saiu. Precisava comer alguma coisa para enfrentar o que viesse mais tarde. Tinha uma sensação estranha, como se algo muito grandioso estivesse para acontecer. Deu de ombros enquanto seguia para a diminuta cozinha, onde certamente ouviria um sermão por ter levantado tarde. E um sermão seria o mínimo.

OooOoOooO

Saiu de seu protetor esquife assim que os últimos raios de sol terminaram de deixar o céu, que tinha uma bela tonalidade roxo-azulada, já sendo tomada pelo azul-marinho. Colocou a pesada tampa do caixão em seu devido lugar. Subiu até onde seria, teoricamente, seu quarto. Totalmente limpo e organizado. A cama feita, roupas, sapatos e acessórios perfeitamente em ordem. Pisos e móveis impecáveis. Até sua estante de livros estava arrumadíssima, todos os títulos em ordem de autor e, dentro desse padrão, em ordem alfabética. Balançou a cabeça em aprovação, gesto mortal do qual nunca se desfizera. Fora um bom negócio contratar uma governanta para manter a casa em ordem. A velha senhora seguia a risca todas suas instruções.

Com certeza imaginava que seu patrão era um homem ocupadíssimo, que trabalhava o dia todo e só chegava muito tarde, por isso quase não era visto. Desde que a contratara deixara específico que, durante o dia, mantivesse a casa em perfeito estado e que, quando seu horário de serviço acabasse –por volta das quatro da tarde –estava dispensada, não era necessário esperá-lo chegar. Se precisasse falar com ele que fosse via bilhetes e que poderia usufruir o que tivesse na despensa, pois ele nunca comia em casa. Dava um bom salário a ela, além de outros benefícios, por isso ela não tinha do que reclamar. A casa era pequena, seus móveis eram práticos e simples, até porque não os utilizava muito.

Olhou uma última vez em volta e, como acontecia todas as noites, dedicou-se ao sagrado ritual de desarrumar o que sua governanta arrumara. Jogou-se na cama, bagunçando-a o suficiente para parecer que dormira ali. Desarrumou alguns dos produtos de higiene pessoal e sua mesa de trabalho, apenas o bastante para alguém que realmente utilizava tais coisas. Pegou o pijama impecavelmente limpo e passado, amassando-o e largando-o sobre a cama, como se tivesse se trocado com pressa. Foi a sala e programou a TV para desligar dali à uma hora, uma hora e meia, dessa vez num canal onde passava um filme bem antigo, que, ironicamente, era sobre vampiros.

Terminado o ritual voltou ao quarto, onde abriu o guarda-roupa. Queria escolher um bom traje para aquela noite. Optou por uma calça negra, estilo social e uma camisa de seda bordô. Calçou os sapatos, também negros e impecavelmente engraxados, penteou os cabelos e decidiu passar algumas gotas do perfume amadeirado que compara. Pura vaidade, já que vampiros não possuem odor, mas os mortais eram mais facilmente seduzidos quando atraídos por algo, seja uma beleza estonteante ou um bom odor. Mirou-se no espelho, seus olhos naquele tom róseo por conta da luz. Sorriu levemente, era inevitável o ar um tanto sexy e misterioso que emanava. Todos em sua espécie, mesmo sem qualquer adorno, o possuíam. Mas trajado de tal forma sua natureza parecia se intensificar. Olhou-se uma última vez antes de girar nos calcanhares e sair. Ainda precisava se alimentar.

Nunca fora tão fácil arranjar alimento quanto aquela noite. Mal se distanciara dois quarteirões de sua casa e um trio de arruaceiros se aproximou. Decidiu pegá-los de surpresa, um a um. Estavam tão bêbados que nem perceberam quando o primeiro, que andava mais atrás, desaparecera. O segundo teve uma morte tão rápida que nem tivera tempo de gritar ao ver a sedutora e mortal figura materializar-se a sua frente e cravar os caninos em sua jugular. O terceiro só percebera muito depois que seus companheiros haviam desaparecido. Olhou para todos os lados da deserta ruela, sua visão atordoada pela bebida. Virou para trás e assustou-se com a silhueta de um homem parado bem no canto mais sombrio do lugar. Olhara há poucos segundos para o mesmo local e não vira ninguém. Ou será que estava enganado? Disse alguns impropérios para o misterioso homem e já se virara para ir em busca de seus amigos desaparecidos quando sentiu algo forte, como uma barra de ferro, a prender seu braço. Nem bem tivera tempo de virar o rosto e sentiu algo a lhe perfurar o pescoço. Tentou lutar para afastar-se da faminta criatura que lhe sugava a força vital, mas aos poucos seus sentidos de desvaneciam, até que caiu no chão. Morto.

