N/A: Olá!! Sem muito o que dizer...
Agradecimentos especiais: Kine L., Thaty, e Mel Black Potter.
E é claro, agradeço a todos aqueles que lêem a fic mesmo sem comentar, e aqueles que lêem regularmente mas por algum motivo não comentaram dessa vez!
Tenho que dizer, que esse capítulo foi dividido em dois, e a segunda parte será postada junta, então fiquem felizes, são dois capítulos de uma vez só!
Espero que gostem!
Beijos ;D
Quando as coisas não podem ficar piores...
As duas semanas que se seguiram foram tranqüilas, sem grandes acontecimentos. Lily ia superando aos poucos o incidente Bryan-Melissa (o rapaz não voltara a procurá-la e melissa agora mantinha distância) e a morte de seu pai, com a ajuda de suas amigas e a divertida convivência com James, mas ainda estava um pouco triste, passando alguns momentos sozinha, com a desculpa de que precisava refletir.
Fora isso, tudo ia normalmente. Aulas, estudos na biblioteca, treinos de quadribol. Na mais perfeita paz e normalidade. Ou quase...
Segunda-feira, 29 d Janeiro, 17:45
Lily estava completamente distraída durante a aula de poções. Os olhos estavam fixos no quadro negro e no professor, mas não absorvia nenhuma palavra que ele dizia. Observando melhor o Prof. Slughorn, começava a perceber que ele tinha a aparência de um leão-marinho...
- Lily, já é pra começar... – disse Emmeline, que estava ao seu lado. A ruiva sobressaltou-se e começou a procurar os ingredientes da poção que estava escrita no quadro.
Droga! Justo a aula que mais gostava, não tinha prestado atenção em uma palavra! Olhava para os lados, tentando entender o que devia fazer; mas era inútil. Mesmo com todo o seu conhecimento em Poções, tudo o que já lera, tudo o que sabia naturalmente, lhe esvaíra da cabeça! Não lembrava de nada! Olhou para o quadro mais uma vez, a fim de entender o procedimento, mas o professor já tinha apagado! E agora? Ela não tinha anotado nada!
Olhou para os lados. Pediu ajuda silenciosamente para Emmeline, que estava mais próxima:
- Emme, eu não sei o que fazer! Dá pra me ajudar?
- Puxa, Lil... se você que é mestra nisso não sabe... eu to misturando tudo o que ele botou no quadro, mas não sei as quantidades nem a ordem... eu sei que tem que colocar beladona, espinhos de ouriço, bobotúberas... e acho que lagartas e asas de besouro também... ah, fígado de crocodilo!
Lily a olhou incrédula. Não era possível existir uma poção tão misturada assim... foi ao armário pegar os ingredientes, e deu uma espiada no que os outros estavam fazendo, e parecia ser aquilo mesmo que Emmeline dissera... suspirou resignada, pegou os ingredientes, e começou a preparar a poção.
Pouco depois o seu caldeirão borbulhava uma substância verde e nojenta, diferente de todos os outros caldeirões, que exibiam uma mistura avermelhada. Gelou. O professor veio se aproximando, tomando notas, satisfeito. Chegou no caldeirão de Lily, esfregando o barrigão, contente, mas quando inclinou-se para ver o que ela tinha feito, sua cara se contorceu em decepção.
- Hum... srta. Evans... tem certeza de que este é o seu caldeirão? – Lily corou, e respondeu baixo, olhando para os pés.
- Sim, professor.
- Hum... bobotúberas demais e... isso é fígado de crocodilo? – apontou para uma coisa preta boiando no meio. A garota confirmou com a cabeça, escutando algumas risadas dos alunos da Sonserina. – Sinto muito, srta. Evans. Dessa vez sua nota não será como sempre...
E o professor saiu dali, decepcionado. Lily teve vontade de chorar. Nunca lhe acontecera de errar uma poção em toda a sua vida acadêmica! Se errava, arranjava um jeito de consertar e ficava tudo certo... mas dessa vez era inaceitável...
Emmeline olhou-a tristemente.
- Desculpe pelo fígado, Lil. Eu jurava que tinha lido no quadro! – Lily olhou para o caldeirão da amiga. Estava pior que o seu. Acrescentara muitos espinhos e lagartas, resultando numa solução escurecida e grossa como graxa.
- Tudo bem, Emme. A culpa é minha. Eu é que me distraí...
Depois da aula, o professor Slughorn chamou Lily.
- Sim, professor?
- Srta. Evans... estou inconformado com o seu desempenho na aula hoje – a garota sentiu seu rosto vermelho – O que aconteceu?
- Desculpe professor... me distraí na aula de hoje... mas prometo que não vai se repetir! – o professor a olhou com preocupação.
- Não acha que anda se esforçando demais? – ela ia abrir a boca para contestar, mas ele continuou – Eu sei que é o último ano, e tem toda a preocupação dos N.I.E.M.'s, mas uma jovem como você não pode se dedicar tanto aos estudos... talvez a distração que teve hoje tenha sido por cansaço...
