Disclaimer: Personagens criados por Hiroaki Samura e afins. Esses delírios escritos, inventados por Del.
Músicas de inspiração do capítulo:
Mardy Bum – Arctic Monkeys
How to be dead - Snow Patrol
Me and Mr. Jones- Amy Winehouse
CAPÍTULO 7 – PRELÚDIOS E NOTURNOS
Eles caminharam alguns minutos em silêncio, que foi cortado logo pela voz impaciente de Rin.
- Então, né...
- Cara Rin, soube de seus feitos em resgatar o seu guarda costas e fiquei muito impressionado com o que soube. Quem diria que aquela menina que viajou comigo se tornaria tão mais...
Anotsu procurou uma palavra adequada para continuar a sua frase, mas não achou algo que realmente descrevesse o que ele pensara daquela menina que antes uma tonta, hoje mais matura.
-...escolada. E burra ao mesmo tempo.
- Burra? Ora Anotsu, você não consegue ficar mais de cinco minutos ao meu lado sem tentar me criticar? E diga, por que burra? Até onde eu saiba, eu consegui com êxito resgatar o Manji... - Exclamava orgulhosa de si, com seu narizinho arrebitado.
- E é exatamente por isso. O Manji é seu guarda-costas, não é? A obrigação dele é protegê-la, e não o contrário. Suponho que é para isso que o paga, não?
Dizendo isso lançou um olhar maldoso na direção de Manji, que retrucou com um olhar de fúria, quase perdendo o controle e atacando Anotsu Kagehisa.
Rin corou. Aquelas palavras que Anotsu pronunciara de certa forma faziam sentido, Era verdade que pagava Manji para ser seu guarda-costas, mas depois de tanto tempo juntos, era algo diferente, havia um carinho, e... uma atração também.
- Enfim, não foi para isso que viemos conversar. - disse finalmente Rin, a essa altura bastante irritada com as verdades que ouvira.
- É, isso é verdade. Viemos falar de seu papel na Itto-ryu.
- E qual seria ele?
Manji, cansado de tanta lenga-lenga e formalidades por parte de Rin e Anotsu, logo se intrometeu naquela conversa, que sabia ele, não deveria resultar em algo bom para ele, nem para Rin. Lançando raiva em suas palavras, as pronunciou para Anotsu.
- Diz logo aí, meu chapa. Que é que a Rin vai fazer na sua escolinha?
- Curioso, Manji?
- Muito.
- Então Rin-san... - dizia Anotsu - primeiro acho viável você treinar mais sua espada. Tudo bem que você melhorou bastante, mas se for pega por um dos guardas de Habaki sozinha, não terá muitas chances de sair ilesa.
Rin sabia que era verdade. Mais uma vez Anotsu estava certo, e isso a incomodara bastante, mas treinar seria uma boa idéia. Principalmente para depois de tanto esforço, poder mostrar para Manji que estava muito superior, e é claro, para derrotar Anotsu.
- Concordo. Mas treinar com quem exatamente?
- Makie. Ela é a melhor pessoa para treinar com você.
- Makie?
Rin ficou surpresa ao saber que treinaria com ela. A vira lutando uma vez e se encantara com a forma dela lutar, nunca vira algo igual, e saber que agora, teria a chance de ficar ao lado de Makie e aprender a sua técnica, era algo fascinante.
Manji também ficou surpreso ao ouvir a notícia, nem mesmo ele seria capaz de treinar Rin para lutar de forma tão deslumbrante quanto Makie. Sabia, no fundo, que aquilo seria uma coisa boa, mas doía saber que cada vez mais estava se afastando de Rin, daquela menina tonta que o admirava. Mas talvez, fosse bom que isso acontecesse... Ou não. Ele não sabia ao certo.
- Aee Rin, tirou a sorte grande, heim?- Disse Taito com um sorrisinho amarelo.
- Também acho Rin... - Finalmente disse Manji.
- Tudo bem por você, Rin-san?- Anotsu disse, e realmente parecia interessado em saber o que aquela garota achava de tal situação.
- Uhum, tudo sim. Quando começamos?
- Amanhã. Makie irá até o dojo dos Asano e treinará com você lá, se se esforçar bastante logo evoluirá o suficiente.
