N/A: Oi gente!! Desculpem a demora, mas dessa vez acho que fui até bem rápida! Adorei todas as reviews do capítulo anterior, obrigada a todos vocês!!
Sabem, agora deve ficar um tempo sem postar... sabem como é, reinício das aulas, e eu preciso muito me dedicar mais à escola, ainda mais que vou fazer o ENEM agora em agosto, preciso estudar bastante! E isso se aplica à Diário e Fome de Verdade também... eu sei que tenho demorado muito com Diário, mas... por favor, compreendam! O capítulo está quase pronto, só falta decidir umas coisinhas...
Bem, é isso. Espero que gostem desse capítulo, e fiquem ansiosos pelo próximo. Eu sei que vão ficar. Hahahahahaha!
Obs.: Apenas esclarecendo uma coisa: Frank Longbottom, nessa fic, vai ser da Lufa-Lufa, ok? Só porque ele não pode compartilhar a mesma sala comunal e dormitório masculino que a nossa panelinha da Grifinória. Não faria muito sentido nessa fic.
Um pouco de confusão... E romance também
"Não sei o que tem acontecido comigo. Parece que a minha vida virou de ponta-cabeça. Foi a traição do Bryan, a amizade com o Potter, o Bryan tentando voltar comigo, a Melissa brigando comigo na frente da escola inteira por causa dele, a morte do meu pai, a poção que deu errado, a detenção... Nada tem dado certo. Nem para as pessoas ao meu redor; Marlene e Alice tiveram seus namoros arruinados assim, num estalar de dedos! O azar me persegue e contagia tudo à minha volta!
É como se eu tivesse quebrado todos os espelhos do mundo, passado por debaixo de todas as escadas... Tudo está dando errado! Antigamente não era assim... até eu beijar o Potter na noite de ano-novo...
Ai. Meu. Deus.
Ai. Meu. Merlin.
É tudo culpa do Potter!!!
Será que quando eu o beijei, toda a minha sorte se esvaiu e eu fiquei azarada para sempre?
Não, isso é coisa de filme Trouxa...
Talvez... talvez seja apenas coincidência...
Se bem que... a professora de Adivinhação bem disse que via uma nuvem negra pairando sobre mim... não que eu tivesse acreditado nisso, mas... É A ÚNICA EXPLICAÇÃO!!
Calma, Lily. Controle-se. Não existem essas coisas de sorte e azar, e mau-agouro. Não, simplesmente não existe. Você não está sendo racional. Simplesmente não está. Volte ao seu centro de equilíbrio... concentre-se... relaxe... tudo vai ficar bem...
Uf! Aquelas aulas de yoga que tive no verão até que foram bem úteis...
Talvez tudo isso que esteja acontecendo tenha um motivo. Talvez seja uma espécie de lição que eu deva aprender, para continuar seguindo a vida da forma correta. Um aviso dos céus para eu modificar o que está errado e consertar. Endireitar os eixos. Talvez seja isso.
Hum... será que eu não devia estudar tanto? Será que é isso que eu tenho que modificar? Talvez eu não deva ser uma grande pocionista... talvez não seja esse o meu destino, e por isso tenho me dado mal em Poções... Talvez também não seja o meu destino ser uma psicóloga (embora eu nunca tivesse achado que seria, sou péssima com conselhos), já que não tenho ajudado muito Alice e Marlene a sair da fossa que se encontram por terem seus namoros acabados recentemente...
Talvez eu não devesse ter me descoberto uma bruxa! Hum... acho que isso é irreparável...
De qualquer forma... tem alguma coisa na minha vida que eu preciso mudar. Alguma coisa que tem que acontecer, e que por algum motivo, eu não tenho deixado... o que será?"
Lily deixou o pergaminho em que escrevia de lado e suspirou, apoiando o queixo nas mãos com os cotovelos sobre a mesa, olhando para a janela. Recompôs-se e dobrou o pergaminho cuidadosamente, metendo-o no bolso interno das vestes. Já tinha reparado o quanto as coisas estavam dando errado em sua vida, mas nada tinha sido mais desesperador que a professora de Adivinhação ter-lhe dito naquela manhã que ela estava passando por uma fase agourenta na frente de toda a turma.
"Pobre menina... vejo uma nuvem negra pairando sobre você... ah, você já sofreu muito... e vai continuar sofrendo se não fizer o que é certo... as escolhas certas..."
Na hora, bufara com desprezo revirando os olhos, sem acreditar numa palavra. Mas assim que a sineta tocou e se levantou do banquinho, tropeçou na ponta de uma cortina no fundo da sala e caiu teatralmente no chão de madeira da sala-sótão. Todos os alunos se escandalizaram, alguns riram, mas todos começaram a espalhar que 'a Evans estava com um mau-agouro'. É claro que depois dessa ela não teve um dia muito agradável.
Depois do almoço, na aula de Tratos das Criaturas Mágicas, aprenderam sobre pogrebins, animais perigosos com forma de pedra que seguem sua vítima, deixando-a melancólica, até que a ataca e devora. Bem, era exatamente assim que Lily se sentia. Chegou a pedir que verificassem se não tinha nenhuma pedra esquisita seguindo-a, mas não; era só sua imaginação. Porém, Lily permanecera desanimada e melancólica, já que estava condenada ao mau-agouro, com uma nuvem negra pairando sobre sua cabeça e tudo dando errado ultimamente.
Agora ela estava na sala comunal, solitária, naquela tarde de quarta-feira. Ignorava totalmente o beijo da noite passada, ou ao menos pensava que sim. E parecia que James fazia o mesmo... o que era bem estranho, na verdade. Essa já era a segunda vez que o beijava, e ele agia como se fosse nada de mais. Não que ela esperasse que ele contasse para a escola inteira... ou que a chamasse para sair... Não, isso nunca. Mas já que o garoto vivia dizendo que gostava dela, que a achava especial, e a convidava para sair, achou que ele deveria ao menos demonstrar que estava... Feliz...
Ora, estava pensando bobagens! Por que ela iria querer vê-lo feliz? Tudo bem, não o odiava, eram amigos... "Mas só isso!", lembrou-se rapidamente. E já que ela não gostava dele, pelo menos não do jeito que ele dizia gostar dela, não havia sentido em se chatear por ele não estar dando a mínima para o beijo que eles deram naquela terça-feira. – que aliás, não significou nada, foi apenas 'coisa do momento'. Toda essa inquietação era apenas o seu orgulho falando mais alto. Só isso.
xXxXxXx
No caminho para o Salão Principal, à hora do jantar, Lily adentrou um banheiro feminino próximo, e quando lavava as mãos, escutou um diálogo.
