Disclaimer: Manji, Rin, Anotsu e companhia são todos personagens do Samura-san, assim como os direitos de Blade of the Immortal (ou Blade, a Lâmina do Imortal).Eu não tenho nada a ver com isso. Também não tenho nenhum direito sobre o poema do Neruda citado no início do capítulo...

P/ variar, não há spoilers aqui...só a mente doentia dessa pessoa que vos fala...hehehe.

Não poderiam faltar as músicas de inspiração do cap: "1 de Julho" , da Cássia Eller, na primeira parte; "Glory Box", do Portishead, na segunda. Enjoy!

CAPÍTULO 3 – NOVAS CHANCES, NOVOS RUMOS

"Tinhas os olhos tristonhos

Como dois corpos cansados...

Quanta tristeza guardavas

Escondida em tuas mãos!

Cheguei. Vieste. Minha vida

ficou melhor desde aquele

dia, quando tu soubeste

que eu era triste também..."

- Epitalâmio Singelo, Pablo Neruda, in "Cadernos de Temuco".

- Hyakurin, pára de fazer esforço excessivo que você está grávida! – gritou Rin, chamando a loira para dentro. – E além do mais, está começando a ficar frio!

- E desde quando isso mata??? Calma aí, Rin, não precisa ficar dando uma de babá que eu sei me cuidar muito bem... – com isso, a mulher estendeu o braço elegantemente, soltando um dardo do arco em seu pulso, que foi parar certeiro no centro do alvo fixado no tronco de uma árvore atrás da casa onde estavam.

Rin apenas arregalou os olhos, levou a mão à nuca e suspirou fundo...ela nunca aprenderia, mesmo esperando um filho como estava...deu de ombros:

- Certo, mas depois se o Gyiti vier lhe buscar pessoalmente, não reclame!!! – e se foi porta adentro, sem olhar para trás.

Hyakurin sorriu. Rin era apenas uma menina, que estava crescendo com muita coragem e uma certa confiança, em um mundo onde estava sozinha, a não ser pela presença de Manji em sua vida. Pensou na sua própria adolescência, seu casamento, seus filhos e toda a desgraça que se seguiu até a morte de seu marido, através de suas mãos.

Alisou o braço; esse estava melhorando a cada dia, assim como a sua boa e velha mira. Praticava todos os dias sem descanso, e com isso seu braço voltava a se fortalecer. E o seu ego, também. Fechou os olhos. Depois de passar por toda aquela tortura e humilhação nas mãos dos homens da Itto-ryu, de presenciar a morte de Shinriji, além de todo o seu passado anterior, ela podia se considerar uma sobrevivente...uma vencedora...mas não, na realidade, sentia-se sem rumo, com nada além daquele filho na barriga –

- Malditos!!!! – ela gritou, ajoelhando-se em seguida no chão. Apertou com força o tecido de seu kimono nas mãos, como aquilo ainda lhe dava raiva! Não, ela nunca esqueceria o que lhe fizeram, toda a dor que passara, o braço quebrado, os pregos com pimenta perfurando sua pele, o estupro – o nojento do homem que a submetera a uma violação maior do que a de sua feminilidade, ela gostaria de não ter apenas cortado a cabeça dele fora, mas também outra coisa, para pendurar como troféu nas ruas de Edo!!!

- Filho da puta!!!! Miserável!!! – ela gritou de novo, dessa vez a voz contendo mais do que raiva, mas sim tristeza. Tristeza por ela mesma e pela criança em seu ventre. Era uma nova vida que se desenvolvia, uma nova chance para ela, mas ela tinha tanto medo...de errar como fizera com eles, seus filhos...quando percebeu, estava chorando.

Subitamente, sentiu uma mão em seu ombro, a consolando. Ergueu os olhos e lá estava ele, a perseguindo com seus cuidados dia e noite, será que ele não se cansava nunca?

- O que houve? – perguntou ela, com uma voz estranhamente muito calma. Ele a fitava, como se pudesse enxergar a alma dela através da carne; sim, ela tinha medo disso, mas nunca demonstraria isso a ele.

- Digamos que certos gritos chegaram aos meus ouvidos há alguns minutos atrás. O que acontece com você? O que a tortura tanto? O que se tornou tão insuportável?

