Devaneios
Por Carol Camui
Disclaimer: Por mais incrível que pareça Gackt, Hyde ou Gackt job não me pertencem.
Sinopse: Apresentando as fantasias secretas de Hideto Takarai envolvendo seu melhor amigo e um microfone.
Beta: Word & Eu.
Shipper: GakuHai!
Avisos: Conteúdo adulto! Pegação nervosa entre dois caras lindos. Se você curte, é nois! ;p
Nota: O trecho da música que aparece no final desse capítulo é Orenji No Taiyou, do Gackt. Obvious.
Parte 3
O dia em que Hideto (quase) perdeu o controle.
Ele está falando. Não me preocupo muito com o significado das palavras, mas o som que sai de sua boca é muito bonito. Parece uma melodia, daquelas que a gente pode ouvir o dia inteiro sem enjoar e que nos faz lembrar de coisas boas que já passaram pela nossa vida.
Ele está sorrindo. Seu sorriso ilumina todo o seu rosto e forma pequenas rugas em volta dos seus olhos. Seus olhos são brilhantes e estão fixos em mim. Sua boca é rosada e parece feita para ser beijada.
Sua pele é branca e levemente dourada. Seus cabelos são escuros e ele afasta com as mãos algumas mechas que cobrem seus olhos. Suas mãos são fortes e bem cuidadas e estão cheias de anéis. Uma delas pousa levemente em minha coxa e eu me deu conta de que dessa vez não é um sonho.
Isso é real.
Como é bom estar com ele, falar com ele, tocar nele. Bem, na verdade eu estou só ouvindo ele falar e deixando ele me tocar.
Ele me trouxe para a festa de despedida da turnê e também estamos comemorando seu aniversário. Já teve comida, bolo e um belo discurso do aniversariante, que foi aplaudido com muita empolgação e é claro, regado a muita bebida.
Praticamente toda a equipe está presente e o lugar foi fechado só pra nós. É um restaurante muito acolhedor e bem decorado. No salão principal, onde estamos, há várias mesas redondas, uma ao lado da outra. Na nossa mesa estão Chacha, Ju-ken, Jun-ji, You, eu e ele. Todos estão falando e rindo muito e eu tenho certeza de que estou sendo alvo de algumas piadinhas devido ao meu estado meio hipnótico, mas não consigo prestar atenção nelas.
Eu já devo estar muito bêbado a essa altura. O álcool e a presença dele estão fazendo um estrago enorme na minha cabeça. Sei que deveria estar conversando normalmente, ou pelo menos interagindo de alguma forma com os outros. Mas aqui estou eu, simplesmente bebendo e olhando para ele, devorando-o com os olhos, captando até o menor dos seus gestos. Patético.
Pelo menos eu tenho a desculpa de estar bêbado.
Peraí, algo está errado. Ele parou de falar e está olhando fixo pra mim. Meu Deus, o que eu faço agora?
-Haido... – ele colocou a mão no meu ombro e aproximou o rosto do meu.
Limpei a garganta e tentei parecer calmo. –O que é?
-Por que você está tão quieto?
-Acho que você está aborrecendo ele com sua tagarelice, Gakuto.– Pra meu desespero, parece que outras pessoas pararam pra prestar atenção na nossa conversa.
-Isso é impossível, You. E eu não estava tagarelando. – ele se virou de novo pra mim e disse preocupado. -Estava, Haido?
Eu balancei a cabeça em sinal negativo e ele pareceu aliviado. –Então por que não conversa comigo? Foi algo que eu fiz?
Minha nossa, algo me diz eu Gackt está mais bêbado do que eu. Mas a carinha que ele está fazendo é tão linda que eu estou morrendo de vontade de pegar ele no colo e fazer algumas coisas com ele.
-Ele não deve ter gostado do show esta com vergonha de dizer. – Ju-ken disse antes que eu pudesse me manifestar – E veio aqui só por educação.
-Claro que não! O show foi incrível! – finalmente consegui responder. Acho que falei um pouco alto demais pois todos ficaram mudos olhando pra mim. E começaram a rir logo em seguida.
-Pare de provocar o Haido-kun, baka! –Gackt levantou e deu um cascudo de leve na cabeça de Ju-ken.
