Sam sentiu o pânico tomar conta dele. Ele se sentou ao lado da cama de Dean. Os tubos e grampos conectados ao corpo do irmão eram um assalto obsceno. Sam engoliu. Ele fechou os olhos. Dean estava bem. Dean estava bem. Ele ficava repetindo isso pra si mesmo. Seu irmão estava estável. Era verdade. Mas isso não impediu seu coração de se apertar.
Sam se ajustou, abrindo os olhos, quando uma mão morna acariciou seu ombro. Ele olhou para cima, vendo seu pai em pé ao lado dele.
"Ele está bem, Sam."
Os olhos de Sam encheram de lágrimas. "Eles tiveram que ressuscitá-lo." Ele respirou fundo. "Duas vezes."
John empalideceu com o que Sam falou. Ele colocou uma cadeira ao lado de Sam e se sentou. John as mantas de Dean, olhando de forma intensa, a qual ele só reservava para as circunstâncias mais sérias.
"Boas notícias." John se virou para Sam." Dra. Swanson vai parar a quimioterapia. Ela disse que aparentemente ele está em remissão. Acha que os dois últimos tratamentos não serão necessários..." John pausou voltando a olhar para Dean. "dada a extensão dos efeitos colaterais."
"Ele quase morreu, pai." Sam ouviu sua voz falhar. Ele estava cansado. Emocionalmente desgastado. Com raiva do pai por não ter vindo antes e sentindo uma necessidade urgente de chorar em seus braços.
John se aproximou de Sam. "Eu sei." Ele riu, colocando seu braço ao redor dos ombros de Sam, trazendo o filho pra mais perto dele. "A doutora que você achou me deu uma bronca por quase vinte minutos. Eu não passava por algo assim, desde a época que estava na Marinha." Seu pai ficou sério. "Você fez um ótimo trabalho, Sam. Não é sua culpa que ele é um bastardo teimoso."
Sam grunhiu. "O coração dele parou. Porque ele não dorme ou come." Ele disse de novo. "Ele perdeu quase vinte quilos. Eu tenho estado com ele. Eu fiz uma merda de trabalho. Admita isso." Sam se afastou. "Se fosse eu que estivesse doente; ele não teria deixado isso acontecer."
"Sam, ele não consegue manter nada no estômago. E ele não consegue dormir. Ele não te contou que estava doente até ele ter desmaiado algumas semanas atrás." John se recostou na cadeira. Ele deu um pequeno sorriso. "Ele me deixou uma mensagem há oito semanas, depois de começar o casamento. Garantiu-me que tinha tudo sob controle..."
"Não faça isso. Não o culpe."
"Sammy…" John parecia gentil. "Não é a ele que estou culpando. E nem você. Nada disso é culpa sua;" Ele disse de novo.
Sam não disse nada
John limpou a garganta. "Eles não acham que ele vai ficar com algum dano permanente – apenas os efeitos da exaustão aguda junto com a desidratação. Mas com a perda de peso, a doutora acha que o coração dele deve ser verificado. Até agora tudo parece normal." John suspirou. Nós podemos levá-lo pra casa amanhã. Aqui está uma lista de comidas que ele conseguirá manter no estômago." John mexeu no bolso e tirou um papel e entregou para Sam. Bolachas de água e sal, sopas com baixo teor de sódio, pães, proteínas como peixe...
"Yeah. Ele vai amar isso."
John se voltou para Dean. "Ele vai comer qualquer maldita coisa que nós dermos pra ele." Ele colocou as mãos no rosto. "Ele está bem, Sam." John repetiu. Dessa vez Sam não sabia se estava para Sam ou para si próprio.
Na manhã seguinte eles levaram Dean de volta para o motel. A cabeça de Sam estava martelando. Suas pálpebras pesavam como chumbo. Ele estava sentado no banco traseiro ao lado irmão. Durante todo o caminho do hospital até o motel a fisionomia de Dean estava marcada pelo constrangimento. Isso vez com que Sam se sentisse um pouco melhor. Se Dean estava envergonhado, ele estava se sentindo melhor.
John parou o carro na frente do quarto 110. Dean alcançou a maçaneta da porta. Sam saiu pelo seu lado e correu para o outro. John saiu do banco da frente. Ele foi até o quarto, abriu a porta e voltou para ficar ao lado de Sam. Eles viram Dean brigar com as pernas para poder sair do carro. Seus pés bateram desajeitados no chão pavimentado. Ele sorriu para eles como se ele tivesse acabado de fazer uma coisa maravilhosa.
"Vocês vão se mexer, ou o que?" A voz de Dean saiu forte mais sem fôlego.
John balançou a cabeça. Ele pegou o braço de Dean e o ajudou a se levantar.
"Pegue o outro braço dele, Sam." Disse John.
Dean tentou se afastar quando Sam tentou segura-lo colocar o braço dele em torno dos ombros de Sam. Sam estava tentado a forçá-lo, mas ele ficou em dúvida. A imagem do irmão parado e pálido na cama o fez ficar mais calmo. Sam bufou e olhou para o pai deles.
