Disclaimer: os personagens de Blade –A Lâmina do Imortal são do Samura-sensei, as autoras não têm nada a ver com isso!!! Hehehehe...

Aos que acompanham a fic, desculpem pela demora, mas tivemos uns contratempos...a fic é escrita em parceria e a Del-chan está estudando para o vestibular, então vou escrever esse cap. por ela, e provavelmente o próximo também, ao invés de intercalar, como fazemos normalmente. Espero que gostem!!! E por favor, postem suas reviews p/ gente saber se está agradando, e deixem sugestões tb!!! Até!!! (Ravenclaw-Witch).

Músicas de inspiração do capítulo:

I Don´t Know What To Do With Myself, The White Stripes.

Open Your Eyes, Snow Patrol.

Seven Nation Army, The White Stripes.

You Give Love a Bad Name, Bon Jovi.

CAPÍTULO 6 – PRELÚDIOS

Ela suspirou frente ao pequeno espelho, ajeitando sua franja para o lado, como sempre. Gostava de se disfarçar, mas realmente ficava melhor sem aquela peruca...preferia os cabelos descoloridos também. Levantou-se, deu uma última ajeitada no obi de seu kimono, e alcançou seu cachimbo; colocou um pouco de fumo, e o acendeu, dando em seguida uma relaxante baforada.

E realmente ela precisava relaxar naquela manhã.

Durante a noite toda, apesar dos ataques que tinha de vez em quando, cansou-se de ouvir o barulho de uma certa pessoa treinando no pátio do dojo; ele não parava de resmungar, e ela não sabia se ria ou se mandá-lo-ia à merda de uma vez. Optou por tentar preparar Rin para o "ótimo" humor de Manji quando se levantasse.

E era para o quarto de Rin que se dirigia agora, com passos leves e decididos.

Deu mais algumas baforadas, foi saudada pelo gigante que rezava com um pingente em forma de cruz nas mãos, e ao chegar ao quarto de Rin, abriu o shoji sem nenhuma cerimônia, sendo recebida com um grito.

- AAAAAAHHHHH!!!!

- Ei, calma Rin, sou eu, Hyakurin! Mas que coisa, assim você me deixa surda!!!!

- Poxa, Hyakurin, me desculpe, mas você me pegou de surpresa...e estou nervosa... – dizia a garota, torcendo a barra de seu yukata.

- Estou vendo. Tudo isso é por causa do Anotsu, é? – disse a loira, com o cachimbo na ponta dos lábios, que formavam um sorriso malicioso. Rin enrubesceu.

- Você sabe muito bem que eu não sei o que fazer!!! E o pior é que não posso simplesmente dispensá-lo, senão ele vai me tomar por covarde, como já fez outras vezes! Eu não quero mais isso! E também, também tem... – Rin respirava pausadamente, tentando se acalmar.

- E também tem o Manji né? Você não quer que ele venha gozar da sua cara depois. Mas você deveria ter pensado melhor nisso antes de aceitar a proposta daquele homem. – disse Hyakurin, dando mais uma baforada em seu cachimbo.

- Você tem razão, mas...pode ser uma maneira de encaminhar as coisas... talvez estando mais próxima fique mais fácil matá-lo...posso tentar conseguir sua confiança e...

- Espere. Pelo que sei, você não o matou quando tinha toda a situação a seu favor. E pelo visto, quem quer a sua confiança é ele. Não pensou nisso não?? – mais uma baforada.

Rin pensou por um instante, e concluiu:

- Sim, de fato, mas eu tenho certo receio pelo que ele pode querer comigo... e com razão...espere aí!!!! Você está fumando, Hyakurin!!!

- E ??? – perguntou a loira, com cara de desdém.

- Affff...me dá isso...você quer sufocar o seu filho??? Mas que coisa... – disse Rin tomando o cachimbo e dando uma baforada – COF! COF! Argh!!! Não sei como você e o Manji podem gostar disso!

- Por falar em Manji, prepare-se, você o ouviu durante à noite? Ele não parou de resmungar!

- Eu ouvi...mas Hyakurin, me diz...como você conhece tão bem os homens?

Hyakurin deu um sorriso de lado, para depois encarar Rin.

