QUE DIA, MERCEDES JONES! QUE DIA!

"All by myself/ Don't wanna be all by myself anymore..."

Mercedes Jones é uma diva que é igualmente fã de outras divas, mas não de Celine Dion. Isso era coisa de Rachel Berry, não dela. Oras, Mercedes Jones jamais cantaria música deprimente. A estima dela às vezes vacilava aqui e ali, mas em geral era uma pessoa muito confiante. Daí a razão de gostar de Aretha e soletrar R.E.S.P.E.C.T. Chorar feito uma idiota enquanto se canta "All by myself" para Mercedes era a cena de abertura de Bridget Jones: aquela mesma da abertura em que a protagonista está deprimida no sofá em um pijama horrível e, de repente, começa a "dublar" a música com toda a dramaticidade necessária. Não, isso era definitivamente Rachel Berry... ou a manifestação do lado sombrio de Quinn Fabray. Nunca, jamais poderia ser Mercedes Jones.

Ela até tinha uma teoria de que "All By Myself" era na verdade uma arma secreta canadense que servia para torturar e subjugar os demais povos do mundo. Tal como Justin Bieber e, antes dele, Bryan Adams. Sério! Teve um dia que ela acordou com o rádio-despertador tocando "Everething I Do" e Mercedes pensou seriamente em passar o dia ensolarado dentro do quarto se entupindo de junk food enquanto assistia "A Noite dos Desesperados". Por isso levava a teoria muito à sério, mesmo quando Kurt ria disso. Bom, o melhor amigo dela era suspeito para falar: ele adorava Celine Dion e tinha uma paixonite heterossexual secreta pela Nelly Furtado.

Apesar de que, lá no fundo, Mercedes adorava a música tema de Titanic e sempre chorava na cena em que Rose já velhinha joga o diamante no mar e morre em uma cama quentinha, tal como o amado Jack profetizou. Então o espírito dela se rejuvenesce e reencontra o amado no navio... sobem os créditos e a música da Celine Dion começa. Se bem que, se for pensar bem, aquilo lá era um tipo de purgatório. Aquele bando de espíritos eternamente presos em um dos navios mais mal-feitos da história? Purgatório, meu bem... paraíso jamais!

O quê?

O que o quê?

Quem está falando?

Deus!

James Brown? Marvin Gaye? Ray Charles?

Não, nenhum desses... mas boas escolhas as suas. Eu sou apenas o narrador da sua história. E por ser onipresente, onisciente, onipotente e online... bom isso me dá esse status.

Onipotente?

Já te falei das garotas com pênis?

Não e nem quero saber! A questão é: o que você está fazendo na minha cabeça?

Tirei uma folga para acompanhar um dia na sua vida.

E por que eu? Minha vida é tão interessante assim?

Na verdade... não. Ela é até uma vidinha muito sem graça. Mas você é uma figura interessante. Um tanto quanto subestimada, talvez.

Então você vai mostrar o quanto eu sou uma estrela de verdade não valorizada pelos meus amigos? Já estava mais que na hora de alguém tomar uma atitude.

Eu não vou tomar atitude alguma, meu bem. Minha função aqui é observar, jamais interferir. Você segue o seu dia normalmente e eu conto a sua história. Por isso me chamo narrador. É simples, é corriqueiro, agora chega de papo-furado, ok?

A família de Mercedes não tinha do que reclamar. Os Jones eram bem de vida. Papai Jones era um dentista bem requisitado, mamãe Jones era dona de uma butique, filho Jones estava na OSU e filha Jones queria ser diva. Papai e mamãe Jones tinham carros de luxo da garagem e a filha Jones gozava de um belíssimo GM Tracker. Ela não suportava a idéia de se aventurar ao ar livre a ponto de ter um carro desenhado para enfrentar estrada de chão, pedras, riachos e atoleiros. Mas e daí? O "bebê" dela era lindo. De certa forma, ter uma vida de luxos dentro de casa era uma compensação pelo fato de Mercedes ser apenas uma underdog na escola: assim como a maior parte dos seus colegas de coral. E mesmo dentro do coral, as pessoas que tinha mais afinidade eram os underdogs dos underdogs: Kurt e Rachel Berry. Depois Artie, Tina e Mike. Lauren se situava numa posição indefinida. Aí vinha os top dogs: Quinn, Santana, Puck, Finn, Sam e Brittany. Se os outros viam as coisas da mesma forma? Talvez. Mercedes com certeza tinha várias classificações para si e para os colegas mais próximos.