-Você que começou. –Ju-ken coçava a cabeça.
-Mas eu posso!- Ele sentou novamente e começou a apertar minhas bochechas como se eu fosse um bebê. – E olha como ele fica kawai todo vermelho... – Se fosse possível, eu o odiaria nesse momento. Aí ele retirou as mãos e beijou de leve meu rosto e eu voltei ao meu estado de transe.
-Hey, Gakuto... Haido-san é casado. Pare de molestá-lo. –Fiquei atento de novo.
-Deixe de tolice, You. Megumi-chan não tem a menor chance contra mim. – Ele se aproximou e deu um beijo no canto da minha boca. Todos estavam rindo do que ele disse, mas eu continuei sério. Esse seria o momento ideal pra eu me levantar e voltar pra casa rapidinho. Pra minha casa. Pra minha esposa.
Mas é claro que eu não fiz isso.
A festa continuou noite a dentro e agora pelo menos eu estava conversando um pouco mais. Depois daquilo eu parei um pouco com a bebida. Não queria ser pego desprevenido em mais uma brincadeira. Gackt parecia não ter esse tipo de problema. Ele bebia demais e parecia muito animado, depois parecia irritado, as vezes um pouco bravo e irritante e depois voltava a ficar animado. Mas não deixava de ser adorável para mim. Sim, eu sou uma verdadeira garota apaixonada.
-Haido-kun... você gostou da minha festa? – ele estava com a cabeça escorada no meu ombro e me olhava com carinha de filhote abandonado.
-Gostei, Gachan. Muito.
Ele sorriu. – Que bom que você veio... senti sua falta, sabia? – Oh, pare com isso, por favor. Eu não resisto.
-Eu também estava com saudades. – passei a mão pelo seu rosto e ele fechou os olhos, suspirando de leve. Cara, já disse pra não fazer isso.
-Me leva pra casa? – Seu rosto estava tão perto. Sua voz estava tão baixa. Seus olhos estavam tão brilhantes. Mesmo bêbado, ele é tão sexy...
É claro que eu disse sim.
Parece que todos concordaram que a festa já tinha terminado. Tinha sido uma noite muito divertida e todos estavam cansados. Nós nos levantamos e saímos. Ele estava abraçado comigo e de vez em quando dava alguns beijos em meu pescoço. Eu tenho plena consciência de que isso não vai terminar nada bem. Com sorte ele dormiria assim que chegássemos em sua casa. Aí eu sairia ileso. Ou quase.
-Haido-san, não prefere que eu cuide dele daqui pra frente? - You me perguntou. – Não precisa ter todo esse trabalho.
-Imagine, eu...
-Não seja ciumento, You. Eu também te amo. Depois eu deixo você cuidar de mim, está bem?
You arregalou os olhos e ficou vermelho. Depois sorriu e chegou mais perto de mim. –Tem certeza? Sabe, ele pode ser um pouco... inconveniente as vezes.
-Eu ouvi isso. – Gackt murmurou, emburrado.
-Está tudo bem, You-san. Não é incômodo algum. – You deu de ombros e se despediu de nós.
Eu o levei para meu carro e ele se sentou do meu lado. –Belo carro, Haido.
-Obrigado. –Eu dei a partida e nós saímos.
-Onde você está me levando? – Se não fosse a expressão de total dúvida em seu rosto, eu não teria acreditado que ele falava sério.
-À sua casa, claro.
-Ah, é mesmo. – Ele encostou a cabeça no banco e fechou os olhos. – Você é bonzinho. Obrigado.
-É um prazer Gachan.
-Não... ainda não, Haido. –Eu virei a cabeça e olhei pra ele, querendo entender o que exatamente ele quis dizer com aquilo, mas ele já estava dormindo.
Demoramos cerca de 40 minutos pra chegar a sua casa. Ele dormiu o caminho todo e agora eu não tinha coragem de acordá-lo. Ele tava tão lindo todo encolhidinho no banco do carro...