- Hum. Pode ser. – concordou Lily, só para não ter mais que ouvir tudo aquilo. Estava mesmo cansada e queria estirar-se num banho tépido antes do jantar e depois ir direto para a cama. James podia fazer a ronda sozinho...
- Bem, espero que siga meu conselho e relaxe um pouco mais... e veja se aparece nas reuniões do Clube do Slug! – a garota revirou os olhos internamente, sorrindo amarelo. – Faz tempo que não aparece, mas ainda é parte do clube! Deixe ver... acho que a próxima festinha deverá ser no dia dos namorados... o que me diz, hãn? Poderá trazer um convidado, naturalmente.
Lily constrangeu-se.
- Hum... vou pensar. Bom, acho que já vou indo...
- Claro, claro. Boa noite! – exclamou ele sorrindo alegremente.
- Boa noite, professor Slughorn.
xXxXxXx
Naquela noite, Lily foi dormir angustiada. Mesmo depois do banho relaxante e do jantar delicioso, ainda estava agoniada. Não comentou sobre o incidente com nenhum dos amigos; não quis mostrar que achava aquilo grande coisa. Mas no fundo, estava apavorada. Nunca tinha lhe acontecido algo assim antes! Nunca! Nem lembrava qual era a poção que devia ter feito...
Será que ela estava 'emburrecendo'? Perdendo todo o conhecimento que tanto prezava e estimava de seu cérebro? Talvez fosse a convivência com Potter... Ele vivia dizendo para que ela não levasse a vida tão a sério... Pra estudar menos... Maldito Potter! Mas, por outro lado... O professor de Poções mesmo dissera que ela devia relaxar mais... Talvez estivessem ambos certos... E verdade seja dita, sentia-se menos estressada... Até tinha tempo de tomar uns banhos revigorantes no banheiro dos monitores... Não podia culpar o Potter. Ele só queria ajudá-la...
Talvez fosse melhor esquecer essa estória. Não era nada de mais. Certo?
xXxXxXx
Madrugada de terça-feira, 00:05
Lily abriu os olhos no meio da escuridão. Insônia. Revirou-se na cama. Ainda estava sem sono, pensando na aula de Poções daquela tarde. Tentou contar carneirinhos, hipogrifos, mas não adiantou. Olhava para o teto, como se buscasse inspiração para dormir. Pensou em pegar um livro para ler ou estudar, mas sabia que se acendesse uma luz que fosse, Alice acordaria. A amiga tinha o sono muito leve, e acabaria sem conseguir dormir depois. E Lily não queria incomodar sua amigas; estavam cansadas. Passaram o dia todo estudando. Suspirou. Ajeitou-se na cama novamente e fechou os olhos.
xXxXxXx
00:10
James não conseguia dormir. Desde que se deitara depois das patrulhas no corredor, - que fizera sozinho, porque Lily estava muito cansada e pediu-lhe que fizesse sem ela. ele concordou, mas ficou pensando que era menos uma oportunidade de ficar à sós com a garota... - não havia pregado um olho sequer. Estava sem sono algum. Olhava para o teto, pensativo. No quê pensava? Lily. Desde o incidente do ex-namorado combinado com a morte do pai na semana passada, Lily andara triste. Ainda agora com essa poção que ela errara! Sabia que ela ficara chateada, por mais que não admitisse. E quando ela ficava mal, escondia-se atrás de diversos livros didáticos na biblioteca, estudando ininterruptamente, como fez nas últimas semanas. O rapaz chegou a pensar em aparecer por lá, conversar um pouco; mas achou que a garota não lhe daria atenção.
Estava injuriado. Havia semanas que tinha conquistado a amizade de Lily Evans, a única garota por quem já sentira algo tão forte, parecido com amor. Ou talvez fosse mesmo amor. Mas não lhe importava essa dúvida agora. Sentia-se chateado, porque Lily estava chateada. Queria demonstrar o quanto ele podia ser atencioso, mas a garota não dava espaço; eram amigos, tudo bem. Mas ela ainda não o tinha visto como queria que visse: com os mesmos olhos e com os mesmos sentimentos daquela noite de ano-novo.
Com um gesto brusco, levantou-se da cama. Vestiu o roupão preto por cima do pijama, calçou os chinelos e saiu do quarto, levando sua capa da invisibilidade e o Mapa do Maroto.
xXxXxXx
00:15
Quando descia o último degrau, James sobressaltou-se com o som de uma voz conhecida.
- Sem sono? – disse Lily, encolhida numa poltrona próxima à lareira, o olhar direcionado para um livro em suas mãos. A garota tinha decidido descer para a sala comunal, para ler e não atrapalhar o sono de ninguém. Afinal, não estava conseguindo dormir mesmo.
James se espantou ao ouvir aquela voz. Direcionou o olhar para a garota, que agora o observava com um sorriso cúmplice e singelo; tinha resolvido espairecer todas as preocupações. O rapaz sorriu de volta e sentou-se no sofá próximo a ela, observando como os cabelos ruivos da garota eram ainda mais vivos à luz do fogo, mesmo presos a um coque mal-ajeitado.
- É, não consigo dormir. Isso acontece muito comigo. – comentou James, ajeitando os óculos. – E você? Estudo da madrugada? – Lily riu.