Ela tinha certa mania de listas que fazia no caderno e guardava para si. Dentro do Glee Club, quem era os mais bonitos: Santana, Quinn, Puck, Sam e Brittany. Finn não fazia o tipo dela. Aliás, Mercedes não se lembrava da última vez que o capitão do grupo conversou com ela fora das reuniões do coral. Talvez nunca. E tinha a lista dos mais legais: Kurt, Tina, Artie, Brittany e Mike. Rachel Berry não era tão legal assim, apesar das duas começarem a se aproximar mais e mais. A lista dos mais inteligentes: Kurt, Quinn, Artie, Mike e Tina. A lista dos mais estilosos incluía: ela própria, Santana, Brittany, Kurt e só. Ela considerava todo o resto um desastre. A lista dos mais influentes contava com: Rachel, Finn e Quinn. Talvez Santana: ela podia ser muito persuasiva quando tinha algum interesse.

A lista mais importante aos olhos de Mercedes era dos mais talentosos: Kurt, ela própria e Rachel. Num degrau abaixo vinha Santana e Artie. No outro abaixo, os talentos de Brittany e Mike para a dança. Depois o resto do Glee Club. Era como Mercedes podia se sentir superior a todos os outros. E era a razão por se sentir tão injustiçada. Ela cantava inúmeras vezes durante os ensaios do clube, era verdade. E até fez o grande número final da noite dos negligenciados em que só os colegas assistiram. Mas na hora da competição quem tinha os solos? Rachel e Santana. Quem fazia os duetos? Rachel e Finn. Até mesmo Quinn e Sam tiveram a honra. Ah, e ainda tinham os números para a escola que sempre davam errado. Até mesmo nesses Brittany já teve a satisfação de ser solista. E no show do intervalo do jogo de futebol? Rachel, Artie, Santana e Finn.

Mas hoje seria o dia da redenção com a Noite das Divas no Breadstrix!

"Nós precisamos fechar o programa de apresentações agora" – Rachel disse enquanto almoçávamos – "Temos de fazer direito porque hoje é dia de promoção de lasagna no Breadstrix, portanto, teremos um público expressivo de até 150 pessoas, que a é a capacidade máxima do lugar. E o dono ainda deixou claro que se os clientes reclamarem, ele corta a nossa apresentação pela metade. Por isso precisamos deixar estabelecido com os garotos da banda que o nosso repertório será o mais popular possível de forma que a gente possa ganhar a platéia logo de início. Tento em vista todos esses..."

"Caramba Berry! Será que você nunca consegue ir direto ao ponto?" – Santana revirou os olhos.

"Não sei porque está se metendo!" – Mercedes cruzou os braços – "Você mesma disse que não queria participar."

"Isso foi até a gente... conversar" – Rachel sorriu enquanto Kurt e Mercedes ergueram a sobrancelha curiosos para saber o que se passava – "O quê? Santana é perfeita para ser a segunda voz no meu número! Enfim... por causa da peculiaridade na nossa situação, precisamos começar arrebatadores, por isso eu serei a primeira com um número de Celine Dion!"

"O quê!" – Mercedes quase pulou da cadeira. Ela sabia que começar o dia ouvindo Celine Dion no rádio-despertador era um mau-presságio – "Pro inferno que não! Se quiser ser arrebatadora, garota, que seja eu cantando Beyoncé, entendeu? Isso sim é número para segurar platéia de restaurante."

