Disclaimer: Os direitos autorais de Blade - A Lâmina do Imortal, e seus personagens, são todos do Samura-san. A Isa só está se divertindo ao escrever isto aqui.
Agradecimentos aos leitores da fic, que vão se revelando! Abraços p/ Kimi-chan, firme e forte no apoio a nós, e p/ Sakura também! Desculpem pela demora, esse capítulo estava sob revisão! Continuem deixando seu recado! Bjs!
Músicas de inspiração do capítulo:
U2 – Beautiful Day,
Underworld – Born Slippy (a versão original do Trainspotting!),
U2 – Vertigo.
CAPÍTULO 8 - AÇÕES E OBSERVAÇÕES
Ela acordou com a luz caindo sobre seu rosto, e sorriu, feliz, ao lembrar-se do sonho que tivera na noite passada. Estava meio zonza de sono, e por isso mesmo podia relembrar as sensações do beijo que trocara com Manji em seu devaneio noturno. Pena que ela teve que acordar...
Logo, sentiu algo a apertar sua mão esquerda e, receosa, foi virando-se com cuidado, com medo do que poderia encontrar; qual não foi sua surpresa ao ver Manji ali, roncando levemente, de mãos dadas com ela. Rin sentou-se de supetão em seu futon: não fora um sonho! Ele a havia beijado, e ainda dormira de mãos dadas com ela – cada um em seu futon – ela não podia acreditar. Seu sorriso tornou-se maior, e ela só voltou ao mundo real quando sentiu as mãos fortes em seus ombros.
- Rin, ei Rin, você está bem? – ele a chacoalhava pelos ombros.
- Ahn? Estou sim, Manji, QUER PARAR DE ME BALANÇAR DESSE JEITO? – ela gritou.
- Eh, mas já acordou com esse humor? Pensei que eu era o mal-humorado das manhãs por aqui. – ele sorriu, divertido.
- Hum...é que lembrei que Gyiti e Hyakurin não estarão mais conosco, aqui...pode parecer bobagem para você, mas me apeguei a eles, principalmente a Hyakurin...ela é a única com quem me sinto a vontade para conversar sobre certas coisas...
- Que coisas, posso saber? – ele deitou-se de lado, voltando-se para ela, com uma das mãos por dentro do kimono alvi-negro.
- Hum...nada não...coisas de mulheres. – ela enrubesceu.
Manji achou graça, e ao mesmo tempo que Rin tinha um quê de menina, ficava claro o quanto ela estava amadurecendo, em seu jeito, no modo de falar, os traços de seu rosto, e...as formas de seu corpo também. Subitamente, se viu analisando as curvas da moça, acentuadas sob o leve yukata de dormir; sim, ela estava ficando cada vez mais diferente daquela menina franzina que conhecera há meses atrás. E a tendência era que melhorasse ainda mais. Manji pôde sentir um sorriso safado se abrir em seu rosto.
- Que foi, Manji, por que me olha assim? Agora é minha vez de perguntar se você está bem e...
Rin foi calada por um beijo, sentiu a força dos lábios dele sobre os seus, e logo permitiu que ele deslizasse sua língua em sua boca. Ela ficou meio sem graça, apesar de ser o Manji e de gostar dele, não estava habituada com essas intimidades; podia sentir o calor se espalhando sobre suas bochechas, que deveriam estar vermelhas. A temperatura da pele dele parecia envolver tudo ao redor, e começou a sentir sua mente leve, quase como se flutuasse. Seria essa a sensação do amor?
Os dois foram interrompidos por um som brusco na porta do quarto, quando esta foi aberta de forma abrupta; ali, olhando para eles, estavam um sério Anotsu, uma atônita Makie e um Magatsu que tinha uma expressão marota. Eles se separaram rapidamente, ela se escondendo com um lençol, enquanto Manji levantava e ia "receber" os visitantes:
- O QUE DIABOS VOCÊS FAZEM AQUI A ESSA HORA DA MANHÃ? NÃO PODIAM TER SE MANIFESTADO ANTES DE ENTRAR NESSA CASA SEM PERMISSÃO? – Manji estava furioso, mas ainda se segurava.
- Nós quase derrubamos o portão deste dojo chamando por vocês. Como não podíamos ficar chamando a atenção dos transeuntes, resolvemos entrar por conta própria. Poderiam estar mais alerta, na próxima vez. – disse Anotsu, com uma voz inexpressiva.