- Ai, ele é tão lindo... Eu daria tudo para sair com ele! – Lily identificou as garotas como sendo do quinto ano, e riu consigo de o quanto elas eram bobinhas, com suas paixonites.
- Ai, eu também! E ele joga quadribol tão bem... – Lily agora ficara curiosa. De quem elas estariam falando?
- Ai, ai... Algumas gostam daquele outro, o Black... Mas pra mim o Potter é o mais bonito, o mais simpático... – Lily chocou-se ao ouvir o nome de James... Mas deu de ombros, afinal, era normal toda essa idolatria por James Potter... E não, ela não sentia ciúmes dele... – Sabe que ele já quase me chamou pra sair?
Lily se viu tomada por um assomo de raiva. Não, não era ciúme. Apenas ficava revoltada com a atitude de 'pegador' do colega de classe... Até pobres garotas sonhadoras ele iludia! Atirou a toalha de papel amassada no latão de lixo com toda a força, e saiu dali marchando duro, ainda escutando a conversa das duas garotas.
- Aquela ali é a Evans... O Potter já a chamou pra sair várias vezes, mas ela nunca aceitou...
- Deve ser doida, só pode...
xXxXxXx
Naquela noite, ainda limpando troféus, James e Lily estavam em silêncio. Lily não estava sendo grosseira com ele, mas evitava dirigir-lhe a palavra e olhá-lo nos olhos, absorta em seus próprios pensamentos, o que deixava o garoto incomodado. Tinha necessidade de conversar com ela, não agüentava mais o silêncio.
- Hum... lembrei de uma coisa. O Sirius quer falar com a Marlene. Se explicar, sabe.
- E eu com isso? – ela ergueu uma sobrancelha, olhando-o de lado, um tom de voz distante.
- Ah, você é amiga dela, pode convencê-la a escutá-lo...
- Não. – disse secamente a ruiva.
- Ora Lily, dá uma força.
- Não. O Sirius foi um completo babaca com a Marlene, não vou ajudá-lo a voltar com ela!
- Eu sei, eu concordo com você, mas ele não fez por mal... – Lily parou de esfregar um troféu e o encarou incrédula – Sério! É que o cérebro dele não funciona muito bem às vezes, sabe...
- Eu diria que não funciona nunca... – observou ela, voltando ao trabalho.
- Ok... Mas diz que vai me ajudar a unir os dois novamente... Por favor...
- Não! Eu não quero mais a minha amiga chorando por aquele idiota!
- Mas Lily... Eu não quero mais o meu amigo deprimido por causa da Marlene... Ele ta me enlouquecendo!
A garota o mirou cansada, tentando não sorrir, sem sucesso, como se dissesse 'Não vai desistir, né?'
- Ah, eu não sei... Eu não quero que ele a magoe novamente...
- Olha, se você quiser, o Sirius conversa com você primeiro; te explica o que aconteceu, e se você achar que vale a pena, o ajuda a voltar com a Marlene. O que acha? – ela ponderou um momento, e disse em seguida.
- Ok... Acho que posso fazer isso...
Ficaram novamente em silêncio. Mas Lily estava inquieta. A conversa das duas garotas no banheiro não lhe saía da cabeça. Jogou a flanela que tinha nas mãos no balde próximo, impaciente, chamando a atenção de James. O garoto se virou e a encarou, esperando que ela dissesse alguma coisa. Lily, de fato, abriu a boca. Mas acabou por fechá-la, num bufo.
- Hum... Você ia dizer alguma coisa? – perguntou James, intrigado.
- Não, nada. – respondeu Lily, frustrada. O rapaz deu de ombros, um pouco desconfiado, e voltaram ao trabalho.
xXxXxXx
Na manhã seguinte, Lily acordara pior; não conseguira dormir direito naquela noite, e o trabalho braçal da detenção não ajudara muito; estava cansada e desanimada. Pra completar, ainda sentia um grande peso em suas costas.
Quando se dirigia para as estufas depois do café, Sirius a chamou:
- Ei, Lily! Lily!
- Hum? Ah, oi Sirius...
- Lily, por favor, eu preciso conversar com você. É sobre a Lene...
- Ah, sim. Mas seja breve.
- Ta bom... É que... Sabe, eu gosto da Marlene. Gosto mesmo. – Lily escutava com atenção, continuando seu caminho para fora do castelo no seu passo ligeiro – E... Eu admito que falei praquelas garotas que eu estava solteiro... Mas foi por um motivo idiota, sabe, coisa de orgulho... Sabe como é, várias garotas que topariam sair comigo a qualquer hora, e se eu dissesse que estava ficando sério...
- Ok, já entendi; foi exatamente como a Marlene me contou. Você não quer assumir um compromisso sério, certo? – perguntou Lily, já nas estufas, aos sussurros.
- É...
- Bom, sinto muito. Se quer ficar com a Marlene, vai ter que assumir um compromisso sério.
- Mas...
- Desculpe, Sirius. É só nisso que posso te ajudar. Eu posso até conversar com a Lene, mostrar pra ela que você está arrependido... – ele concordava com a cabeça, esperançoso – Mas só se você quiser algo sério com ela. E for capaz de assumir pra todo mundo. Se não, só tenho a lamentar. Ela não vai ceder. E é uma pena, porque você realmente estava subindo no meu conceito.
Sirius ficou sem fala, frustrado com a conversa da ruiva. Murmurou um "Obrigado, de qualquer forma" e se afastou, indo contar aos outros marotos o que sucedera.
- E aí? O que ela disse? – perguntou James, replantando uma samambaia carnívora amansada por um feitiço que era mantido por Remus.
- É. To ferrado. Se eu quiser a Lene de volta, só assumindo um namoro sério.
- Eu não disse? – fez Remus, altamente concentrado no feitiço que mantinha a planta adormecida. Caso contrário, ela poderia arrancar a mão de quem estivesse mais próximo. – A Lily é uma boa amiga. Nunca faria algo que magoasse quem ela gosta. Por mais que você tente, implore, ela não vai fazer a cabeça da Marlene, a não ser que você faça o que é certo. Que, nesse caso, é assumir um compromisso com ela.
- Puxa, Aluado, por que você não me disse isso antes? Teria me poupado o esforço de admitir para a Lily que eu gosto da amiga dela! – reclamou Sirius, indignado, ajudando James a cobrir as raízes da planta com terra.
- Mas eu te disse! Ai, segura! – gritou Remus. Com a distração da conversa, o encanto que mantinha a planta adormecida desfez-se, e esta agora começava a se mexer. Peter foi correndo chamar a professora, enquanto James tentava estuporar a planta assassina, sendo ajudado por Sirius, e Remus tentava adormecer a planta novamente.
