N/A: Olha quem atualizou rapidinho dessa vez! E o capítulo está até maiorzinho, hein!

Olha, não sei o que vocês esperavam desse capítulo; na verdade, eu nem sei como o escrevi. Eu simplesmente deixei as idéias fluírem. Quem leu 'Diário (...)' talvez encontre algumas coisas parecidas aqui... mas garanto que essas semelhanças não se repetirão. Não pretendo fazer uma fic cópia da outra. O que posso dizer é que foi um pequeno deslize da autora, ou então as personagens é que pedem por atitudes assim... Ah, e esse capítulo está um pouquinho dramático. Fazer o quê, eu sou dramática... mas os próximos capítulos serão mais animados, prometo!

Bem, obrigada pelas reviews, mesmo as ameaças, me deram força para continuar! Beijos a todos, e espero que gostem do capítulo!

Ah, recapitulando: o terceiro capítulo terminou com os amigos descobrindo da amizade deles no café-da-manhã...


Dando Errado

- Pontas, não pense que eu vou engolir essa historinha de amizade espontânea – sussurrou Sirius depois do café, quando se dirigiam para as estufas. As garotas estavam à frente conversando distraidamente – Você vai ter que me contar tudo direitinho, tim-tim por tim-tim!

- Está bem, Almofadinhas. Na aula de História da Magia.

- Ta bom...

A aula de Herbologia correu normalmente, alguns quase foram devorados por plantas, nada mais comum, e logo depois, os alunos do sétimo ano voltaram ao castelo para a monótona aula de História da Magia...

- ... E então os duendes resolveram se juntar aos elfos na grande batalha contra os gigantes que ocorreu no ano de 1234 quando os bruxos começavam a ser descobertos pelos trouxas o que mais tarde deu início à Grande Caça às Bruxas que matou muitos bruxos mas alguns não perderam seus poderes e se protegeram nas florestas quando os centauros travavam batalhas contra trasgos... – dizia o professor Binns, o fantasma, para uma turma entediada e que não prestava atenção.

(N/A: essa é a minha idéia de aula do Binns: muita informação, tudo misturado, sem sentido, e sem pausas. E eu inventei tudo isso aí.)

James estava distraído, o olhar na direção da janela que podia se ver através do fantasma, quando um bolinho de pergaminho maltratado pairou sobre sua mesa descrevendo uma trajetória graciosa. James o abriu:

Pode soltar, Pontas. - S

James respondeu no mesmo pedacinho de pergaminho numa caligrafia fina e caprichada, diferente dos garranchos do amigo.

Eu disse que ia mudar de tática, não disse? Então, decidi propor uma trégua. Propor amizade. Exatamente como explicamos no café. Nada de mais. - J

Mas a ruivinha esquentadinha aceitou assim, numa boa? Não acredito que tenha sido tão fácil. Senão você teria tentado antes! - S

Já disse, Almofadinhas, foi só isso. Sei lá, de repente ela tava de bom humor. O importante é que eu consegui ficar numa boa com ela. E até que é bem conveniente estarmos nos dando bem, com todo esse lance de sermos monitores-chefes. Especialmente agora que ela está solteira novamente... - J

Haha. Esse é o Pontas que eu conheço! – S

Mas Sirius, uma coisa que eu ainda não entendi... esse seu lance com a Marlene... é sério mesmo? – J

Olha Pontas, nunca pensei que fosse dizer isso... mas é sério sim. Sei lá. A Lene é diferente das outras garotas que eu fiquei. – S

Isso porque ela não fica te endeusando como as outras e vive atacando o seu ego! – J

Haha, muito engraçado. Mas acho que você não pode falar muito sobre ego, principalmente se considerarmos o que sua querida Lily acha dele, não é Pontas? Ah, mas em todo o caso... eu acho que gosto da Marlene... e que ninguém mais saiba disso! - S

Hehe, seu segredo está a salvo comigo! Mas só se manter secreto o que eu sinto pela Lily! - J

Aí, meu caro James, acho que você está perdido. Porque o seu grande amor pela senhorita Evans, não é segredo pra mais ninguém em toda Hogwarts. Acho que só a própria Lily não sabe... ou então não se importa... – S

É... E como eu gostaria que ela se importasse... - J

xXxXxXx

Naquela noite, no dormitório feminino da Grifinória, quatro garotas conversavam sem receios.

- Ei Lene, você e o Sirius... é pra valer? – perguntou Lily, enquanto escovava seus cabelos ruivos, já usando pijamas, sentada em sua cama.

- Olha Lil, eu acho que sim... sei lá, quando se trata de Sirius Black, nunca se sabe... mas eu gosto dele, de verdade, e espero não me decepcionar... a gente não conversou muito sobre isso... quando vi, já estávamos agindo como namorados. Bem, só espero que continue assim... – respondeu a morena despreocupadamente, se ajeitando ao espelho e depois procurando um par de meias na gaveta da cômoda.

- Mas agora, Lily, a pergunta que não quer calar: como, eu pergunto, como, você aceitou ficar amiga de James Potter, de repente, sem nenhum motivo aparente? – perguntou Alice, sem rodeios. Ela era sempre direta quando queria.

Lily corou um pouco, mas respondeu tranquilamente.

- Ah, Lice, eu finalmente decidi dar ouvidos ao que vocês vivam me dizendo. Sabe, sobre o Potter não ser tão ruim, e como minhas brigas com ele eram meio idiotas. Acho mesmo que ele possa ter mudado, vai saber... – a ruiva continuava escovando os cabelos, com mais agilidade e nervosismo agora.

- Então você resolveu dar a ele uma chance? – perguntou Emmeline, saindo do banheiro e entrando na conversa.

- É... é isso, uma chance. Ei, vocês sabem da Adams? – perguntou Lily, mudando bruscamente de assunto.

