N/A: Oi… eu sei que faz bastante tempo… mas por favor, me perdoem!!! É que eu estive tão ocupada com a escola, namorado, viagens, etc, e tão sem criatividade… sinto muitíssimo por tanta demora… mas aqui está o capítulo. Agradeço a todos que comentaram, e espero que continuem comentando!
Sobre 'Diário...', eu ainda não comecei o capítulo (eu sei, eu sei, podem me xingar à vontade e atirar pedras), porque simplesmente não tive inspiração alguma! Eu até sei mais ou menos quais acontecimentos descrever, mas não arranjei jeito de começar! Mas não se preocupem, agora entrando de férias, vou me dedicar inteiramente à ela, ok? E eu já adianto que o próximo capítulo será o último, talvez haja um epílogo depois, não me decidi, e por isso tão difícil de escrever...
Bem, é isso. Leiam agora mais um capítulo de 'Ano Novo, Vida Nova!'
Um Final Feliz Para Todos
(embora seja apenas o começo)
Lily estava flutuando. Não havia palavra melhor para descrever a sensação que sentia no momento, sob o fundo musical lento e romântico da festa de dia dos namorados. Estava leve, sem preocupações, sem medos, certa do que estava fazendo. Ela sabia o que queria. Queria ficar com James e aproveitar aquele momento perfeito, entre as nuvens.
Mas de repente sentiu que o chão fazia falta, e que começava a cair, num abismo profundo. O abismo do medo. Quando abriu os olhos, James permanecia com os seus fechados, com um leve sorriso de satisfação nos lábios. Aqueles lábios...
Mas olhou em volta discretamente, e constatou o que temia: a festa tinha literalmente parado, e todos os observavam curiosos. Inclusive Alice, Frank, Emmeline e Remus, um mais boquiaberto que o outro. Alguns cochichos se espalhavam ligeiro pela festa, e pelo canto do olho ela pôde ver que tudo o que falavam era "Lily Evans e James Potter!"
O pânico se apoderou da ruiva novamente. Mais ainda quando os olhos castanho-esverdeados de James a miraram com aquela ternura que a fazia derreter. E antes que ele pudesse dizer mais alguma coisa, correu para a porta da sala.
- Ah não, você não vai fugir de novo! – murmurou James para si mesmo, correndo atrás da garota, após alguns segundos para assimilar a rápida fuga dela de seus braços.
xXxXxXx
- Sirius, espera! – gritou Marlene, já quase no andar da Torre da Grifinória, arfando; viera correndo atrás do garoto desde as masmorras.
Sirius parou em frente ao retrato da Mulher Gorda e a encarou com seus olhos cinzentos, um profundo sentimento de mágoa neles. A garota respirou fundo e subiu os últimos degraus restantes, encarando-o de volta. Sirius murmurou a senha e o quadro girou para o lado, revelando a passagem para a sala comunal da Grifinória. O rapaz fez um sinal para Marlene com a cabeça e entrou na sala, se largando no sofá, sendo seguido por ela.
- Sirius... Você... Hum... Tudo bem?
- Tudo ótimo. – respondeu ele mal-humorado, claramente denotando o contrário.
- Hum... Olha... Er... Você está chateado com alguma coisa? – o garoto suspirou. Ergueu o olhar para ela e fez um sinal para que sentasse ao seu lado no sofá. Ela o fez.
- Olha, eu sei que você me pediu uma prova de amor. E queria que eu demonstrasse hoje à noite. Só que não vai acontecer, McKinnon.
Ao ouvi-lo chamá-la pelo sobrenome em vez de usar o seu nome ou um apelido como de costume, a garota percebeu que a coisa era séria. Talvez ela tivesse sido egoísta demais exigindo que ele passasse por um vexame só pra mostrar que gostava dela. Por um capricho seu. Decidiu ficar calada e escutar o que ele tinha a dizer.
Sirius respirou fundo mais uma vez, e disse, encarando o fogo da lareira, que refletia em seus olhos cinzentos:
- Eu gosto de você. Mas não sou do tipo romântico. Que namora sério, dá flores, escreve poemas, faz declarações... canta uma música na frente de um monte de gente só pra deixar quem gosta feliz...
- Você ia cantar uma música? Pra mim? – ela interrompeu, os olhos brilhando de admiração e a voz sufocada de surpresa. Ele a olhou e acenou levemente com a cabeça, antes de continuar, um pouco corado.
- Portanto... Se você quiser ficar comigo... Vai ter que me aceitar do jeito que eu sou... sem querer mudar o meu jeito de ser, sabe... Insensível e casca-grossa...
- Você tem razão. – disse Marlene, após refletir sobre o que ele tinha dito. – Não é certo eu tentar mudar quem você é. Mas também não posso ir contra o meu coração. Eu... Amo você, mas... Se for pra continuarmos do jeito que estávamos... Não vai dar.
Sirius não esperava tal revelação da garota. Não esperava que ela dissesse que o amava. Não esperava que ela recusasse sua 'tentadora' proposta de voltarem a namorar. Achava que ela acabaria aceitando as condições dele e voltariam a ficar juntos. Mas como ele já constatara antes, Marlene McKinnon era mesmo surpreendente. Baixou os olhos, e irredutível com suas exigências, concordou com a cabeça.
- Está certo. Bem, então...
- Então é isso. – ela disse com um sorriso triste disfarçado. – Boa noite, Black.
E desapareceu por detrás do sofá, subindo as escadas que levavam ao dormitório feminino com agilidade. Sirius olhou para trás apenas a tempo de ver os calcanhares da garota. Voltou a olhar para o fogo da lareira, relaxou-se no sofá, e murmurou para si mesmo, sem muita convicção:
- Será melhor assim...