O belo vampiro lambeu os lábios, agora rosados, como geralmente eram quando vivo. Sua pele, apesar de pálida e com leve tom preternatural, parecia mais com a de um ser vivo do que com a de um imortal. Suas unhas continuavam com aquele tom espelhado, mas atualmente qualquer um conseguia efeito semelhante com uma boa base para unhas. Ajeitou a camisa bordô e continuou o caminho até o mesmo cortiço o qual estivera na noite anterior. Encontraria seu belo mortal novamente, desta vez com as devidas apresentações. Um quase gemido escapou de seus lábios ao pensar no sabor do sangue de seu anjo ruivo. Para os seres humanos era como comparar o sabor entre diversas marcas de vinho. O sangue dos criminosos, transgressores e suicidas que geralmente pegava como vítimas era como vinho barato e de qualidade inferior. Já o sangue do lindo rapaz de cabelos revoltos era como o mais raro e artesanal dos vinhos. Daquele tipo de safra que se prova apenas uma vez, mas é tão divino que seu sabor se torna inesquecível.

Parou em frente a pobre fachada do cortiço, que tinha uma das portas entreabertas. Como se não passasse de um humano normal, empurrou-a com delicadeza, adentrando no local repleto de casinhas feias e pobres. Foi caminhando pela rua de cimento rústico até um sobradinho, que aparentava ser uma das casas mais "ricas" dali. O movimento no local era grande, assim como o entra e sai de homens embriagados, dos mais diversos tipos, de criminoso procurado a "pai de família". Teve de espremer-se um pouco para entrar no que parecia ser uma casa de prostituição, no estilo das que foram moda até o início do século XX. Havia umas poucas mulheres, encarregadas de servir a clientela com os mais variados tipos de bebidas, mas o que predominava eram homens de todos os tipos, para todos os gostos. E realmente a maioria ali parecia interessada nos belos garotos de programa que se ofereciam, se insinuavam e murmuravam frases doces e picantes aos ouvidos de seus clientes, seduzindo-os.

Sentou-se numa mesa afastada de todo aquele movimento, a fim de observar melhor. Via claramente que eram pouquíssimos os garotos de programa que realmente "gostavam" do que tinham de fazer. A maioria trabalhava para pagar a enorme dívida que tinha com Cassius, cafetão do Santuário de Eros¹, nome do local. Muitos estavam ali desde tenros, aprenderam a ler e escrever a mando do cafetão, que não tolerava iletrados em seu seleto grupo de prostitutos. Os sorrisos em seus rostos eram falsos, assim como a cordialidade de boa parte dos clientes. Era como se fosse capaz de ver que por sob uma bela pintura há alguma discrepância, que escapou aos olhos dos mais atentos admiradores. Procurou o ruivo e ouviu-o descer as escadas que levava aos quartos "de luxo". O restante da ala oeste do cortiço era usado pelos garotos e sua pérfida clientela.

Não tardou muito para que ele aparecesse. Por cerca de um minuto todos pararam para observá-lo. Vestia, assim como os outros aquela noite, uma roupa estilo sadomasoquista. Tinha o tórax coberto por um colete de couro preto e justo, as coxas roliças quase totalmente à mostra pelos shorts, também do mesmo tecido apertadíssimo, e calçava botas longas, que iam até os joelhos. Trazia uma coleira negra no pescoço, uma grossa corrente prateada presa nela. Seus cabelos ruivos estavam soltos, tão revoltos quanto na noite anterior e seus olhos flamejavam em tom róseo. Como bom ator, desfilou de um lado a outro com um sorriso safado nos lábios rubros. Seu único pensamento, entretanto, era o de acabar logo com aquilo e poder tocar sua preciosa lira em paz.