- Ah, provavelmente deve estar por aí com o... ah, você sabe quem... – respondeu Marlene, logo se arrependendo do que dissera ao ver o rosto da amiga murchar. – Mas talvez ela esteja no dormitório das garotas do sexto ano... você sabe que ela vive por lá com a irmã... - Lily considerou, recuperando um pouco do ânimo. Alice chacoalhou a cabeça e retomou o assunto anterior.

- Mas é uma chance restrita à amizade, ou você talvez aceite sair com ele? – insistiu Alice.

- Quê? Sair com o Potter? Não, nunca. Ainda acho ele meio insensível. Não, o que temos é só amizade e é assim que deve ser. – disse por fim, largando a escova e pousando-a sobre o criado-mudo.

- Tudo bem, Lily Evans, você é quem sabe... – disse Marlene com uma voz etérea, se enfiando sob suas cobertas. – Boa noite.

As outras três garotas responderam 'boa-noite' e foram dormir. Mas Lily ficou pensativa. Será que o fato de ela ter dado uma chance para a amizade de James, significava que ela estava dando uma chance para um futuro relacionamento com o rapaz?

xXxXxXx

A semana correu normalmente, mas as garotas do sétimo ano da Grifinória não puderam deixar de notar a falta de uma companheira de quarto (por mais que indesejada) durante toda a semana. Não viam Melissa Adams nas refeições, nas aulas, na sala comunal, muito menos no dormitório. Era como se ela tivesse desaparecido, e ninguém parecia se importar realmente. A única que estranhava era Lily, mas decidiu deixar para lá. Não queria perder seu tempo pensando em coisas desagradáveis, como o pivô do seu dramático rompimento com Bryan Leigh.

xXxXxXx

Na noite de sexta-feira, Lily e James patrulhavam os corredores, após concluírem alguns relatórios da monitoria, e conversavam animados. Lily tinha deixado de lado um pouco o seu receio quanto a ter alguma coisa mais séria com James. Era melhor e mais sensato esquecer qualquer faísca de sentimento que um dia achou ter sentido pelo maroto. Provavelmente não era nada de mais. E só estragaria a amizade que ela tanto estava apreciando.

Enquanto James contava a Lily sobre sua última partida de quadribol contra a Lufa-Lufa, antes do feriado de Natal, a garota perguntou:

- James, porque você gosta de quadribol?

O rapaz desmanchou o sorriso aberto lentamente até ele virar apenas um esboço, enquanto pensava na pergunta da garota, que se surpreendeu. A ruiva achava que a resposta seria imediata e conteria toda a emoção das regras do jogo e terminaria por tentar convencê-la de que era o melhor jogo do mundo. Mas ela realmente teve uma surpresa.

- Ah, o jogo em si nem é muito interessante. Eu gosto mesmo é de voar. Sabe aquela sensação quando você monta na vassoura (N/A: sem mente poluída aqui, hein!) e vai pegando impulso... aí você se vê voando entre as nuvens, o vento batendo no rosto, dá uma sensação de liberdade indescritível... e é por isso que eu jogo quadribol. Só pelo simples prazer de voar.

- Nossa... sua resposta me surpreendeu bastante. – ele fez um gesto de agradecimento, como uma reverência, com as duas palmas erguidas e sorrindo – Deve ser uma sensação maravilhosa...

- Ué, você nunca voou? – ele perguntou com uma sobrancelha erguida. Lily balançou a cabeça negativamente, recomeçando a andar. – Mas, nem no primeiro ano? Todo mundo aprendeu a voar!

- Ah, todo mundo menos eu. – respondeu ela com descaso – Eu não conseguia nem fazer a vassoura subir. Lembro que fiquei horas com a professora depois da aula tentando, e vários dias que se seguiram depois, e ela disse que se eu pelo menos conseguisse que a vassoura subisse já estava ótimo. Aí eu esperei ela se distrair, lancei um vigardium leviosa na vassoura, e a professora achou que tinha sido eu. Aí eu nem precisei montar e mostrar que eu sabia voar, porque aleguei que tinha aprendido só de observar. E como ela já estava de saco cheio (sabe como é, duas semanas ensinando uma aluna boba a dizer "suba" para uma vassoura velha...), me deixou passar sem o teste de vôo...

James escutava ao discurso da ruiva tomado por um sentimento de admiração e identificação que enchia seu peito e não o impedia de sorrir.

- Lily... – conseguiu dizer enfim, os lábios abertos formando um de seus sorrisos alegres e contagiantes - Você trapaceou num teste! – a garota pareceu ofendida e quis se defender.

- Não! Eu não trapaceei, eu só poupei a mim e à professora de um esforço desnecessário...

- É, mas você trapaceou! – Lily parecia horrorizada com a descoberta de tal fato.

- Ai meu Merlin, eu sou uma pessoa horrível! – James não pôde evitar rir da garota – Agora vai rir de mim, é?

- Não, eu só acho muito... lindo isso... quero dizer, você toda preocupada por ter trapaceado num teste... – Ela o olhou com os olhos verdes grandes e entristecidos – Mas não é ruim você ter trapaceado... quero dizer, todo mundo faz isso ao menos uma vez e... bem, eu gostei de descobrir essa característica nova em você... – ele completou timidamente, com as mãos nos bolsos.

Era no mínimo fofa a expressão de James naquele momento.

- Ah, cala a boca! – ela disse divertida - Você só está dizendo isso porque vive fazendo esse tipo de coisa! – James não pôde discordar e os dois riram. – E já que estamos falando disso... eu me pergunto, James Potter, como você consegue notas respeitáveis, quando não o vejo estudar nem um segundo sequer, e ainda por cima, não presta atenção nas aulas?

James estreitou os olhos por detrás dos óculos e com um sorrisinho de boca fechada, disse:

- Hum... promete guardar segredo?

- Claro, mas fale logo! – ele riu um pouco.

- Ok... não vá espalhar... a verdade é que... eu estudo sim. – Lily pareceu chocada com a revelação. – Que foi? Achou que eu colava nos testes e trabalhos?