"Dean..." John avisou.
Dean parou de protestar e deixou eles o ajudarem a andar até o quarto do motel, tremendo a cada passo. Eles o ajudaram a deitar na cama. Sam encostou na parede. John colocou uma cadeira ao lado da cama, sentando-se e encarou Dean.
"Você vai descansar e depois você vai comer." Ele disse. John se voltou para Sam. "Sam vá até a loja. Pegue toda comida que ele precisa e pode comer. Seu irmão e eu vamos ter uma longa conversar."
Sam se arrepiou com o tom de voz dele. Ele não era um imbecil e John era seu pai, não seu comandante. Mas ele obedeceu. Ele concordava com o plano, fazer Dean comer e dormir, mesmo que ele não gostasse da forma como o pai estivesse conduzindo as coisas.
Dean olhou para ele com uma expressão miserável. Sam ficou com pena. De repente ele se sentiu como quando eles eram crianças. John sempre mandava Sam sair do quarto antes de conversar com Dean sobre qualquer coisa errada que ele tivesse feito. Ele deu um sorriso simpático para o irmão. Isso é para o seu bem – ele pensou antes de sair para fazer compras.
Sam voltou para um quarto silencioso. John estava sentado na cama encostado a cabeceira ao lado de Dean. Seu irmão estava apoiado nele. Ele piscou algumas vezes quando ouviu Sam entrar, e se moveu encostando-se na cabeceira da cama.
John sorriu e levantou da cama. Ele indicou o lugar onde esteve sentado em um simples comando. Sam entregou as sacolas pra ele e sentou ao lado do irmão. Dean o cutucou.
"Senta na sua própria cama, seu gigante anormal." Ele soava mais forte do que antes, mas suas palavras não tinha um pingo de convicção.
"Foda-se." Sam disse. Ele sentiu seus olhos fechando. Merda, ele estava cansado. "O pai precisa de uma cama." Ele murmurou. Dean disse mais alguma coisa, mas Sam não ouviu. Ele ouviu John mexendo nas sacolas. Então, apesar de todos seus esforços, ele sentiu sua cabeça pendendo para o lado. Um sono profundo se apoderou dele.
Sam acordou algumas horas depois, estava apoiado no irmão. Longos raios de sol indicavam que já era de tarde, quase anoitecendo. Ao lado dele, Dean estava aconchegado ao ombro de Sam; a respiração dele era suave. John estava sentado à mesa observando-os, um sorriso divertido no rosto.
Sam bocejou. "Pai..."
"Se sentindo melhor, filho?"
Sam olhou para ele de forma confusa. "Não sou eu que estou doente, pai." Ele olhou para o irmão. O rosto de Dean estava pálido. Os olhos fechados com força como se ele estivesse lutando pelo descanso. Ele nem se moveu quando Sam se levantou e o fez deitar no travesseiro.
"Por que você não come, então nós vamos acordar seu irmão."
Sam se espreguiçou. "Nós devíamos deixá-lo dormir."
"Ele precisa comer, Sam". Sam entregou pra ele um prato de miojo, que Sam tinha comprado mais cedo. Sam olhou pra isso de forma suspeita. John balançou a cabeça. "Até eu consigo cozinhar isso, filho. Além disso, você precisará de toda a força que conseguir para me ajudar a forçar seu irmão a comer."
Talvez Sam não tivesse comido muito ultimamente. "Booooom, pai." Sam virou a cabeça de lado, quando as palavras de John fizeram sentido. "Espera." Ele disse entre garfadas. "Você acha que ele não vai querer comer? Mesmo depois de ter ido parar no hospital? Mesmo depois de você ter falado com ele hoje a tarde?"
"Eu disse que ele tinha que comer." John respirou fundo e olhou para Dean. "Mas eu acho que isso vai ser uma guerra."
"Huh." Sam terminou de comer, pensando no que o pai havia dito. "Por quê?"
Seu pai abriu uma lata de sopa. "A doutora disse que provavelmente seria assim. Alguma coisa a ver com a parte psicológica." Ele colocou o conteúdo da lata em uma tigela e a aqueceu no pequeno microondas. "Eu vu fazê-lo comer. Você deve ficar de olho nele depois que eu for embora assim ele não vai parar de comer de novo."
"Você vai embora?" A comida ficou com um sabor estranho na boca de Sam.
"Ainda não, Sammy..." John tirou a sopa do microondas. "Mas logo. Eu já fiquei aqui por muito tempo. Não é seguro."
Sam não disse nada, mas terminou de comer o macarrão. Ele viu John acordar Dean. Dean gemeu e se sentou.
"Não tô com fome, pai." Dean se virou, escondendo o rosto no travesseiro.
"Que pena." John puxou o cobertor. "Hora do show. De. Pé. Agora. Dean."
Dean se sentou de novo. Fez uma careta para a sopa que John entregava a ele. "É isso que você quer que eu coma?" Ele cheirou a sopa. "Ugh."
