Disclaimer: Blade – A Lâmina do Imortal e seus personagens não pertencem às autoras dessa fic…só ao Hiroaki Samura. Bem claro isso!

Não, não há spoilers nesse capítulo, só a Witch´s mind working...

Músicas de inspiração do cap:

- Sometimes You Can´t Make It On Your Own, U2.

- This Corrosion, Sisters of Mercy.

- Sympathy for the Devil, Rolling Stones.

CAPÍTULO 5 – DESCONFIANÇAS

- Vamos Doua, ou vamos nos atrasar... – dizia Isaku, com seu jeito calmo de sempre, mas um pouco mais alerta do que de costume.

- Já vai, Isaku! Preciso encontrar o meu chapéu para consertá-lo...por causa daquele velho idiota que te cortou ao meio...grrrr...

- Vão aonde? – interrompeu um Manji sério, com seu cachimbo no canto da boca.

Doua e Isaku se entreolharam. Não sabiam se era seguro ou não dizer que iriam até o dojo da Itto-ryu, para encontrar Anotsu Kagehisa. No dia anterior, receberam um bilhete em um estabelecimento de confiança da Itto-ryu, um dos poucos que ainda restavam. O comandante tinha um pronunciamento a fazer, e Doua, principalmente, se mostrava muito curiosa para saber do que se tratava.

- Vamos dar umas bandas por aí – disse Doua – algum problema?

Manji os olhou de esguelha com o seu olho bom, deu de ombros e disse:

- Tomem cuidado por aí, afinal, fazem dois dias que escapamos do Castelo de Edo, Habaki ainda está na espreita – lançou um olhar quase felino para os dois – e eu também.

Isaku apenas arregalou os olhos, Doua puxou-o pela manga de seu kimono:

- Vamos Isaku, não temos tempo a perder.

Manji ficou sozinho na sala do dojo da Mutenichi-ryu, para onde haviam se transferido na noite passada; Rin parecia bem melhor em sua própria casa, pelo que ele percebera. Não podia negar isso a ela, depois da conversa que tiveram enquanto ainda se escondiam na casa de banho da Mugai-ryu.

Suspirou, logo em seguida tragando seu cachimbo; levantou-se e com passos firmes, mas leves, dirigiu-se a um dos quartos da casa. Abriu uma pequena fresta do shoji, o suficiente para uma espiadela...e lá estava ela, cabelos soltos, dormindo em seu futon, o rosto marcado por lágrimas. Ela havia chorado...até aí, sem novidades, mas ele sabia o motivo. Ele.

Ouviu barulho na porta da frente, e, com os sentidos alerta, foi até lá, com uma das mãos já no cabo de uma shido, pronto para atacar, se necessário. Aliviou-se ao ver Hyakurin, com um embrulho em mãos. Após entrar e tirar seus geta, ela sorriu para ele:

- Ohayo, Manji-san. Trouxe o café da manhã... que cara é essa? E onde está a Rin?

- Ela está dormindo...aproveite para chamá-la, antes que fique mais tarde. Eu vou dar uma saída. – na verdade, iria ver o velho Souri, e pedir a ele uns conselhos...precisava entender melhor algumas coisas.

- Cuidado, as sentinelas de Habaki continuam vigiando a cidade...ainda há tropas espalhadas por aí...já sei, ela não está falando com você, né?

Manji riu, coçou a nuca, ponderou. Por fim, respondeu, após mais uma tragada:

- Ela me evita ao máximo, fala só o necessário e ainda quando não tem alternativa. Ela sabe se comportar como uma criança quando quer –

- Espere – interrompeu Hyakurin, com seu jeito coquete – como você queria que ela reagisse ao que você disse a ela? Você não precisava ser tão radical, Manji-san...e ela tem seus próprios motivos...

Manji grunhiu, soltando uma blasfêmia. Ele lá queria saber de problemas com mulheres??? Não queria problemas com Rin. Não queria que ela se arrependesse de algo relativo a ele, nunca. Por isso, melhor manter certos limites. Como fazê-la entender isso?

- Estou cansado dessa porcaria, e de ficar preso aqui. Vou sair por um tempo, avise-a para mim, certo?

Hyakurin apenas consentiu com a cabeça, com certo olhar irônico, seguindo pelo corredor que levava até o quarto de Rin.

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- Aaaaaahhhhh!!! Eu pego você, Ozuhan! – Doua perseguia o estranho ronin da Itto-ryu. – Eu não me esqueci do que você e Kashin Koji fizeram!

Os dois começaram a lutar, mas foram interrompidos por uma voz masculina:

- Doua, Ozuhan, querem parar com isso, por favor? Tenho um pronunciamento a fazer... – disse Anotsu Kagehisa, com uma cara nada feliz. Continuou, dirigindo-se a todos:

- Caros amigos, não podemos ter discórdia entre nós no momento; é hora de nos unir e acabar com a tirania desse bakufu, que assola Edo...para sempre!