Manji aproximou-se dele ameaçadoramente; Anotsu percebeu e alcançou o cabo de sua espada. Makie colocou-se na frente do líder da Itto-ryu enquanto Rin adiantava-se para agarrar o braço de Manji, esperando segurá-lo e evitar um confronto aberto. Ele sozinho contra o trio da Itto-ryu não seria uma batalha fácil.
- Deixe-os, Manji. Eles não queriam chamar a atenção das pessoas. Por favor. – ela apertava o braço dele de forma significativa.
Ele suspirou, olhou para ela e procurou se acalmar; ela sorriu discretamente, para depois voltar-se aos três, que ainda estavam na porta do quarto, observando a cena.
- Poderiam me dar licença para que possa me trocar? E por gentileza, vão para o pátio externo do dojo. Já disse que não quero vê-lo pisando no chão dessa casa. – ela olhou para Anotsu, seriamente.
Ele deu um meio sorriso, em resposta:
- Muito bem. Só não temos o dia todo, se apresse. – com isso, ele foi para fora, seguido por seus companheiros.
- Er...Manji... – começou ela.
- O que foi, mulher? – ele olhou de soslaio para ela.
- Será que você pode sair do quarto para que eu possa me trocar? Não é porque nos beijamos que você tem a liberdade de me ver nua! – ela virou o rosto para o lado, enrubescendo.
Ele concordou com a cabeça, saiu e fechou a porta de correr. Resolveu recompor-se para o dia, o que significava conseguir alguma comida, já que Hyakurin não traria mais o café da manhã para eles. Pensou em Rin.
"Um dia terei essa liberdade?" – sorriu marotamente, antes de seguir pelo corredor.
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Doua e Isaku seguiam as instruções de Kashin Koji, o intuito era espionar alguns dos grupos de vigilância de Habaki. Isaku, gigante como era, estava vestido como viajante, seu cabelo fora raspado, e ele tivera que deixar seu crucifixo para trás, assim como qualquer evidência de que era cristão. Sabiam que pelo seu tamanho, poderia ser reconhecido facilmente pelas tropas de Habaki, mas ele usava um lenço e um capuz que encobriam quase todo seu rosto, e tinha um sinal indicando que deveria ser evitado por estar contaminado com uma doença contagiosa. Ninguém viria molestá-lo, daquele jeito.
Ele e Doua estavam no mesmo local, mas separados. Ela estava completamente mudada, vestida em um kimono verde-claro, com desenhos em azul-escuro, e uma peruca que tinha um coque bem elaborado, preso com pentes decorativos em verde e azul. Sua pele estava maquiada, para esconder a tatuagem no canto da boca, e suas armas estavam escondidas sob o kimono. Ela estava impaciente, odiando ter que se equilibrar nos geta altos que calçava; adentrou a porta do estabelecimento, recostou-se calmamente no balcão, e surpreendentemente esperou pela atenção do cozinheiro.
Isaku estava sentado em uma mesa não muito distante, que tinha uma vista estratégica do balcão, tomando chá e comendo manju; viu quando Doua entrou e não soube se ria do jeito dela – sabia que ela odiara o disfarçe que lhe fora dado – ou se simplesmente a admirava. Ela estava irreconhecível daquele jeito. Ela em seu visual normal tinha seu charme, mas assim, vestida de forma mais feminina, podia ver o quanto ela realmente era bonita, apesar dela mesma não se importar com isso.
Viu quando o cozinheiro veio atendê-la e, ao mesmo tempo que ela pedia os pratos, um grupo de homens de Habaki apareceu pela porta, conversando animadamente; ele e Doua sabiam que era o final de turno daqueles guardas, e eles sempre vinham até aquele restaurante para tomar umsakedepois de cumprir suas obrigações. Eles sentaram-se nos bancos em frente ao balcão, e pediram a bebida.
Eles falavam de assuntos corriqueiros, e enquanto esperava suas porções de sushi, onigiri recheados com missô e cogumelos cozidos, Doua ficou atenta à conversa dos soldados de Habaki, ora fingindo distração, ora tentando flertar com um deles. "Preciso fazer isso pelo comandante e pela Itto-ryu." – ela repensava constantemente em sua cabeça. No fundo, sentia-se uma idiota completa.
"E pensar que fui arrumada e penteada por aquela namorada do comandante, eu não vou com a cara dela! Preferia até a Rin no lugar dela, mas ela já odeia o comandante. Como será que a Rin consegue? Ele é tão perfeito! Mas foi ele quem inventou esse maldito disfarçe para mim, argh! Essa droga de sapato machuca. A peruca me incomoda e essa coisa na minha cara está coçando. Maldita missão! Se concentra Doua, o imbecil está olhando para você!"