Cravou seus sedutores olhos de criatura das Trevas nele assim que passou perto e viu-o olhar em sua direção, espantado. Vislumbrou o "sonho" que ele acreditava ter tido na noite anterior e sorriu internamente. Ele se lembrava, mesmo acreditando que se tratava de nada mais que um sonho, se lembrava.

O rapaz aproximou-se naquele mesmo ar sedutor e vulgar, o qual fingia tão bem. Sua mente, porém, estava cercada de dúvidas e seus batimentos cardíacos, descompassados. Olhou para o lindíssimo rapaz de cabelos ondulados, o fascínio e euforia que os vampiros emanavam já a afetá-lo, e sorriu maliciosamente.

–Será que poderia me sentar aí a seu lado? –perguntou em tom oferecido, um tom que não mostrava nem 1 por cento de melodiosidade daquela voz.

O vampiro sorriu, pegando com delicadeza a ponta da corrente presa ao pescoço do jovem –Seria um prazer, mas não acharia mais confortável conversarmos lá em cima? Tenho certeza de que lá é bem mais tranqüilo.

–Hum... você não perde tempo, heim? –o ruivo sorriu, encostando-se à mesa.

Era interessante ver como os mortais tinham a mania de nunca dizer o que realmente pensavam. Em sua mente o divino rapaz hesitava. Ao mesmo tempo em que tinha de satisfazer as vontades de seus clientes sentia que algo não planejado poderia ocorrer se acatasse o pedido. Tornaram a surgir vagos vislumbres do tal sonho e, inconscientemente, o rapaz esfregou a mão por sobre a coleira em seu pescoço. No exato local que fora mordido na noite anterior.

–Antes de subirmos creio que seja mais educado me apresentar –o homem de cabelos ondulados viu que sua polidez de certa forma o agradava. Geralmente todos eram tão baixos e grosseiros que umas palavras mais eloqüentes conseguiam ser uma agradável surpresa –Me chamo Sorento e vim aqui exclusivamente para vê-lo.

Os pensamentos do ruivo chegaram mais rápido que suas palavras. "Me ver... Aposto que é mais um atraído pelos boatos de que aqui há o mais belo e perfeito puto que já existiu" –pensava ele, sua expressão de falsa alegria e volúpia sem se abalar um segundo sequer – "Deve ter ouvido algum conhecido qualquer falar: 'Ele é perfeito! Aceita tudo que você tiver vontade de fazer. Não é abusado como a maioria e pode ser um furacão na cama. Vai por mim'." –suas palavras, no entanto, saíram no mesmo tom de antes, opostas ao que realmente pensara –Sou Mime –olhou-o de cima a baixo –É realmente um prazer conhecê-lo –mais um daqueles sorrisos safados e despidos de qualquer traço de sinceridade surgiu nos rubros lábios –Vamos lá para cima então... já que insiste –desencostou-se da mesa e saiu naquele passo felino, guiando-o através da corrente, as quais o vampiro ainda segurava em suas mãos pálidas.

Sentiu todos os olhares e pensamentos se voltarem para o ruivo sedutor e para si, seu sexy cliente. Um dos homens mais próximos, trajando terno, os cabelos curtos e negros, perfeitamente penteados, e óculos de aros finos, pensou lascivamente no deleite que seria ver duas figuras tão divinas na cama, em pleno estado de êxtase. Tal pensamento era tão forte que a criatura noturna pôde vislumbrá-lo com clareza, apesar de ter calado todos os demais pensamentos e vozes ao seu redor. Mal virou a cabeça e reparou que o homem ajeitava os óculos no rosto, umedecendo os lábios.

Seguiu com Mime pela torta escadaria que levava aos quartos. Passaram três portas até chegarem ao quarto usado pelo rapaz. Não era muito diferente do quartinho que vira noite passada. Provavelmente era o mesmo aposento, só que arrumado de maneira diferente. Sentou-se na borda da grande e antiga cama de casal, forrada de lençóis vermelhos enquanto o belo rapaz se aproximava naquele mesmo jeito sensual. As alvas e cálidas mãos desabotoaram os quatro primeiros botões de sua camisa e deslizaram por sua pele fria ao mesmo tempo em que os lábios tão rubros traçavam um caminho por seu pescoço. Não pôde deixar de gemer baixinho ao sentir a língua morna percorrer o caminho de sua principal artéria.