- Bem... não vou dizer que não pensava que sim... mas... você estuda? Como? Quando? Nunca te vejo na biblioteca – um leve revirar de olhos da parte do maroto – e você sempre está zanzando pelo castelo ou pelos jardins. Como arranja tempo para estudar e fazer os deveres? Sempre achei que copiasse tudo do Remus...

- Nossa, Lily, assim você me ofende... – a vez dela revirar os olhos – É claro que eu não fico de bobeira por aí lendo um livro escolar... estragaria minha reputação... – disse presunçoso, bagunçando os cabelos - Eu só estudo em véspera de exames, junto com o Remus no dormitório, e faço os deveres quando o Remus está fazendo também. E as aulas... eu pareço não estar prestando atenção, mas registro tudo. Lembro de tudo, tanto que consigo realizar as práticas em sala. Só em Poções que não tem jeito... nem prestando atenção na aula...

- Ah... você poderia fazer dupla comigo na próxima aula de Poções... – disse Lily, logo escondendo uma careta que tinha feito ao pensar no que tinha dito. Mas já que tinha falado, resolveu continuar, tentando parecer casual – Sabe, eu poderia te ajudar...

- Eu agradeço o convite, mas... não sei, o professor Slughorn parece ter uma implicância comigo...

- Só porque você vive atrapalhando a aula dele...

James sorriu concordando.

- Então... talvez eu faça dupla com você em Poções na próxima aula...

Lily sorriu levemente e os dois permaneceram em silêncio. O silêncio começou a ficar constrangedor. Concordaram então que já tinham patrulhado o castelo todo e já poderiam voltar para a Torre, e finalmente dormir.

xXxXxXx

Na manhã de sábado, Lily estava na biblioteca quando foi surpreendida pela presença de um ser que não esperava ver tão cedo.

- Er... Lily, posso falar com você? - Lily ergueu os olhos de sobressalto para o garoto loiro que se encontrava à sua frente. Amarrou a cara e fechou o livro que lia com violência, e se adiantou para sair da biblioteca. – Espere, Lily, por favor! Eu preciso falar com você!

- Mas eu não preciso falar com você! – vociferou de volta a garota.

- Por favor, Lily, me escute! – suplicava o garoto, se ajoelhando aos pés dela. Lily corou de raiva e praguejou baixo.

- Levanta daí, Bryan! – ele logo se reergueu e tomou as mãos da garotas, que ela logo fez questão de soltar. – Está bem, vamos conversar. Mas não aqui no meio do corredor. Vem.

Lily chamou o garoto para uma sala vazia no andar em que estavam, e tratou para que ninguém os tivesse visto entrar e nem viesse incomodar. Não pensou no que poderiam ser as conseqüências de ficar numa sala sozinha com seu ex-namorado aparentemente aficionado por ela.

- Ta legal, fala. O que você quer? – perguntou a ruiva friamente, olhando nos olhos azuis de Bryan e cruzando os braços fortemente contra o peito.

- Lily... não me olha assim... esse seu olhar frio me mata por dentro... – disse o garoto num tom de súplica.

- Bryan, não enrola. O que você quer? – repetiu a garota impaciente e entre dentes.

- Lily... eu sinto muito pelo que houve entre eu e a Melissa... eu fui um... idiota por ter me envolvido com ela enquanto ainda estávamos namorando...

- E? – ela disse com descaso.

- E daí que eu me arrependi muito... você é uma garota maravilhosa... e eu não deveria ter feito aquilo com você... me perdoe...

- Olha, eu posso até aceitar as suas desculpas, e no futuro, até te perdoar. Mas não pense que eu vou voltar pra você!

- Mas...

- E a Melissa, Bryan? Pensa que eu esqueci? Você estava se encontrando com ela enquanto ainda estávamos namorando! Você não pretendia me contar nada! E ainda foi com ela ao baile no mesmo dia que terminamos tudo! Não tem vergonha de nada disso? E eu nunca mais me senti à vontade no meu próprio dormitório desde aquela maldita festa; mesmo quando ela não estava lá. Então não me venha com esses seus papinhos que enganam qualquer umazinha não. Não quero ver você nunca mais, Bryan, nunca mais!

O garoto ficou em silêncio por um momento. Lily estava vermelha e os cabelos já tinham se soltado do coque que fizera. Respirava fundo e olhava fixamente para o garoto à sua frente, odiando o momento em que o conhecera. Quando se acalmou, fez um movimento para sair da sala, mas Bryan se precipitou e agarrou-lhe a mão.

- Lily, por favor, volta pra mim! Eu te amo! – era patética a tentativa do loiro de reatar com a ruiva.

- Me solta, Bryan, eu já disse que... – ele a beijou e ela começou a socar-lhe o peito e assim que pôde o empurrou para longe. O garoto não viu o feitiço que o atingiu, mas foi lançado para o outro extremo da sala. – Nunca mais se aproxime de mim!

E Lily saiu dali batendo o pé e correu de volta para sua sala comunal. Chegando lá, não encontrou ninguém com quem pudesse conversar a respeito; por mais que estivesse frio e houvesse neve lá fora, todos estavam se divertindo nos jardins, já que logo a neve derreteria.

Sentou-se emburrada no sofá vermelho, ao lado de uma garotinha do segundo ano, de cabelos castanhos espessos e óculos, que lia um livro silenciosamente. Lily ainda estava muito irritada e não pôde evitar um bufo de frustração.

- Hum... me desculpe, mas... ta tudo bem? – perguntou a garota timidamente, erguendo os olhos do livro que lia. Lily a encarou um pouco corada. Depois suspirou e respondeu.

- Não... não está tudo bem...

- Hum... tem alguma coisa que eu poderia fazer pra... hum... te ajudar? – tornou a falar a garotinha.

- Garotos são uns idiotas! – soltou Lily com um tom de voz frustrado. A garotinha não pôde evitar sorrir.

- Eu concordo com você. – Lily olhou para ela com um ar de criança.