- Não... também não consegui cair no sono. E dessa vez estou lendo um livro por prazer, e não por obrigação.
- Ah, sim...
Lily voltou os olhos para o livro, ainda com aquele mesmo sorriso cúmplice e singelo estampado em seu rosto. Ficaram em silêncio por um tempo, James tamborilando os dedos na perna, e observando o recinto, sem ter muito o que fazer. Abandonara completamente a idéia de fazer um passeio noturno pelo castelo. Ou talvez... nem tanto. Passou a fitar Lily, impressionado com a concentração da garota no livro. Não era a primeira vez que a via ler tão dedicada, mas sempre se surpreendia. Podia passar horas assistindo a ela ler, sem nunca se entediar.
Lily de repente fechou o livro suavemente e voltou o olhar para o rapaz.
- Por que tanto me olha, Sr. Potter? – perguntou Lily, estranhamente bem-humorada. James sorriu.
- Estava pensando se você não aceitaria uma proposta... – ele disse pensativo. A garota ergueu uma sobrancelha.
- E que tipo de proposta seria essa? – ela indagou curiosa, mas um pouco desconfiada.
- Bem... já que estamos ambos sem sono... que tal se déssemos um passeio?
- O quê? À essa hora? Está louco? E se o Filch nos pega? – James grunhiu e atirou a cabeça para trás. Seria difícil convencer a garota.
- Ora Lily, por que não? – ela abriu a boca para protestar, mas ele continuou a falar – Nós somos monitores-chefes. Temos permissão para andar por aí. Vamos, você nunca fez algo arriscado... Podemos inventar que fomos na Ala Hospitalar... e depois, eu garanto, não vamos ser pegos. – ela o olhou incrédula.
- Como pode ter tanta certeza?
- Apenas confie em mim... E então, o que me diz?
Lily ponderou por um momento. Sair na calada da noite acompanhada de James Potter? Não poderia dar em boa coisa... mas ao mesmo tempo, eles agora eram amigos. E James vinha se mostrando cada vez mais suportável e confiável. E ele não estava mais agindo como o idiota de sempre, azarando qualquer um que cruzasse seu caminho, o que mostrava que ele havia mudado, estava mais amadurecido. Mas também tinha outra coisa... e se isso fosse uma armação para que ela saísse com ele, para que ele tentasse repetir o que aconteceu na noite de ano-novo? Olhou profundamente naqueles olhos castanho-esverdeados. Havia verdade naqueles olhos. E alguém com olhos tão verdadeiros, era confiável, certo?
- Hum... Está certo. Eu bem poderia dar uma passada na cozinha...
- Podemos fazer isso, se quiser. – disse James, visivelmente alegre, e se pondo de pé. A ruiva fez o mesmo, ajeitando o roupão branco por cima do pijama verde-claro com pequenas florzinhas. Nos pés, pantufas normais, brancas.
- Então vamos lá!
James então tirou do bolso a capa de invisibilidade e num gesto rápido, jogou por cima dele e da garota, consequentemente trazendo-a mais para perto. Lily reprimiu uma exclamação de susto.
- James... o que é isso? – perguntou intrigada, controlando ao máximo suas bochechas de corarem, pela proximidade que o maroto se encontrava agora.
- Tem certeza que não consegue adivinhar? – ele disse, sorrindo, ao saírem pelo buraco do retrato.
- Uma capa de invisibilidade? – ele concordou com um murmúrio. – Ah, então é por isso que você nunca é pego...
Caminharam juntos em silêncio até as cozinhas, nas masmorras do castelo. Foi uma longa caminhada silenciosa.
James queria conversar, mas ao mesmo tempo não sabia o que dizer. Lily estava ali, junto a ele, pela primeira vez tinha aceitado 'sair com ele'. Bem, não era um encontro, propriamente dito; mas já era um começo.
Lily estava inebriada pelo perfume de James. Não sabia que ele era tão cheiroso. Mas logo afastava tais pensamentos. Completamente inapropriados para a distância que se encontravam um do outro no momento. E Merlin, como fazia calor debaixo daquela capa!
Quando finalmente chegaram num comprido corredor com uma enorme pintura de uma cesta de frutas, James fez cócegas numa pêra e o quadro girou, revelando uma passagem. Lily e James se libertaram da capa e entraram na grande cozinha, e logo foram atendidos por um batalhão de elfos domésticos.
- O que desejam, nobres senhores? – disse um dos elfos, quase tocando o chão numa exagerada reverência. – Tudo o que ordenarem lhes será servido.
Lily ficou um pouco constrangida. Já tinha ido algumas poucas vezes à cozinha, mas sempre esquecia de como os elfos eram subordinados, e se sentia um pouco mal, apesar de compreender a função deles.
- Chá com biscoitos, pra começar, por favor. – interveio James, e logo depois todos os elfos se dispersaram. James então conduziu a garota para uma mesa e sentaram-se frente à frente.
- Eu sempre esqueço o quanto eles são prestativos... – disse Lily, finalmente. – Sei lá, não sou muito acostumada a ter pessoas me servindo todo o tempo... prefiro me servir eu mesma, sem frescuras...
