19° Capítulo: O Casamento de Pedro e Luanna
Naquele dia a corte amanheceu de forma diferente. Se passara um mês com os preparativos do casamento do Rei Pedro e da Rainha Luanna. Convites enviados para os países vizinhos, e para as terras longínquas ainda pertencentes a Nárnia, todos agora estavam presentes. Lúcia e algumas linces haviam conseguido uma ornamentação muito bela de flores coloridas. E todo o salão de festas, do teto imenso ao chão, estava cheio de flores, o perfume adocicado dando uma sensação de grande felicidade. Edmundo cuidou para que todos os convidados de longe fossem acomodados no castelo, e cuidou da segurança do local. Alguns inimigos mais pesados poderiam atrapalhar as comemorações, diante das reunião de líderes dos países e regiões de Nárnia.
Então o Sr. Castor O viu. Ele caminhava, com suas Patas firmes, pela areia da praia. O velho Castor correu para chamar os outros, e Lúcia desceu as escadas de mármore correndo, para ver o Grande Leão sorrir, com seus dentes afiados, para a menina. Ela ajoelhou-se, e em seguida O abraçou.
- Aslam! Imaginei que viria.
- O Rei Pedro me chamou, algumas vezes.
- Então entre, já estamos perto de começar.
Ela encaminhou o Leão silenciosamente para onde os irmãos estavam. Pedro o abraçou, seguido de Edmundo, depois dos dois fazerem uma grande reverência para o Leão.
- Que bom que veio! – conseguiu dizer Pedro.
Foi com uma música muito bela, cantada por faunos, sátiros e alguns tritões, que Aslam entrou na frente de Pedro e Lúcia. Pedro vestia um bonito blusão vinho com saiote até próximo do joelho, com as cores douradas de sua coroa tilintando junto com os adornos da mesma cor nas mangas, botões e nas barras do blusão e da calça dourada. As botas eram também na cor vinho e uma longa capa dourada cobria-lhe as costas. Seus cabelos alourados já um pouco longos foram domados com a ajuda da grande e pesada coroa que carregava na cabeça.
Já Lúcia trajava-se com um belo vestido verde escuro, com adornos prateados em volta de toda a borda. Seus sapatos eram prateados e sua coroa reluzia na mesma cor. Seus cabelos negros estavam totalmente presos numa bonita trança, que chegavam até o ombro.
O Leão conduziu os dois Reis para o centro do salão, onde tinha um bonito altar de pedra esculpido pelos anões para aquela ocasião. Lúcia viu as pedras preciosas incrustadas, e ficou maravilhada com aquela obra. Logo depois, ao som de náides, dríades, lindos canários e as sereias do oceano, a grande porta do salão de festas se abre e dela passam o Sr. e Sra. Castor, o fauno Tumnus, Bico e uma lince negra.
- Ela está vindo. – anunciou a Sra. Castor. – Nunca vi algo tão belo como a Rainha Luanna, nesse momento.
Os bichos mais próximos da porta de entrada lançaram um 'oh' tão maravilhados que seus olhos não conseguiram se desgrudar da Rainha, que acabara de cruzar a porta e adentrava no Castelo. E então Pedro a viu. Trazida por Edmundo, ela estava mais do que radiante. Edmundo estava vestindo seu blusão prateado contra a capa azul, suas botas azuis e seus adornos prata combinando com sua coroa.
De braços dados a ele, entrava Luanna, mais bela impossível. Seu vestido branco descia um pouco no colo, e as mangas caíam pelo ombro, curtas. Seus braços desciam nus até as mãos, por sua vez cobertas por finas luvas brancas com rendas, feitas manualmente. Mas os dedos permaneciam descobertos. O vestido afinava na cintura, e em seguida descia numa bela saia não muito fofa, mas dando volume, cobrindo-lhe toda a perna. Usava sandálias brancas com rendas e brilhantes incrustados.
Sua cabeça reluzia a coroa dourada, seus cabelos loiros iam presos pela metade por um arranjo leve debaixo da coroa, e leves cachos desciam em seus ombros, nos cabelos parcialmente soltos. Flores amarelas ornamentavam um belo buquê, que ela trazia na mão esquerda (a direita abraçava nervosamente o braço de Edmundo).
Ao ver Aslam ao centro, a sorrir-lhe, seus olhos encheram-se de lágrimas. E ela continuou caminhando até Pedro e Lúcia, sorrindo. Os bichos também choravam (as mulheres), e todos sem conseguirem tirar os olhos da noiva. Ao chegar ao centro, Edmundo a entregou a Pedro, e ela sorriu para Lúcia. Os dois mais novos postaram-se cada um ao lado de Aslam, lá no pequeno altar de pedras preciosas, onde também estavam o fauno, Bico e a lince. O Sr. e Sra. Castor traziam mais uma coisa para eles dentro de uma caixinha vermelha.
Então a Voz falou:
- Venham, Narnianos e países livres. – Ele sabia que a Calormânia não havia comparecido. – Pois agora há o momento em que a felicidade do Grande Rei Pedro, o Magnífico, e da Rainha Luanna, a Bela e Gentil, se unem. Todo ser que opta por ter ao seu lado uma companheira sabe que o momento deve ser esperado com alegria, para que, ao unir-se com ela, sua felicidade esteja completa.