–O que quer que eu faça? –perguntou Mime em tom ligeiramente rouco, rente a seu ouvido –Quer que eu seja seu escravo subserviente? Que seja um menino mal? Quer me torturar? Ou quer que eu o torture? Posso ser o que quiser, é só saber meu preço... "Já que a única coisa que nunca poderei ser é livre" –pensou, em ar de completo pessimismo.

Afastou-se um pouco para manter contato visual com aqueles orbes profundos. Ao notar que ele estremecera de leve, sorriu, o melhor sorriso que poderia dar. Viu que o rapaz tornara a hesitar, que sua natureza vampírica sem querer o atraía. –Quero que faça o que quiser... Escolha você o que fazer. Pago o que for –tais palavras saíram leves e despreocupadas.

Apenas estar na companhia daquela complexa alma já lhe era o bastante. Somente sentir o odor do sangue a percorrer aquele invólucro divino de carne humana era o suficiente para inebriá-lo. Queria prová-lo de novo, se possível no exato momento em que o outro estivesse próximo ao ápice, quando o sangue correria repleto de adrenalina e endorfina. Queria saber do que ele era capaz entre quatro paredes. Para os vampiros nem mesmo o sexo é tão sublime quanto à morte, quanto o ato de sentir o sangue de outrem a descer por sua garganta, senti-lo correr por seu corpo, naquele rufar repleto de vida. Por isso mesmo muitos deles não o fazem, nem mesmo para seduzir suas vítimas. Mas mesmo assim são capazes de sentir as mesmas sensações de quando os mortais são estimulados, apenas não com a mesma intensidade. O "orgasmo" das criaturas das Trevas é o sangue. O sabor do sangue de alguém em êxtase é capaz de despertar uma reação tão forte quanto o prazer sexual é para as criaturas vivas.

Mime afastou-se, seus olhos a encararem intrigados a fascinante figura a sua frente. Nunca nenhum cliente dissera tal coisa. Quem era, afinal, aquele charmoso rapaz que conseguia fazê-lo sentir curiosidade e fascínio, depois de tanto tempo sem nada sentir? Pela primeira vez queria levar alguém para cama por sua própria vontade. Queria ver se ele era tão bom quanto no sonho que tivera. Estava até disposto a quebrar qualquer regra dos prostitutos, se fosse necessário. Não sabia porque estava deixando seu autocontrole escapar, mas, apenas por aquela noite, seguiria sua vontade. Voltou a beijar a pele alva de Sorento, suas mãos a tirarem a fina camisa.

–O que quero é... –dizia o ruivo a cada úmido beijo que distribuía em seu tórax –te provar todinho, até o amanhecer –ofegou, pouco antes de lamber sensualmente um de seus mamilos.

–Creio que até o amanhecer seja tempo demais –ponderou o ser noturno enquanto se ajeitava melhor na cama, aqueles lábios a lhe provocarem uma lânguida sensação de excitamento –Mas se quer mesmo me provar todo, terá de me deixar fazer o mesmo com você.

–Aceito a condição –aproximou seu rosto do de Sorento e, contra qualquer regra que, em vão, tentaram lhe incutir, colou seus lábios àqueles lábios palidamente róseos, as línguas a se enroscarem sofregamente, até quase perderem o fôlego. Mime passou uma perna de cada lado do corpo branco e prosseguiu, desta vez a percorrer a barriga perfeitamente esculpida com a boca, enquanto uma das mãos descia pelo cós da calça, alisando seu conteúdo –Hum... –gemeu –Gostei disso... –desabotoou a calça que o vampiro trajava e começou a, juntamente com a roupa de baixo, puxá-la para baixo, revelando a pele e o volume semidesperto.

Pôde ver a volúpia transbordar pelo olhar do norueguês, que o fitava de alto a baixo como se nunca tivesse visto obra tão perfeita. Viu-o morder levemente o lábio inferior, suas mãos quentes a roçar por cada centímetro da alva pele. Apenas aqueles toques o faziam sentir sua pele sobrenatural queimar, sua sensibilidade quase tão elevada quanto a de qualquer mortal.

–Pelo que vejo meu serviço será ainda mais prazeroso do que imaginei –sorriu com lascívia, lambendo a parte interna das coxas cor de alabastro.