Passado o sufoco, Remus se pronunciou.
- Bom, acho que agora você sabe o que tem que fazer, não é?
- É... – resmungou Sirius, emburrado – O problema é fazê-lo...
xXxXxXx
- Ei, Lily, o que o Sirius queria com você? – perguntou Marlene na volta para o castelo. Tinha se segurado durante a aula de Herbologia inteira, mas a curiosidade acabou vencendo-a.
- Ah, queria que eu te convencesse a voltar pra ele.
- Imbecil... – murmurou sem emoção.
- Você ainda gosta dele, não gosta? – perguntou Emmeline. Marlene se sobressaltou.
- Ah... É... Mas é uma questão de tempo, sabe; logo eu esqueço aquele idiota. Porque é isso o que ele é: apenas mais um idiota que eu tive o azar de me apaixonar. Vocês me conhecem. Depois dele virão outros idiotas e tudo volta ao normal.
- Nossa, você diz isso com tanta naturalidade... – observou Alice, chocada – Como se você estivesse destinada a amar idiotas que não vão te fazer feliz... Isso é tão... Tão...
- Deprimente? – completou Lily. A essa altura, já estavam no saguão de entrada. – Concordo. Mas entendo o ponto de vista. Quero dizer, veja só o meu caso.
- Ah, mas isso foi uma coisa à parte... – falou Marlene, adentrando a sala de Feitiços – Só aconteceu uma vez, com o Bryan, não é? Ou a senhorita se apaixonou por outro idiota e não nos contou?
Lily empalideceu. Mas recompôs-se tão rapidamente que as outras nem repararam.
- Ah, não, só o Bryan mesmo. Er, vamos prestar atenção à aula?
xXxXxXx
Os dias que se seguiram foram indignos de descrição; nada de mais aconteceu. E a ameaça nefasta que pairava sobre Lily pareceu se dissipar.
Na tarde de terça-feira, véspera do dia dos namorados, o professor Slughorn fez um anúncio ao final da aula.
- Alunos, como já devem saber, o Clube do Slug fará uma festa amanhã à noite, em ocasião do dia dos namorados. – James e Sirius reviraram os olhos, entediados. Não faziam parte do clube, porque eram muito desordeiros, e, portanto, nunca tinham ido à uma dessas festas, mas sempre quiseram ir. Mas já estavam cansados de implorar para o professor deixá-los entrar. – Bem, como sabem, só membros do clube podem comparecer a essa festa. – suspiro por parte dos dois garotos – Porém, excepcionalmente para esta festa, vou liberar a entrada de alunos do sétimo ano que não fazem parte do clube... Lembrando, que todos devem vir acompanhados! Agora, estão dispensados.
Sirius teve uma grande idéia.
- Ei, Pontas! Já sei como fazer a Lene voltar pra mim!
- Como? – perguntou o outro desanimado.
- Nessa festa do Slughorn! É só garantir que ela vá... Quem sabe até acompanhada por mim... O que acha?
- É, é uma boa idéia... – respondeu o outro distante.
- Ih... O que é que houve, hein? Ta com essa cara de cervo abandonado por quê? A ruiva deu ataque e não quer mais você por perto, não é?
- Hum... Mais ou menos... É complicado... – refletiu o maroto, lembrando que prometera à garota não comentar nada sobre o beijo de ano-novo, e qualquer coisa que concernisse esse assunto. Por mais que Sirius fosse seu amigo, e só quisesse ajudar, tinha uma boca muito grande... E Lily não ficaria nada feliz se qualquer um descobrisse sobre aquilo...
- Então me conta tudo que eu te ajudo! Pode confiar, eu sou o mestre nesses assuntos. – James o olhou incrédulo.
- Almofadinhas... Não acho que você pode afirmar isso no momento... Tendo em vista que você não busca um relacionamento sério e acabou de perder a garota que gosta por conta disso...
- Ta, ta. – interrrompeu o outro emburrado - De qualquer forma; se precisar, pode contar comigo. Aliás, tenho uma idéia. Por que você não pede pra ir com a Lily? Vocês não estão amiguinhos agora? Então. Diga a ela para irem apenas como amigos. Até porque, ela não deve ter ninguém para ir com ela, não é mesmo?
- É... E não é que essa é uma boa idéia? Valeu, Almofadinhas!
Naquela noite, James e Lily já estavam livres de suas detenções, e patrulhavam os corredores em silêncio. Até que o rapaz se pronunciou:
- Er... Lily... Você vai na festa do Slughorn?
- Hum... Acho que não... Essas festas não são lá muito animadas e... Duvido que essa seja diferente...
- Hum... É que... Eu tava pensando em ir... Será que você não quer ir... Comigo...? – a garota parou de chofre.
- Quê? Irmos juntos? Não! Eu nunca aceitei sair com você, por que aceitaria agora? E... Não tem nada a ver... Que idéia maluca... – falou a garota, afetadamente, tentando mostrar o absurdo naquelas palavras, mesmo que ela mesma não o visse.
- Não... Não é bem assim... Nós vamos só como amigos... Vamos, faça isso por mim, vai? Eu sempre quis ir numa festa dessas... E depois, não concordamos em sermos amigos, daqui pra frente? – ela concordou com a cabeça, fugindo do olhar doce que ele lançava sobre ela. – Então... Considere isso um favor... Vai comigo na festa?
Ela mordeu o lábio inferior, pensativa. Tinha se escorado numa parede próxima, e o garoto estava de frente pra ela, muito próximo. Por fim, cedeu.
- Ok... Acho que... Posso ir com você na festa amanhã... – e com essas palavras, recomeçou a andar, para longe do rapaz. Ele sorriu, feliz.
- Obrigado.
E encerraram o assunto por aí.
Na manhã seguinte, no dormitório das garotas da Grifinória, a festa voltara à tona.
- Ei, vocês vão nessa festa de dia dos namorados? – perguntou Marlene, penteando o cabelo em frente ao espelho do quarto.
- Hum... Eu vou... – todas olharam para Emmeline com olhos curiosos – O Remus me convidou para irmos juntos, ontem...
- Hum... Muito bem, Srta. Vance... Parece que você é a única deste dormitório que não está fracassada nas questões amorosas... – a loira deu de ombros, sorrindo. Lily estava irrequieta.
- Bom... Eu também vou...
- E vai com quem? – perguntou Alice.
- Hum... P-Potter me convidou ontem à noite... – Marlene deu um gritinho de alegria – Mas nós vamos só como amigos! Estou fazendo um favor pra ele, não é nada de mais... – apressou-se em dizer.