- A Magia Profunda, muito Antiga na aurora do Tempo, há agora de ser evocada. Ela é o próprio Amor. E o Amor une os Reis de Nárnia. O Amor que os une foi a salvação de Nárnia contra a Feiticeira Branca. O Amor entre os Reis trouxe-nos a liberdade. É sábia a palavra que vem do coração, pois ela nos torna seres e pessoas com capacidade de compreender a imensidão até da própria Magia Profunda. Eu sou a Magia Profunda, e Ela é o Meu Pai. E o Amor é o Terceiro Elemento, o elo que complementa todos os outros, e todas as coisas.
Ele disse, e, virando para os dois juntos ao altar, disse:
- Agora vocês devem consentir um ao outro:
Luanna sorriu nervosa, mas Pedro foi na frente:
- Eu, Pedro, simples homem, em nome do meu Amor, prometo a ti, bela Luanna, ser o mais respeitoso e devotado esposo e companheiro, em todos os dias de nossas vidas, que agora serão uma só. Eu sei que a tua presença ao meu lado me faz homem, e quero essa presença em constância com a minha, pois eu a amo imensamente, e que seja declarado abertamente para todos os reinos esse amor que me completa.
Ela derramou lágrimas de felicidade, junto com Lúcia. Então, olhou para o seu amado a sua frente e disse-lhe:
- Eu, Luanna, uma simples mulher, te recebo, Pedro, não um simples homem mas Grande Rei, para ser meu mais respeitoso e devotado esposo e companheiro, por todos os dias de nossa vida, por também saber que o meu Amor por ti já não existe mais sozinho. Se eu te faço homem, tua presença me acalma e me faz sentir-se a mais feliz das mulheres, que seja declarada para todos os reinos que meu amor conjugal é todo teu, e somente teu, meu amigo, companheiro, amante e Rei.
Todos já estavam muito emocionados nesse momento, e ao verem o Rei encher os seus olhos de lágrimas prontas para caírem, derramaram-se mais ainda, contemplando aquela felicidade abrasante. Continuou o Leão:
- O Amor de vocês será dessa vez selado. Nenhuma outra força, qualquer que seja ela, pode destruir essa união. Está selado como fogo e brasa, e um não existe sem o outro. Um torna o outro compreensivelmente sábio, e dotados de bons sentidos. Que assim seja, até que o destino de vocês, já lançados na Aurora do Tempo desde os seus nascimentos, encontre o seu fim.
Luanna sorriu para o Grande Leão, e Pedro permanecia imensamente cheio de paz, com os olhos ainda lacrimosos. O Sr. e Sra. Castor aproximaram-se dos noivos, e Pedro retirou da pequena caixa o Grande Anel, e desposou sua noiva.
- Esse anel é o sinal do comprometimento e da felicidade. Pela força existente naquilo que muitos não compreendem, ele subsistirá para sempre.
Depois daquelas palavras serenas, todos festejaram. Os noivos dançaram durante toda a noite, e divertiram-se com os bichos animados. Os presentes foram os melhores, e os convidados ficaram maravilhados com todo o castelo, desde a decoração até a cerimônia, pouco comum até aquele dia. Todos também falavam do reaparecimento de Aslam. Muitos nunca tinham visto o Grande Leão, e uns até sentiram-se muito incomodados com Ele por lá. Edmundo educadamente os convidou a se retirar. Souberam-se depois que eram espiões da Calormânia.
Antes de ir, Aslam observou os noivos por um longo período, e, ao perceber a presença de Lúcia ao Seu Lado, curiosa para saber no porquê do Grande Leão não tirar os olhos dos dois, Ele sorriu, e em seguida pediu a menina-Rainha que chamasse a noiva até Ele, perto das escadas na entrada do castelo.
Lúcia fez o que Ele pediu, mas desconfiava que quando Luanna chegasse, Ele já tivesse ido. A Rainha chegou, sem a companhia de Lúcia, pois ela sabia que Ele pedira somente a Luanna para ir. Ele a esperava, pronto para partir. Ela ajoelhou-se, e o abraçou carinhosamente.
- Já está de partida, imagino.
- Minha filha, pedi que viesse apenas para dizer-lhe algo.
Ela sentiu o peso das palavras ainda não faladas por Aslam, e consentiu com a cabeça.
- Estou de saída, e vai se passar muito tempo até nosso reencontro. Até lá, pedirei apenas uma coisa: confie no Amor.
- Então eu poderei duvidar Dele? – ela entendia que Ele falava do futuro.
- Sábia Rainha. Não tens que se preocupar com isso. Pense que, as vezes, o que nós mais queremos é a coisa mais difícil de se conseguir. E só quando chegar o seu tempo, é que saberá. Pode demorar anos, mas lembre-se disso. Há um propósito, pois como disse antes, seu destino já foi lançado desde o seu nascimento. Confie no Amor.
Ele viu Pedro aparecer na porta, e sorriu para Luanna.
- Não é necessário pensar nisso agora. O seu Rei a espera. Vocês terão um longo e feliz reinado juntos. Não o deixe esperando. – ele dizia aquilo com tristeza? – pensara Luanna.
E o Leão continuou a andar na praia, com a cabeça baixa, sem olhar para trás, deixando Luanna e Pedro, agora abraçado a ela, a observá-lO, os dois com lágrimas nos olhos.