Murmúrios foram ouvidos; Anotsu prosseguiu:

- Como todos sabem, estamos nos preparando para o Levante de Inverno...temos que ser cautelosos nas ruas, nada de arrumar confusão por nada – nisso ele olhou de esguelha para alguns de seus ouvintes, inclusive Doua, que ruborizou – e devemos estabelecer códigos de comunicação especiais. Habaki Kagimura é muito esperto, e pode nos descobrir facilmente a qualquer erro cometido por qualquer um de nós...

Doua fez menção de interromper, mas foi impedida por Isaku. Voltou a prestar atenção ao seu comandante:

- Gostaria de lhes apresentar uma pessoa que me é muito cara, e que nos ajudará em nossa empreitada...é uma grande lutadora, penso que vocês podem aprender muito com ela. Caros, esta é Otonotachibana Makie. Amiga de longa data...

Makie colocou-se ao lado de Anotsu, segurando seu shamisen, enquanto ele completava:

- E minha futura esposa. Pretendemos nos casar assim que vencermos o bakufu no Levante de Inverno.

Todos ficaram boquiabertos, Doua balançava a cabeça em negativa, surpresa. Makie encarava a todos com um sorriso, mas sem esconder sua firmeza. Resolveu falar:

- Sei que todos devem estar surpresos, nem todos aqui me conhecem, mas conheço a Itto-ryu e Anotsu Kagehisa há muito tempo. Saibam que podem contar comigo, farei o meu melhor para ajudá-los a comba+ter Habaki Kagimura.

A reunião continuou sem maiores problemas, algumas regras de comunicação foram estabelecidas, assim como um calendário de metas, reuniões e treinamentos. Quando todos se retiraram, Doua dirigiu-se a Anotsu:

- Com licença, comandante...tem algo que eu gostaria de falar...

- Pois não Doua, esteja à vontade. – disse o líder da Itto-ryu. Mas logo percebeu que a garota não se pronunciaria enquanto Makie ali estivesse. Parecia que desconfiava da futura mulher de Anotsu. Makie observou o mesmo, pois logo pediu licença e retirou-se da sala. Anotsu repreendeu Doua:

- Ela será minha esposa, e saberá de tudo que acontece aqui, Doua...não há porque se comportar dessa maneira!

- Desculpe, comandante. Trata-se de Habaki. Conheci o bastardo durante o resgate do Isaku no Castelo de Edo. Ele ficou o tempo todo desmaiado, devido à uma armação do caolho amigo da Rin, e também saiu ferido...na verdade, um olho foi retirado dele...

Anotsu arregalou os olhos, mas logo recompôs sua expressão serena, mas firme.

- Me conte isso direito, Doua. Kashin Koji me disse que você pegou um mapa sem permissão, era para isso então? Você encontrou aquela menina e seu guardião imortal? Quero saber de tudo, e não me esconda absolutamente nada.

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Quase fim de tarde, ela não vira Doua, Isaku nem Manji durante o dia todo, praticamente. De certo modo, era bom ficar um pouco sozinha, depois de tudo que acontecera nos últimos dias...mas ficar só significava estar apenas com seus pensamentos, o que não ajudava muito.

Tivera uma noite péssima, apesar de estar em território conhecido – o dojo de sua família – e tudo por causa dos fantasmas que assolavam sua mente. Pensou em sua vingança, nos fatos ocorridos no Castelo de Edo, no beijo que Manji lhe dera na casa de banho, e na conversa que tiveram mais tarde, naquele mesmo lugar, antes de saírem no meio da madrugada. Chorara até adormecer, e acordara com o cheiro de um delicioso café da manhã trazido por Hyakurin.

Rin estava agora no pátio externo do dojo da Mutenichi-ryu, embaixo de uma árvore, procurando cortar as folhas que caíam; surpreendentemente, ela estava ficando boa nisso, até o momento não deixara escapar nada. Seus reflexos estavam cada vez melhores...

Escutou um barulho, e voltou-se rapidamente para ver o que era. Sorriu ao ver Doua e Isaku:

- Poxa, vocês sumiram o dia todo, hein? Onde foi que...

Não completou a frase, apenas deu um passo para trás ao ver a figura esguia de Anotsu Kagehisa se aproximando lentamente, tão insinuante quanto uma serpente. Logo atrás dele, via-se um rapaz de cabelos espetados, com uma espécie de máscara cobrindo seu rosto até o nariz. Ela o conhecia de outra época, era o rapaz que recusara-se a violentar sua mãe, e que havia levado a espada de seu pai...além de lutar com Manji...qual era mesmo o nome dele?