- Rin, eu sou mulher, já fui mãe, esposa, e com o trabalho na Mugai-ryu aprendi a ler muitos sinais. E a usar minha intuição...você mesma já seguiu sua intuição, então pode entender o que digo. Você está amadurecendo Rin, logo poderá perceber algumas coisas por você mesma.

- Eu...queria poder saber mais, entender mais dessas coisas da vida. De como ser uma mulher. Minha mãe deveria estar me ensinando essas sutilezas, mas...ela não está aqui.

- Relaxa, Rin. Eu vou ajudá-la com isso. Você vai precisar, ainda mais se pretende unir-se ao Anotsu; às vezes, usar do charme e sedução é necessário para uma mulher, e você sabe muito pouco dessas artimanhas.

Rin apenas sorriu.

- Obrigada, Hyakurin.

- De nada, e anda logo que daqui a pouco ele vai estar por aqui, e se ficar muito tempo esperando é capaz do Manji não aguentar e matá-lo. Enquanto você se apronta, vou lhe dando algumas dicas de como se comportar em certas situações.

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Anotsu Kagehisa olhava para o céu, apoiado em uma árvore, enquanto ouvia o som de metal se chocando contra metal; eram Magatsu e Makie treinando no pátio do esconderijo da Itto-ryu. Casualmente, ele observava os movimentos de ambos em certos intervalos de tempo, e permitia-se admirar a beleza da mulher que lutava. Ele a admirava profundamente, e sentia por ela um respeito quase comparado ao de um devoto a um deus; claro que tudo isso acompanhado de uma grande atração e carinho, afinal, ele era homem. No entanto...

Ultimamente, a pessoa que mais ocupava seus pensamentos, além de Habaki Kagimura, era ela: Asano Rin. Quem diria que ela seria capaz de tanto? E mais, quem suporia que ele em pessoa fosse pedir a ela que se tornasse sua aliada? Aquela menina que ele subjugara tão facilmente perto do rio, e que dependia da proteção daquele imortal. Mas ela estava provando ser mais forte e esperta do que ele imaginava.

Segundo as palavras de Doua, a garota arquitetara a invasão ao Castelo de Edo somente por ele, por seu guardião imortal; lutara e matara e explodira para resgatá-lo, por se importar com ele. Por desejá-lo ao seu lado. Quantas vezes, antes de estar ali, Makie fugira dele?

Mas ela viera resgatá-lo também, ao final de tudo.

Depois que Rin ficara ao seu lado durante toda a viagem de volta a Edo.

Uma voz fez com que ele retornasse ao plano terreno:

- Vamos Anotsu? Está quase na hora de buscar aquela menina do Manji para conversar.

- Ahn? Sim Magatsu, prepare-se e me encontre na porta, vou apenas buscar meu chapéu.

Magatsu olhou se relance para o amigo. Não era normal vê-lo distraído daquele jeito; pensativo sim, mas não distraído. Resolveu deixar de lado...por enquanto.

Voltando ao seu self estóico, Anotsu resolveu não pensar mais sobre o assunto.

Senão seria capaz de começar a invejar aquele tal de Manji.

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Ele fora chamado de repente, e não sabia muito o que esperar. Mas não estava preocupado, pelo menos não no momento. Preocupar-se-ia somente se Hyakurin fosse envolvida no processo. E ele não a queria envolvida em mais nada disso.

Chegou ao ponto de encontro e foi recebido por guardas; eles o averiguaram, mas logo foi liberado por uma ordem curta e simples. Dirigiu-se à sala de onde surgira a voz, e não ficou nada surpreso em ver a figura de Habaki Kagimura mais altiva do que nunca.

- Ora, vejo que chegou antes do esperado. Melhor assim.

Gyiti ajeitou os óculos no rosto, como saudação, e esperou que o outro falasse.

- Bem, Gyiti, você deve ter conhecimento da invasão que nossa fortaleza na cidade sofreu, não é? Sabia que o imortal e sua companheira estão envolvidos nisso???

- Não sabia, mas pude presumir, visto que eu mesmo o trouxe para ser levado ao Castelo. Mas não imaginava que a garota pudesse ir tão longe.