- Qual o seu nome? – perguntou a ruiva.

- Anabeth Green, segundo ano.

- Prazer, Lily Evans, sétimo ano. – as duas apertaram as mãos sorrindo.

- Você é a monitora-chefe.

- É, eu sou.

- Bom... então, por que você acha que os garotos são idiotas? Eu os acho idiotas porque ficam implicando com os meus óculos e me dando apelidos que eu não gosto...

Lily estava gostando de conversar com a menina. Contou-lhe tudo sobre Bryan.

- Nossa, esse Bryan é mesmo um idiota. E ele ainda queria voltar a namorar com você?

- É. Não é um absurdo? – Anabeth concordou. – Bem... obrigada por me ouvir. Vou subir agora. Não estou com muita fome. Bom almoço pra você.

- Tchau, Lily.

xXxXxXx

Mais tarde naquele dia, Lily teve a oportunidade de conversar com suas amigas sobre o ex-namorado e ficou feliz que elas tivessem a mesma opinião que sua nova amiga Anabeth.

- E como é que está a Melissa nisso tudo? – perguntou Alice – Quero dizer, vocês viram o quanto ela estava feliz com esse 'namoro'... até tinha parado de pegar no nosso pé, e passava pouquíssimo tempo no nosso dormitório, o que era um alívio... mas e agora?

- Eu soube – começou Emmeline animada – que ela passou a semana inteira no banheiro das meninas chorando. Pelo o visto o Bryan terminou o que quer que tivesse com ela e correu direto pra você, Lil.

- Nossa, Emme, to impressionada com essas coisas que você descobre. Essa fofoca ainda nem se espalhou! – comentou Marlene surpresa, comendo alguns biscoitos. Estavam todas sob uma árvore frondosa nos jardins do castelo.

- Ah Lene, eu tenho meus contatos...

- Bom, se ela ta tão arrasada assim... não vai demorar pra vir me atazanar e dizer que a culpa é minha, e que... – nesse mesmo instante, apareceu Melissa, os cabelos louro-mel bagunçados, as roupas amassadas, a cara vermelha e absurdamente inchada, quase cuspindo fogo pela boca.

- Você!

- Não falei? – murmurou Lily entediada para as amigas, que quase riram da previsão da amiga (ou talvez fosse do jeito como Melissa se equilibrava sobre seu salto quebrado)

- Evans! Sua horrorosa! Por que você fez isso?! – berrou Melissa, acompanhada de duas amigas e a irmã, com iguais caras enfezadas e braços cruzados.

Lily prontamente se levantou, acompanhada de suas amigas, e encarou Melissa Adams firmemente.

- Olha aqui, Adams, se você está se referindo...

- O Bryan! – cortou Melissa – É claro que é dele que estou falando! Você o roubou de mim! – a essa altura, algumas pessoas no jardim observavam a briga.

- Peraí, não foi o contrário não? – perguntou Marlene sonsamente – Não foi você que ficou com ele na noite de ano-novo, enquanto ele ainda namorava a Lily? - Melissa bufava.

- Ora... isso... isso não tem nada a ver! Ele não gostava dela! Ele gosta de mim!

- Hum... então isso explica porque vocês ainda estão namorando, não é mesmo? – disse Lily, no mesmo tom de Marlene.

O que aconteceu depois foi inesperado. Ao invés de Melissa sair correndo e chorando, como era típico de seu comportamento, ela apenas berrou o mais alto que suas cordas vocais permitiram, atraindo mais atenção para a cena, e sacou sua varinha lançando uma azaração contra Lily.

A ruiva e as amigas logo desviaram e sacaram suas varinhas também. Assim que Lily ia lançar um feitiço qualquer em Melissa, a garota e as amigas desarmaram Lily, Alice, Emmeline e Marlene. Em seguida, as quatro foram atingidas e caíram ao chão, sem poder se mover com facilidade.

- Rá! Isso é pra você aprender a não se meter comigo, Evans! Agora voc... – mas antes que ela pudesse concluir a frase, Lily, que estava jogada ao chão, puxou a perna da garota, o que fez que ela caísse também.

Sem hesitar, Lily deu-lhe um tapa bem forte no rosto, ignorando completamente a multidão que se acotovelava para assistir a briga. Todos ficaram paralisados.

- Você é que não deveria ter se metido comigo. – disse Lily, com a voz controlada. – Não tem vergonha do que fez? Ficar se agarrando com o namorado de outra? E ainda diz que a injustiçada é você!

O silêncio se abateu sobre a área em que estavam. Até os garotos mais idiotas do quarto ano pararam de comentar sobre como fazer surgir lama no meio das duas.

De repente, do meio da multidão, apareceu Bryan aflito.

- Lily! Melissa...

Ele ergueu um braço para ajudar Lily a se levantar, mas ela recusou e se reergueu sozinha. Melissa e as outras garotas que estavam no chão também se levantaram.

- Você não tem algo a dizer pra nós duas não, Bryan? – perguntou Lily friamente, ignorando toda a multidão. James apareceu, acompanhado de Sirius e Remus, e observou a cena.

- Eu... eu... me desculpem.

Lily piscou, os olhos verdes brilhando de raiva. Ignorou que metade da escola estava assistindo à cena. Apenas se virou para sair dali o mais rápido possível.

- Espera Lily, eu ainda quero conversar com você... – chamou Bryan mais uma vez, correndo atrás dela e puxando-a pelo braço.

Nessa hora, James se precipitou para cima de Bryan. Mas antes que ele pudesse repetir o soco da festa de ano-novo, Lily se virou e acertou em cheio o nariz do garoto. Um grande "Oh!" se fez entre todos que assistiam; alguns até riram.

Bryan cambaleou, surpreso pelo golpe da garota, e caiu para cima de Melissa, que bobamente, não hesitou em ampará-lo.

- Oh, Bryan, meu querido, você está bem? Evans, sua louca! Venha, eu vou cuidar de você... – disse a garota, abrindo caminho em meio à multidão e saindo com o garoto.