No dormitório feminino, Marlene fechou a porta e escorou as costas nesta. Uma lágrima solitária rolou sobre sua face.
xXxXxXx
Toda a ação durante a festa de dia dos namorados, desde a 'queda das nuvens' de Lily até James segui-la para fora da sala, se desenrolou em poucos segundos. Os convidados logo voltaram a cuidar de suas vidas, e a festa voltou ao normal. Apenas dois casais ainda estavam estagnados.
- Lice... – perguntou Emmeline, com os grandes olhos caramelados abertos – Você viu o que eu vi?
Alice apenas concordou com um aceno de cabeça, igualmente pasma. Foi Remus quem disse:
- Todos vimos... Todos vimos...
- Hum... Será que... Devemos ir atrás deles? – perguntou a morena.
- Acho que não... – respondeu a loira sabiamente. – Seja o que for que esteja acontecendo... Nós vamos acabar sabendo, mais cedo ou mais tarde...
- Tem razão...
Passados alguns segundos de silêncio e meditação acerca de Lily e James no grupo de amigos, Alice e Frank voltaram a comemorar a reconciliação, e Remus e Emmeline foram deixados à sós.
- Er... Emme... gostaria de dançar? – a garota sorriu timidamente.
- Claro, Remus...
O casal então começou a dançar e se esqueceram das preocupações alheias.
xXxXxXx
Lá estava Lily, no mesmo refúgio que se recolhera depois da festa de fim de ano. E ela tinha cometido o mesmo erro daquela festa também. Como chegara na Torre de Astronomia tão rápido, vinda das masmorras, ela não saberia dizer. Nunca foi dada a correr. Mas foi tudo o que conseguiu fazer depois que saiu da sala do professor. Por sorte, James não a tinha seguido. Pelo menos ela não o vira...
E lá estava a lamentar novamente suas atitudes insanas para com o rapaz... Afinal, por que se culpava tanto? O que tinha de errado em beijar James Potter? Tantas outras garotas já tinham feito o mesmo...
Péssima linha de pensamento, Lily, ela censurou-se. Mas ao invés de pensar como sempre, que estava se tornando uma daquelas garotas com que James ficava uma vez e largava depois, um novo pensamento se apoderou de si.
Por que ela não poderia gostar de James Potter? Por que se recusava tanto a aceitá-lo? Não havia sentido nas justificativas que ela cansou de dar. Simplesmente não fazia sentido ela não entregar seu coração a James Potter. Ele já provara que gostava mesmo dela, não é? E ela ficava feliz junto a ele, certo? Então, por que não se permitia gostar, ou até mesmo, amá-lo?
Talvez ela tivesse medo. Medo das coisas não serem como nos contos de fada. Medo de se apaixonar, se entregar de corpo e alma, e sair ferida no final. Porque, afinal de contas, já acontecera uma vez. Por que não haveria de acontecer novamente? O amor é um abismo, um precipício que a gente se atira , rezando pra não acabar nunca ¹. Mas Lily tinha medo de cair e se machucar.
E foi ali, quando ela estava debruçada no parapeito da torre, observando o céu estrelado, que o seu pesadelo do momento se materializou.
- L-lily? – disse um ofegante James, apoiando as mãos nos joelhos, visivelmente cansado por ter subido as escadas correndo, erguendo a cabeça para olhar a garota.
Lily recuou do parapeito, em silêncio, e observou o rapaz se recompor, sentindo seu coração bater aceleradamente.
- Você corre bastante quando quer, sabe? – ele comentou, ainda retomando o fôlego. – Eu tentei te alcançar, mas... Encontrei o Pirraça no caminho e tive que fazer um desvio, e aí... Aí eu corri o castelo todo... E agora cheguei aqui... E graças a Merlin que você está aqui se não eu teria que voltar a procurá-la...
Lily meramente sorriu sem jeito, e voltou a olhar as montanhas sombreadas na escuridão da noite, controlando-se para não se atirar torre abaixo. James recompôs-se, e inspirou profundamente ao olhar fixo para Lily, se preparando para falar.
- Olha, Lily...
- Não. – ela o interrompeu, branda. – Não perca seu tempo, James.
O rapaz se impacientou. Precipitou-se para ela, ficando lado a lado no parapeito da torre.
- Mas Lily, você não pode...
- Continuar fugindo, eu sei. – a garota adivinhava as palavras, com uma melancolia contida na voz baixa e suave. – Eu sei que você vai dizer que devemos ficar juntos, e que eu sou uma tonta de não admitir que eu... que eu ... – ela não conseguia continuar.
James estava perplexo com as palavras que saíam da boca da ruiva. Será que ela me ama? Era o que martelava em sua cabeça.
- ... Mas eu estou muito confusa... quero dizer, eu te odiei desde o momento em que eu te conheci... e agora... agora eu não imagino a minha vida sem você... caramba... como isso é possível?
- Lily, as pessoas mudam... – disse James carinhosamente, afagando de leve os rubros cabelos da garota. – Você mudou, eu mudei... e nos tornamos perfeitos um para o outro... por quê você não nos dá uma chance?
- Não... não sei... – disse a garota, virando as costas, para poder pensar e organizar melhor sua fala. Não conseguia se concentrar com James tão próximo de si...
Ele não pensava em mais nada. Tudo o que queria era ter a ruiva nos braços, e fazê-la feliz. Num movimento rápido, mas delicado, puxou a garota pelo braço e a beijou apaixonadamente, inclinando-a levemente para baixo. Lily tentou, em vão, se libertar do abraço, mas seu cérebro entrou em pane. Novamente.
Assim que se separaram, Lily arregalou os olhos, surpresa, e abriu a boca para falar, mas James a calou com um dedo.