Ela o encarou seriamente, ele a encarou de volta. Nisso ela começou a rir histericamente. De repente, com grande agilidade, agarrou o colarinho do kimono dele e o puxou para baixo, em sua direção:

- Você se acha muito esperto, não é, Gyiti? Você acha que me conhece mais que todo mundo? Mais do que a mim mesma? Quem você pensa que é? Não é porque aceitei sua ajuda que você pode achar que é meu dono!

Ele a olhou profundamente nos olhos. Viu fúria, medo, tristeza, expectativa. Apenas respondeu:

- Você é sua única dona, Hyakurin, mas não anda cuidando bem do lhe pertence; não use uma tragédia como desculpa para outras. Sei que nunca disse isso, mas você sempre foi uma mulher forte, desde que a conheci. Até Habaki considerava isso, senão não a convocaria para ser parte da Mugai-ryu. O que eu não entendo – ele aproximou o rosto do dela – é como essa mulher tão forte passou a dar vazão aos seus medos...e a deixar eles dominarem-a...

- Como é? Eu não tenho medo de nada, entendeu? – ela quase gritou, soltando o colarinho dele com força.

- Sim, Hyaku, eu quis cuidar do seu filho porque penso que é uma nova esperança para todos nós, para sermos pessoas melhores...é disso que você tem medo? De ser uma mulher normal? De amar alguém com tanta força que mataria por ela novamente? Me diga –

- Cale a boca! Eu sei muito bem porque você está fazendo isso, é porque seu filho doente morreu, não foi? Acha que criando meu filho pode substituí-lo em seu coração? Isso nunca vai acontecer, NUNCA, porque quando se ama um filho, não se suporta a perda dele mesmo que venham outros, e outros...e outros... – nisso ela já estava chorando copiosamente, com o corpo curvado para a terra, como em uma grande reverência. Continuou falando:

- Aquele maldito matou os próprios filhos...eles eram a minha vida...eu os amava tanto...eram o bálsamo que eu precisava todo dia, para poder sobreviver àquele casamento de merda...eu passei todo esse tempo tentando superar, mas sempre penso neles, por isso nunca mais me deixei envolver por ninguém, por qualquer tipo de amor, a perda dói, muito, e eu não sei se poderia suportar isso de novo...a morte do Shinriji me fez pensar muito nisso... – ela endireitou o corpo, deixando que ele visse seu semblante.

Ele a fitava com o olhar sério e sereno de sempre, com cuidado segurou a mão dela na sua e a ajudou a levantar-se:

- Escute, Hyaku, sei que você sofreu muito, esse foi o motivo de eu ter insistido com Habaki para que a liberasse da Mugai-ryu. Não foi por pena – ele enfatizou – mas por admiração. Você mais do que ninguém merecia sair daquela vida, acredite em mim.

Ela sorriu, e levemente apertou a mão dele em resposta. Ele respeitosamente tirou uma mecha de cabelo que insistia em cair na frente do rosto dela, e convidou:

- Vamos entrar, está frio, e você tem muito tempo para reconstruir tudo...e eu estarei ao seu lado, sempre que precisar, certo? Ah, estive pensando, acho que é bom você sair daqui, não é bom ficar sozinha nesse lugar...já falei com a Rin sobre isso, com certeza ela irá comentar com você... – disse essa ultima frase com certa ironia.

- Fui eu que a pressionei a dizer o motivo de você me proibir, sem eu mesma saber, de acompanhá-la no resgate do Manji! - retrucou ela, em tom malicioso.

Ele apenas arqueou a sobrancelha, e a guiou para dentro. Sempre de mãos dadas.

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- O QUÊ???? – gritou Doua, enquanto Rin, Manji e Isaku levavam as mãos aos ouvidos – A COISA TÁ TÃO PRETA ASSIM???

- E vai ficar pior se você não abaixar esse tom de voz, caramba! – reclamou Manji, com as mãos ainda nas laterais do rosto.

- Calma, Manji! Doua, não grite assim, esqueceu que estamos nos escondendo do Habaki? E é isso mesmo...poderemos voltar para o dojo mas sem nos expor muito...se o Habaki nos encontrar lá, não teremos outro lugar para ir... – disse Rin, séria.