Ela deu um meio sorriso, um tanto quanto forçado, para o soldado de Habaki com quem "flertava" no balcão. Ele dirigiu-se a ela, os amigos todos prestando atenção nele, e um certo rapaz em uma mesa próxima olhando para ela; o soldado recostou-se ao lado dela e sorriu:
- Olá, bela moça, como se chama?
- Hum... – "eu já tive tantos nomes" – pensava ela – me chamo Tomiko. O senhor é...?
- Saito, soldado Tasuhiro Saito. É um prazer conhecê-la. – ele falava em tom cordial, mas insinuante.
Ela fez uma leve reverência e devolveu a gentileza. Aproveitou para continuar a conversa:
- O senhor é soldado? Mas que profissão interessante. Deve ter muita aventura em sua vida, né? – ela perguntou, inocentemente.
- Ah, sim, há muitos problemas a resolver em uma cidade como Edo, mas digamos que eu gostaria de poder ter mais tempo para outros tipos de aventura. – ele sorria maliciosamente.
"Argh! Que nojo! Se ele tocar em mim ou sorrir assim de novo eu o mato! Calma Doua, lembre-se do comandante! Siga com o plano! Por que ele não mandou aquela mulher dele no meu lugar?"
- Por falar em problemas... – ela foi se aproximando dele vagarosamente, em tom de curiosidade – o senhor estava presente no dia da confusão no Castelo de Edo? O que foi aquilo? Lembro de ter ficado tão assustada!
- Hum, esse assunto é confidencial, mas acho que para uma mocinha como você eu posso contar...eu estava próximo do túnel que explodiram, vi que a responsável foi uma moça vestida de vermelho, e ela tinha um charuto na boca. Ela lançou umas adagas em chamas e mandou tudo pelos ares. Inclusive, a garota está sendo procurada – ele apontou para uma figura de Rin e Manji que estava pendurada na parede – se a vir, ou ao rapaz com as cicatrizes no rosto, não hesite em denunciá-los.
"Até parece, seu idiota, que eu vou denunciar a Rin e o Manji para vocês. E eu estava lá na hora da invasão, e também da explosão, hahahaha!" – Doua debochava, por dentro.
- E vocês vão apenas procurá-los? Que vai acontecer se encontrá-los? – ela fingia curiosidade e espanto.
- Eles serão condenados à morte, ele já é fugitivo há um tempo, e se for confirmado que eles têm ligação com a Itto-ryu, a coisa ficará pior. Temos ordens de conseguir toda e qualquer informação sobre essa escola e seus membros. Mesmo que seja com o uso de métodos não muito gentis. – ele sorria.
- E essa Itto-ryu...o que ela tem a ver? – nisso, Doua recebeu as sacolas com a comida embalada para viagem, e pagava o cozinheiro que a atendera.
- Trata-se de um bando de renegados, uns vândalos, criminosos. Assassinaram muita gente pelo que sei. Mas estamos empenhados em acabar com todos eles, a cabeça do líder está a prêmio, e vamos encontrá-lo logo. Não precisa se preocupar com sua segurança. – ele tomava mais um gole de sake, alheio à raiva que crescia dentro da garota ao seu lado.
"Renegados, vândalos? Se eu pudesse, mostrava a você quem é criminosa por aqui, seu baka. Espero que você e toda a turma do Habaki vá para o inferno." – pensava Doua.
- Bem, espero que saibam como encontrá-los logo... já tem alguma pista?
- Por enquanto nada muito específico, mas o chefe tem seus contatos. Sabemos que o tal de Anotsu não saiu de Edo, pelo menos não está longe daqui. Prometo que se encontrá-lo, acabarei com ele por você, minha querida. – ele foi aproximando o rosto do dela.
- Ahn, olha como o tempo passou, preciso ir! Obrigada pela companhia, boa sorte em seu trabalho! Ja ne! – ela saiu correndo, o rapaz nem teve tempo de piscar, ou de pensar em ir atrás dela.
"Ainda bem." – pensou Isaku, deixando o dinheiro de seu doce em cima da mesa, antes de ir embora. – "Eu não gostaria de ter que interferir caso algo desse errado."