Por cerca de um segundo Sorento esqueceu-se de que era uma criatura imortal, com duzentos e cinqüenta anos de existência, fadada a matar outros para sobreviver. Apenas queria sentir o contato daquela boca morna em seu corpo. Recordou-se de algo que outro imortal lhe contara. Que quando se encontra sua alma gêmea, alguém com o qual se tem certeza de que se quer passar toda eternidade, o contato entre ambas é algo único, superior aos costumeiros sentidos humanos. Ao notar a forma como seu corpo reagia teve a mais profunda certeza de que Mime era seu escolhido. Precisava apenas confirmar se tal sentimento, tal sensação, era recíproco. Roçou de leve os dedos gélidos naquela bochecha corada, sentindo-o arrepiar-se todo. Sim, pelo jeito a recíproca era verdadeira.

Sentiu quando os lábios de Mime, após percorrerem de maneira sensual o contorno de suas nádegas, desceram por seu órgão, tomando-o quase todo em sua boca. Gemeu ao contato, aquele calor todo que se desprendia daquele anjo ruivo a lhe enlouquecer. Levou sua mão à cabeça do norueguês, que suspirou ao sentir os delgados dedos alisarem sua nuca. Aquele estranho rapaz que aparecera, tal qual o anjo de seu sonho, o fascinava como nenhum outro fora capaz. Os olhos de brilho rosado pareciam decifrar cada segredo de sua alma. Sua voz forte e musical lhe causava taquicardia. O toque daquela pele levemente fria o arrepiava e lhe despertava uma excitação tal que não se sentia senhor de seus atos. Queria apenas ficar com o misterioso homem. Nem seus sofrimentos ou sua vontade de deixar de viver, nada disso importava. Estava sentindo, coisa que há muito tempo não sabia o que era.

Entre respirações arfantes e gemidos cada vez mais elevados, Sorento pediu para que o norueguês parasse, pedido acatado imediatamente, apesar do olhar confuso que o outro lhe lançara. Inverteu as posições, deitando o ruivo delicadamente na cama. –Você está muito vestido... –disse entre arquejos, sua voz a sair rouca e trêmula. Aproximou seus lábios do ouvido de seu anjo e murmurou –Agora é a minha vez...

Notou os olhos róseos brilharem em expectativa. Ao ler-lhe a mente percebeu que nenhum pensamento tinha mais coerência. Queria apenas senti-lo, não queria saber de mais nada que não fosse o momento presente.Sorriu segundos antes de começar a lamber-lhe o pescoço, enquanto seus dedos traçavam um caminho por sobre o peito, tentando encontrar o zíper da blusa. Mime gemeu alto ao sentir os lábios ligeiramente gélidos em seu pescoço. Num puxão arrancou a coleira que usava e cedeu mais espaço para a língua ávida do belo loiro. As sensações que o misterioso rapaz despertavam em si eram as mesmas do sonho. Não, eram ainda mais intensas e torturantes. Sua pele se arrepiava ao mínimo roçar de dedos. Mal começaram e já sentia seu baixo-ventre latejar dolorosamente, a implorar por alívio.

Com jeito Sorento conseguiu tirar a apertada blusa do ruivo, revelando a pele alva de seu tórax e os mamilos túrgidos, róseos como dois pequenos botões de flor. Lambeu e mordiscou cada um deles numa lentidão absurda, tomando cuidado para que seus caninos pontiagudos não machucassem aquela pele perfeita. Ouvia extasiado os gemidos cada vez mais altos e constantes do norueguês, tão harmoniosos quanto a mais sagrada das melodias. Desceu até o umbigo, a língua a ir fundo no pequeno buraco, suas mãos habilidosas a desabotoar os shorts que já não mais comportavam o rijo volume. Libertou seu anjo de todas as roupas e parou momentaneamente para observá-lo.

–Perfeito... –sussurrou sensualmente. Era, sem sombra de dúvida, o mais belo homem que já vira. Nem pinturas, esculturas ou fotos poderiam reproduzir com total fidelidade àquela beleza rara e etérea. Uma beleza que não podia ser comparada a nenhuma outra. Tão belo que merecia ser eternizado.