- Eu sabia que tinhamos que ir para o dojo da Itto-ryu! O comandante nos receberia e saberia o que fazer...do jeito que ele é inteligente... – Doua sustentava um olhar sonhador.

Rin apenas torceu o nariz em desprezo, ao pensar em Anotsu Kagehisa. Manji olhou para ela de modo questionador, o que ela entendeu, e levantou-se:

- Eu vou me recolher...depois decidimos o que fazer...Manji-san? Você me acompanha?

- Sim, Rin, temos muito o que...conversar... – dirigiu um olhar a ela que a fez tremer.

Após as despedidas, Isaku olhou para a garota ao seu lado, que polia sua arma cuidadosamente:

- Doua, será que devemos mesmo falar com o comandante a respeito do que houve?

- Eu acho que sim, Isaku...não entendo a implicância da Rin com ele...se eles até viajaram juntos!

- Como? – perguntou o rapaz, surpreso.

- Pois é...eu ainda vou entender isso. E você, está melhor?

- Sim, me sinto descansado, depois de tudo que passei...acho que aquilo deve ser pior do que a tortura que eu receberia por ser cristão...

Doua olhou para ele, e subitamente largou sua arma para abraçá-lo com força, o que ele sentia apesar da diferença de porte físico entre eles.

- Fiquei preocupada com você, Isaku...pensei que ia ficar sozinha nesse mundo...eu não ia conseguir ficar sem você...provavelmente iria me meter em alguma briga de rua, ou várias, até poder me encontrar com você de novo...

- Nós estamos há muito tempo viajando juntos, não? – disse ele, com uma das mãos no ombro dela.

- Sim, sempre juntos, não importa o que aconteça...firmes e fortes, um pelo outro. Não foi assim que combinamos? – com isso, ela deu um breve selinho nele, para expressar seu carinho.

Ele apenas sorriu, como uma lutadora selvagem, enérgica e que matava sem pensar muito como ela podia ser tão doce quando gostava realmente de alguém? Era uma grande contradição. Assim como quase tudo nela. Foram anos desde o início da adolescência dela, quando passaram a ser companheiros de viagem, e de vida. Pensando nisso, uma luz se acendeu na mente dele.

- Também fiquei preocupado com você, mas não havia muito o que fazer desde que fui preso, só podia torcer para você e a Rin ficarem bem...

- Foi o que fizemos – interrompeu ela – se eu te contar tudo que a Rin e eu fizemos até invadir o castelo...até o mapa do Kashin Koji eu roubei...por falar nisso, vou acertar umas contas com aquele velho e o Ozuhan assim que conseguirmos ir até o dojo da Itto-ryu...

Isaku riu do jeito dela, o que ela devolveu com um sorriso. Ele se aproximou mais dela, e se preparou para despejar o que pensara em cima dela:

- Doua, somos companheiros há muito tempo, passamos por muita coisa, somos amigos e protegemos um ao outro...depois disso que aconteceu, eu pensei se... - ele parou, envergonhado.

- Se o quê, desembucha, Isaku! – ela encorajou.

- Se...você não gostaria de se tornar a minha companheira de um modo mais oficial...podemos tentar procurar um missionário que possa fazer uma cerimônia...uma cerimônia de...

Ela o olhava confusa. Do que raios ele estava falando? Sabia algumas coisas da religião dele, mas não estava conseguindo assimilar...

- O que eu quero perguntar, é se você quer ser a minha esposa, casar-se comigo, aos olhos de Deus e do mundo, para estarmos juntos até o fim...

Ela arregalou os olhos. Continuava olhando-o fixamente. O choque da surpresa e a familiaridade que tinha com ele entraram em conflito diante da nova possibilidade, que não era tão estranha assim. E agora, o que responder?

Recadinhos rápidos:

Olá a todos, gostaria de agradecer (por mim e pela Del) pela força de quem vem acompanhando a fic e me desculpar por não ter postado esse capítulo mais cedo, mas a correria anda grande, mil perdões!

Ah, deixem suas reviews, opinem, dêem sugestões de músicas p/ as situações que poderiam acontecer com os personagens, vamos interagir!

Beijos e até a próxima,

Ravenclaw-Witch