James apenas a mirou, compreensivo. Não podia dizer o mesmo, já que toda a sua vida vivera numa mansão, paparicado por seus pais, e sempre teve elfos domésticos à sua disposição.
- Mas eu não me incomodaria nem um pouco de te servir sempre que pedisse, ruiva. – disse James, com o olhar vidrado na garota.
Lily tirou os braços que estavam apoiados na mesa e repousou as mãos em seu colo, desviando o olhar sem dizer nada. James retirou também os cotovelos da mesa, se sentindo idiota por ter dito aquilo. A garota estava ainda mais constrangida do que quanto entrara na cozinha. Ao invés de ficar chateada, irritada, emburrada, gritar com Potter e sair dali o mais rápido possível, constatando que as intenções dele não eram nada amigáveis, a garota permaneceu ali, quieta, pensativa. Sabia que aquilo tinha sido uma cantada. Mas por alguma razão inexplicável, ela não se incomodara. Bem, não muito.
O silêncio permaneceu até que um elfo, aparentemente o chefe, trouxe uma bandeja com duas xícaras de chá, e uma travessa de biscoitos caseiros, com gostas de chocolate, os preferidos de Lily.
- Hum, adoro esses biscoitos! – disse a garota, dando uma mordida num biscoito enquanto James dava um bom gole de chá preto com um pouco de limão. Ele sorriu por detrás da xícara.
Depois de conversarem um pouco, e aparentemente terem superado o 'incidente' da cantada de James, caminhavam para fora da cozinha, sob a capa da invisibilidade, agora a passos leves e calmos.
- Hum... provavelmente você vai dizer não, mas... Lily, quer dar um passeio nos jardins? Sabe, as estrelas são lindas vistas de lá...
Lily estava absorta em seus pensamentos, pensando em como há alguns anos ela jamais pensaria na idéia de simplesmente conversar com James Potter, e agora andava lado a lado com o garoto pelo castelo, num horário impróprio para alunos.
- O quê? – ela perguntou, parando e encarando o maroto com seus olhos verdes e hipnotizantes.
- Bom... você não gostaria de dar uma volta pelos jardins? – ele pediu, cautelosamente, esperando ouvir um 'não' e várias razões óbvias para não se aventurarem.
Lily continuou encarando os olhos exóticos de James. Sua consciência gritava "Diga não! É só um pretexto pra ele te agarrar! Vocês já estão fazendo o que não deviam, não vá piorar a situação!". Mas surpreendentemente, Lily não a escutou dessa vez.
- Quem está na chuva é pra se molhar. – ela sorriu, dando de ombros. James não assimilou a idéia de imediato. Ela alargou o sorriso, revirando os olhos, e o puxou pela mão em direção à grande porta de carvalho do saguão que dava para os jardins.
A consciência de Lily berrava que ela era uma idiota e estava fazendo tudo errado, e que se arrependeria depois, mas a garota nem se importava. E daí se ela se arrependeria depois? Parecia tão certo agora... pela primeira vez ela não tinha preocupações, não tinha receios; sabia que dar uma volta pelos jardins escuros com James naquela noite de insônia a deixaria feliz. Pelo menos naquela noite...
James então se livrou da capa e começou a correr.
- Quem chegar por último no lago é uma lula-gigante! – gritou ele.
Normalmente Lily teria achado aquela atitude de extrema infantilidade e se recusaria a correr e dar continuidade aquela loucura.
- Não é justo, você começou a correr primeiro! – gritou a ruiva de volta, correndo o máximo que suas pernas permitiam e rindo ao mesmo tempo.
Lily nunca fora uma boa corredora. E rir junto não adiantava muito. James já estava esperando-a na margem do lago, e Lily chegou se arrastando, uma pantufa na mão que tinha saído na corrida, e respirando com dificuldade. James ria da garota, que tinha o rosto vermelho à luz do luar, e os cabelos desalinhados.
- Isso... foi... muita... covardia... – disse ela ofegante, se jogando no gramado às margens do Lago Negro. James sentou-se ao seu lado. – Você corre... bem mais... do que eu...
- Tem razão, não foi nada cavalheiro da minha parte... – ele disse tentando agir como um perfeito lorde inglês, provocando risos na garota.
- Bem, acho melhor eu me atirar no lago então, já que sou uma lula-gigante. Quem sabe eu não descubro na Lula de Hogwarts o meu verdadeiro amor? – brincou Lily.
- Hahaha! Infelizmente, acho que a Lula-Gigante é fêmea...
- Que pena... será que um dia encontro o meu lulo?
- Quem sabe... às vezes ele está mais próximo de você do que imagina... – falou o rapaz galantemente. Lily não pôde evitar sorrir, enigmaticamente.
- É, quem sabe...
Ficaram em silêncio um pouco, Lily observando o lago,e James olhando a lua minguante. De repente, Lily se virou para ele.
- Tire seus chinelos. – ordenou, deixando-o com uma cara confusa.
- Hã? – indagou James, confuso.
- Vamos, tire seus chinelos! – repetiu Lily, tirando as próprias pantufas e o roupão.