- Agora você vai me escutar. – a ruiva, incapacitada de agir e contestar, concordou – Eu te amo. E eu sei que você me ama também. Por quê, por quê não podemos ficar juntos? Não há motivos para não acontecer! Lily, deixe de ser medrosa, escute o seu coração, e venha ser feliz ao meu lado! Dê uma chance ao seu coração...
A garota suspirou, resignada.
- James... – ela murmurou, chorosa. – Eu... Eu...
James desesperava-se. Já podia adivinhar que ela o dispensaria mais uma vez, como acontecera antes. Ela não ia aceitar. E partiria seu coração novamente.
- Eu... preciso de um tempo... preciso pensar...
Ao ouvir tais palavras, o rapaz voltou a ter esperanças. Ela nunca tinha dito que precisava pensar. Simplesmente o renegava. Mas agora era diferente. Ela tinha prometido pensar. Era quase um talvez. Quem sabe agora não teria sorte?
- Leve o tempo que quiser, Lily. Eu vou estar sempre aqui, te esperando. – disse James, suspirando amavelmente. – Posso, ao menos, te dar um abraço?
A garota sorriu e deixou-se ser abraçada. Como era boa a sensação daquele corpo quente e forte envolvendo-a... separaram-se e ele beijou-lhe a testa.
- Vamos voltar para a Torre da Grifinória. – falou James.
Os dois seguiram silenciosamente, mas sem constrangimentos. James estava aliviado e esperançoso, e Lily não estava travando nenhuma batalha com sua consciência. Tudo estava bem. E, com um pouco mais de tempo e reflexão por parte da ruiva, poderia ficar melhor.
xXxXxXx
Algumas semanas se passaram, e as coisas entre James e Lily pareciam continuar do mesmo jeito. Porém, sempre que se encontravam, sorriam um para o outro, como se Lily já tivesse optado pelo amor dos dois. Mas ela ainda não se decidira.
Lily amava James, disso agora ela tinha certeza. Mas será que seriam felizes num relacionamento? Será que ela não iria estragar tudo? Afinal, Lily era cheia de manias. E tinha certeza de que era uma chata de galochas. Sempre tão certinha, estudando o tempo todo, com uma organização impecável quando se trata de seus pertences... logo ele iria enjoar dela.
E também… havia o medo. O medo do compromisso. Não que ela fosse como Sirius, que não se apega a ninguém; mas ela tinha receio de se apegar demais e depois sofrer. Seu último relacionamento comprovava essa teoria. Mas isso não era motivo para ela deixar sua felicidade de lado. Afinal, a vida é cheia de desafios, e para ser feliz de verdade, deve-se correr riscos. Mas o problema é que Lily era cautelosa demais...
Era fim de tarde, e a ruiva estava nos jardins, aproveitando o fim do inverno. Aos poucos as luzes iam se acendendo no castelo, dando um ar imponente à gigantesca construção de pedra à sua frente. Lily sempre se surpreendera com a magnitude daquele castelo. Tão mágico, tão misterioso, tão belo... e ainda assim, tão assustador... como o amor.
A garota se encaminhava a passos lentos para dentro do castelo, quando ouviu um chamado vindo da orla da floresta. Virou para trás; não viu ninguém. Será que tinha imaginado?
- Lily! – Hagrid apareceu em frente à sua cabana – Boa noite, como vai? Venha tomar um chá comigo!
Sorriu. Talvez uma conversa com o guarda-caças da escola desanuviasse suas idéias.
xXxXxXx
Não era apenas Lily que sofria com seus sentimentos. Sirius e Marlene andavam completamente devastados. Os dois nunca eram vistos juntos no mesmo lugar por muito tempo. Não que estivessem brigados; mas não suportavam estarem tão próximos e não poderem se abraçar e ficar juntos de uma vez.
Como se esperava, o boato do beijo entre Lily e James se espalhou por toda a escola, embora sem muito alarde, o que fez as admiradoras do capitão do time da Grifinória perderem suas esperanças quanto a um encontro com James Potter, afinal, elas imaginavam que, uma vez que James finalmente conseguira 'domar' a Fera-Lily, os dois ficariam juntos e o rapaz não daria atenção à mais ninguém. A solução agora era concentrar todas as expectativas em Sirius Black, o outro jogador do time, o outro cara mais popular, aquele mais gostoso.
Mas o maroto já não tinha mais ânimo para conquistar e partir o coração das garotas da escola. Só havia uma que ele queria. E era a única que ele não podia ter. Bem, podia. Mas aí teria que sofrer mudanças drásticas no seu estilo de vida. Mas, sem perceber, ele já estava se tornando exatamente o que Marlene queria que ele fosse. Um cara sério, confiável, e que se dedica a uma garota só. Porém, faltava a garota.
Marlene sofria pela falta que Sirius fazia. Estava até menos vaidosa. Por um lado, se sentia culpada por exigir tanto do garoto. Afinal, ele sempre viveu daquela maneira, rodeado por garotas, sem nunca ter uma namorada fixa. Ele não podia reagir diferente com ela. Afinal, quem era ela, para um cara tão maravilhoso como Sirius Black?
Marlene era bonita, não podia negar. Era sociável e divertida, e sem dúvida cativante. Mas nunca teve alguém que gostasse mesmo dela, e nunca deu muita bola para romances. Como ela mesma já tinha avaliado antes, só se apaixonava por idiotas que a faziam sofrer. E se os caras não ficavam muito tempo com ela, e alguns até a traíam, era porque ela não era uma garota tão interessante. Não era alguém para se dar valor. Ela já tinha recebido várias broncas de Lily por pensar de maneira tão pessimista acerca de si mesma, mas para ela era isso mesmo: ela não era 'valiosa'. Não merecia a atenção de caras legais. E principalmente, não merecia a atenção de Sirius Black.