As outras três se entreolharam com sorrisos cúmplices.
- Percebeu que depois de milhões de pedidos, você finalmente aceitou sair com James Potter? – disse Alice, ajeitando a gravata.
- Não, não tem nada a ver. Não é um encontro, de verdade... É só... Um favor, eu já disse. Ou melhor, minha obrigação como amiga... Eu não gosto dele desse jeito...
Marlene, ainda penteando os longos cabelos negros, falou, de frente para o espelho, com uma voz etérea:
- Você é quem sabe...
O dia passou ligeiro. Em todo o castelo, todos viviam a mágica do dia dos namorados. Por todos os lados havia casais apaixonados, recebendo flores, corujas com caixas de bombons e cartas de amor.
Depois da última aula, Lily seguiu para a biblioteca acompanhada de Alice, e Emmeline foi encontrar Remus, para um estudo particular...
Marlene vagava pelos corredores do castelo, sem rumo e sem ânimo, e por fim decidiu dar uma volta pelos jardins. Péssima idéia. O jardim estava povoado de casais felizes. Marlene sentia uma fúria apoderar-se de si, acompanhada de uma melancolia que a fazia querer chorar. Acabou por jogar-se embaixo de uma árvore e ficou lá sentada, pensativa.
- Oi... – disse Sirius, galantemente.
Ela virou-se para encarar o dono da voz. Sentiu um ímpeto de sacar a varinha e mandá-lo pelos ares. Mas manteve sua postura indiferente, olhou-o rapidamente e virou a cara. O garoto não se deu por vencido. Sentou-se ao lado dela, que se afastou um pouco.
- O que é que você quer, hein? – ela perguntou irritada. O rapaz fez-se sério.
- Marlene, eu... Queria pedir desculpas...
- Por favor, não comece! – ela se reergueu, e ele fez o mesmo – Eu não quero mais saber dessa estória!
- Mas Lene... Por favor, me escuta!
- Não! – e saiu pisando duro, mas Sirius a reteve segurando-a fortemente pelo braço.
- Marlene, eu te amo, droga!
A garota parou de chofre. Encarou Sirius, o coração pulando pela boca. Sirius estava igualmente pasmo. Pálido, a respiração acelerada, passando a mão pelos cabelos, nervoso.
- O... O q... O que você disse? – perguntou ela, a voz quase num sussurro, o ar lhe faltando.
- Eu... Eu não disse nada... Eu disse... – ela riu, deixando-o ainda mais nervoso – É, eu disse isso mesmo... – admitiu, num suspiro, derrotado - Eu... Eu te amo... – e disse a última parte num murmúrio, quase inaudível.
- Não escutei direito. – ela disse maldosa, verificando suas unhas. Ele bufou.
- Ah, não faz isso comigo... Eu já disse... Não me faça repetir... – murmurou novamente.
O olhar de Marlene, que há pouco revelava alegria, agora era duro e desafiador.
- Então prove.
- Provar? Como assim? – ele perguntou, interessado.
- Hoje à noite, na festa. Prove que me ama, como você disse. Se não, não me procure nunca mais.
E com essas últimas palavras, deu as costas ao maroto, voltando para o castelo, mas não sem antes dizer:
- E vá bem arrumado para me levar na festa!
xXxXxXx
Naquela noite, após o jantar, Sirius adentrou o dormitório masculino da Grifinória aos bufos, batendo a porta, e jogando a bolsa-carteiro num canto.
- Nossa, Almofadinhas, o que é que houve? Está com a macaca? – perguntou Remus divertido, saindo do banheiro.
- Não enche, Aluado! – gritou o outro, com a cara enfiada no travesseiro, como ficara há pouco tempo atrás.
- Ih... Já vi tudo. – falou James, adentrando o dormitório naquele momento - Você foi falar com a Marlene, e ela não aceitou voltar pra você, e ainda te humilhou. Certo?
- Não. Ela aceitou voltar pra mim. Mas só se eu... – hesitou.
- Só se você... – incentivou James, curioso.
- Só se eu provar pra ela que a amo. Hoje à noite, na festa.
- Ah, então você disse que a ama? Parabéns, está evoluindo!
- Não brinca, Aluado, isso é sério! Ela é tão... Tão...
- Adorável? – tentou James, revirando os olhos falsamente apaixonado.
- Perversa! – exclamou Sirius. – Rá! Ela pensa que pode me manipular assim? Que só porque consegue me deixar de quatro no chão, vai ter Sirius Black na mão? Ah, mas não vai mesmo! Ela vai ver, eu vou mostrar pra ela... – e depois de alguns segundos – Eu não vou na festa! Não vou levá-la na festa! Pronto!
James e Remus se encararam sorrindo. O primeiro deu de ombros e disse:
- Tudo bem, você é quem sabe. Mas eu a vi agora há pouco na sala comunal e... Bem, ela estava uma gata.
- O que você quer dizer com isso? – perguntou Sirius, enciumado. Remus escondeu um sorriso.
- Nada... Só digo que vários caras vão dar em cima dela, sem você por perto...
Sirius manteve-se em silêncio por um tempo, pensando, e por fim disse, com muita dificuldade:
- Vou trocar de roupa...
xXxXxXx
No dormitório feminino, as garotas já estavam prontas para a festa. Marlene usava um vestido vermelho decotado, mas não muito vulgar, com meia-calça escura e um sapato scarpin vermelho e de salto. Os cabelos lisos estavam soltos.
- Nossa, Lene, quem você vai matar vestida desse jeito? – perguntou Alice, divertida, admirando a amiga. Usava uma calça jeans escura, uma sapatilha branca, uma bata também branca com alguns brilhos, os cabelos castanhos parcialmente presos para trás com uma presilha, caindo em cachos pelas costas.
- Ah. É dia dos namorados, não é? Vou arranjar um namorado.
- Mas... E o Sirius?
- É exatamente dele que estou falando. – e piscando um olho para a amiga confusa – Você vai ver.
- Ai, eu não sei por que é que eu vou nessa festa... – reclamou Alice, emburrada – Só vai ter um monte de casais...
- ... Casais e caras procurando namoradas! – completou Marlene, colocando os brincos de cascata de corações. – Vai ser divertido!
- Ai, Lice, anima! – disse Emmeline, que usava um vestido cor-de-rosa claro e por cima um bolerinho branco de manga comprida e sandálias brancas, os cachos loiros soltos.