John cruzou os braços. "Coma isso. Tudo. Isso é uma ordem." A voz dele soou alta e não deixava espaço para argumentos. Dean fez uma careta, mas bebeu um pouco da sopa.
Sam rolou os olhos. Ele não sabia por que seu pai pensou que isso seria um problema. John dizia 'Pule'. Dean respondia 'Sim senhor, quão alto?'. Sam bufou e sentou na cadeira ao lado da cama. Sam pegou mais do miojo que estava em cima do microondas.
"Droga, Dean!"
"Pai. Desculpe." O rosto de Dean ficou triste. "Eu derrubei."
"Sam. Esquente um pouco mais de sopa pra ele. Então sente aqui e tome conta dele." John o encarou.
"E como tudo."
"Vamos, pai. Foi um acidente."
"Acidente o cacete."
"E eu já comi um pouco..." Ele começou a falar, mas se calou quando John o encarou.
"Sam" John apontou para a sopa. "Esquente isso em outra tigela. E tenha certeza que ele coma tudo."
Sam fez conforme seu pai havia mandado. Dean o encarou.
"Cadela." Seu irmão murmurou.
Sam viu o irmão se esforçar para tomar toda a sopa. Ele se aproximou. "Olha, cara. Come, por favor. Você não está mais doente."
Sam ficou com uma expressão de preocupação. Dean lhe deu uma olhada cheia de teimosia. Ele não disse mais nada, mas terminou de tomar a sopa.
Demorou mais uns dois dias até eles não terem que forçar Dean a comer, ele tinha voltado a comer por vontade própria. Depois disse, parecia que ele estava comendo com muito mais vontade. No terceiro dia, Sam saiu e comprou comida de verdade para Dean. O tipo nada saudável que seu irmão tanto gostava. Dean conseguiu comer metade de um x-burger. E uma porção de batatas fritas. E um pouco de torta.
Ele dormiu por umas duas horas. Quando Dean acordou, ele olhou para o resto do x-burger que já estava gelado, com um misto de surpresa e vontade. Ele comeu a metade restante e mais dois pedaços de torta.
"Cara, a idéia é você comer para não morrer de fome. Mas não tanto assim, se não você vai ficar doente."
Dean sorriu pra ele e John. Ele deu palmadinhas no estômago. "Eu devo a ela seis semanas de comida."
"Ela? Você está falando do seu estômago?" Sam não pode deixar de rir. "Seu estômago é ela?"
Dean rosnou. "Todas as coisas boas da vida, são femininas, Sam."
John sacudiu a cabeça e sentou na cadeira. Ele estava arrumando suas coisas para ir embora. Na manhã do dia seguinte Sam e Dean o viram ir embora.
"Ele devia ter ficado mais tempo." Sam ouviu a raiva na própria voz.
Dean sorriu. "Ele veio." Ele disse. E Sam prometeu pra si mesmo de nunca contar para Dean a 'peça' que ele tinha pregado no pai. Ele se virou para o quarto de motel.
"Hey, Dean." Sam o parou. "O que o pai disse pra você, sabe, quando vocês dois ficaram sozinhos, aquele dia?"
"Você quer dizer, quando eu sai do hospital?"
Sam assentiu.
Dean respirou fundo. "Não muito. O pai não é muito de conversar." Ele virou a cabeça e suspirou. "Ele disse que não estava bravo, mas que eu tinha que comer. E dormir. Que você estava doente de preocupação. Então ele me colocou na cama como se eu fosse uma maldita criança."
"Nós dois estamos preocupados." Sam o olhou nos olhos. "Você ainda tem que comer. Você sabe disso, né?"
Dean ergueu as sobrancelhas. "Sério?" Dean grunhiu. "Sam, isso não é um problema. Eu não estou mais vomitando. E..." Ele levantou os braços. "Eu estou em remissão. Além disso, como eu disse, eu tenho que acertar as coisas com ela com comida e doces."
"Seu estômago?"
"Isso mesmo, princesa." Dean se moveu para a porta.
"Espere," Sam o segurou pelo braço. Ele mordeu o lábio. "Apenas... espere. Eu preciso dizer uma coisa." Sam olhou para o irmão. "Se isso…" Ele parou, pensando no que ia dizer. "Se isso acontecer de novo. Ou algo do gênero… se você estiver machucado ou doente. Você tem que me dizer, Dean. Eu não quero saber se eu estou a dois passos ou dois estados distante de você. Você tem que me contar e eu virei. Você tem que me prometer isso."
Dean desviou o olhar.
"Dean?" Sam pressionou.
"Tudo bem." Dean voltou a olhá-lo. "Okay."
"Você promete?" Sam se aproximou dele. "Você tem que prometer."
"Tá bom." Dean disse levantando os braços. "Eu vou te contar, okay. Você terminou com a cena de novela?"
Sam relaxou. "Vai se ferrar, cara."
"Bom." Dean abriu a porta, e pela primeira vez em semanas ele estava com o rosto corado. "Você vai pagar pelo café da manhã."
THE END