Beijou mais uma vez os lábios rosados, ao mesmo tempo em que começava a manipular o membro pulsante com destreza, arrancando uma série de gemidos abafados. Vê-lo contorcer-se de prazer era o que mais o estimulava. Os gemidos de lascívia, a fina camada de suor a cobrir o corpo pálido, a respiração ofegante, nada esmorecia a pureza e candura daquele pequeno Adônis². Na verdade, tudo corroboava para deixá-lo ainda mais divino, para torná-lo ainda mais apaixonante.

Com o pouco de sanidade que ainda lhe restava, Mime conseguiu alcançar a gaveta de sua mesa de cabeceira, tirando de lá um tubinho de tampa vermelha. Entregou ao loiro que, compreendendo a deixa, abriu-o, pôs uma quantidade do produto em seu dedo e, após posicionar-se entre as pernas do ruivo, introduziu-o no pequeno espaço entre suas nádegas. Ouviu um ligeiro suspiro de dor sair da boca de seu anjo e tentou estimulá-lo com movimentos de vai e vem, sentindo aos poucos o espaço se alargar. Juntou outro dedo a exploração, enlevado com a forma como Mime apertava os lábios para evitar que ainda mais ruídos escapassem.

Ao sentir os dedos o abandonarem, o ruivo já sabia o que o esperava. Sentiu a já tão bem conhecida dor o acometer de forma intensa. Cerrou os olhos com força, concentrando-se em esquecer a dor, mas até isso parecia diferente. Ao contrário das milhares de vezes anteriores, não era capaz de ignorar nada que sentia junto a Sorento. Que espécie de poder o belo rapaz exercia sobre ele? Foi o que pensou segundos antes de sentir os delgados dedos circundarem seu órgão, estimulando-o. Abriu os olhos e deparou-se com dois orbes de fulgor róseo fixos em si. Um meio sorriso acabou por escapar de seus lábios quando moveu-se insinuante, num claro pedido para que prosseguissem.

Iniciaram um lento jogo de movimentos. Não tardou muito para imporem um ritmo, os corpos num perfeito cadenciar, como se ambos se pertencessem há muito tempo. Era impossível precisar quem desfrutava mais do prazer que o outro proporcionava. Ambos estimulavam-se cada vez mais com gemidos, sussurros, toques e beijos. Intoxicavam-se mutuamente, uma doce intoxicação, que elevava os sentidos, afastava toda e qualquer forma de razão, uma intoxicação que parecia levá-los ao paraíso.

Os movimentos tornaram-se cada vez mais vigorosos e profundos. Mime sentia-se cada vez mais próximo ao clímax. Sentiu os lábios do loiro circundarem seu pescoço, o que o fez gemer alto, espasmos violentos começavam a inundar seu corpo. Sorento, percebendo-se disso, estocou mais fundo, ao mesmo tempo em que cravava seus dentes no alvo pescoço. Com um grito estrondoso o belo norueguês atingiu seu ápice, inundando a mão do vampiro, suas forças a abandonarem-no em seguida. O sangue jorrava abundantemente da ferida e a criatura das Trevas gemeu de forma descontrolada ao sentir o doce sabor em sua boca, ondas de puro prazer a lhe varrerem o corpo preternatural. Sorveu mais um gole e uma sensação de libertação o envolveu. Não estava mais preso ao corpo imortal ou a sede por sangue. Tudo era iluminação e serenidade.

Custou para afastar-se daquele néctar dos deuses. Fê-lo pouco antes de sua mente voltar ao plano real. Mordeu de leve sua língua e, ao pingar seu poderoso sangue, a ferida cicatrizou-se completamente. Contemplou a figura semidesacordada em seus braços. Sentiu seu coração apertar. Um anjo. Não havia outra palavra capaz de descrever o ruivo com tamanha perfeição. Ele era um anjo.

–Eu te amo –sussurrou-lhe ao ouvido antes de vê-lo cair em sono profundo. Num gesto extremamente humano, acariciou-lhe os cabelos revoltos com candura.

Ergueu-se da cama e arrumou a bagunça que haviam feito. Trocou a roupa de cama e vestiu-lhe um pijama. Durante o restante da madrugada apenas lhe velou o sono. Mime parecia uma criança a dormir profundamente. Deu-lhe um último beijo antes de sair pela porta. Desceu a torta escadaria e, após falar com brevidade com Cassius, saiu, rumo a seu lar.