Uma chuva de aplausos irrompeu da platéia que assistia à briga. Um sorriso enorme iluminou o rosto de James. Este se precipitou para abraçar Lily, mas ela apenas desviou e saiu dali, sem falar com ninguém. Teria ido para o castelo, mas sabia que encontraria Bryan e Melissa no caminho. E não queria lidar com as conseqüências de ter batido em dois colegas tão cedo. Fez então a única coisa sensata que pôde pensar. Enquanto escutava a voz autoritária de James mandando os alunos voltarem para o castelo, rumou para uma outra parte dos jardins, a cabana do guarda-caça.

Bateu na porta de madeira da choupana. Não houve resposta. Ficou nervosa. Contornou a casa e procurou pela orla da floresta. Achou Hagrid, o meio-gigante, saindo do meio da mata com um saco grande de conteúdo indescritível, mas que se mexia.

- Oh, olá Lily. Eu estava pegando uns...

- Olha Hagrid, será que eu poderia conversar um pouquinho com você, na sua cabana?

- Oh, claro, sim, entre. Vou lhe fazer um chá.

A garota adentrou a cabana trêmula e nervosa. Sentou-se numa das cadeiras grandes da mesa da pequena cozinha e observou a plantação de abóboras pela janela, agora, coberta de neve e sem vida aparente. Ouviu batidas na porta. Hagrid foi atender.

- Oh, James, como vai? – Lily logo fez um sinal de que não queria tê-lo por perto – Me desculpe, mas teremos que conversar outra hora. Volte mais tarde, sim? – Lily pôde ouvir a voz de James, abafada por estar do lado de fora, pedindo para falar com ela, mas o meio-gigante não o deixou entrar. Lily suspirou aliviada.

- E então, sobre o que quer conversar?

E então Lily contou-lhe tudo. Desde o baile de ano-novo, a conversa que tivera com Bryan pela manhã, até a briga daquela tarde. Hagrid escutou com atenção, bebendo o chá numa grande caneca e mexendo ocasionalmente na pouca barba que tinha sob o queixo.

- Nossa, estou impressionado. Deve ter feito um estrago e tanto no rapaz.

- Estrago fiz no meu pulso, que mal consigo mexer! – Hagrid sorriu – Mas pouco me importo. Mas você entende a minha situação? Eu estou me sentindo péssima, quando eles é quem deveriam estar se sentindo assim!

- É, esse rapaz agiu muito mal. Eu o tinha como um rapaz bom, educado... mas agora, depois do que me contou... não acredito que tenha feito isso com você, uma garota tão encantadora! – Lily corou um pouco e sorriu.

- Obrigada...

- Mas o que eu não entendi é porque não quis deixar o James entrar. Ele parecia estar preocupado com você. Me diga, Lily, você ainda tem aquela rixa com ele? Porque se tiver, eu lhe digo, o James é um bom rapaz... um pouco desmiolado, mas um bom rapaz... – Lily não pôde evitar um risinho.

- Não, não tenho mais nenhuma rixa com ele. Estamos amigos agora. Uma espécie de trégua.

- Trégua? Bom, isso é bom. Eu sempre disse que vocês dariam um casal adorável. Do jeito que esse garoto fala de você...

- Hagrid! – repreendeu Lily, corando, um pouco confusa.

- Opa! Acho que falei demais... bem; se ele perguntar, você não sabe de nada! – Lily sorriu, nervosa. – Bom, agora já está começando a escurecer. Acho que seria bom você voltar para o castelo...

- É... você tem razão. Preciso encarar tudo isso com seriedade e muita coragem. Não adianta fugir...

- Isso mesmo, senhorita Lily. Tome, leve uns biscoitos, você não comeu quase nenhum! – disse Hagrid, levando a garota até o lado de fora e entregando-a uma trouxa com biscoitos que mais pareciam pedras, mas que Lily aceitou por educação. – Ah, e se vir o James, diga que mandei um abraço!

- Certo, eu digo. Obrigada por tudo, Hagrid! Até mais ver!

- Até mais ver!

E Lily seguiu para o castelo.

A princípio, teve um pouco de medo e receio de adentrar o Salão Principal lotado e encarar todo o corpo docente de Hogwarts fofocando sobre sua briga com Melissa Adams e Bryan Leigh. Pior, sobre o motivo da briga. Seria a maior humilhação que poderia passar. Pior até do que da vez em que James levantou a sua saia no meio do Salão Principal e todos ficaram chamando-a de 'Lily Calcinha' durante semanas, no segundo ano. Não, o episódio da saia foi muito mais humilhante.

De qualquer forma, Lily estava com medo. Mas não poderia fugir. Não era sobre isso que tinha conversado com Hagrid? Sobre encara as coisas com seriedade e coragem? E afinal, ela não era uma leoa grifinória, corajosa até a morte? Pois bem. Não deixaria que os humilhantes detalhes sobre seu término de namoro afetassem sua integridade. Não tinha sobrevivido ao episódio da calcinha? Esse então seria moleza. Não havia razão para se preocupar. Iria adentrar o Salão Principal sem medo. Afinal, estava morrendo de fome.

Assim que entrou pelo salão, todos os olhares se voltaram para ela. Sentiu suas bochechas ficarem quentes, mas continuou a caminhar até a mesa da Grifinória. Avistou suas amigas e os marotos, e sentou-se junto a eles. Logo todo o salão cochichava a seu respeito.

- E aí Lily, tudo bem? – perguntou Emmeline, preocupada.

- Tudo... – respondeu a garota, com a voz acidentalmente fraca e que denotava completamente o contrário do que ela afirmara. – Fui visitar o Hagrid...

- Hum... olha, não se preocupe com essa estória. Amanhã todo mundo já esqueceu... – disse a loira, genuinamente.

- É... pode ser... – Lily se serviu de arroz e batatas coradas e começou a comer calmamente.