"Então é isso. Amanhã estarei eu, treinando com Makie. Pisando cada dia mais no território do inimigo, me infiltrando cada vez mais, para no final derrotá-lo. Mas será certo isso? Sim sim, é certo. Ele matou meus pais afinal...mas também, a culpa não foi totalmente dele, e... ahhh, como as coisas estão tomando rumo diferente do que imaginei."
Era nisso que Rin pensava enquanto voltava para o dojo, acompanhada de Manji. Logo chegariam, e poderia contar à Hyakurin tudo que se passara naquela tarde. Seus pensamentos foram interrompidos por Manji.
- Você me surpreende cada dia que passa, Rin.
- Você acha? - Sussurrou essas palavras em tom de deboche.
- Acho sim. - Manji segurou firme seu braço, e olhava para ela de forma tão firme e tão carinhosa...
- Manji...
- Hehehe Rin, vamos para casa?
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Assim que Manji e Rin saíram, Gyiti chamou Hyakurin para conversar, tinha um semblante preocupado.
- Que cara é essa Gyiti?- Disse fechando a porta do dormitório dela para que conversassem a sós.
Habaki. Ele me chamou e me contratou para caçar o Manji e a Rin.
- O quê? O que você fez?- Quase surtando e largando o fumo de lado olhava para Gyiti.
- Aceitei.
- Mas...
- É claro que não vou entregá-los. Mas enquanto Habaki achar que eu estou a caça de ambos, eles dois estarão seguros. Mas quando não puder mais manter a farsa...
- Sim eu sei, mas é perigoso.
- Um pouco, mas estou ganhando uma grana alta por isso, e esse dinheiro dará para sustentar você e essa criança.
- Ah Gyiti, que coisa. Fazer isso por mim?
- Bom, depois falaremos disso. Mas por isso você terá que sair daqui. Não é conveniente ficar perto deles por enquanto.
- Mas e a Rin...?
- A Rin não é tão criança assim, e o Manji cuida dela.
- Eu sei, mas...
- O importante agora é contar para eles e sairmos daqui o mais rápido possível. Hoje. Hoje à noite iremos embora, assim será mais esperto e mais seguro para todos.
- Você tem razão. Vai dar tudo certo, não?
- Vai sim.
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Era fim de tarde, quase noite quando Manji e Rin chegaram ao dojo. Foram recebidos por Gyiti querendo falar com Manji. Rin logo deixou os a sós para conversarem, apesar de gostar muito de Gyiti ela tinha um certo receio dele, mesmo com Hyakurin falando que "ele tem cara de bravo, mas é boa pessoa". Isso não a convencera muito a não o temer. Quando saiu, logo Hyakurin veio lhe contar as novas.
Manji estava curioso para saber que assunto era importante que Gyiti mencionara minutos antes.
- Desembucha homem, o que é? - Fumando seu cachimbo, todo largadão no tatame.
- Vou caçar você.
- Anh? Cof cof, que história é essa? - Questionou, se levantando.
Ultimamente, com todos os acontecimentos, Manji estava muito entediado e irritado. Qualquer coisa mal entendida era o suficiente para despertar sua ira, embora passageira.
- Habaki me contratou para caçar você e a menina. Não imagina que estou do lado de vocês.
- Está mesmo?
- Resta alguma dúvida?
- E o que faremos?
- Eu e Hyaku estamos indo embora hoje, logo mais. Enquanto ele achar que estou atrás de vocês, estarão seguros. Por enquanto não se preocupem. Além do que eu tenho um plano.
- E qual é?
- Daqui um tempo, falarei para o Habaki que achei você escondido em algum lugar. Quando ele me acompanhar até lá, encontrará uma armadilha. Já que a Itto-ryu é a nova aliada de vocês, melhor ainda. Com a ajuda deles será fácil matá-lo.
- Eu serei a isca então?
- Isso.
- Não acha esse plano meio furado, primário demais?
- Exatamente por isso é brilhante. As coisas mais simples são as que mais funcionam, Habaki não desconfia de mim, e não vai desconfiar de algo tão idiota, e é aí que ele cai.
- À ele. - Disse levantando seu cachimbo e o tragando logo em seguida.
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Rin ouviu da boca de Hyakurin o que aconteceria. Que ela iria embora com o Gyiti, o plano dele. Parecia que ia funcionar, mas mesmo assim ela ficara chateada de ter de ficar só. Tudo bem que a Doua estava lá, mas elas não se falavam como ela e a Hyakurin, a Doua era uma criança, não poderia lhe dar conselhos.