- Estou pronta. – anunciou Lily, saindo do banheiro. Usava um vestido verde-escuro justo no busto e solto embaixo, de mangas compridas e decote 'V', realçando seu colo. Nos pés, sapatos pretos. Os cabelos ruivos e ondeados iam até o meio das costas, num brilho sedoso indescritível. Usava brincos de prata com pequenas esmeraldas, e um colar de prata com um pingente também de esmeralda, em forma de coração. Não estava tão deslumbrante quanto Marlene; sua beleza era mais recatada, mas ainda elogiável.
- Nossa, pra quem só ta indo nessa festa pra fazer um favor... Você até que caprichou, hein? – disse Marlene. Lily corou.
- Ah, não tem nada a ver... Era a única roupa que eu tinha... Ah, deixa de papo, vamos logo!
Na sala comunal, Sirius, James e Remus esperavam as garotas, o primeiro impaciente, nervoso, pensando em como provar à Marlene que a amava, na frente de tanta gente. Os três vestiam calça jeans e camisa social, nas respectivas cores: Sirius de vermelho, James de verde, e Remus de azul.
As garotas finalmente desceram, e todos se dirigiram para as masmorras, na sala do professor Slughorn.
- Você... Está linda. – disse James à Lily, já nos corredores. A garota corou, e respondeu educadamente.
- Obrigada. Você também está... Bonito. – ele sorriu e continuaram o percurso em silêncio.
Marlene e Sirius andavam lado-a-lado, sem dizer uma palavra. Remus e Emmeline andavam de mãos dadas, tímidos, e Alice ia emburrada, com os braços cruzados.
Chegando na festa, o professor os saudou alegremente.
- Sejam bem-vindos, sejam bem-vindos! Ah, vejo que decidiu segui meu conselho, Lily! – falou Slughorn, animado. Lily sorriu amarelo e desejou ser uma avestruz para enterrar a cabeça num buraco.
- Do que ele está falando? – perguntou James, sorrindo.
- Ah, nada...
A sala era bem espaçosa, e estava bem ocupada por alunos de diversas idades e casas, todos conversando, comendo, bebendo e dançando. O ambiente era escuro, com algumas luzes coloridas, e num canto havia uma mesa com alguma comida de festa e tigelas de ponche, baldes de gelo com cerveja amanteigada, e outras bebidas alcoólicas e não-alcoólicas. Havia uma música animada saindo de algum lugar, e algumas pessoas dançavam animadas. Realmente, se alguém queria arranjar um namorado ou namorada, aquele era o momento e o lugar.
Lily estava se sentindo estranha. Não só por estar numa festa do Clube do Slug, onde sempre se sentia deslocada e incomodada, mas principalmente porque estava acompanhada de James Potter. Não, eles não estavam juntos; estavam lá apenas como amigos. Mas ainda assim era estranho...
Marlene logo se adiantou para a mesa de bebidas, atraindo vários olhares masculinos, o que fez que Sirius a seguisse imediatamente, e logo brigasse com ela, por estar tão 'espalhafatosa'. Mas a garota apenas deu de ombros e o lembrou do combinado da prova de amor. Sirius apenas bufou e bebeu um grande gole do copo que tinha nas mãos.
Emmeline e Remus conversavam num canto, bem próximos, e muito tímidos, como sempre. Alice se sentara numa cadeira, sentindo-se extremamente entediada e chateada. Ainda não esquecera Frank; não podia esquecê-lo, afinal, ela o amava! Não entendia o que tinha dado nele para terminar tudo daquele jeito... não fazia sentido... Merlin, eles até faziam planos de se casarem! O que acontecera?
Pra piorar, Alice reconheceu o ex-namorado na festa, tão sozinho quanto ela, sentado num canto. Entrou em pânico. Tentou se esconder, mas ele já a tinha visto, e vinha em sua direção. Droga! Ela queria resolver essa situação, mas tinha medo que ele a magoasse ainda mais!
- Alice! Eu preciso falar com você!
- Por favor, Frank, me deixe em paz... – ela disse, com a voz fraca, andando para longe dali.
- Alice, por favor, me escuta! – a garota parou e o encarou, aborrecida. – Eu sei que eu fui terrível com você... embora eu não me lembre exatamente porquê... mas eu preciso te explicar o que aconteceu! – Alice suspirou.
- Ok...
- Olha, naquele dia, que eu terminei com você... eu não sei o que deu em mim, sabe... eu não lembro direito o que eu fiz, o que eu disse... era como se eu estivesse dominado por alguma coisa, não sei dizer. Eu conversei com a Lily, e ela disse que eu falei coisas horríveis pra você. E eu não sei como te explicar que eu não quis dizer nada daquilo, porque você sabe que eu nunca a magoaria, mas o que eu estou tentando te dizer é que... eu te amo, Alice. Eu te amo, e vou te amar pra sempre. Eu estava fora de mim naquele dia, me perdoe, eu não sei mais o que dizer... me perdoe...
Alice ponderou por um momento. Ele parecia sincero. Mas ainda não explicava todas aquelas coisas grosseiras que tinha dito para ela. E ainda tinha a garota que estava com ele naquele dia...
- Frank... você parece estar dizendo a verdade, mas... não sei se acredito... você me magoou muito...
- Mas Alice, você precisa entender...
- Sinto muito Frank. Nada disso faz sentido. E ainda tem aquela garota que estava com você...
- Garota? Que garota? – Alice se irritou. Ele estava indo longe demais! Negar tudo, desse jeito?
- Por favor, Frank, não se faça de desentendido! Você sabe muito bem, aquela garota da Sonserina, eu me esqueci o nome dela...
- Será que você não estaria se referindo a mim?
Alice se virou. Bem atrás dela, estava a tal garota. Baixinha, cabelos curtos e negros, um rosto de expressão dura, com um sorriso maquiavélico estampado e vestindo preto. Era a melhor amiga de Narcissa Black: Violet Jenkins¹.
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Lily estava encostada numa parede, braços cruzados, olhando em volta. James tinha ido pegar mais bebida para eles. Ele estava sendo um ótimo acompanhante, tinham conversado bastante, e em nenhum momento ele fizera menção a qualquer coisa relacionada aos dois juntos, o que era muito bom. Lily não queria se envolver com James de forma alguma. O máximo que ele teria dela era sua amizade.
Porém, Lily não podia evitar de sentir um pouquinho de tristeza quando pensava assim. Afinal, James parecia gostar mesmo dela, e fazer tudo para agradá-la; será que ele não merecia uma chance?
Por outro lado, talvez ela já tivesse dado chances demais. Já o beijara duas vezes – involuntariamente, é claro! – e passara muito tempo com ele, até se metendo em encrenca por causa dele. Se ele quisesse algo mais sério, já teria dito antes. Portanto, ela não deveria continuar dando mole para ele. Aliás, ela não dava mole pra ela! Ora, que absurdo! Ela apenas... perdia o controle quando estava perto dele. Isso. Seu lado racional entrava em pane com James Potter por perto. E por isso ela fazia coisas como beijá-lo na noite de ano-novo, e passear com ele pelos jardins de madrugada.