A garota se controlava para não demonstrar sua tristeza para os amigos, mas uma delas era observadora demais para deixar sua melancolia passar despercebida.
Naquela tarde de sábado, Marlene vagueava pelos corredores sozinha, quando Emmeline a chamou para uma conversa. Entraram numa sala vazia e a loira começou a falar.
- Lene, não adianta mais fingir. Eu sei que tem alguma coisa errada com você, e talvez eu saiba o motivo disso. Eu sou sua amiga, pode se abrir pra mim.
Marlene deixou escapar um riso frouxo. Nada escapava à percepção aguçada de Emmeline Vance. Se alguma coisa estava errada, ela podia farejar no ar, ou perceber por apenas um olhar, e faria de tudo para concertar e deixar a todos felizes. Ela era uma grande amiga.
- Nada escapa aos seus olhos, não é mesmo? – as duas sorriram, cúmplices – É exatamente o que você está pensando. É por causa do... – ela conteve-se. Suspirou e deixou a frase no ar.
- Mas por que você não nos falou nada antes? Ficou sofrendo todo esse tempo sozinha... Marlene, nós somos suas amigas, servimos pra essas coisas! – bronqueou a garota.
- Eu sei, você tem razão. Mas é que vocês todas estavam tão felizes... a Alice namorando o Frank de novo... você de 'amizade colorida' com o Remus... – Emmeline corou – Até a Lily, mesmo não tendo aceitado ficar com o James ainda, o que eu sei que ela vai... Eu só não quis atrapalhar a felicidade de vocês com meus problemas ridículos...
- Nada que te aflija é ridículo... – censurou a amiga. – Mas vai, me fale tudo o que está te chateando.
Então, Marlene falou. Contou o quanto estava se sentindo triste e vazia sem Sirius, e como queria ficar junto dele.
- Então, Lene, o que impede vocês dois de ficarem juntos? – questionou Emmeline.
- Tudo, Emme, tudo! A gente já tentou namorar, e não deu certo. Eu quis que ele mudasse o jeito dele de ser, e foi uma besteira, porque eu não posso exigir isso dele, não é justo, eu não tenho o direito de moldá-lo ao meu bel-prazer! E como eu sei que não vou ser completamente feliz namorando-o do jeito que ele é... Não tem jeito, Emme, nós nunca vamos poder ficar juntos. E depois, por que ele ia me querer, se pode ter todas? Por que eu?
Emmeline não acreditava que sua amiga tivesse a auto-estima tão baixa.
- Lene... – começou num tom de voz doce e ainda surpreso pelas palavras da amiga – Você é linda... inteligente... cativante... a pergunta certa é: por que o Sirius não iria te querer?
A morena refletiu, mas manteve-se em silêncio, aguardando mais palavras da amiga.
- E, também... será que você não está sendo um pouquinho egoísta? Quero dizer, pelo o que eu entendi, você não é capaz de ficar com o Sirius pelo o que ele é, só se ele se modificasse... isso não é um pouquinho... sei lá, você não está sendo meio controladora? As pessoas são como elas são. E vão mudar de acordo com o tempo e as necessidades delas... ninguém pode determinar como alguém deve ou não agir...
- Emme... você está tão certa... eu sou uma tonta, uma tonta! Tonta e egoísta! E é por isso que eu não mereço ficar com o Sirius! Por que ficar com alguém assim tão...
- Terra chamando Lene! Calma. Não é o fim do mundo. Você ama o Sirius?
A garota deu um longo suspiro.
- Amo.
- Você quer ficar com ele, independente de como ele age às vezes?
- Quero...
- Então pronto! Fale com ele, peça desculpas por querer que ele fosse alguém que ele não era, e fiquem juntos de uma vez!
Marlene refletiu por uns segundos. Colocando assim, não era difícil. Como ela tinha sido boba por ficar sofrendo por tanto tempo, quando podia ter resolvido tudo há mais tempo!
- Tem razão... eu vou fazer isso... mas eu preciso ter certeza que ele me aceita de volta primeiro...
- Bem, é você quem sabe. Eu só quero ajudar.
Marlene sorriu e abraçou a amiga.
- Sem você eu não sou ninguém. – segredou.
As duas riram e se abraçaram mais um pouco, e depois seguiram rumos separados; Marlene foi para a sala comunal, e Emmeline para a biblioteca, onde tinha combinado de encontrar Remus.
Encontrou o amigo absorto em um livro e beijou-lhe a bochecha docemente, despertando-lhe para o mundo real.
- Oi... – ele cumprimentou sorrindo, um pouco corado. Emmeline sorriu de volta e sentou-se ao seu lado.
- E então? Falou com ele? – perguntou a garota. Remus deixou o livro de lado.
- Fiz como combinamos. O Sirius tava lá, todo derrubado na sala comunal. Então eu o chamei para conversarmos, e claro que o motivo era a Marlene.
- Ótimo, e então?
- Eu o convenci a conversar com ela e, quem sabe eles não se acertam?
- Perfeito! Eu falei com a Marlene, e ela está indo agora mesmo para a sala comunal. Logo, logo eles vão estar conversando, fazendo as pazes, e voltando a namorar! – exclamou Emmeline, alegremente.
- Hum, não sabia que tinha uma amiga casamenteira... – comentou o garoto, sorrindo com a felicidade da loira.
- Ah, eu só gosto de arrumar as coisas como elas devem ser... e, falando nisso... e quanto a nós?
Ambos ruborizaram um pouco, mas Remus sorriu e disse:
- Se você gosta das coisas como elas devem ser... é só me dizer o que devemos fazer.
Emmeline abriu ainda mais o sorriso e beijou os lábios de Remus rápida e suavemente. O garoto ruborizou completamente, mas sorriu em seguida.