- Olha Lily, se você quiser conversar... pode me procurar, ok? – disse James com simplicidade. A garota meramente concordou com a cabeça e voltaram a comer silenciosos.

Assim que terminaram a refeição, Lily logo fez menção de se recolher. As amigas a acompanharam. Os marotos ficaram. Tinham 'uns assuntos' pra resolver. Lily normalmente estranharia, mas não se importou dessa vez. Afinal, era assim todo o mês. Deixou de lado. Tudo o que queria era chegar logo em seu quarto, se aninhar na cama macia e ficar lá por um bom tempo.

Ao chegarem ao dormitório, Lily se trocou sem dar uma palavra e deitou-se na cama. As amigas queriam conversar e confortá-la, mas estavam sem jeito. Talvez pela manhã. De repente bateu em Lily o medo de Melissa aparecer para dormir ali. Mas lembrou que há dias a cama da garota estava intocada e que todas as suas coisas tinham sido levadas para o quarto das garotas do sexto ano. Uma preocupação a menos.

xXxXxXx

De fato, no domingo, o acontecimento de sábado não foi muito comentado. E nem chegou aos ouvidos dos professores, o que era um alívio maior. Mas Lily não chegou a confirmar com seus próprios olhos. Passou o dia todo na Torre da Grifinória.

- Vamos, Lily, não pode ficar sem almoçar! – dizia Marlene, implorando para que a amiga saísse de sua cama.

- Já disse que não estou com fome, Lene. – respondeu a outra, abraçada a um travesseiro.

- Vamos, Marlene, não adianta. A Lily é muito cabeça-dura. – disse Alice, que presenciara a mesma cena pela manhã. – E depois, acho que ela precisa ficar um pouco sozinha. Assimilar tudo o que está acontecendo. Vamos. A gente traz alguma coisa pra você comer, ta bem? – falou se voltando para a ruiva. Ela apenas concordou com a cabeça. Emmeline a olhou com um pouco de tristeza e as três saíram do quarto.

xXxXxXx

- Cadê a Lily? – perguntou James, à mesa do almoço. – Não quis vir?

- Não. – respondeu Emmeline.

- Nossa, ela está mal mesmo... – comentou Sirius.

- É... ei garotos, vocês sabem do Remus? – perguntou Emmeline, curiosa. James e Sirius se entreolharam. Peter apenas arregalou os olhos com a boca cheia de frango assado.

- Ah, ele passou mal ontem à noite e... está na Ala Hospitalar desde então. – explicou James. As três garotas fizeram caras preocupadas. - Mas não se preocupem, ele vai ficar legal. Logo ele aparece.

O almoço seguiu tranquilamente, mas James estava preocupado. Não pensou que Lily ficaria tão chateada com o que tinha acontecido. Mais ainda, não sabia como iria lidar com ela nesse estado. Ou ainda se ela iria lhe dar atenção. O fato é que ele sentia a necessidade de vê-la e fazê-la se sentir melhor. No momento, tudo o que queria era vê-la sorrir novamente.

xXxXxXx

Lily estava no dormitório, ainda de pijamas, apoiada no parapeito da janela. Observava as montanhas ao longe, o céu cinzento e a pálida grama salpicada de neve. Suspirou. Estava triste. Mais do que quando descobrira da traição no dia da festa. Sentia-se humilhada. E como se não conseguisse sorrir nunca mais.

Mas precisava seguir em frente. Outro suspiro. A vida continuava, independente das mágoas que lhe tivessem causado.

Curiosamente, uma coruja batia com o bico na janela que Lily acabara de deixar. A garota deixou a coruja entrar e lhe entregar um envelope. A ruiva franziu a testa. Não era comum receber cartas fora do horário do correio, a não ser quando eram urgentes. Viu que era uma carta de sua mãe. Achou melhor abrir.

xXxXxXx

Na segunda-feira de manhã, Lily acordou. Nem bem, nem mal. Bom, não estava cem por cento, mas sentia que podia voltar a sua vida normal, embora sem um sorriso no rosto.

Pouco conversou a manhã toda. Se limitava a responder algumas perguntas simples que lhe faziam, sem dar muita vazão a elas. À tarde, na aula de Poções, James veio cobrar um convite.

- Oi Lily... será que posso sentar com você?

- Claro. – respondeu a garota sem entusiasmo, esforçando-se para não parecer mal-educada.

O rapaz se ajeitou na cadeira desleixadamente, levou uma das mãos aos cabelos rebeldes e os desajeitou mais ainda, observando a garota tomar notas das informações que o Prof. Slughorn dava à turma.

- Lily, eu queria conversar com você...

- Agora não, James. Vamos, me ajude a preparar os ingredientes. – disse a garota autoritariamente, interromependo o rapaz, embora não tivesse emoção nenhuma em sua voz, e esta parecia deixar a garganta da garota com muito esforço.

A aula de poções acompanhado de Lily Evans não foi como James imaginara que seria. Todas as vezes que ele tentava iniciar uma conversa, a garota o cortava e voltava suas atenções para a poção, incitando-o a fazer o mesmo. Depois daquela aula, Lily se despediu e sumiu pelos corredores. James até poderia descobrir onde ela estava, mas preferiu deixá-la e procurar seus amigos. Talvez ela precisasse de um tempo sozinha.

Naquela noite, James encontrou Lily na sala comunal como de costume, e saíram para patrulharem juntos os corredores. A garota ainda estava silenciosa. James decidiu que era a hora de quebrar o gelo.

- Ei Lily, sabe aquela poção da aula de hoje? Eu não consegui entender muito bem pra quê que ela serve...

- Hum. – Murmurou a garota em resposta, sem prestar muita atenção.

- Eu estava pensando se... você não podia me explicar melhor, sabe... eu sei que tem no livro, mas você é tão boa em poções... você me ajuda?

- Hum? – James suspirou. Sua tentativa de fazer a garota conversar não estava funcionando. Ela adorava falar sobre poções. Alguma coisa ainda estava errada. – Desculpe, eu estava distraída... – respondeu a garota, a voz sem emoção alguma, fria, automática.