"Em um show normal ou até em uma feira até pode ser, mas aquelas pessoas estão muito mais interessadas em comer macarrão e comer o pão do que ouvir a nossa música. Logo, se começarmos agradáveis e discretos, quase como um som ambiente, nós podemos ser mais bem-sucedidos em nossa empreitada. É preciso lembrar que o dono nos autorizou a recolher nossos donativos apenas uma vez: no final. Mais uma razão para começarmos indolores e fazermos uma apresentação bombástica: a de grupo no final. Eu, você, Tina e Kurt vamos fazer "Lady Marmalade" enquanto Santana vai passar com o chapéu. A gente 20% de tudo que ganhar para o dono do restaurante e podemos ficar com o resto!"

"Ainda acho que começar com Celine Dion é querer naufragar o barco!"

Aquela era mais uma tentativa dos garotos do coral em arrecadar fundos para a viagem em Nova York. Era preciso pagar transporte, alimentação e hospedagem. Competir não era algo barato, sobretudo para uma escola como a McKinley e a comunidade que a sustentava. Uma em que os pais achavam que tudo era responsabilidade do governo local e eram preguiçosos demais para participar de qualquer atividade extra-curricular que não fosse jogos de futebol.

Hey, narrador deus! Isso é maldade!

Mesmo? Eu nunca vi os seus pais ou dos seus amigos na platéia em qualquer atividade que vocês façam. Aliás, só Judy Fabray há muitos anos, mesmo assim as intenções dela não era prestigiar a filha e o grupo.

Eu não tenho argumentos contra isso.

Claro que não tem. Eu vou na ferida.

Mercedes se resignou com a sequência estabelecida por Rachel. Primeiro a smurfete, depois Kurt, Mercedes e a versão de "Lady Marmalade". Os outros colegas de Glee Club prometeram presença para dar suporte, apesar dos protestos de Rachel porque eles ocupariam mesas de potenciais contribuintes à causa. Não deixava de ter certa lógica.

Pera aí. Agora você está defendendo Rachel?

Eu disse que havia lógica, uma vez que vocês arrecadariam seus 50 dólares passando o chapéu. Se os outros gleeks ocupassem uma mesa, seria um dólar a menos. Sacou?

Eu te odeio senhor narrador.

Não estou aqui por popularidade, meu amor.

Naquele dia o coral ficou dividido. Enquanto os outros alunos planejavam junto ao professor Schuester, as três divas, mais Santana, ensaiavam no auditório. Kurt estava do solo de "Because The Night", dos 10000 Maniacs, quando Mercedes o viu: o seu maior segredo. Ele atendia pelo nome de Marc Becker, o garoto que dividia duas classes com a diva negra. Mercedes era absolutamente apaixonada pelo capitão do time de xadrez. Sim, tratava-se de um nerd sem muitos atrativos físicos a não ser aquele detalhe que hipnotizava uma das maiores vozes do coral: o sapato impecável e o passo de dança que fazia igual ao James Brown: coisa que Mercedes julgava ser impossível vindo de um garoto branco.

E lá estava Marc no fundo do auditório com mais o restante da Grifinória – andava sempre acompanhado dos melhores amigos, a CDF Helena Bonner e o bobo da corte George Cash. Enquanto o grupo ajustava os detalhes, Mercedes viu a boa oportunidade para se aproximar do grupo.

"Oi Mercedes! O que estão fazendo? Outro show para a escola?" – Marc disse sorridente. E quando o menino sorria, Mercedes sorria. E olha que eles estavam muito longe de ter qualquer relacionamento.

"Não ficou sabendo na nossa Noite das Divas, no Breadstrix? Vamos apresentar para arrecadar fundos ao coral."

"Parece muito bom!"

"Por que você não vai?"