Os dois se abraçaram e saíram da biblioteca, para um passeio nos jardins pálidos ao pôr-do-sol. Faltava pouco para o fim do inverno.
xXxXxXx
Sirius estava jogado no sofá vermelho da sala comunal da Grifinória. Passara toda a tarde lá, para fugir de garotas grudentas que pudessem se atirar sobre ele implorando para um passeio a Hogsmeade. O sol já se punha, e alguns alunos já se dirigiam para o jantar, enquanto outros retornavam à Torre após um agradável dia de visita a Hogsmeade. Alice acabara de retornar do passeio com Frank no povoado, e avistou Sirius parecendo completamente deprimido no sofá. Hesitou em falar com ele. Sabia o que provavelmente o estava atormentando, mas não tinham tanta afinidade, apesar de pertencerem ao mesmo grupo de amigos. Optou por apenas acenar e sorrir.
Sirius acenou de volta, mas não sorriu. Não tinha ânimo para sorrir. Não tinha ânimo pra nada. Droga, ele estava deprimido. Não era mais o mesmo Sirius Black de sempre. Tudo o que pensava era no quanto estaria mais feliz se estivesse com Marlene. Mas não iria acontecer. Ah, se eles não fossem tão teimosos!
Alice suspirou, teve pena do rapaz, mas imediatamente pensou na amiga, que deveria estar em pior estado. Dirigiu-se para o dormitório das meninas para guardar suas compras e em seguida saiu para jantar.
Aos poucos a sala foi se esvaziando, e Sirius voltou a ficar sozinho no sofá, jogado às traças, mirando o fogo na falta do que fazer. Quando o retrato do buraco girou, virou-se para trás para ver se seriam James ou Peter, mas se deparou com o rosto tristonho de Marlene e ruborizou quando os olhares dos dois se encontraram.
A garota ficou paralisada, o olhar surpreso sobre Sirius. Ela tinha vindo ensaiando o que ia dizer para ele durante todo o caminho até a Torre da Grifinória, mas não imaginara que teria que dizer tão cedo.
- Oi... – murmurou Sirius, ainda paralisado sob o efeito da imagem de Marlene. Mesmo parecendo deprimida, ela ainda estava linda.
Marlene demorou alguns segundos para assimilar a fala do rapaz e sair da passagem do retrato, aproximando-se um pouco do sofá, mas ainda com uma distância considerável.
- O-oi! Er... oi. – respondeu nervosa, ajeitando os cabelos freneticamente e mexendo os pés da mesma forma.
- Eu... estou indo jantar... – disse Sirius, numa voz rouca, levantando-se lentamente e mantendo o contato visual com Marlene.
- Ah... ta... eu vou... para o dormitório...
Ela sentiu-o passar bem perto de si, os ombros a milímetros dela, e virou as costas silenciosamente. A próxima coisa que ouviu foi o quadro girando e fechando.
- Droga! Você é uma idiota, Marlene McKinnon! – ela amaldiçoou a si própria, levando as mãos ao rosto e se jogando no sofá, sentada e com o tronco deitado sobre os joelhos – Ele estava bem ali! Era só dizer o que você precisava dizer!
Ela continuava grunhindo e resmungando, e talvez estivesse chorando, mas ainda com o rosto escondido nos joelhos, os cabelos caindo para os lados como cortinas negras.
- Hum, desculpe, mas... o que você precisava dizer?
Marlene levantou o tronco e a cabeça de supetão, o rosto assumindo diferentes tons de vermelho, e encarou Sirius com seus grandes olhos azuis, a boca meio aberta por causa do choque de vê-lo ali quando se imaginava sozinha. A verdade, é que Sirius não conseguira fugir. Ele precisava encarar Marlene. Deixou que o quadro se fechasse e voltou para conversarem.
- Eu... não queria ouvir, mas... eu ia sair, mas decidi voltar porque eu precisava te dizer umas coisas... mas... gostaria de saber o que você ia dizer primeiro... – explicou ele, estranhamente tímido e educado.
- Eu... eu... – Marlene parecia ter perdido a capacidade de falar – Eu... – fechou os olhos, e endireitou-se, concentrando-se – Eu queria conversar com você...
Sirius piscou. Encaminhou-se para o sofá e sentou-se, ao lado de onde Marlene estava sentada antes. Ela sentou também, encabulada, pousando as mãos nos joelhos.
- Eu... queria... te pedir desculpas.
- Desculpas? Por quê? – perguntou ele, num tom de voz suave e baixo.
- Por não te aceitar do jeito que você é… Por querer que você mudasse o seu jeito de ser pra ficar comigo... – ela respirou fundo, encarando um ponto a sua frente para evitar se perder naqueles olhos cinzentos que a encaravam com tanto interesse – Eu não tenho o direito de exigir isso de você e... eu peço desculpas.
Ele concordou com a cabeça, em silêncio. Abriu a boca para falar, mas Marlene continuou antes que ele pudesse pronunciar qualquer palavra:
- E também... – Sirius fechou a boca, voltando a se concentrar na fala da garota. – Eu… queria dizer que… eu pensei bastante sobre… isso, e… eu descobri que te aceito exatamente do jeito que você é… insensível e casca-grossa - de repente, Marlene abriu a torneira e começou a falar tudo o que sentia num ritmo frenético e desenfreado - porque foi por esse grosseirão que eu me apaixonei, e é assim que eu gosto de você… e… eu ainda te amo… e entendo se você não quiser mais ficar comigo, porque, vamos encarar, quem ia querer ficar com uma pessoa tão manipuladora assim? Você está totalmente certo em não querer voltar a namorar comigo… você devia se afastar de mim para sempre, eu sou uma louca, e… - a garota agora começava a chorar – Droga, eu te amo, mas sei que não te mereço… ai, eu vou parar de te importunar!