- Nem eu. Escute, Gyiti. Sei que seus deveres com a Mugai-ryu não existem mais,mas preciso da sua colaboração. Minhas tropas e sentinelas não conseguem localizar Manji e a menina, nem mesmo o gigante e a sua companheira. Muitas coisas estão além da reparação, mas... – Habaki fechava o pulso, mantendo a calma, enquanto com a outra mão tocava o tapa-olho que fora obrigado a usar. De repente, levantou a voz:

- Mas eu quero aqueles dois, pelo menos aqueles dois, vivos. Preciso calar a boca do Manji, destruí-lo, pois posso perder minha credibilidade caso descubram que fui o responsável pelas experiências no Castelo. E aquela menina...a companheira dele...eu quero, não, eu preciso dar uma lição nela. – os olhos de Habaki brilhavam de ódio.

- O que devo fazer exatamente? Recolher informações? Espionagem? Simplesmente caçá-los?

- Sim, enquanto as tropas fazem o trabalho "oficial", você irá caçá-los por fora. Eu pago o que for necessário, mas quero resultados. Há uma base informal que estou montando, em uma casa de geishas, para operações extra-oficiais. O endereço é este. Lá sempre haverá algum contato, temos que ser discretos, mas eficientes. Conto com você, é um dos melhores que já recrutei.

Gyiti pensava em como a vida era irônica, se Habaki soubesse...no entanto, poderia aproveitar a situação a seu favor.

- Eu aceito o trabalho. – disse Gyiti, pegando o endereço que Habaki lhe estendia.

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Manji estava cansado, encontrava-se sentado embaixo da árvore principal do pátio do dojo, e respirava de modo selvagem. Não conseguira dormir e resolveu exercitar-se, estava ficando fraco. Fisicamente, e por dentro também. Quem aquela garotinha pensava que era, hein?

Fechou os olhos; ela não era mais uma garotinha, provavelmente aceitara a proposta de Anotsu para tentar sua vingança novamente, ou somente para provocá-lo. O fato é que estava cada vez mais difícil de prever os passos que Rin iria tomar. E ele tinha que prever esses passos, para cuidar dela; afinal, era para isso que ele era pago!

Lembrou-se que foi falar sobre isso com o velho Souri, no dia anterior. O velho o ouvira atentamente, falou de Rin como uma filha, mas quando ele citara as insinuações da menina em relação a ele, Souri avançou nele, exigindo que fizesse o possível para manter a pureza de Rin.

Isso para depois dizer que, caso se tornasse algo irremediável, que antes fosse com ele, Manji, que com qualquer um por aí.

Caralho, como eram difíceis as mulheres! Por isso preferia ficar só, e caso a libido se manifestasse, pagar para aliviá-la, sem maiores complicações. Mas mesmo isso ficara impossível depois que a convivência com Rin se tornou contínua.

Levantou-se, decidido. Não fraquejaria. Não deixaria sua condição de imortal torná-lo um molenga, com a situação que estavam vivendo, ele precisaria estar em seu melhor desempenho corporal, manter a concentração e a mente aberta no caso de precisar elaborar qualquer estratégia...ainda mais agora que ela resolveu se juntar à Itto-ryu.

Ouviu rumores no portão; Doua logo corria pelo corredor para avisar a Rin que a esperavam. Sem delongas, Rin apareceu. Usava um quimono violeta, com obi de um azul bem escuro, combinando com os desenhos que ornavam a barra do kimono e das mangas do mesmo. O penteado era outro, tudo isso decerto era um disfarce para que as sentinelas de Habaki não a reconhecessem. (NOTA DA AUTORA: o penteado é igual ao que a Rin usa na fuga dela para a hospedaria onde ela conseguiria o passe para atravessar a barreira de Kobotoke – ver volume 13).

Antes de sair, ela ainda arriscou um olhar para ele, de reafirmação, como se dissesse que estava tudo bem. Levantou as mangas do kimono, mostrando que além das suas "vespas douradas" ela carregava uma adaga em cada braço. Assim sendo, ela pegou uma sombrinha de seda azul das mãos de Hyakurin, e saiu.

Manji ajeitou suas armas e respirou fundo. Não perderia essa "conversinha" entre os dois de maneira alguma.