- Não se preocupe, não era importante. Lily, você anda tão distraída e tão... triste...

- Pois é... - a garota disse vagamente, no mesmo tom de voz, olhando para o piso de mármore dos corredores do castelo. Não parecia estar se importando com nada que não fosse o movimento descrito por seus pés sobre o chão.

- Lily. – falou James decidido, parando no meio do corredor do sexto andar e fazendo-a parar e olhar em seus olhos. – Olha, eu sei que você anda chateada... e eu entendo isso... mas... não quer conversar?

A garota logo mudou suas feição de indiferente para irritada.

- Olha James, já está tarde, e estamos demorando demais com essa patrulha. Vamos voltar, acho que não tem nenhum engraçadinho fora da cama. Você e os outros marotos é que costumavam aprontar sempre, mas agora que é monitor-chefe as coisas parecem estar sob controle. Vamos, estou cansada e quero dormir. – discursou a garota, fazendo seu caminho para as escadas, subindo freneticamente e fazendo o garoto correr para alcançá-la.

- Lily! Pára! – ele dizia em vão, mas a garota apenas subia as escadas até chegar ao sétimo andar. Já em frente ao enorme quadro de uma mulher gorda usando um vestido cor-de-rosa e ressonando, James a alcançou e segurou-a pelo braço. – Lily!

- O que é? – ela perguntou com a voz impaciente, mas sussurrada, preocupando-se para não acordar as outras pinturas da parede.

A mulher gorda da passagem secreta já reclamava de ter sido acordada e girava para o lado deixando livre a passagem, mesmo sem ter escutado a senha. Além de conhecer os monitores-chefes, não queria esperar que a discussão entre eles cessasse pra voltar a dormir. Lily adentrou a sala redonda com passos rápidos, sem olhar para trás, e James a seguiu.

- Lily, não fuja... vamos, eu sei que você precisa conversar... – dizia o rapaz, passando as mãos nos cabelos negros, um pouco nervoso.

- James, fale baixo! Quer acordar a Grifinória inteira? – repreendeu a garota, aos sussurros. O rapaz obedeceu.

- Está bem... mas Lily... – insistia o garoto, cada vez mais irritante.

- Olha, eu estou cansada, só isso, preciso de uma boa noite de sono. – desconversou a garota, rodeando a sala comunal.

- Não, Lily, você sabe que isso não vai resolver. Vamos, me deixe te ajudar! Eu sei que você não falou com ninguém, nenhuma amiga desde... aquilo... vamos, eu sei que você precisa desabafar, e eu...

- Pára! – gritou Lily, mas não alto o suficiente para acordar os grifinórios adormecidos. James parou de agir pateticamente e a encarou assustado. Lily parecia estar chorando – Pára! James, será que você é tão insensível assim?

- Insensível? Mas Lily, eu só...

- Não! Eu não quero ouvir! – protestava a garota, as lágrimas já rolando soltas por seu rosto – Tudo o que eu tenho escutado é o quanto eu estou triste e infeliz e preciso desabafar! Mas tudo o que eu preciso é ficar em paz! Será que você não entende?

Lily estava aos prantos. Ao mesmo tempo que pensava que as lágrimas nunca cessariam, amaldiçoava-se internamente por estar chorando na frente de James Potter. Lily nunca deixava que ninguém a visse chorando.

James estava desesperado. Não sabia o que fazer. Não sabia o que dizer. Todo o tempo só pensou em o quanto estava sendo prestativo, sensível e amigável, e que tudo isso renderia pontos para ele quando pedisse para sair com a ruiva. Mas não chegou a pensar que talvez estivesse sendo insensível demais, e irritante demais. Agora sua Lily estava ainda mais triste, e pior, por sua causa.

James fez a única coisa que poderia fazer no momento. Se aproximou da garota aos prantos, que tinha o roto escondido nas mãos, e a abraçou. Ela logo o rejeitou.

- Me solta! Eu não quero a sua ajuda! Me deixe em paz!

- Lily! Por favor... olha, eu entendo como você deve estar se sentindo... me desculpe por ter sido um idiota antes... só quero que saiba que eu estou aqui pra te ajudar a superar tudo isso que você está sentindo agora... – ele acariciava os cabelos cor de cobre da garota, que ainda lutava bravamente para se soltar do abraço.

- Você não entende nada! Você não sabe como eu estou me sentindo! – berrava, mas sua voz ficava abafada pelo peito de James. Chorava cada vez mais. O rapaz não entendia como uma traição poderia tê-la deixado tão mal. Chegou a pensar em dar uma surra em Bryan no dia seguinte...

- Olha Lily, eu sei que você deve estar morrendo de raiva do Bryan e da Melissa, mas... – Lily se impulsionou para longe de James, o encarando com seus olhos verdes inchados.

- Isso não tem nada a ver com eles. – disse com a voz embargada. De repente se acalmou, mas James ficou confuso. Se todo esse choro não era por causa dos acontecimentos de sábado... eram por quê então?

Lily sentou-se no sofá vermelho, encolhida, e tirou algo do bolso interno das vestes. James apressou-se em sentar ao seu lado. A garota estendeu uma carta amassada para ele.

Querida Lily,

Tenho notícias tristes. Você sabe que seu pai não estava bem do coração. Ele sofreu um enfarto no Natal, mas tinha ficado tudo bem. Mas ele teve uma recaída. Teve que operar na semana passada, e ficou em estado grave e em observação. Não escrevi porque não queria te preocupar. Mas, na noite passada...

Querida, seu pai faleceu.

O funeral foi esta manhã. Queria ter escrito ontem à noite, mas não tive forças. Eu e Petúnia estamos desoladas. Queria tê-la aqui conosco, mas não quero interromper seus estudos. Sei que é seu último ano, e precisa de concentração máxima para conseguir bons resultados.