Ela se adiantou para as escadas do dormitório feminino, mas Sirius foi mais rápido e segurou pelo braço, trazendo-a para perto de si num abraço.
- Ei… - ele começou carinhosamente – Você só ficou falando de como você se sentia, e nem me deixou dizer nada… - ele acariciava os cabelos de Marlene, enquanto ela enxugava as lágrimas e tentava compreender o que ele estava fazendo. – Marlene… eu te amo… agora eu não tenho medo de dizer isso… e se eu não pude ser o namorado que você sempre sonhou em ter, é porque eu ainda não estava pronto… desde aquele dia, no campo de quadribol, que eu venho pensando em maneiras de te mostrar o quanto eu me importo com você e quero ficar com você pra valer… no dia da festa do Slughorn, que você me pediu uma prova de amor, eu ia cantar uma música pra você… Mas… a questão é que, não importa o que eu fiz ou deixei de fazer, só importa que eu amo você. E você não é manipuladora como diz ser, embora eu concorde com você ser louca… - ela riu contra o peitoral musculoso do rapaz - Na verdade, Marlene McKinnon, você é a garota mais interessante, divertida, envolvente e surpreendente que eu já conheci. E ainda por cima é linda. Como eu poderia não gostar de você?
- Sirius… quer dizer que… - ela sussurrou, mas ele não a deixou concluir o que ia dizer.
- Vamos esquecer tudo isso… vamos recomeçar o nosso namoro do zero. Pra valer. Eu te amo, Marlene. E vou me esforçar ao máximo para ser o cara perfeito que você merece.
Marlene não podia conter-se de tanta felicidade. Abraçou o rapaz fortemente, e disse, sorrindo:
- Você já é perfeito. Perfeito pra mim.
Sorriram um para o outro e se beijaram enfim.
xXxXxXx
- Você entende o meu dilema, Hagrid?
O meio-gigante a fitou com seus olhos de besouro, alisando a barba negra.
- Eu entendo que você esteja confusa, Lily… mas… não acha que deve dar uma chance ao James? – a garota suspirou – Quero dizer, aquele garoto te ama. E, pelo o que você me contou, também está apaixonada por ele. Então… por que não? Eu sei que você tem medo de se magoar… mas no amor, é preciso correr riscos…
A garota o olhou intrigada.
- Hagrid… você já se apaixonou?
O meio-gigante corou e pigarreou.
- Er, não, nunca, mas… o que eu estou querendo dizer é que… na vida, muitas vezes temos que correr riscos… e no amor, vale a pena correr esses riscos… você… está entendendo o que eu estou querendo dizer?
Lily sorriu.
- Sim, eu entendo. Talvez você esteja certo.
Os dois ficaram alguns segundos em silêncio, Hagrid tamborilando os grossos dedos na mesa, parecendo nervoso. Talvez ele não esteja acostumado a falar sobre essas coisas, pensou a garota. Ele olhou pela janela e acrescentou:
- Bem, já escureceu. É melhor você voltar para o castelo. Não vai querer pegar outra detenção…
- É, você tem razão… Espera; eu cheguei a te contar sobre a detenção? – Hagrid ruborizou e lançou um olhar nervoso para um canto da choupana.
- Er… não, mas… o James! Ele… comentou comigo, um dia desses. É, foi. – a garota o olhou desconfiada.
- Ok… bem, já vou. Boa noite, Hagrid!
- Boa noite, Lily!
O guarda-caças encaminhou-a para a saída e fechou a porta, deu um suspiro, e, aliviado, fez um sinal com a mão grande e pesada para o mesmo ponto que olhara antes e James se materializou no meio da sala, saindo debaixo de sua capa de invisibilidade.
Hagrid voltou a sentar à mesa da cozinha e James juntou-se a ele.
- Eu não acho certo o que você fez, James. Escutar a conversa alheia. Se ela descobrisse, ia ficar muito decepcionada com você. – censurou o guarda-caças.
- É, eu sei, mas eu precisava saber!
- Humpf. – bufou - Satisfeito?
- Hum, mais ou menos. Mas eu gostei do que você disse sobre correr riscos. Acha que ela vai ceder?
- Sinceramente? – James pareceu apreensivo. – Acho que sim. Eu entendo toda essa confusão de sentimentos dela. Você sempre foi um moleque travesso, e acho que ela nunca te perdoou por aquele episódio da saia no primeiro ano… - o rapaz abaixou os olhos, sorrindo envergonhado. – Mas, sabe, você mudou bastante. Amadureceu. Ela vai saber levar isso em consideração.
- É… espero que esteja certo. Bem, já vou indo. Estou morrendo de fome e quero ver se consigo falar com a Lily ainda hoje.
- Se estiver com fome, eu ainda tenho alguns biscoitos. – sugeriu Hagrid, oferecendo um prato cheio de seus famosos biscoitos sabor pedra. James olhou para o prato e em seguida para o meio-gigante, deu um sorriso amarelo e disse:
- Na verdade, eu não tenho muito tempo, lembrei que tenho que falar com o Remus sobre uma coisa antes do jantar, sabe…
- Ah, está certo. Leve alguns biscoitos para você ir comendo no caminho, então.
- Certo… até mais, Hagrid! E, obrigado!
- De nada! Apareça sempre que precisar!