Agora, o fato é que ela estava numa festa de dia dos namorados acompanhada de James Potter, seu suposto arquiinimigo. E já foi provado que festa mais James Potter dá em desastre. Pelo menos, na cabeça da ruiva.
James agora voltava com dois copos de cerveja amanteigada nas mãos e um sorriso encantador no rosto.
- Aqui está, ruiva. – disse, bagunçando os cabelos com uma mão.
- Obrigada. – ela respondeu, tentando não encará-lo.
- Hum, Lily... – ele começou, com uma voz rouca, mas foi interrompido pela garota, que começara a falar, agitada.
- E aí James, o que está achando de uma festa do Clube do Slug? É como você imaginava?
- Ah... é, mais ou menos. Legalzinha. As nossas festas de quando ganhamos no quadribol são melhores.
- Hum.
James percebeu que Lily estava esquiva, se sentia incomodada, apreensiva. Mas não parecia estar chateada. Parecia estar... com medo. Com medo de estar ali com ele.
- Olha, Lily, não precisa ficar assim... eu sei que você está incomodada de estar aqui comigo... mas se quiser, não precisa ficar junto de mim o tempo todo, afinal, estamos aqui como amigos...
- Não James... eu não estou incomodada com você... – ela se viu dizendo, sem nem perceber – Eu gosto da sua companhia... – o rapaz sorriu.
- Já que é assim... Ei, já sabe o que o Sirius vai ter que fazer pra ter a Marlene de volta?
- Não, o quê?
xXxXxXx
- Violet Jenkins – apresentou-se a garota à Alice. – Deve estar se perguntando o que eu tenho a ver com essa estória, não é?
Alice e Frank estavam mudos, sem entender nada.
- Eu não deveria contar isso pra vocês... Mas eu não resisto! É tão divertido! – ela riu escandalosamente, como uma gralha. Sua amiga, Narcissa, se aproximava agora. – Ei, Cissa, o que você acha? Eu conto pra eles? – a loira riu maldosa.
- Contar o quê? Falem logo, suas gralhas! – falou Alice, irritada, provocando mais risos nas duas garotas. Frank segurava a ex-namorada, para que ela não atacasse as duas e causasse confusão.
- Calma, não precisa ficar nervosinha, McKellen! Haha! Tudo bem, eu vou contar... Naquele dia, em que o Longbotton terminou com você na biblioteca, e você saiu chorando como uma pateta... Opa, calma! – Alice tinha se precipitado para dar-lhe um tapa, mas foi segurada por Frank, que escutava a tudo atentamente – Bem, naquele dia... o seu namoradinho não tinha a intenção de terminar com você, nem te dizer nada daquilo. Ele fez aquilo por minha causa.
- Como assim? Você me enfeitiçou? – perguntou Frank, revoltado.
- Sua cretina! O que você fez?
- Ah, querida, não foi nada de mais... é que eu precisava testar a minha poção de confusão feita com Pansys¹... e como o palerma do Longbotton estava por perto... foi só fazê-lo sentir um pouco do aroma da poção que já surtiu um efeito temporário, cinco minutos depois ele já tinha voltado ao normal...
Alice e Frank não podiam acreditar. Toda essa confusão tinha sido por causa de um capricho de uma garota maldosa?
- Sua vaca!
- Ora, McKellen, tenha dó. Foi divertido! – disse Narcissa, que estava na biblioteca naquele fatídico dia. – E depois, foi bom vocês terem ficado um tempo separados... ninguém mais agüentava esse grude de vocês!
- Haha! Você está certa, Cissa! Haha!
- Suas... – Alice pulou em cima das duas, que gritaram, assustadas, mas Frank a segurou. Jenkins e Black gargalharam mais um pouco e saíram dali, indo encontrar seus respectivos namorados, Parkinson e Malfoy.
- Frank, você consegue acreditar nessas duas pilantras? Elas... elas...
- Alice. Esquece essas duas. O importante é que agora sabemos que eu não quis terminar com você, nem te dizer nada daquelas horríveis. – a garota o mirou, entendendo tudo. – Agora podemos ficar juntos novamente!
- Oh, Frank! – a garota o abraçou apertado, e ele a girou no ar, beijando-a apaixonadamente.
xXxXxXx
Marlene estava rodeada por praticamente todos os rapazes da festa, conversando animadamente. Os garotos na verdade eram meio babões e ficavam se insinuando para ela, o que era bem incômodo, mas ela fingia estar muito interessada para que Sirius sentisse ciúmes. Sentado numa cadeira e observando a cena, o rapaz não se agüentou e levantou.
- Ei cara, sai de perto da minha namorada. – ele falou para Tibberius McLaggen, que conversava ao pé do ouvido da garota.
- Black, que eu saiba a Marlene não tem namorado...
- Ah, tem sim, não é Lenezinha? – falou, colocando o braço por cima do ombro dela, que não respondeu, nem ele deu tempo para tal resposta. – Viu? Desinfeta, ela ta comprometida.
- Sirius! – Marlene o repreendeu, envergonhada.
- E todos vocês também, caiam fora! E podem dizer pra todo mundo que Sirius Black namora Marlene McKinnon.
- O que foi isso, Sirius Black?
- Ué, você não queria que eu provasse o meu amor a você? Então, agora todo mundo sabe que a gente ta namorando.
- Isso não foi uma prova de amor, e sim uma prova de o quanto você é ciumento e infantil, e ainda por cima hipócrita, pois você vive cercado de garotas e eu nunca reclamei!
E saiu dali emburrada.
- Vai ser mais difícil do que eu pensei...
xXxXxXx
James e Lily conversavam com Alice e Frank, que contavam como tudo tinha se resolvido.
- Nossa, que cretinas! – exclamou Lily.
- Ei, Lil, posso falar com você? – pediu Marlene, chegando na rodinha de amigos.
- Claro.
As duas deixaram o casal feliz e James bebendo cerveja amanteigada para trás.
- E aí, Sirius, como vão as coisas? – perguntou James, ao ver o amigo se aproximando, os dois se afastando de Frank e Alice para conversar melhor.
- Mal. Eu espantei todos os caras que estavam dando em cima dela e disse que estamos namorando, mas não adiantou. Ela disse que foi uma atitude infantil e hipócrita.
- É... parece que você vai ter que partir para o plano B...