Não se preocupe comigo e Petúnia. Vamos ficar bem. Seus avós estão aqui conosco e mandaram um beijo. Sei que será difícil, mas vamos todos sobreviver. Eu sei o quanto você é forte. Sempre foi.

Bom, querida, era isso o que tinha a dizer. Peço desculpas pelo teor das notícias. De resto, está tudo bem.

Não quero que se aborreça com tudo isso. Siga firme com os estudos, e tudo se resolverá.

Petúnia manda lembranças.

Beijos,

Mamãe.

James terminou de ler a carta e entendeu porque Lily estava tão arrasada. Sentiu-se um tolo. Durante todo o tempo, sua amada estava desolada pela morte do pai. E ele agindo como um idiota completo. Não falou mais nada. Passou um braço em volta do ombro da garota e deixou que ela chorasse sobre seu próprio ombro, enquanto murmurava palavras de conforto.

Lily chorava por fora, mais urrava de raiva por dentro. Não podia estar acontecendo. Não podia ser verdade. Seu pai era tudo em sua vida. Seu herói. O único homem em que ela sabia que podia confiar cegamente. Que nunca a decepcionaria. Por que ele tinha que morrer? E mais, estava brava porque sua mãe não a tinha chamado para o funeral. O que importavam seus estudos perto de uma situação como esta? E pior ainda, esperava que ela fosse forte. Como ela poderia ser forte e seguir em frente com os estudos? Como poderia não se aborrecer com a morte de seu próprio pai? O que sua mãe estava pensando quando escreveu aquela carta? Talvez estivesse nocauteada pelos antidepressivos...

Depois de muito tempo sem falarem nada, Lily já sem chorar, mas ainda abraçada a James, o garoto disse, com uma voz suave.

- Lily... me desculpe por antes...

- Tudo bem... você não sabia... – respondeu a garota, fungando.

- Você... vai ficar bem? – perguntou ele, afagando os cabelos ruivos de Lily.

- Não sei... talvez um dia...

James não sabia o que fazer para Lily sentir-se melhor. Não se lembrava de nunca ter perdido ninguém importante; não sabia como era a dor que Lily sentia. Mas de repente, uma lembrança veio em sua mente. E achou que devia compartilhá-la com a garota.

- Sabe, Lily... quando eu tinha uns seis anos de idade, eu ganhei uma fênix de aniversário... – a garota escutava com atenção. – Eu adorava aquela fênix. Era minha melhor amiga. Mas um dia eu vi que ela estava fraca, e suas penas tinham caído completamente, e ela não queria mais voar e brincar comigo. E então ela morreu, se queimou inteira e virou cinza. Eu fiquei muito triste naquele dia...

James completou seu relato com uma certa nostalgia na voz, e esperava que Lily se sentisse solidarizada, sabendo que James sentira o mesmo sentimento de perda que ela sentia agora. Mas a garota o encarou com aquela cara de sabe-tudo, como se dissesse: "dãã, idiota!".

- James. As fênix renascem das cinzas.

- Ah... eu tinha esquecido... – James se xingou internamente. Que burrice! Como não lembrou desse fato? - Me desculpe...– disse o rapaz, desconcertado, achando que Lily talvez tivesse ficado mais chateada. Seres humanos não podiam renascer das cinzas. Que história estúpida ele fora lembrar! Mas para a sua surpresa, a garota sorriu. Não era um sorriso iluminado e cheio de vida, mas já era alguma coisa.

- Obrigada de qualquer forma. Por tentar me fazer melhor. – ela disse, encarando-o e saindo do abraço. Os braços do garoto de repente sentiram que algo faltava ali, e Lily sentiu seus ombros e cabeça leves demais sem os braços dele ao seu redor.

- E... funcionou? – perguntou o garoto, assanhando os cabelos, os cotovelos apoiados nos joelhos, encarando a garota com a cabeça virada de lado, sorrindo.

- Um pouco... mas sinto que a dor só passará com o tempo... – James concordou com a cabeça, mirando agora o fogo incessante da lareira. Lily se levantou e ele fez o mesmo. – Bem, agora já está tarde... acho melhor dormir um pouco.

- Tem razão. Olha, se você não estiver se sentindo legal, passe o dia aqui amanhã... eu dou um jeito da matéria das aulas chegar até você, não se preocupe. – a garota sorriu mais uma vez.

- Obrigada, James. Mas acho que a melhor maneira de encarar tudo isso é literalmente enfiar a cara nos livros... Bem, boa noite, e... mais uma vez, obrigada.

Lily já estava ao pé da escada, mas se voltou para James e timidamente lhe beijou a bochecha. O garoto ficou paralisado no meio do seu voto de 'boa noite'. Precisou de um momento para assimilar o que estava acontecendo. E quando notou o que acabara de acontecer, já tinha sido deixado sozinho na sala comunal. Balançou a cabeça sorrindo, e subiu as escadas que levavam ao dormitório masculino.

xXxXxXx

Lily subiu as escadas o mais rápido que pôde. Chegando no dormitório, fechou a porta atrás de si, e encostou-se nela.

- Lily Evans, você é uma idiota! – murmurou, fazendo uma careta e batendo na testa com uma mão.

Encostou a cabeça na porta. Suspirou. Rolou os olhos e chacoalhou a cabeça, afastando pensamentos indesejáveis. Impulsionou-se para frente, andando em direção à sua cama, silenciosa e cuidadosamente – estava tudo escuro, as garotas já tinham ido dormir. Sentou-se na beirada da cama, despiu-se e vestiu o pijama confortável. Voltou a sentir a dor da morte de seu pai. Suspirou profundamente, entrou debaixo das cobertas, e adormeceu.


N/A: E aí, o que acharam??

Como disse lá em cima, esse capítulo foi mais pra baixo... mas os próximos serão mais divertidos... até por quê, quero fazer dessa fic uma comédia! Será que consigo:s

Bem... então, deixem reviews!

Beijos!

xD