Mais um. Pobre Dean... Bjs a todos.

"Se for uma emergência, ligue para meu filho, Dean..."

Sam tirou o telefone da orelha. Ia matar se o homem atendesse ao telefone? Fúria passou por ele. Ele tinha deixado diversas mensagens nas duas últimas semanas. Dizendo a seu pai que Dean estava doente. Dizendo como o tratamento ia indo. Algumas eram gentis; outras nem tanto, dominadas pela fúria. Nenhuma delas, aparentemente, tinha tido impacto o suficiente para fazer com que John retornasse as ligações. Bem, Sam iria dar um jeito nisso.

"Hey, pai. Sou eu." Sam respirou de forma trêmula, pensando na raiva que tinha do pai e da dor de perder Jéssica ele disse a próxima frase. "É o Dean... ele... ele está morto, pai. Você tem que vir para cá." Ele deixou um soluço escapar. "Quarto 110, Pink Pig Motel, Kansas City, Missouri. Por favor, pai…" Ele desligou o telefone, um sorriso no rosto. Vamos ver se o bastardo ignora isso.

Dean saiu do banheiro um momento depois. O irmão olhou pra ele. "Você está parecendo com o gato que comeu o canário. Com o que você está tão feliz?"

Sam deu de ombros. "Nada." Ele estudou Dean. "Como você está se sentindo?"

"Tô bem, Sam." Dean rolou os olhos. "Você sabe, ultimamente é tudo doce e arco-íris pra mim."

"Você conseguiu manter algo no estomago?" Sam perguntou. Foi a fez de Dean dar de ombros. Ele se sentou na cama. Sam pegou um dos remédios do irmão. "Dean, tome uma dessas pílulas. Dra. Swanson disse que isso vai evitar que você vomite, ela quer monitorá-lo no hospital pelas duas últimas rodada do tratamento. Então a menos que você queria ficar internado pelas próximas três semanas, preso a um soro, você precisa tomar seus remédios."

"Eu não vou ficar no hospital e eu não vou tomar essa porcaria. Essas pílulas me deixam tonto, Sam. Eu prefiro ficar nauseado." Dean o encarou com um olhar firme. "Não é porque nós estamos de férias por algumas semanas, que é seguro eu ficar em um estado de mente alterado."

"Um estado de mente alterado?" Sam brincou com o frasco de pílulas, gemendo. "Como diabos você pensa que está agora, Sam?"

Dean mordeu o lábio e esfregou a sobrancelha. Ele olhou para Sam "As pílulas me deixam completamente 'zen', em outro planeta. Isso..." Ele sorriu para Sam, balançando os braços. "É como a pior ressaca do mundo, mas normalmente as pílulas só me deixam confuso."

"Você tomava as pílulas antes." Sam disse exasperado.

"Eu tomei as pílulas do Dr. Morris... e eu não ficava desse jeito."

Sam cruzou os braços. "E você ficava nauseado." Dean não respondeu. "Se você não tomá-las e ficar com alguma comida no estômago, eu vou te levar de volta para o hospital."

Dean o encarou. "Eu não vou voltar pra lá até a próxima quarta-feira para o tratamento que já está agendado – para o qual ainda faltam..." Dean contou nos dedos "... três... quatro... cinco dias. E toda essa sua falação não vai mudar nada, Sam."

Sam grunhiu e sentou na cama. Cuidar do irmão estava testando a paciência de Sam, sem mencionar sua sanidade. Noventa por cento do tempo, cuidar de Dean doente era chato. Sam mexia no computador, enquanto Dean descansava ou enquanto ele o esperava no Centro de Tratamento de Câncer. Ele nunca tinha pesando que a parte mais difícil de cuidar de Dean era o tempo livre. Ele fechou os olhos, e respirou profundamente.

A parte que não era chata, os outros dez por cento, eram os piores. Dean usava a pouca energia que tinha para brigar e discutir e geralmente era um filho da mãe irritante. Como agora. E Sam estava aterrorizado. E se houvesse alguma complicação? E se o corpo de Dean simplesmente desistisse durante o tratamento? E se ele desmaiasse de novo e não acordasse mais? Sam tremeu. Ele se sentia em uma montanha-russa que era enorme e aterrorizante. E só fazia duas semanas. Ele mudou a linha de seus pensamentos. Dean precisava tomar as malditas pílulas. Sam se levantou e foi até o irmão.