- Hum... não sabia que você tinha uma tara por pés, Lily. – a garota parou o que estava fazendo, rolou os olhos divertida, e atirou-lhe uma pantufa – Ai!
- Não é nada disso, seu idiota! – ela riu, e ele fez uma cara de ofendido – Vamos!
Ele tirou os chinelos relutantemente, ainda confuso, e se pôs de pé, observando a ruiva mergulhar nas águas gélidas do lago.
- Lily! Ficou louca? Saia daí! – gritou, desesperado, se aproximando mais do lago a fim de mergulhar para salvá-la, mas temeroso pelo frio.
- Você não vem? – perguntou a garota, voltando à superfície, sorrindo. O lago tinha degelado há pouco tempo, e ainda tinham algumas placas finas de gelo sobre a água.
- Lily... essa água está congelada! Você vai ficar doente!
- Cala a boca e vem me fazer companhia! – ria a ruiva, nadando tranquilamente, como se estivesse numa piscina aquecida.
James não via escolha a não ser se juntar a ela. Soltou um gemido de frio, logo sendo acometido por jatos de água enviados pela ruiva. Era surpreendente. Lily nadava com naturalidade, como se não sentisse frio algum. E os lábios dela nem estavam roxos! Já James batia o queixo. Detestava o frio.
- Ai Lily, ta muito frio! Você deve ser louca! – reclamou, tentando acertar jatos de água nela também.
- Ora James, deixe de ser tão fresco! Ah, vai... está gostoso...
- Não está não! estou quase congelando!
- Sério? – ela perguntou, surpresa. – Pra mim a água está ótima...
- Doida... – disse ele, reclamão.
- Ah, vai dizer que você nunca nadou num lago no meio da noite?
- Ah, sim, mas no verão! Porque, você por acaso costuma nadar em lagos congelados em noites de inverno? – ele rebateu, irritado pelo frio. - Lily rolou os olhos e o puxou para a margem pela mão.
Quando sentaram-se novamente na grama, Lily pegou a varinha no bolso do roupão e fez um feitiço que secou e aqueceu James por completo, que sentiu um alívio imediato. Depois ela fez o mesmo consigo mesma, mexendo seus pés descobertos na relva.
- Belos pés. – disse James, por não ter muito o quê dizer naquele momento, além de piadas. Ela riu.
- Os seus também não são ruins. – disse de volta, calçando as pantufas novamente. – Tem certeza que a água estava fria? Eu juro que não senti... – James olhou-a espantado.
- Vai ver você tem... sei lá... algum 'poder' especial... tipo... você é super resistente ao
Frio... – ele supôs, imaginoso. Ela riu.
- É, pode ser... Mas isso explicaria muita coisa... – falou ela reflexiva.
- Como assim? – a garota sorriu misteriosa. - Agora me conta essa história direito, Lily. Você tem mesmo um poder especial contra o frio? – Ela sorriu e ajeitou os cabelos, soltando-os do coque que estavam anteriormente e alisando-os com os dedos, os fios rubros refulgindo ao luar.
- Eu sempre gostei do inverno, sabe? Bom, quando eu tinha oito anos, - ela começou - meu pai me levou a um bosque, para pegarmos um pinheiro para ser nossa árvore de Natal. Nesse bosque tinha um enorme lago congelado, e enquanto meu pai cortava o pinheiro que eu mesma tinha escolhido, eu decidi que seria legal andar sobre o lago... bem, eu estava entretida, me esforçando para não escorregar, quando vi alguma coisa se mexendo sob o gelo, bem lá no meio. – James estava completamente envolvido pela história e pela emocionante narrativa de Lily, que contava tudo com uma nostalgia da infância e alguns risos – Na época o meu conto preferido era 'A Pequena Sereia', e eu achei que aquilo que tinha se mexido debaixo do gelo, era uma sereia, já que era grande demais para ser um peixe. Daí eu fiquei desesperada, pensando numa maneira de resgatar a tal 'sereia', e quem sabe ela me levaria para conhecer seu mundo subaquático... e eu estava lá, desejando fortemente arranjar uma maneira de quebrar aquele gelo... quando ele simplesmente desapareceu sob mim e eu caí nas águas geladas. Não foi como se o gelo tivesse quebrado, sabe, ele simplesmente desapareceu, como...
- ... Magia - completou James, maravilhado pela história que Lily contava.
- Exatamente. Bem, eu fiquei me debatendo na água, tentando encontrar um pedaço de gelo pra subir e deslizar de volta para a margem, mas não havia mais gelo nenhum! Foi então que meu pai ouviu meus gritos, e desesperado, se atirou no lago para me salvar. Segundo ele, era para eu ter morrido de hipotermia, já que estava muito frio, eu estava sem luvas e sem gorro, além de que eu estava quase sem pulso. Mas eu não tinha sentido frio algum! Foi como se eu tivesse entrado numa banheira de água quente... e desde então eu sempre achei que os lagos congelados eram frios só na superfície e no fundo eram quentes, já que era assim que eu os sentia... Depois desse incidente, eu meio que fiquei fascinada por águas geladas. Sabe, eu tenho piscina lá em casa, e toda noite, quando eu não conseguia dormir, mesmo fazendo muito frio, eu dava umas nadadas naquela água gelada. Sei lá, era como seu eu tivesse ficado imune ao frio, algo assim... – ela terminou seu relato, deixando um James impressionado.