- Doua, Isaku, o que ele está fazendo aqui? Vocês, vocês...me traíram? – Rin respirava pesadamente, até que levantou o rosto em desafio:

- Só vão conseguir me tirar daqui morta.

Com isso, levantou sua espada, ficando em posição de ataque. Magatsu descruzou os braços e olhou para seu amigo, questionando-o com o olhar; Anotsu apenas balançou a cabeça, olhando diretamente para Rin depois:

- Viemos em paz, Asano Rin. Na verdade, vim lhe fazer uma proposta; se quer lutar, que tal fazer isso contra quem realmente o merece?

Rin o olhou, desconfiada. Depois, começou a rir, rir muito. Doua foi para o lado dela, amparando-a:

- Rin, você está bem? Ficou louca, é?

Rin afastou-se de Doua, e aproximou-se de Anotsu com um meio sorriso:

- Pelo visto você já está bem melhor, huh? O que você quer? Do que você sabe? Não estou interessada em nada que venha de você...a não ser a sua cabeça em uma bandeja...

Doua, Isaku, Magatsu e até o próprio Anotsu ficaram chocados. No entanto, o líder da Itto-ryu não demonstrou nada.

- Já lhe disse meus motivos para ter assassinado seus pais, Asano Rin. Quero lhe propor uma trégua na sua busca por vingança, vingança contra mim, para combater Habaki Kagimura...sei que foram vocês os invasores do Castelo de Edo. Que foi você a autora das estratégias, e que foram bem-sucedidos...como posso perder uma aliada como você?

Rin arregalou os olhos. Ele a estava elogiando? Queria sua ajuda para acabar de vez por todas com a praga denominada Habaki Kagimura?

- Sei que você matou um homem chamado Ayame Blando nessa fuga, e que causou as várias explosões ocorridas naquele dia. Você, com a ajuda de membros da Itto-ryu, resgatou seu guardião imortal. Estou errado? – perguntou Anotsu.

- Não. – respondeu ela. – Surrei e depois matei esse homem, Blando, pois ele tentou atingir o Manji quando ele estava fraco demais para lutar. O via apenas como uma cobaia. E a Doua foi comigo para resgatarmos também o Isaku, não a forcei a nada.

- Mas sugeriu a idéia a ela, não foi? – rebateu Anotsu. Magatsu, em seu canto, deu uma risadinha. Sabia onde o amigo queria chegar.

- Que está tentando dizer, sua víbora? – Rin levantou o rosto, encarando Anotsu nos olhos – Que por causa da ajuda ocasional da Itto-ryu, eu lhe devo favores? E que você veio me cobrar? É isso?

Anotsu apenas sorriu. Nisso, ouviu-se um barulho, e um vulto alvi-negro se colocou na frente de Rin para defendê-la.

- O que raios essa cambada está fazendo aqui, Rin? Você está louca, ao ficar de papinho com eles? – bradou Manji, com suas duas katanas em mãos.

Rin rolou os olhos. Seu guardião achava que ela era uma idiota? Primeiro, que era criança demais para ele; depois, que não podia estabelecer certos contatos com ela porque ela tivera a infelicidade de ser parecida com a irmã mais nova dele – segundo ele, beijá-la seria quase um incesto – agora, porque ela era "louca" ?

Sorriu maleficamente; ele iria ver a "louca".

- Anotsu Kagehisa...eu aceito a sua proposta. Mas preciso que você me instrua e oriente sobre o que exatamente deve ser feito.

Manji apenas olhou para ela incrédulo:

- O que foi que ele propôs a você, sua cabeça-dura??? – ele estava com as feições tensas, preocupadas. Rin apenas apertou a bochecha dele:

- Negócios, Manji-san. Acabo de fazer um pacto com o diabo. Se quiser vir comigo, muito bem, você decide. – com isso, se afastou, deixando um Manji atônito para trás; ele tentou retrucar, mas só conseguiu dizer:

- Você vai me explicar isso direitinho depois, entendeu? Não sou nenhum palerma para ser manipulado desse jeito! Rin! Não me ignore desse jeito, mulher!

Magatsu ria abertamente de um furioso Manji; Doua e Isaku estavam confusos. Rin disse a Anotsu:

- Venha me buscar amanhã para um passeio, para conversarmos; afinal, você não é digno de pisar no chão desta casa. E nada de gracinhas, está bem?

- Já viajou comigo, Rin-san. Sabe que não farei nada contra sua pessoa...se não me sentir ameaçado.

Rin concordou com a cabeça, e colocando sua espada na bainha, entrou na casa. Aquilo seria muito interessante...mas também poderia ser muito, muito perigoso.