"Um anjo..." –pensou Sorento conforme caminhava pelos telhados – "Teria eu coragem de, com meu dom das Trevas, macular esse anjo?".

Continua...


Notas:

¹ Eros é o deus do amor. Em algumas versões um deus tão antigo quanto a Terra, em outras é filho de Afrodite. Sua representação mais comum é a de um menino com asas que carrega um arco e flechas, as quais dispara tanto em deuses quanto em mortais. (Uma de minhas lendas favoritas é a de Eros e Psiquê).

²Adônis é a representação da beleza masculina. Um belo mortal por quem Afrodite se apaixona, porém ele acaba sendo morto por um javali enviado por Ártemis (em outra versão seria por Ares, que ficara enciumado pela predileção da deusa ao mortal).


Comentários da autora:
Hello!!

Para ser sincera eu atualizei essa fic mais rápido do que esperava. Fazia parte dos meus planos atualizar a The Rage Beat e a Um certo alguém antes de publicar esse capítulo, mas como ando travadíssima com elas (por conta de uma pá de trabalhos e provas, além do bloqueio criativo mesmo T-T) e boa parte desse capítulo já estava pronto antes mesmo de publicar o primeiro, decidi fazê-lo logo, ou então era capaz de vocês esquecerem de mim (brincadeirinha...) XD.

Deu pra perceber que ele ficou bem maior que o primeiro, né?? Pensei em dividi-lo em dois, mas como perderia o sentido, não o fiz. Espero que vocês tenham paciência o suficiente de chegar até aqui.

Queria pedir desculpas por meu sumiço, mas disse que as coisas andam complicadas. Terceiro ano do Ensino Médio não é brincadeira -.- Vou atualizando quando dá, mas tenho como prioridade a escola...acho que vocês me entendem, né??

Mudando de assunto: o que acharam do lemon? É o segundo com eles que eu faço e acho que é um dos melhores. Mas isso é mera opinião pessoal. Estou gostando demais dessa fic. É diferente de tudo que já escrevi. E cada dia me apaixono mais pelo o Sorento como vampiro XDD.

Hum...acho que é só por hora. Prometo não sumir, bem ou mal vocês sempre terão de me aturar (brincadeirinha parte II).

Obrigada pelos reviews:

AnnaChanHxS (é uma honra receber um review seu. Ainda mais numa fic minha de um casal que você nem é fã),

Jasmine Riddle (o Sorento realmente é um vampiro e tanto...x3),

Gustavo.Friend (o único garoto que conheço que lê minhas fics. Obrigada sempre pelo apoio, viu??),

Lamari (anda sumida,heim? Estou com muitas saudades de você, nossas conversas de MSN e suas fics incríveis. Dê um sinal de vida ou vou começar a me preocupar seriamente XD),

Aquarius Chann (obrigada pelos elogios a minha narrativa. Espero que minha fic continue agradando-a),

Ansuya (também adoro temas vampirescos, por isso mesmo meu receio em mexer num universo que gosto tanto. Valeu pelo apoio.),

Srta. Meiko Kimura (não abandonarei a UCA. Escrevo nela quando posso, mas que o tempo anda correndo contra mim ahh anda. Espero que o Sorento como vampiro esteja a seu gosto),

Enfermeira-chan (mesmo que demore a receber reviews seus eu fico com um sorriso de orelha a orelha quando você deixa um comentário, viu?? Obrigada pela sugestão de nome pro capítulo. Ela caiu como uma luva. Espero que tenha gostado).

Kissus para todos que acompanham minhas idéias insanas.

/Mi-chan/

PS: Tirei a inspiração da roupa do Mime desse vídeo aqui, da minha banda JRock favorita, Malice Mizer: http(dois pontos, duas barras) www .youtube .com/ watch?v(sinal de igual)bogu(underline)y54NIc&mode(sinal de igual)related&search (recortem, colem e tirem os espaços e add os símbolos que escrevi entre parentesis, ok??). E não se confundam pois são todos homens ali (até o Mana-sama, loirinho que parece demais uma mulher). A roupa foi inspiradíssima no Gackt (o vocalista). Ouçam a música também pois ela é demais (minha favorita depois da "Ju te veux").