- Uau. Impressionante... Você tem mesmo resistência ao frio... – e comentando alguns segundos depois – Ei, quem sabe a tal 'sereia' que você viu não era um sereiano?
- É, pode ser... ou talvez o meu 'lulo-gigante'...
Os dois riram gostosamente e se atiraram para trás, deitando na grama e olhando as estrelas.
- Ta vendo aquelas estrelas ali, Lil? – apontou James.
- Ah, sim. É a constelação de Sagitário.
- Hã? – James se virou para ela, confuso – Que eu saiba, aquela ali é a constelação do Centauro Arqueiro. Nunca soube desse tal sargitário...
Lily não pôde evitar sorrir.
- É Sagitário. Um signo do zodíaco.
- Zod o quê?
- Zodíaco... astrologia... isso não te diz nada?
- Hum... por acaso não quer dizer astronomia?
- Não... ah, deixa pra lá. Coisas de Trouxas. Aquela ali nós chamamos de Câncer. Como é no mundo bruxo?
- Caranguejo-de-fogo.
Continuaram decifrando constelações e dando nomes a novas estrelas, naquele clima agradável, embora ainda fosse inverno.
- Lily... se você quisesse ser algum animal... qual escolheria? – perguntou James, virando-se para encará-la, ela fazendo o mesmo. – Não vale dizer lula!
- Haha! Bem... de todos os animais, mágicos e não mágicos... acho que eu gostaria de ser uma foca. Uma foca bem ágil e esperta.
- Hum... interessante... combina com esse seu gosto pelo frio.
- É, acho que sim... e você, o que queria ser? – James encarou aqueles lindos olhos verdes, ainda mais lindos sob a luz do luar, pensativo.
- Hum... uma lula... – a garota desatou a rir.
- Ah, chega de lulas!
- Não, sério! Aí eu podia te agarrar com todos aqueles tentáculos e você nunca mais fugiria de mim... – disse ele rindo.
Normalmente ela o teria xingado e azarado até não poder mais e saído dali aos bufos. Mas não fez nada disso. Apenas mostrou-lhe a língua numa careta, risonha.
Ficaram um momento em silêncio, deitados na grama, os rostos de frente um para o outro, muito próximos. Lily viu James se aproximar mais um pouco, sutilmente. As pontas de seus narizes se tocaram, e Lily já podia sentir o hálito quente do rapaz sobre sua boca. Estavam muito, muito perto...
Até que Lily escutou um farfalhar de folhas atrás de uns arbustos e instantaneamente recobrou a razão, abrindo os olhos semi-cerrados de supetão e rolando para trás com uma agilidade impressionante, ao mesmo tempo que se punha de pé, assustando James com a pressa daqueles movimentos.
- James! Precisamos voltar agora mesmo! – E puxou o garoto pelo braço, pondo-o de pé com um pouco de dificuldade devido ao peso (em músculos) do jogador de quadribol.
- Olha, me desculpe se... – ele começou, achando que talvez a ruiva estivesse chateada pelo que iria acontecer.
- Cala a boca, anda! – apressava ela, e os dois iam correndo pelos jardins até chegar novamente às portas de carvalho do castelo, quando James parou para respirar e interrogar.
- Lily... pra quê tudo isso...? – ele perguntou, recuperando o fôlego e adentrando o saguão, ambos esquecendo completamente a capa de invisibilidade.
- Eu vi alguém... atrás dos arbustos... pode ter ido nos delatar ao Filch! – esclareceu a ruiva, dobrando um corredor.
- Ah...
Continuaram andando, quando escutaram vozes se aproximando. Decidiram se esconder atrás de uma estátua grande e disforme na escuridão.
- Snape! O que faz fora da cama? Vou te dar uma detenção! – grunhiu Filch, com a voz áspera de sempre.
- Eu estava na Ala Hospitalar. Se quiser a enfermeira pode confirmar. – disse o sonserino de cabelos negros e oleosos, com a voz desdenhosa e debochada. – Eu vim te chamar porque vi dois alunos nos jardins, da janela da enfermaria.
- Nos jardins! Ora, eu vou lá agora...
- Não! Eles já voltaram para o castelo. E não devem estar longe.
- E quem você viu?
- Os monitores-chefes, Potter e Evans.
- Ah, se eu pego esses dois... hehe... – riu roucamente – Há tempos que estou tentando pegar aquele Potter e usar aqueles aparelhos de tortura antigos... agora terei a minha chance...
Lily estava em pânico, e apertava o braço de James fortemente de tanto nervosismo.
- Lily, – ele sussurrou – eu entendo que você esteja nervosa agora, mas você ta machucando o meu braço! – a garota logo o soltou, emburrada.
- E o que é que a gente faz agora? – indagou Lily, esganiçada, mas silenciosa.
- Calma... ah! Vamos pegar a minha capa!