James vestiu a capa novamente e saiu marchando pelos jardins em direção ao castelo. Guardou os biscoitos no bolso, e não ia comê-lo tão cedo.
xXxXxXx
No Salão Principal, Lily procurava suas amigas, mas só encontrou Emmeline, sentada ao lado de Remus, ambos muito felizes. Alice estava jantando na mesa da Lufa-Lufa com Frank, e Marlene, ela deduzira, devia estar ainda melancólica em sua cama no dormitório. Mal sabia ela que a amiga não se encontrava mais infeliz… Como não avistou mais ninguém – e por 'ninguém', sugere-se um certo maroto de óculos – além de Peter devorando avidamente uma coxa de galinha em uma mão e um pernil na outra, resolveu juntar-se à amiga loira, embora estivesse receosa de interromper alguma interação romântica entre os dois. Ela não sabia que os dois já tinham se entendido. Por fim, Remus a viu, e convidou-a para sentar-se com um sorriso. A ruiva sorriu de volta, fracamente, e juntou-se aos amigos.
- Ei Lil, por onde esteve? – perguntou a loira sorridente, de mãos dadas com Remus, por debaixo da mesa, ambos sorrindo muito.
- Ah, estava na cabana do Hagrid, conversando sobre umas coisas... – Lily não precisou terminar para que os dois amigos percebessem que coisas seriam essas.
- O James esteve te procurando. – informou Remus, bebendo um gole do suco de abóbora, enquanto a namorada comia educadamente um prato de risoto. O prato dourado da ruiva ainda estava intacto.
- Mesmo? – perguntou ela de imediato, surpresa e ansiosa pela informação.
- É, ele saiu à sua procura… mas vai acabar te encontrando…
- É, claro, vai… - Lily voltou a se calar, os olhos fixos na travessa de rosbife à sua frente, mas sem desejo algum de comer.
- Hum… você não parece muito bem… - constatou Emmeline, observando a amiga atentamente – Aconteceu alguma coisa?
A garota sorriu ligeiramente.
- Não, nada, só estou… pensativa. Só isso.
- Ah, aí está ele.
Ao ouvir as palavras de Remus, Lily instantaneamente virou-se para assistir o protagonista de seus pensamentos mais recentes sentar-se ao seu lado, enquanto seu estômago se agitava.
- Oi. – cumprimentou, de modo geral, os três amigos, mas acelerando os batimentos cardíacos ao olhar esquivamente para a ruiva ao seu lado.
Lily murmurou algo inaudível e passou a fitar seu prato, tentando mostrar-se impassível, controlando suas emoções. Remus e Emmeline trocaram olhares, a garota gesticulando em direção aos outros dois, que não pareciam notar, tramando planos para uni-los, mas sendo desencorajada pelo namorado.
O casal incógnito passou a observar o ainda-não-casal à sua frente. James, após ter se servido de uma generosa quantidade de rosbife e batatas, pegou o prato de Lily, que não fez objeção, e o preencheu com um pouco de salada, batatas, risoto, e rosbife, em pequenas quantidades, e depois pousou o prato de volta no lugar. Alguns segundos depois, Lily começou a comer lentamente. Toda a ação ocorrera em silêncio, e era com tanta naturalidade que James se ocupava em cuidar de Lily, que Emmeline não teve dúvidas: "Esses dois são feitos um para o outro. Logo ficam juntos, e sem precisarem de minha ajuda!"
Quando Lily terminou de comer, muito satisfeita pela seleção feita por James, Alice já tinha se juntado ao grupo de amigos, e perguntou, intrigada:
- Ué, cadê a Marlene? Eu não a vejo desde cedo…
- O Sirius também não apareceu… - comentou James – Mas acho que sei porquê… - concluiu, num tom de voz desanimado. Emmeline e Remus se entreolharam, a garota sorriu discretamente.
- Eu falei com a Marlene hoje. Acho que teremos uma boa notícia ainda esta noite…
Os outros três amigos se entreolharam intrigados, e procuraram respostas nos olhos da loira, que apenas sorriu e comeu uma boa colherada de mousse de chocolate.
Pouco depois, Lily levantou-se da mesa em silêncio, sem ter tocado na sobremesa, um pouco de apreensão em seus olhos quando os dirigiu para James.
- Acho que já vou me recolher. Até mais. – e caminhou apressadamente em direção às portas do Salão Principal, sendo seguida pelo o olhar de James. Assim que ela saíra das vistas do rapaz, este voltou a se concentrar no seu prato de sobremesa, remexendo o pavê de chocolate com a colher, sem muito interesse. Instintivamente, levantou a cabeça e se surpreendeu ao ver Remus, Emmeline e Alice encarando-o como se esperassem uma atitude dele.
- O que foi? – perguntou inocentemente.
- O que você está esperando? Vá atrás dela! – incentivou a garota.
James sorriu. Apanhou o prato de Lily com a torta alemã intocada e levantou-se.
- Desejem-me sorte!
xXxXxXx
Lily não sabia bem para onde estava indo. Nem sabia o que estava fazendo. Só sabia que precisava falar com James. Esperava que ele fosse esperto o bastante para perceber que ela queria que ele a seguisse.
Enquanto fazia um caminho mais longo para a Torre da Grifinória, diferente do convencional, a garota ia refletindo sobre os vários acontecimentos do ano.
Seu ano não terminara muito bem, considerando-se a traição de Bryan na noite do dia 31 de dezembro… porém tivera um início maravilhoso, levando-se em conta o beijo de James na festa de Ano Novo…
Sorriu. Em algum momento ela chegou a pensar que aquele beijo a tivesse azarado completamente; que tudo o que tinha acontecido desde então, o término do namoro, a briga com Melissa Adams, a detenção, a baixa no seu desempenho nas aulas, fosse decorrente daquele beijo. Chegara a pensar que estava amaldiçoada ou algo parecido. Mas agora, pensava diferente.
Ah, Lily tinha vontade de sair correndo e se atirar nos braços daquele garoto irresponsável até o último fio de cabelo bagunçado! Agora ela tinha certeza que o amava, apesar de todo o seu medo.