- Ah, cara... tudo menos o plano B! Eu não posso passar por essa humilhação...
- Relaxa, eu já falei com o Remus, ta tudo acertado. Ele vai distribuir as balinhas de esquecimento pros convidados quando acabar a festa; ninguém de fora vai lembrar dessa humilhação, e a Marlene vai ficar feliz e te aceitar de volta.
- Será que vai dar certo mesmo?
- Confia em mim, cara. Alguma vez eu já te decepcionei?
- Ok... vou falar com o professor Slughorn. Acho que esse é o momento.
- Vai lá, eu vou falar com o Remus. Boa sorte!
xXxXxXx
Marlene chamou Lily num canto para conversarem:
- O que foi, Lene?
- Adivinha.
- Sirius. – a morena bufou, meteu o rosto nas mãos.
- O que ele fez dessa vez?
- Ah, o problema é o que ele não fez! Eu falei com ele hoje mais cedo, e disse que só voltava pra ele se ele me provasse que me ama.
- Hum... e ele aceitou?
- O pior é que sim! Ele até chegou a dizer a palavra com 'A' para mim hoje. Fiquei surpresa, mas disse que ele teria que me provar, hoje à noite. E eu to esperando, ele ficou no meu pé a noite toda, e quando eu fiquei rodeada de vários caras, ele os espantou, dizendo que é meu namorado!
- Mas... não é isso o que você quer?
- É... mas não assim, sabe? Provar que ele sente ciúmes não é exatamente provar que me ama... ah, sei lá... às vezes eu queria que ele fosse diferente... mas ao mesmo tempo eu sei que não é justo mudar o jeito dele... ele é assim e pronto...
- Bom, então eu acho que você deve se conformar...
- É... talvez... ai, como eu queria não amar aquele idiota!
De repente, a música parou e todos começaram a cochichar o que deveria ter acontecido, quando...
- Hum, com licença, eu gostaria de pedir a atenção de todos... – falou Sirius, no centro da sala, fazendo com que todos o olhassem. Alguns garotos da Sonserina começaram a rir, mas ele respirou fundo e continuou – Eu... ahn...
- Ai meu Merlin, mas o que é que ele está fazendo ali? – sussurrou Marlene para Lily.
- Acho que isso é a tal prova de amor que você queria... – disse Lily, e Marlene logo se encheu de esperança.
Os alunos da Sonserina agora vaiavam Sirius, inclusive seu próprio irmão, Regulus.
- Er... – Sirius olhou para James e Remus, que o encorajam silenciosamente; olhou para todos aqueles alunos o encarando como se ele fosse um esquisitão; olhou enfim para Marlene; e voltou o olhar para os sonserinos que riam dele. - O professor Slughorn pediu para avisar que acabou o hidromel. É só isso...
E saiu dali, acanhado, sob murmúrios de incompreensão e vaias de sonserinos. Alguns alunos foram procurar o professor para pedir um esclarecimento sobre o fim do hidromel, Remus ligou a música novamente e tudo voltou ao normal.
James, que estava junto a Lily e Marlene, foi atrás de Sirius, que já era seguido por Remus.
- Almofadinhas, o que aconteceu? – perguntou James, preocupado.
- Ficou nervoso? – sugeriu Remus, cauteloso.
- Caras... Me deixem em paz, ta? Eu vou embora, cansei dessa festa.
E saiu da sala, deixando os dois amigos para trás.
James voltou para junto de Lily e Marlene.
- Hum, James – começou Marlene – o Sirius...?
- Ele não está se sentindo legal, e resolveu voltar pra Torre...
- Ah... – fez a garota, timidamente. Após alguns segundos, ela voltou a falar – Eu... eu já volto...
E deixou a festa também.
- Nossa... o Sirius ia...? – começou Lily.
- É, ele ia dar uma prova de amor. Ia cantar uma música pra ela. Mas acho que ele ficou nervoso...
- Nada mais natural, eu acho... ainda mais para o Sirius! Sem contar que amanhã a escola inteira ficaria sabendo...
- Hum... na verdade não. – Lily se voltou para o garoto, confusa. – Nós tínhamos um plano. Remus ia dar a todos os outros convidados umas balinhas especiais da Zonko's que encomendamos há um tempo. Essas balinhas funcionam como um feitiço de esquecimento simples, o pessoal não ia lembrar desse momento específico...
- Nossa, que engenhoso. – observou Lily.
- Coisas de Marotos.
- Hum...
xXxXxXx
Sirius tinha deixado a sala do Professor Slughorn nas masmorras e seguia apressado para a Torre da Grifinória. Sentia-se humilhado, por mais que não tivesse feito o que tinha planejado; aí sim estaria pior do que estava.
Sirius Black não era romântico. Sirius Black não cantava músicas para as garotas que gostava na frente de vários colegas. Sirius Black não dava provas de amor. Sirius Black sequer sabia o que era o amor. Ele nunca amara na vida, e pretendia permanecer assim.
Foi besteira se deixar levar pelo o que sentia por Marlene. Só porque ela o fazia sentir maravilhosamente bem, não significava que ele deveria fazer tudo o que ela queria; que deveria provar que a amava. Afinal, ele nem tinha certeza disso mesmo.
Foi por pouco que ele se livrou da humilhação de declarar seu amor a uma garota, que ele nem sabia se amava, em frente a vários colegas. E se o feitiço das balinhas não funcionasse? E se funcionasse, ele ainda saberia a estupidez que tinha feito. Tudo por uma garota.
Não.
Tudo para A garota.
Droga, ele tinha que admitir. Marlene McKinnon era a garota mais divertida, mais espontânea, mais envolvente, mais genial que ele conhecera. Também a mais bonita, mais sensual, mais esperta e mais espetacular. Mas ela também sabia ser doce e às vezes era tão surpreendentemente tímida, que nem parecia ser aquela mesma garota que o provocava com beijos ardentes em corredores vazios e depois saía sem mais nem menos, ou quando ficava completamente à vontade no meio de vários caras babando por ela. Em todos os aspectos, Marlene McKinnon era definitivamente surpreendente.
Mas ela deixara claro que só o aceitaria de volta se ele desse a tal prova de amor. Ele não se sujeitaria a planejar outra humilhação, então não ficaria mais com ela. Bem, paciência. Ele podia viver sem ela... como ele mesmo dizia, várias garotas dariam tudo para sair com ele... mas nenhuma saberia laçar seu coração do jeito que ela fazia...
Já estava galgando os degraus de uma das escadas que levavam ao sétimo andar quando escutou uma voz familiar...
- Sirius! Espera!
xXxXxXx
De volta à festa do Clube do Slug, as coisas não iam muito bem... pelo menos, era o que Lily pensava...