"Seria... é quem... bom Mercedes... eu fico sem jeito de pedir uma coisa dessas..." – o coração da diva disparou, mas Mercedes segurou bem todo o tsunami de emoções que batia em seu peito. Marc iria pedir para sair com ela? Ele iria propor uma amizade mais próxima? Aquilo era muito. Então ela respirou fundo e escutou – "É verdade que a Santana não está mais namorando Sam Evans?"

Mercedes já não escutava mais a voz de Kurt no palco. A cabeça dela foi tomada pela famigerada Celine Dion com os cabelos esvoaçantes cantando "Near, far, wherever you are/ I believe that the heart does go on...". A droga do Titanic afundando pela enésima vez, Jack afundando nas águas congelantes do Atlântico Norte, pipoca, coca-cola, cobertor, a cena inicial de Britget Jones e a droga do filme "A Noite dos Desesperados". Todas essas imagens acontecendo ao mesmo tempo como um flash de depressão.

Então o cara que Mercedes tinha uma queda séria tinha interesse em Santana? Logo em quem! Na pessoa que iria rir na cara dele sem a menor preocupação em ferir ou não os sentimentos? Na menina gay que podia enganar a todos na escola menos a Mercedes? Sim, a diva era uma ótima observadora e ela já havia flagrado Santana empurrando Brittany para dentro da sala do faxineiro até mesmo quando a outra menina estava em um relacionamento sólido com Artie. Na bitch mor? Mercedes olhou para o palco. Kurt já não cantava mais. Ele estava discutindo qualquer coisa com Rachel enquanto Santana permanecia alheia sentada à beira do palco com as pernas cruzadas e lixando a unha.

"Por que você não aparece no Breadstrix hoje à noite? Santana vai estar lá e vai fazer um número especial com Rachel Berry. Tenho certeza que seria um momento oportuno para você se aproximar e falar com ela!"

"Você acha mesmo?"

"Santana está muito mudada, sabe? Ela é toda durona por fora, mas é uma romântica por dentro. Tenho certeza que você terá chances"

Mercedes virou as costas e voltou-se para o palco. O repertório dela mudou. Se Rachel Berry pensava que ela iria continuar com o plano da música indolor, a outra diva estava redondamente enganado. Aquela era Mercedes Jones, afinal!

Sério, Mercedes, isso é maldade!

Você lê meus pensamentos?

Claro que sim!

E você vai fazer alguma coisa a respeito?

Já disse que não vou interferir.

Então pegue a pipoca e divirta-se narrador, porque a Noite das Divas vai ser inesquecível.

Após uma breve discussão entre Rachel e Kurt, Mercedes pediu para ficar sozinha com a banda e mudou os planos. Depois, sem falar com mais ninguém, voltou para casa. Os pais não estavam em casa. Devia ser mais um dia cheio. Às vezes Mercedes sentia saudades do tempo que Quinn morava com ela. Foi uma convivência curta e imperfeita. Mas no fim da tarde uma gozava da companhia da outra enquanto viam televisão e comiam qualquer bobagem. Quinn falava pouco. Bom, ela ainda é assim, mas era boa companhia.

Mercedes comeu o sanduíche, bebeu um suco, tomou um banho e secou os cabelos. Roupa de show com brilho, por favor. Não era porque ela cantaria num restaurante italiano que ela não deveria se menos glamorosa. Atenção especial na franja. Então ela pegou o carrão e dirigiu até o Breadstrix. Lá encontrou as outras divas, Santana e a banda preparando o palco. A casa estava cheia, garçons corriam de lá para cá e a maioria estava alheia a movimentação no espaço reservado. E mesmo com todas as recomendações de Rachel Berry, o restante do coral foi prestigiar os colegas. Bom, eles formavam uma equipe imperfeita, mas unida, afinal.

"Senhoras e senhores" – Rachel foi ao microfone – "Nós somos o Novas Direções, o coral de William Mckinley High, e estamos nos apresentando na noite de hoje e entreter a todos vocês. E aqueles que quiserem, podem pagar pelo show ao final. O dinheiro vai nos ajudar a ir para Nova York e competir nas nacionais junto com outros corais do país todos. Ajude-nos a representar com orgulho a nossa cidade e o nosso grandioso estado de Ohio".