Mas assim que James retirava a capa embolada do bolso, Pirraça, o poltergeist, apareceu gritando e rindo escandalosamente.
- HAHA! ALUNINHOS FORA DA CAMA! ALUNINHOS FORA DA CAMA!
A esse grito, James xingou Pirraça e estava pronto para lançar uma azaração no poltergeist, quando Lily o deteve e o arrastou para debaixo da capa.
- Mas Lily, ele...
- Cala a boca e corre!
- ALUNINHOS FORA DA CAMA! MAS QUE SURPESA, SÃO OS MONITORES-CHEFES! VENHA PEGÁ-LOS, FILCH, SEU VELHO!
Filch já tinha escutado os primeiros berros de Pirraça e seguia o caminho da voz do poltergeist, com Snape no seu encalço.
- Pirraça, eu ainda faço você ser expulso! – resmungou o velho zelador, seguindo as pistas que Pirraça dava de onde poderiam estar os alunos desobedientes.
Lily e James tinham conseguido fugir por debaixo da capa, mas Pirraça ainda estava por perto. Decidiram que seria melhor esperar num beco no meio de um largo corredor, para depois seguir tranquilamente para a Torre da Grifinória. Ledo engano.
- James... será que... estamos seguros? – perguntou Lily, ofegante. James teve que se conter para não beijar aquela boca vermelha e entreaberta.
- Ah...
Mas antes que ele pudesse responder, sentiram a capa da invisibilidade ser puxada.
- HAHAHA! ALUNINHOS CAPTURADOS! HAHAHA! TSK TSK TSK! OS MONITORES ESTÃO NUMA ENCRENCA!
- Saia daqui, Piraça! – berrou Filch, espantando o poltergeist, que saiu dali rindo e derrubando algumas coisas pelo caminho – Peguei vocês...
Lily e James estavam catatônicos. Nem mesmo ele, o maroto mais esperto e safo, que sempre tinha soluções para tudo, sabia o que fazer. Snape acompanhava a tudo quase que radiante. James lançou-lhe um olhar mortal e se precipitou para cima dele, sendo impedido por uma mão de Lily em seu ombro.
- Agora vocês estão muito encrencados... – Filch agarrou os punhos de Lily e James e os arrastou para sua sala, enquanto os dois proferiam ao mesmo tempo qualquer desculpa que conseguiam inventar. Snape os observava desdenhoso, os braços cruzados, e parecendo muito satisfeito. – Você também, Snape!
- Mas eu...
- Cale a boca e me siga! Ou vou falar com o professor da sua casa. – Snape seguiu o zelador a contragosto, resmungando para si mesmo.
A sala do zelador era escura e sombria, com algumas correntes pendendo do teto, uma estante velha de portas de vidro empoeiradas encostadas numa parede, e uma escrivaninha desgastada cheia de gavetas, onde James sabia ser o lugar em que todos os objetos confiscados eram confinados. E sabia que sua capa ficaria ali por um bom tempo.
Lily estava apavorada. Não pela aparência do lugar, como pode se pensar, já que ela nunca tinha estado ali antes. Sobretudo estava com medo de pegar uma detenção – a primeira de toda a sua vida acadêmica – ou pior: ser completamente destituída de seu cargo de monitora-chefe. Isso sim seria um pesadelo.
- Agora, Potter, essa sua capinha vai ficar aqui. – disse Filch, enfiando a capa da invisibilidade de James dentro de uma das gavetas. Mas antes que pudesse trancafiá-la para sempre, a porta da sala se abriu.
- Filch! O que está acontecendo aqui? – indagou a professora McGonnagal, adentrando o recinto com perturbação - O Pirraça me contou uma estória maluca e... pelas barbas de Merlin, por essa eu não esperava! Evans, Potter, que decepção!
- O Snape os viu nos jardins! – grunhiu Filch. Trancou a gaveta. Mas James fora mais rápido e pegara a capa antes, durante a distração do zelador, embolando-a no bolso do pijama.
- Snape? – fez a professora, reparando na presença do garoto pela primeira vez. – Também estava fora no horário de recolher, suponho. – disse com ar superior.
- Eu os vi pela janela da enfermaria... – começou Snape, com a voz entediada, mas McGonnagal o interrompeu antes que continuasse.
- Ora, bobagem! Estão todos errados! Cinqüenta pontos a menos para cada um. Agora, Filch, acompanhe Snape de volta para a sala comunal da Sonserina e informe o Prof. Slughorn do acontecido. Ele deve ganhar uma detenção.
- Sim senhora. – resmungou o velho zelador, se arrastando.
- Venham comigo. – disse a professora, levando os outros dois para fora dali. Lily não podia estar mais envergonhada
- De Potter eu já esperava isso, mas Evans, justo você... e eu pensei que seria uma boa monitora-chefe...
Lily se desesperou. Não sabia o que dizer quando a professora os interrogasse. Pensou em dizer que tinha ido à Ala Hospitalar e Potter a acompanhara, mas não achou que ia colar, além de Snape ter dito a mesma coisa. Maldito Snape! Por que fizera aquilo? Maldita consciência liberal! Por que aceitara dar um passeio com Potter, afinal? Estúpida, estúpida, estúpida!