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Manji andava pelas ruas de Edo, disfarçado. Seu cabelo havia sido preso nas laterais, desfazendo o estilo que usava sempre, estava vestindo outra roupa – usar seu traje de sempre com o manji nas costas seria burrice – e tinha um manto cobrindo sua cabeça e rosto, deixando apenas espaço para que pudesse enxergar. Sentia-se ridículo, mas aquilo era necessário.
Ele estava preocupado, mas tinha que dar uma chance à garota; tivera que sair rapidamente para deixar uma de suas armas para reparo em um especialista ilegal, que fazia esse tipo de serviço para criminosos também, com descrição. Descobrira o homem através de Gyiti, o careca era mesmo gente boa. Ele não confiava era em Anotsu.
Antes de sair, vira que Rin treinava com Makie, as duas entretidas no que faziam; Anotsu e Magatsu pareciam entediados, mas prestavam atenção nos movimentos das mulheres que lutavam. Assim sendo, saiu furtivamente, pois queria pensassem que ainda estava na casa.
Estava quase chegando à casa indicada, quando percebeu um grupo de soldados na esquina da rua em que deveria entrar.
"Mas que merda" – pensou Manji – "desse jeito, posso me comprometer, ou ao cara que faz o serviço sujo por baixo dos panos. Vou tentar passar desapercebido."
Continuou a andar, calmamente, como se fosse apenas mais um transeunte qualquer. No entanto, seria mais fácil disfarçar sua presença se a rua não estivesse deserta naquele momento, exceto por ele e a tropa que conversava na esquina. Manji estava de cabeça baixa, passando tranquilamente, quando foi abordado:
- E aí, meu chapa, tem um pouco de fumo para dividir conosco? – o soldado perguntou – Não podemos abandonar nosso posto, e o estoque acabou.
Manji, ainda de cabeça baixa, negou com a cabeça, de forma decidida. O soldado não se deixou convencer:
- Qual é, cara, nós pagamos, se for o caso. Você pode quebrar essa para a gente, ao menos buscar o tabaco para nós.
- Tenho pressa – respondeu Manji – infelizmente, não posso ajudar.
- Ah, não, por acaso tem a ver com o que carrega nessa bolsa? O que você tem aí? – o soldado começava a ficar desconfiado.
- Não é nada. Apenas umas velharias. – Manji apertou a trouxa fechada com força. Outro soldado se aproximou:
- Oi, Ikeda, que acontece? Por acaso esse senhor é um suspeito?
- Se não era, agora parece. – dirigiu-se a Manji - Senhor, terei que revistá-lo.
Manji ficou parado, o que ele deveria fazer? Não queria enfrentar uma tropa inteira de soldados; a rua estava deserta mas alguém poderia chegar, e testemunhar o confronto, chamando a atenção de mais pessoas. Sentiu o rapaz puxando a bolsa de suas mãos, e reagiu puxando-a de volta.
- Lamento, mas isso é meu e não há razão para que eu seja revistado, chefia. A não ser que você queira um pouco de encrenca.
- Mas quem é você? Harada, Kato, venham me ajudar aqui!
Nisso, os soldados chamados se aproximaram de Manji, prontos para segurar seus braços, quando ele tirou suas katanas debaixo do disfarce, e os afastou. Os soldados também desembainharam suas espadas, e se colocaram em posição de ataque.
- M-Mas...quem é você? Responda, é uma ordem! – berrava o soldado Ikeda, com olhos arregalados. Estes ficaram ainda maiores quando reconheceu o rosto que se revelara quando o manto foi removido.
- Eu sou a pior escolha que você já fez para incomodar na rua, seu panaca! – Manji riu ironicamente.
Os soldados Harada e Kato, então posicionados atrás de Manji, vieram para cima dele com tudo, com as katanas em riste. Manji reagiu, ora desviando, ora bloqueando os golpes. Os três atacavam de posições diferentes, e isso requeria muito da atenção de Manji. Resolveu então equilibrar as coisas.
Com um movimento rápido, desviou do golpe de Ikeda, simultaneamente bloqueando a espada de Kato e dando um forte chute na cara de Harada; este voou para trás, sangue escorria de sua boca, e ele segurava o queixo com sofreguidão, deixando sua espada no chão. Manji aproveitou a distração de Ikeda e fez um profundo corte no antebraço do soldado, obrigando-o a soltar sua espada também.
Kato não gostou nada do que via e passou a atacar o imortal com violência, com uma sequência rápida de golpes que miravam o peito e as laterais do corpo de Manji. Esse ia bloqueando os golpes com suas duas katanas; nisso Harada se recuperara do susto e veio para cima de Manji com tudo, buscando acertar suas costas, na altura do coração.
