Disclaimer: Todos os direitos e personagens de Blade of the Immortal – ou Blade, a Lâmina do Imortal – são de Hiroaki Samura...só dele!!!!
- novamente, não há spoilers nesse capítulo, apenas a imaginação da Del...
OBS.: Música de inspiração do cap: Cassis, do Gazette.
CAPÍTULO 2: UMA ESPERANÇA A MAIS
O sol havia nascido há pouco. Alguns trabalhadores já estavam nas ruas, em busca de seu ganha-pão.
Ela já estava acordada, vestiu-se sem demora, ajeitou seus curtos cabelos envoltos em um tecido, pegou o shamisen e saiu por entre a porta.
Makie tinha uma expressão séria na face, mas estava com um sorriso discreto, quase que imperceptível. Foi andando por entre a rua cheia de trabalhadores e após um tempo parou em frente a um restaurante. Entrou e procurou por algo com os olhos, mas nada encontrou. Dirigiu-se a uma mesa e cuidadosamente colocou seu shamisen ao seu lado, caso fosse necessário revelar a arma que ela transportava no aparentemente inofensivo instrumento...resolveu fazer um pedido:
- Um chá de ervas, por favor.
- É para já - disse Susuki Kawasaki, o dono do estabelecimento.
Mil pensamentos passaram por sua cabeça naquele instante: a morte de seu pai,a luta com Manji, seus dias como prostituta, e ele, Anotsu Kagehisa. Lembrou-se do dia em que ele foi "salvo" por Rin, afinal, se não tivesse sido ela a pedir para Manji ajudá-lo (além da interferência dela, Makie, ao lidar com os rapazes da Shingyoto-ryu), a essa altura Anotsu estaria morto. Seus pensamentos foram interrompidos por uma voz familiar:
- Você parece bem, Makie.
Ela se virou e ao lado dela estava ele, Anotsu, a quem estava procurando anteriormente. Ele tinha os cabelos presos de forma diferente, seu rosto coberto por um chapéu que escondia sua identidade.
- Ah... olá, Anotsu. Estava a sua espera...
- Há quanto tempo, Makie. Você está a mesma, não mudou nada, apenas a expressão do seu rosto... está animada. Acertei?
Susuki acabara de servir o chá a Makie.
- Ah, muito obrigada. Então, como andam as coisas?
- As coisas andam mais complicadas do que poderia imaginar. A Itto-ryu teve muitas baixas, como Magatsu avisou, maldito Habaki...os membros iniciais da Itto-ryu estão se reunindo para acertar as coisas... para piorar, não podemos andar tranquilamente pelas ruas, pois todos na Itto-ryu foram condenados à morte...estou precisando de você, mais do que nunca, agora que fomos traídos pelo governo. – ele olhava fixamente para ela ao pronunciar essa última frase.
- Você precisa de mim ou de minha técnica? – disse Makie, levando o chá aos lábios.
- Necessito de uma mulher como você ao meu lado, alguém forte, sem medo da morte e com confiança.
Makie deixou a xícara sobre a mesa e o encarou. Forte, ela? Sim, era extremamente forte e ágil como lutadora, no manuseio de seu haru-no-okima, a lança de três partes que usava como arma. Mas vivia atormentada por lembranças não muito agradáveis, e tinha vergonha de certas coisas que teve que fazer para poder levar sua vida. Seria digna dele? Ele que almejava ser líder de uma escola que abrangeria estilos universais por não se prender a nenhum estilo...ele que queria mais do que ela poderia dar??? Pensou bem.
- Kagehisa...sei que você se importa comigo, senão não teria feito tanto por mim, me tirado do prostíbulo, me ajudado sempre que pode...eu lhe agradeço muito, mas não sei se posso corresponder às suas expectativas...talvez eu não seja a mulher que você procura...
Anotsu suspirou fundo, abaixou a cabeça por um momento, fechando os olhos. Sua expressão era desconhecida, pois seu rosto estava oculto pelo chapéu que compunha seu disfarce. Por fim, ele levantou a face para a mulher ao seu lado, revelando um semblante sério, frio, mas ao mesmo tempo carregado de tristeza e uma certa decepção. Seus olhos estavam duros sobre ela, estudando-a, até que ele falou:
- Você só pode estar brincando, Makie. mas enfim.. não pretendo pedir isso outra vez, se a resposta for não, prometo ir embora, sumir da sua vida e te deixar com a vida que você escolher. Gostaria de poder estar junto a você, de construir algo com você estando ao meu lado, enfrentando as dificuldades juntos, como verdadeiros companheiros e cúmplices.
Ele fez uma pausa para respirar, enquanto ela olhava intensamente para o conteúdo de sua xícara.
- Eu tentei ajudá-la e protegê-la como pude, nunca esqueci o que você fez por mim quando éramos crianças...eu poderia ter morrido, se você não viesse ao meu socorro...eu gostaria de poder fazer o mesmo por você...salvá-la de tudo que possa lhe fazer mal...mas você recusou-se a vir comigo... – ele continuou.
Ela suspirou fundo, pressentindo o que estava por vir. Ele prosseguiu:
- Como disse, eu não vou perguntar de novo. A resposta que você me der agora será definitiva. Coloco tudo em suas mãos.
- O que você está me pedindo é..
- É apenas sim ou não. O que você me diz?