Como era uma festa de dia dos namorados, o lugar estava repleto de casaizinhos e pessoas querendo arranjar namorados. Como a festa já estava no fim, músicas lentas e suaves eram tocadas, e havia alguns casais dançando, para tristeza dos pobres solteiros desafortunados. Alice e Frank dançavam abraçados, felizes por terem esclarecido toda a confusão, Emmeline e Remus também, e Lily permanecia no mesmo lugar que se instalara desde que chegara, encostada a uma parede, com os braços cruzados.
Alguns rapazes já tinham se aproximado e convidado-a para dançar, mas ela recusara. Não estava com humor para atos românticos. Pelo menos ela achava que não. O fato é que Lily estava ainda mais incomodada do que quando entrara no recinto. Como se algo estivesse demorando demais para acontecer...
- Oi... Você vem sempre aqui? – perguntou um James bem-humorado a uma Lily entediada, que sorriu levemente.
- Não, só de vez em quando. Estou te estranhando, James. Não é você que se diz o garanhão? Por que não está dançando com alguma garota do seu fã-clube? – Lily apontou para um grupinho de garotas de diversas casas e idades a um canto – Aposto que elas estão esperando por você...
James deu uma rápida olhada para as garotas, que se alvoroçaram, e depois voltou a olhar para Lily, passando os dedos pelos cabelos bagunçados, sorrindo misteriosamente.
- Na verdade... Quem fica se gabando de ser um garanhão é o Sirius. E... Além do mais... Hoje só tem uma garota com quem eu quero dançar... – e olhou significativamente para Lily, que sentiu seu corpo estremecer por dentro.
- Bom, se essa garota sou eu, – ela começou, fazendo pouco caso e desviando o olhar discretamente – me desculpe, mas você vai ficar sem dançar. Não estou para danças hoje...
- Ora, Lily, deixe disso... – começou ele, com o tom de voz mais doce e persuasivo que ele conseguiu fazer – Por que me evita tanto?
- Porque... – ela ia começar a responder, constrangida, listando todos os motivos em sal mente, mas foi interrompida pelo garoto.
- Ah, Lily, sem essa... Eu já disse que eu gosto de você... E você sabe que você quer ficar comigo...
- Não, James, eu não quero... – ela murmurava, com menos convicção do que esperava, encostando-se cada vez mais na parede e se perdendo naquele doce olhar cor de avelã.
- Isso é o que a sua cabeça diz... Mas e o seu coração? – insistia ele, aproximando-se cada vez mais dela, que já tinha a respiração desregulada.
- Não, não dá... James... – dizia a garota, resistindo, a voz um pouco acima de um sussurro - Você é encrenca...
- Eu, encrenca? Eu não sou encrenca, eu não atraio encrencas... Elas é que vem atrás de mim!² – brincou ele, mantendo o tom de voz baixo. Lily deu um meio sorriso, como se dissesse.
- James...
- Lily, eu já te dei várias provas de que eu mudei; provas de que eu gosto mesmo de você; quantas mais você quer?
A garota o mirou, derrubada, sem saber o que dizer, sem saber o que fazer. Ali na sua frente, estava aquele garoto inconseqüente, imaturo e arrogante que sempre odiara. Mas que também era atencioso, bom amigo, brilhante, surpreendente... Dentre várias outras qualidades que Lily não queria admitir no momento...
- James... Não faz isso...
- Lily, – ele falou docemente, as mãos procurando o rosto dela, e os segurando com ternura. Ela não protestou. – eu não quero te fazer mal; eu gosto de você. Será que dá pra entender? E eu não estaria apostando em nós dois se não tivesse certeza de que você também gosta de mim.
- Mas...
- Desde aquele baile de ano-novo que eu só penso em ficar com você... Por favor, Lily... Deixe de ser cabeça-dura, e aceite que você quer ficar comigo...
Ela devia ficar muito brava. Afinal, quem era ele para dizer o que ela sentia e o que devia fazer? Ela devia mais era brigar, xingar e espernear, fazer um escândalo e mandá-lo às cucuias. Ela podia muito bem dar-lhe um tapa bem dado e voltar para a segurança de seu dormitório na Torre da Grifinória, deixando-o ali, humilhado, como fizera tantas vezes antes.
Ela podia muito bem fazer tudo isso. Mas Lily Evans também podia ser surpreendente, até para si mesma.
- Vamos, Lily... O que eu tenho que fazer pra você perceber que nós dois nascemos um pro outro?
- Parar de enrolar e agir logo.
James não precisou pensar duas vezes. Lily se rendeu e se entregou ao beijo, sem nem se importar se no dia seguinte tal fato inédito seria comentado por todo o castelo...
¹: Vamos às explicações. Essa Violet Jenkins, é a mãe da Pansy Parkinson (ela não tem o sobrenome Parkinson porque este virá do marido dela). Porque o nome Violet? Porque, caso não saibam, Pansy é um tipo de violeta. E, por acaso, essa e outra informação que consegui no site Harry Potter Lexicon couberam direitinho nessa confusão que fez o Frank terminar com a Alice. Vou contar uma historia pra vocês. Em "Sonhos de uma noite de verão", peça famosa de Shakeaspeare, Puck usa o suco de uma flor (Pansy) nos olhos dos personagens para fazê-los se apaixonar pela primeira pessoa que vir pela frente, mas acaba confundido os casais e provocando uma grande confusão – Lisandro, que já era apaixonado por Hérmia, passa a odiá-la e gostar de outra, Helena, magoando a pobre Hérmia. Mas no final, a confusão é resolvida. Bem, tem alguma relação com o que aconteceu com o Frank... (nesse caso, o intuito da poção não é fazer ninguém amar ninguém, mas sim o contrário)
Ah, e por que é essa Violet que causa a confusão e não a Bellatrix ou a Narcissa ,que faria mais sentido (para alguns)? Porque segundo o HP-Lexicon, a Bellatrix é mais velha que o Sirius, e portanto, freqüentou Hogwarts antes dele. E a Narcissa, a meu ver, é uma vela apagada. Ela é má, ela faz coisas do mal, mas não vive pra isso. Ela prefere desprezar e difamar as pessoas a causar confusões, como é o caso das minhas criações, Violet Jenkins e Melissa Adams. E também porque aí não teria historinha legal. :)
²: Peguem o primeiro livro da nossa saga, e vocês verão que nosso querido Harry fala algo parecido... não, não foi plágio. Apenas quero reafirmar o quanto pai e filho são parecidos... e também porque eu adoro essa fala dele!
N/A: E então???
Beijos, e deixem reviews!
;D