"Tome a pílula, Dean."

Dean ergueu a sobrancelha. "Não."

Sam abriu o frasco. Ele tirou uma pílula de dentro e estendeu a mão com a pílula para o irmão. "Dean, tome a pílula." Sam queria que isso saísse como um pedido. Mas depois de passar as duas últimas semanas aturando o irmão, isso soou mais como uma ameaça.

Dean sorriu. "Eu acho que não, Sammy."

Sam se perguntou se isso tinha alguma coisa a ver com ter o controle. Talvez. Mas isso não importava. Ele precisava do remédio. Sam pensou em enfiar isso goela abaixo. Ele balançou a cabeça. Não. A saúde frágil de Dean não agüentaria a situação, ele provavelmente vomitaria. Os lábios de Sam formaram uma linha, de tão apertados que estavam.

"Por favor..." Ele implorou.

Dean franziu o cenho. Sam viu o rosto dele se contornar enquanto ele pensava. A expressão de Dean mudou para uma cansada carranca. "Não, Sam. Okay. Eu não quero. Essas pílulas me deixam confuso. Será que você não pode me deixar em paz por cinco minutos. Não é seu trabalho cuidar de mim, certo."

Dean olhou para porta, como se estivesse considerando fugir. Ele estremeceu assim que começou a se levantar. Seu irmão suspirou suavemente e voltou a se sentar na cama com movimentos lentos e doloridos. Ele virou de costas para Sam. Ele não dormiu, falou ou tomou as malditas pílulas.

Isso deixou Sam sem nada pra fazer exceto esperar e se preocupar. Ele sentou na outra cama tentando não explodir. Essa bobagem era o motivo pelo qual ele queria o pai deles ali. Dean nunca teria aquela atitude com John. Sam tinha certeza disso. Assim que o pai deles aparecesse – e depois da mensagem que Sam tinha deixado, ele apareceria – ele obrigaria Dean a cuidar de si mesmo.

E seu irmão precisava de uma lição de moral. Sam sabia que ele estava assustado. Irritante e imprudente eram a forma de Dean lidar com o pânico. Ver o pai deles o acalmaria e faria com que seu humor melhorasse. E depois que Dean melhorasse, Sam descobriria uma forma de deixar bem claro para John o que ele andava pensando.

Três horas depois, alguém bateu à porta. Dean sentou, franzindo o cenho e olhando para a porta. Sam saiu da cama. Ele olhou pelo olho-mágico. John estava em pé do lado de fora, com os ombros caídos. Os olhos dele estavam vermelhos e as roupas amassadas. Sam respirou fundo e abriu a porta.

"Sammy..." John entrou, envolvendo Sam em um abraço apertado. "Faz algum tempo, filho." A voz dele estava rouca. "Eu estava no Kansas. Vim assim que recebi sua mensagem. Eu não entendo como isso pode..." Sam fechou os olhos e assentiu. Ele sentiu seu pai tremendo. Sam deu um passo para trás. A raiva que ele sentia do homem por ter sumido começou a lutar com a culpa de tê-lo deixado acreditar que Dean estava morto. Sam ignorou o remorso. Ele e Dean precisavam do pai. E esse era o único jeito de fazê-lo aparecer. Ele cruzou os braços em frente ao peito e desviou o olhar.

"Pai?" A voz fraca de Dean, soou atrás dele. John se curvou para olhar para trás de Sam e olhou de forma abobalhada para Dean. Seu irmão tinha uma expressão de surpresa no rosto. John ficou paralisado por um momento. Seu irmão levantou da cama com um sorriso tímido. O rosto de seu pai se transformou. Sam não tinha certeza se estava vendo alívio ou fúria.

"Dean?" John parecia inseguro, mas andou até filho. Ele pegou Dean firmemente e o abraçou com força. Ele olhou para Sam de uma forma que dizia 'nós vamos ter uma longa conversa sobre tudo isso, e logo'. Sam manteve o contato. Bom. Sam tinha algumas coisas para dizer, também.

TBC