Fiquei uns 5 minutos só olhando pra ele, pensando em várias formas de acordá-lo, uma melhor que a outra, mas ele acordou sozinho. Acordou e se espreguiçou como um gato manhoso, fazendo uns ruídos que mandaram mensagens instantâneas para certa parte do meu cérebro, que, por sua vez, enviou outra mensagem para certa parte do meu corpo.
Eu devia estar morrendo de sono agora. Devia estar cansado e nem devia ter conseguido dirigir direito. Mas não. Eu estou totalmente acordado, e cada vez mais excitado. Droga.
-Já chegamos?
-Sim.
-Desculpe ter dormido invés de ter feito companhia pra você, Haido.
-Não tem problema. Você está cansado. – E bêbado.
-Você vai entrar comigo, não vai?
-Não sei. Acho que é melhor eu ir. Já está muito tarde.
-Entre um pouco, por favor. Não quero ficar sozinho. – Eu juro que estava quase conseguindo ir embora. Mas ele fez aquela cara de cãozinho abandonado. De novo.
-Tudo bem. Mas não posso ficar por muito tempo. – Bem, era o mínimo que eu podia fazer. Acompanhar um amigo bêbado até sua casa. Talvez ajudá-lo a tomar banho e colocar ele na cama... nada demais.
Calma aí... eu disse banho?
Antes que eu percebesse, já estávamos dentro de sua casa. Ele não parecia estar tão mal, talvez não estivesse precisando de tantos cuidados, afinal. Talvez eu devesse ligar pra Megumi e saber como ela está. Mas incomodá-la a essa hora da noite seria um absurdo, não? É... nada de telefonemas. Ela sabia que eu não voltaria cedo. Estava tudo bem. Acho.
-Fique à vontade Haido. Eu vou tomar um ba... – de repente ele tropeçou no próprio pé e caiu com tudo no chão. Corri para ajudá-lo.
-Machucou, Gachan? – ele estava fazendo uma careta e se sentou no chão, acariciando o tornozelo.
-Acho que torci. Tá doendo. – eu retirei as mãos dele e comecei a massagear seu tornozelo dolorido. Ele fez outra careta de dor, mas logo relaxou. –Hm... você é bom com as mãos, Haido.
Eu devo ter ficado vermelho com aquilo, porque ele começou a rir da minha cara. –Você é bobo, Gachan. Sabia?
-E você é lindo. Sabia? – balancei a cabeça e continuei olhando fixo para seu pé.
-É melhor ir tomar seu banho.
Ele levantou meu rosto com a mão e chegou mais perto. – Você me ajuda? Não sei se consigo tirar essa roupa sozinho.
Eu ri. – Pare com isso. Ou eu vou embora.
Ele fez um biquinho. –Não fica bravo comigo...
-Não estou bravo. Vamos. –Eu fiz ele se levantar e fomos para seu quarto. Parecia que eu estava lidando com uma criança. Ele continuou fazendo manha, mas eu finalmente o coloquei dentro do banheiro com algumas roupas limpas que consegui pegar, sem me perder dentro do seu armário gigantesco. Fechei a porta depois de convencê-lo a tomar banho sozinho. Antes tive que convencer a mim mesmo, é lógico.
Eu poderia tirar proveito disso. Agarrá-lo e fazer com ele tudo o que meu corpo exigia, mas não seria certo. Faltou muito pouco pra eu mandar minha consciência para os ares e me perder de vez naquele corpo escultural que estava me provocando.
Fiquei encostado na porta do banheiro e respirei fundo, tentando regular meu batimento cardíaco. Passou algum tempo e eu já estava começando a ficar tranquilo. Até que enfim um pouco de sossego.
-Haido... vem aqui! – Falei cedo demais.
-O que você quer, Gachan? – ele não respondeu.– Eu tenho quase certeza de que aquilo é algum tipo de truque mas mesmo assim eu abro a porta. –Gakuto?
Aquilo só podia ser uma visão.
O banheiro é grande e iluminado apenas por velas. Ele estava na banheira, coberto de água até a cintura. Seus olhos estavam fechados e sua respiração era suave. Seus braços estão abertos e apoiados na borda da banheira. Haviam algumas pétalas dentro da água, mas é possível vislumbrar perfeitamente suas formas lá embaixo.