- Você vai ficar bem, Rin? Perguntou enquanto acabava de arrumar seus pertences.
- Hehe, vou sim.
- Certeza?
- Claro. Além do que, tem a Doua, o Isaku...
- O Manji?
- É. Tem ele também.- Balbuciava essas palavras com seu jeitinho embirrado de garota mimada.
- Hahaha Rin, pára com essa implicância com ele, isso vai dar casamento ainda.
- Só se for por parte dele.
Alguém batia à porta. Hyakurin mandou entrar e viu que eram Isaku e Doua.
- Licença...
- Podem entrar.
- Nós viemos avisar que... - Começou Isaku a falar, com seu jeito tímido de ser.
- Que o comandante nos mandou em uma missão e estamos indo embora agora, ficaremos fora por uns dias.- Disse impaciente Doua, sorrindo. Se sentira tão animada quando falava do comandante, tinha uma admiração enorme por ele.
- Eu ficarei sozinha com o Manji?- Perplexada perguntava Rin.
- Pelo visto sim. Mas como a Doua mesmo disse, é por poucos dias.- Tentou consolá-la, a Hyakurin.
- Bom, estamos indo! - e fez uma reverência.
- Tchau! - Se apressando, disse Doua.
Falando isso eles viraram as costas e foram embora. Pensou que a Hyakurin fosse ficar mais um tempo, mas logo Gyiti apareceu na porta do quarto junto de Manji, apressando-a para partirem.
Em pouco menos de meia hora, só restavam os dois naquele dojo enorme.
Rin estava aflita de estar a sós com Manji. Ele, ao contrário, estava feliz, mas não sabia direito o porquê.
Ela foi para seu quarto, tirou o kimono e se olhou no pequeno espelho. Desamarrou os cabelos e o penteou. Largou o pente e o espelho de lado e foi se deitar. Ouviu o barulho da porta se abrindo e viu que era o Manji. Afinal o que ele queria agora?
- Manji, o que é que você quer?
- Você.- E falando isso a tomou nos braços e lhe deu um beijo.
Aquele beijo lhe fazia tão bem. Passava um carinho tão grande. Passava um calor enorme, uma situação muito confortável.
É impressionante como um simples beijo pode trazer uma felicidade gigante, pode se tornar algo inesquecível. Afinal, um beijo e o começo de tudo.
E ela retribuiu o beijo. E a intensidade daquele beijo foi acontecendo,e uma explosão de sentimentos à tona de dois corpos.
Ele parou de beijá-la e a olhou. Era tão bela. Como conseguira ficar tão tempo distante dela? Como ficara por tanto tempo escondendo seu sentimento por ela? Ele a amava, não conseguia mais esconder isso.
- Rin, eu...eu gosto de você. Gosto de você como jamais gostei de alguém, e...
Na verdade, além de sua irmã, Manji nunca gostara realmente de alguém, principalmente de uma mulher. As únicas mulheres que se envolvera, eram pagas e não custavam nada à ele, além de algum dinheiro. Mas Rin era diferente. Quando não estava com ela, pensava nela. E quando estava com ela, não queria deixá-la. Nem sempre foi assim, mas depois que ela moveu céus e terras para salvá-lo, ele percebeu que aquilo era amor. Aquele sentimento tão famoso que ele não conhecera.
- Rin, eu sei que, que você gosta de mim, e...
Rin corou ao ouvir essas palavras. Ela gostava dele, era fato, mas ouvir isso da boca do homem que amava, fazia as palavras parecerem bobas, parecia a ela ser uma tola, apaixonada por seu guarda-costas mais velho.
Sentiu vergonha, e desespero ao mesmo tempo. O que aconteceria depois? Ela não sabia, e isso fazia com que se sentisse angustiada.
Olhou para Manji. Ele corado também, de cabeça para baixo, procurando algo para dizer... ela sabia que ele não precisava dizer nada. Uma lágrima em seu rosto, de felicidade, caiu e nesse momento ela o abraçou. Foi um abraço tão apertado, daqueles que se dá em quem realmente se gosta, um abraço de não querer soltar a pessoa nunca.
Ele não esperava por isso, não assim. Mas aconteceu. E quando se deu por si, estavam abraçados como nunca estiveram, e então, foi nesse momento que eles perceberam que pertenciam um ao outro.