"Não queria chegar a esse ponto, mas parece que não vai ter jeito" – pensou Manji – "esses policiais filhos da mãe, vou ter que matar a todos."
Nisso, Manji caiu no chão propositalmente, e com um só golpe, bem rápido, cortou os tornozelos de Harada, separando os pés do homem de seu corpo; este caiu para trás, gritando. Kato avançou em Manji com fúria redobrada, o imortal levantou-se subitamente, com um um salto de encontro ao seu oponente e perfurou o abdômen do soldado com suakatana, fazendo o sangue dele escorrer pela lâmina.
Manji desculpou-se, e virou a espada dentro do corpo de Kato, retirando-a para depois cortar sua cabeça fora. Ikeda havia estancado seu braço ao prender um pedaço de seu haori em volta do ferimento, e agora estava pronto para voltar a brigar:
- Como pôde fazer isso com meus amigos? Você é mesmo um assassino, um marginal!
- Pois é, companheiro, mas não se esqueça que vocês provocaram essa luta. Eu só estava passando. Deveria ter mais respeito com as pessoas na rua, sacou?
Ikeda almejou a cabeça de Manji com sua lâmina, este desviou e deu uma cotovelada, com tudo, entre as clavículas do homem, quebrando suas costelas. Ikeda caiu de barriga no chão, e apoiando-se com um braço, passou a tossir sangue; Manji aproximou-se, chutou a espada dele para longe e o pegou pelo colarinho do kimono:
- Não é nada pessoal, mas terei que matá-lo, ou poderá delatar meu passeio para a bicha do seu chefe, o Habaki. Essa obsessão dele comigo está mais do que inconveniente, sabia?
- Você... – Ikeda falava baixo, já quase sem ar – você será pego...e vai morrer...hehehehe...
Manji sorriu ironicamente. Coitado daquele ser infeliz.
- Acontece, meu chapa, que eu não posso morrer, e é por isso que seu chefinho me quer tanto. Eu sou imortal, e infelizmente, você não é.
Com isso, Manji decapitou o homem, que tinha os olhos expressando surpresa; aproximou-se de Harada, que já havia sangrado muito e estava extremamente pálido, mas ainda vivo. O imortal resolveu ter compaixão do homem á sua frente:
- Relaxa, cara, logo você estará em um lugar melhor que essa bosta de mundo. Sinta-se privilegiado, queria um dia poder ter a sua sorte. – sorriu Manji - Vou abreviar seu sofrimento. Vá em paz. – e com um golpe preciso, Manji também cortou a cabeça de Harada. Acreditava que assim, a agonia seria menor, e a morte mais rápida.
"Agora é limpar essa sujeira toda...afff...vou dar um jeito nesses corpos...quanto a essas espadas, vou levá-las para o reparador. Ele vai saber o que fazer com elas." – pensou Manji.
Depois de se livrar dos corpos em um terreno abandonado próximo, Manji recolheu sua bolsa e as armas dos falecidos soldados; notou que uma daskatanas tinha uma beleza em especial. E seguiu o seu caminho, sem ninguém importuná-lo, dessa vez.
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- Vamos, você precisa melhorar sua posição de ataque! – falava Makie, enquanto bloqueava um golpe de Rin.
"Definitivamente, eu preciso melhorar muito" – pensava Rin – "ela nem cansada está!"
Rin ergueu a espada, avançando um pouco pela esquerda, e quando Makie procurou bloqueá-la, a garota rodopiou rapidamente para o lado direito, quase atingindo o braço da Otonotachibana. Por pouco.
"Oras, ela não é tão ruim assim" – pensou Makie – "fora a precisão técnica, ela precisa de encorajamento. Tudo o que eu não tive."
Makie decidiu ver se ela era capaz de improvisar; atacou com o haru-no-okina em posição, esperando que a garota apenas recuasse. Qual não foi sua surpresa quando Rin largou a espada, deu um um salto meio de lado, rodopiando, como se estivesse chutando alguém em uma luta corpo a corpo (N/A: lembram-se do chute que ela deu no Blando?), e se aproveitando do ângulo do salto, retirou suas adagas de algum lugar debaixo do furisodee gritou:
- VESPAS DOURADAS MORTAIS! – lançou as pequenas adagas em direção a Makie, que fincou uma das extremidades de sua arma no solo, usando uma das pontas perfurantes como apoio para sair do chão e girar em torno do eixo da arma, desviando-se do golpe.