Seu peito sobe e desce devagar e ele abre os olhos lentamente. Ouço sua boca pronunciar meu nome e eu me aproximo dele. O cheiro que ele exala é o mais delicioso que existe e sua voz faz meus pêlos se arrepiarem. Sento na borda da banheira e fico olhando pra ele. Ele segura minha mão e a leva até seus lábios. Meu dedo indicador vai parar dentro de sua boca e ele começa a chupá-lo.
–Não quero ficar sozinho, Haido.
Ele escuta meu gemido e sorri pra mim. Sinto suas mãos em volta da minha cintura e de repente meu corpo está todo quente e molhado.
Ele me puxou pra dentro da banheira e a água se espalhou em nossa volta. Eu olho pra ele assustado, mas antes que dissesse alguma coisa ele me beija. Seus lábios são mais macios do que tudo que já provei e eu abro minha boca, permitindo que sua língua encontre a minha. Suas mãos percorrem um caminho perigoso por baixo da minha camisa, chegando até minha cintura. Eu posso sentir o volume entre suas pernas, assim como tenho plena consciência de que tenho um igual entre as minhas.
Eu passo os braços envolta do seu pescoço e o beijo se aprofunda. Suas unhas começam a arranhar minhas costas e eu sinto que vou morrer. Seus quadris se movem e sua ereção roça a minha bunda. Eu largo sua boca e solto um gemido longo e ele beija meu pescoço e suas mãos percorrem meu corpo ainda vestido.
Antes que ele alcance os botões da minha calça eu seguro suas mãos.
-Não posso fazer isso, Gakuto.
Ele me olha como se estivesse me vendo pela primeira vez. Não consigo ler o que se passa em sua mente.
-Qual é o problema, Haido? Você não gosta de mim? – Por um instante pensei que ele fosse chorar. Isso cortaria meu coração. Sério.
Segurei seu rosto com as duas mãos e beijei de leve seus lábios rosados. –É claro que gosto de você, seu bobo. Mas isso que estamos fazendo não é certo. E você está bêbado. Eu não abuso de bêbados.
Ele sorriu de leve. – Mas eu não ligo. Abuse de mim o quanto quiser. –ele veio me beijar de novo e eu quase deixei.
-Termine de tomar seu banho, Gachan. Dessa vez sozinho. – Eu saí como pude da banheira e deixei no banheiro minhas roupas molhadas. Me enrolei com uma toalha que estava por alí e fui correndo para o quarto.
Cara, como eu deixei isso acontecer? Eu sabia que isso não ia acabar bem, mas quase aconteceu uma tragédia irreparável.
Respirei fundo e aos poucos fui acalmando as coisas lá embaixo. Depois fui procurar uma roupa emprestada para passar a noite. Quando terminei de me vestir, ele saiu do banheiro. Para minha sorte, já estava totalmente vestido.
– É... eu peguei uma roupa sua emprestada, tudo bem? – Ele fez que sim com a cabeça e se jogou na cama. Ele bateu com a mão de leve no travesseiro ao seu lado, me convidando pra deitar ali. Eu hesitei.
-Está tudo bem, Haido. Não tenha medo de mim. – Eu sorri e me deitei junto com ele. Ele segurou minha mão e fechou os olhos. – Canta uma música pra mim?
Onde tinha ido parar aquele homem terrivelmente sensual de minutos atrás? Agora ele estava a coisa mais fofa do mundo. Mas de qualquer jeito me fazia perder o controle. Gackt era mesmo assim.
-Que música você quer ouvir?
-Qualquer uma. Eu quero dormir ouvindo sua voz. – Ele se encolheu todo perto de mim e eu o abracei enquanto cantava baixinho no seu ouvido.
Yuugure ni kimi to mita orenji no taiyou
No crepúsculo nós observamos o sol laranja
Nakisou na kao wo shite eien no sayonara
Ambos prestes a chorar pelo ultimo adeus.
-Ai shiteiru, Haido. – Eu olhei pra ele mas ele já dormia. Sorri comigo mesmo. Mesmo sabendo que não se deve levar em consideração palavras ditas pela influência de substâncias alcoólicas, me senti o homem mais feliz do mundo.
-Também te amo, Gachan.
Continua...