No final das contas, Lily estava cansada. Cansada de ser ela mesma; de sempre rejeitar James; de nunca ser impulsiva em suas escolhas; de sempre pensar demais e muitas vezes pôr sua felicidade em xeque por conta de dúvidas estúpidas.
Lily Evans estava cansada de ser Lily Evans.
Desatou a rir com tal pensamento. Há muito que não ria gostosamente assim; só quando estava com James, ou com todos os seus amigos reunidos e felizes, o que não tinha acontecido muito ultimamente, devido à sua rotina pesada de estudos para os N.I.E.M.'s e aos insucessos amorosos recentes de seus amigos. Se bem que… era impressão ou Remus e Emmeline estavam muito alegrinhos no jantar?
A garota ruiva deixou-se rir ainda mais, feliz pelos amigos, caso fosse mesmo verdade o que pensava estar acontecendo. Sentou-se num banco de madeira embaixo de uma janela que dava para uma parte da propriedade da escola que não era de acesso aos estudantes, e que, mesmo com a escuridão noturna, ela podia perceber que era um jardim, contornado por cercas-vivas e com uma pequena lagoa em seu interior, iluminado por algumas fadinhas, talvez. Nossa, que lugar bonito à luz da lua! Debruçou-se no parapeito da janela e passou a admirar a luz da lua crescente refletida na pequena lagoa, completamente encantada. Por que nunca tinha reparado antes?
- Esse é um jardim encantado. – Lily não se virou instantaneamente para se certificar de onde teriam saído aquelas palavras. Apenas sorriu, ainda apreciando a bela vista. – Ele não fica visível para todos durante o dia, é meio que um jardim secreto. Lá as flores estão presentes o ano todo, e a neve não chega a tocar o solo, nem o lago congela. É um jardim mágico, se você quiser pensar assim.
- Tudo aqui é mágico, James. – falou a garota, com um tom de obviedade. O garoto sorriu também, e apontou o lugar no banco ao lado dela, pedindo permissão para se sentar. Ela chegou para o lado, e ele sentou-se, as mãos nos joelhos, encarando-a mudamente.
- Eu vi que você não tocou na sua sobremesa… - e tirando a torta embrulhada do bolso, estendeu-a – Trouxe pra você. – Lily abriu um sorriso ainda maior.
- Obrigada. Mas… como sabia onde me encontrar? – perguntou realmente intrigada. Queria que ele viesse atrás dela, mas nem parou pra pensar que talvez ele não soubesse encontrá-la. Ela não sabia da existência do Mapa do Maroto.
- Bem… você sabe que eu tenho um localizador interno de Lily Evans, não é? – respondeu divertido. Lily soltou uma gostosa gargalhada.
- Ah, faz muito sentido. Então é por causa desse seu 'localizador' que você sempre descobria a hora certa de me atormentar no passado, correto? – ele meneou a cabeça, como um 'sim'.
Alguns silenciosos segundos se passaram. Lily não sabia por onde começar. James respirou fundo e deu o primeiro passo.
- Bem… eu queria saber se… você já pensou sobre… bem, sobre nós dois… eu entendo se você ainda não tiver se decidido, é só que eu estou muito ansioso, então… me desculpe…
- Não, tudo bem. Eu… andei pensando, sabe, e… - O rapaz sentiu seu coração bater acelerado, aguardando a resposta tão sonhada.
- E…?
- E… eu descobri porque não consigo decidir. – James suspirou. – James, esse ano tem sido tão confuso… e você tem sido maravilhoso… mas eu tenho medo…
- Medo? – indagou, intrigado. – Medo de quê? De mim? Mas, Lily…
- Espera, deixar eu concluir. – continuou ela, calma - Eu tenho medo de nós dois. De acabarmos sofrendo e saindo os dois machucados, caso não dê certo…
James a fitou como quem admira um criança que acaba de levar um tombo ao dançar, pronto para acudi-la, mas sem deixar o sorriso morrer. Ele passou os dedos delicadamente pela bochecha da garota, tocando em alguns fios rubros que lhe caíam pelo rosto, num desalinho impecavelmente alinhado e contraditório.
- Lily… você tem medo de se apaixonar porque é algo que você não pode controlar… mas, felizmente, o amor é assim… não é uma questão de razão, mas sim de sentimento… você tem que aprender a separar as duas coisas um dia…
- Eu sei… - ela murmurou.
- Lily… na vida, corremos riscos… e o maior risco que se vale a pena correr é o de se apaixonar… - a ruiva prestava atenção ao rapaz, sentindo a necessidade dos braços fortes dele ao seu redor. – Eu não posso prometer que seremos felizes para sempre, embora eu deseje muito isso… mas, vai depender de nós dois trabalharmos para sermos felizes juntos… é preciso que confiemos um no outro… Lily, eu te amo, e nunca vou me cansar de dizer isso. Mas é preciso que você acredite que o amor que sentimos um pelo outro é suficiente para aplacar as suas incertezas e inseguranças… está disposta a abrir seu coração e ser feliz comigo?
Lily sorriu. Ele estava mais do que certo, e ela sabia disso. Não havia mais como negar. Ela não tinha mais argumentos.
- Sim, James. Eu te amo. E quero ficar com você.
A felicidade do rapaz não podia ser maior. Ele a beijou com todo o amor que tinha em seu peito, girando-a nos braços em seguida.
James Potter finalmente ganhara o coração de Lily Evans. Lily Evans finalmente cedera ao amor de James Potter. E Hogwarts estava prestes a conhecer um novo casal.
N/A: E então? Gostaram? Espero que sim!
Beijos a todos, e o próximo capítulo é o último!
;D