No entanto, não esperava que Rin já tivesse uma nova leva de adagas nas mãos, e agora preparava-se para lançá-las em uma distância menor, na qual não erraria nenhum ponto em que mirasse, se Makie não saísse dali logo, ou não a atacasse primeiro.
Makie começou a correr em direção à garota, pronta para atacá-la, quando Rin jogou as facas de uma mão normalmente; não foi difícil desviar e a espadachim atacou a região do pescoço de sua "aluna". Rin abaixou-se rapidamente e então, Makie parou. Olhou para baixo e viu que a menina tinha suas adagas apontadas para as pernas dela, Makie. Foi por um segundo. Em um conflito de verdade, a menina poderia ter perfurado suas pernas ao lançar suas pequenas armas, a inutilizando para o ataque.
- Acho que andou subestimando essa menina, Kagehisa-sama. Ela é meio atrapalhada com a espada, mas sabe improvisar bem com as adagas que possui. Só precisa de mais treino e mais confiança. – disse Makie para Anotsu, mas olhando fixamente para Rin na última parte de sua fala.
Rin estava cansada, e respirava pesadamente. Makie era uma oponente formidável, sabia que ela havia sido benevolente no seu primeiro treino. Em uma situação real de batalha, sabia que já estaria estraçalhada há muito tempo. Lembrava-se muito bem do que Makie fizera com os homens da Shingyoto-ryu, quando ela e Anotsu voltaram de Kaga.
Manji, que estava parado no umbral da porta, veio ao seu encontro ao ver que Anotsu se aproximava:
- Muito bem, Rin-san, vejo que está tentando melhorar seu estilo de luta, e que sua técnica com as adagas vêm se aperfeiçoando – disse ele, enquanto examinava uma das lâminas – irônico, não?
Rin encolheu-se, ao perceber o que ele queria dizer. Que ela estava aprimorando uma técnica que seria proibida pelas normas da Mutenichi-ryu. Da primeira vez que ele insinuara isso, ela não soubera o que fazer - além de chorar. Mas agora não seria assim; caminhou até ele e retirou a adaga das mãos dele com toda a sua força. Apontou um dedo na cara dele:
- Não ouse em falar assim comigo novamente, ainda mais estando onde está, ou eu o mato de verdade. Não importa se você é o todo-poderoso da Itto-ryu. Já vi com meus próprios olhos que você tem suas fraquezas. E também não me importa se eu morrer tentando matá-lo. Entendeu?
Kagehisa Anotsu examinou o corte em sua mão, estava profundo, mas não era grave. Encarou a menina e deu um leve sorriso. Dirigiu-se aos seus companheiros:
- Makie, Magatsu, vamos embora. Não temos mais o que fazer por aqui, hoje. Mas voltaremos, o treino deve continuar. – o líder da Itto-ryu olhou para Rin, que permanecia séria.
Manji, chegando subitamente, abraçou a cintura da moça, que recostou-se na lateral do corpo dele, apoiando sua cabeça no peito dele. Suspirou, como se estivesse deixando que um peso saísse de cima dela. Nisso, Magatsu se manifestou:
- Ei Manji, mais cuidado quando estiver com sua namoradinha. Não queremos encontrá-los em uma situação constrangedora. Você é mais velho e experiente que ela, mas parece que os beijos dela te deixaram avoado. Se liga, homem. – riu, antes de sair.
Manji fez menção de ir atrás dele, mas foi impedido por Anotsu, que voltou-se para ele:
- Cuide dela, Manji-san. Apenas fique atento para que ela não tenha seu foco disperso, ela vai precisar de concentração. E creio que você também.
Após o trio da Itto-ryu sair, Manji voltou-se para a garota que bebia água:
- Vamos, Rin. Você precisa se alimentar direito, afinal, ainda vamos treinar. Nós dois, do meu jeito. Quem esse Anotsu pensa que é? Ele que vá se danar. E eu já sei qual a primeira providência a tomar.
- Qual, Manji? - perguntou ela, sentando-se embaixo de uma árvore.
Ele a encarou. Sabia que ela não ia gostar da idéia, mas pelo que observara no treino com Makie, e ao longo das práticas dos dois, era algo estritamente necessário. Decidiu ser honesto com ela.
- Bem, Rin, é o seguinte, você está melhorando, mas tem algo que mais atrapalha que ajuda. E é por isso que nós vamos ver uma nova espada para você.
Ela se levantou de repente, com os olhos arregalados. Não estava acreditando nas palavras dele.
- O quê?