A professora os levou até a sala do diretor. Lily nunca tinha entrado na sala do diretor antes por ter infringido às regras. Só tinha ido lá uma vez, no início daquele mesmo ano letivo, para receber as instruções do cargo de monitora-chefe.
A sala do diretor de Hogwarts era numa passagem atrás de uma grande gárgula, subindo uma escada em caracol. A vice-diretora subiu as escadas e mandou que a acompanhassem. A sala era ampla, cheia de quadros nas paredes, estantes de livros, e objetos pequenos e estranhos. Mas o diretor Dumbledore não se encontrava nela. McGonnagal entrou por uma segunda porta na sala e desapareceu.
James e Lily ficaram sozinhos. O rapaz queria falar com ela, mas tinha receio que ela talvez fosse brigar com ele. Mas ao mesmo tempo sabia que ela estava nervosa. Dava pra ver pelo modo frenético que ela enrolava as pontas do cabelo vermelho.
- Vai ficar tudo bem. – murmurou ele, tentando melhorar a situação. Lily levantou seus olhos e o encarou, tristonha. Não teve tempo e dizer nada, pois a professora logo voltou, acompanhada do diretor. Este cumprimentou os alunos cordialmente e sentou-se atrás de sua escrivaninha, olhando para os dois alunos com atenção.
- Sentem-se, por favor. – pediu o diretor. A professora Minerva ficou de pé ao lado dele. – E me contem exatamente o que aconteceu.
Lily ficou muda. Não tinha o que dizer. Nada justificaria o que fizera. Nem mesmo um mal-estar inventado. Abaixou a cabeça e ficou encarando suas pantufas, pensando no quanto era idiota.
- Professor Dumbledore – começou James, educadamente. – A culpa foi minha. Eu saí porque queria praticar um pouco de quadribol e a Evans me seguiu, pedindo para eu voltar. Ela não tem nada a ver com isso.
Lily rapidamente ergueu a cabeça, surpresa com a atitude do maroto. E agora? Como retribuiria?
- Tocante, Sr. Potter, mas não sei se acredito. – comentou a vice-diretora.
- Srta. Evans, a senhorita confirma? – perguntou o diretor.
É claro que Lily diria sim. Seu lado racional cantava 'sim's' em sua mente. Ficaria tudo resolvido. A culpa era toda do Potter. E ela nada tinha a ver com aquilo. Estava apenas cumprindo seu papel de monitora-chefe.
- Na verdade, professor – começou, sabendo que se arrependeria profundamente depois – A culpa não é toda do Potter. Ele saiu para treinar quadribol, mas eu, hum, não o segui para detê-lo. A minha intenção era coletar umas amostras de cogumelos noturnos que crescem na beira do lago para testar uma poção mais avançada e ganhar pontos extras... Só depois que eu vi que ele também estava fora... Eu sei que o que eu fiz foi completamente errado, impensado e...
James olhava Lily, impressionado. A consciência da garota ruiva mandou-a calar a boca imediatamente. Não tinha mais o que dizer. A professora McGonnagal a olhou surpresa.
- Estou realmente chocada com seu comportamento, Srta. Evans. Sair fora do horário permitido para coletar ingredientes para uma poção? Poderia ter pedido para o professor Slughorn. Tenho certeza que o estoque dele tem qualquer ingrediente que possa imaginar. – ela fez uma pausa, olhando seriamente para os dois monitores à sua frente. – Sinceramente, não sei o que fazer com vocês... deveriam ser destituídos do cargo de monitores-chefes!
Antes que Lily e James (mais por Lily do que por ele mesmo) abrissem suas bocas para contestar, o diretor Dumbledore disse, com a voz branda:
- Não acho que sejam necessárias medidas tão drásticas, Minerva. – a professora fazia gestos de indignação – Já foram retirados os devidos pontos de cada um? – McGonnagal confirmou. – Então creio que uma detenção de duas semanas seja o bastante.
- Mas só isso? – indagou a vice-diretora.
- Sei que acha que devíamos destituí-los do cargo de monitores-chefes. Porém, já estamos no meio do ano letivo e não acho que seria prudente a mudança. E também, porque por mais que tenham errado nesta noite, têm feito um excelente trabalho. E eu sei que isso não se repetirá. – concluiu o diretor, encarando Lily e James, por detrás de seus oclinhos de meia-lua. Os dois confirmaram com a cabeça. – Agora, creio que já é bem tarde, e os dois deveriam ir dormir. Por favor, professora, os acompanhe.
Assim sendo, a professora Minerva os acompanhou até a Torre da Grifinória, dizendo que a procurassem na manhã seguinte, para saberem o que teriam que fazer em suas detenções.
Lily adentrou a sala comunal e correu para o dormitório feminino, sem nem mesmo proferir uma palavra a James. Talvez ela precisasse de um tempo sozinha, para refletir. Provavelmente estava abalada por aquela noite. O rapaz seguiu o exemplo e também foi dormir.
N/A: E aí, o que acharam? Bom, leiam a continuação agora para entender mais a fundo a escolha do título!
Beijos!
;D