Duas pessoas aplaudiram a apresentação. Pelo menos ninguém gritou Vocal Adrenalina, porque aí seria demais. Mais até do que levar sapato na cara. Rachel se posicionou e olhou para trás. Santana estava entediadíssima mais ao fundo o palco com o outro microfone. Ela odiava Celine Dion. Rachel começou a cantar "I'm Alive" e logo se percebeu qual era o verdadeiro propósito de Santana ali: mais do que a segunda voz, ela era o elemento sexy que distraía a atenção dos mais raivosos. Assim, ninguém tacou almôndegas e talharins em direção ao palco. Ah sim, Marc estava lá sentando em uma das mesas com os outros dois escudeiros enquanto babava por Santana. O sangue de Mercedes borbulhou, mas a sua frustração estava direcionada em algo muito mais produtivo.

Então, depois que Rachel agradeceu a todos pela oportunidade (e por não jogar sapatos), em especial às dez pessoas que aplaudiram, Mercedes pegou Santana pela mão e a conduziu sob protestos até a mesa de Marc.

"Santana, esse é Marc, presidente do Clube de Xadrez. Marc, essa é Santana Lopez..." – ficou um tempo tentando encontrar um complemento – "ex-cherrio da escola!"

"Que merda é essa, Mercedes?" – Santana disse em sua brutal falta de senso.

"Marc é um amigo meu que queria te conhecer."

"Eu já conheço todos os garotos relevantes da escola" – apontou para Marc sem ao menos olhar para o rapaz – "e ele não é um!"

Santana saiu sem a menor cerimônia. Mercedes fingiu constrangimento e se desculpou. Que cara-de-pau!

"Desculpe... Santana às vezes..."

"Não, deixa pra lá... eu já estou indo mesmo..."

"Espere. Eu vou me apresentar agora, depois de Kurt. Por que você não espera e assiste. Vou cantar em sua homenagem".

"Olha Mercedes... sinceramente eu não curto nada desse Glee Club ou as pessoas que estão nele... bom... você até que é legal, mas convenhamos, vocês são um tanto quanto... chatos. Sinceramente, eu sou um dos que estimula os meus pais a sabotarem os fundos para a atividades de vocês porque, sinceramente, acho que nossa escola estaria muito melhor sem vocês, tipos esquisitos. Eu ainda tinha algum interesse na gostosona da Santana, mas já que ela não está afim, então..."

"E agora" – Kurt anunciou no palco após receber os três aplausos – "Mercedes Jones".

A diva olhou para o palco e depois para Marc.

"Fique. Essa música é pra você"

Mercedes foi até o palco só para pegar o microfone. Ela rapidamente conversou com os meninos da banda e combinou uma terceira música que não estava no programa, mas que eles já estavam cansados de tocar. Não seria o menor problema. Os primeiros acordes foi para o hit de Cee-Lo Green. Não o "Forget You" PG. Mercedes começou a cantar com toda a força dos pulmões a versão de "Fuck You", do qual Santana se animou e começou a fazer o backing para a quase amiga, tal como Artie. Rachel e Kurt arregalaram os olhos, assim como quase todos os outros gleeks. Puck e Brittany estavam adorando. Mães começaram a tampar os ouvidos dos filhos menores e o grupo de carolas que estavam celebrando um aniversário faziam cara de que iam desmaiar de tão horrorizadas.

Então Mercedes se aproximou da mesa de Marc. "Uh Why!/ Uh Why/ Uh Why sir?/ Oh, I Love you/ Oh, i still Love you...". Pegou o prato de macarronada da mesa ao lado e despejou o conteúdo na cabeça de Marc sem a menor cerimônia, seguido de um banho de Fanta Uva. De repente o som dos amplificadores foi desligado. Em cima do placo estava o dono do restaurante enfurecido.

"Ninguém canta mais aqui. Vocês? Fora!" – todos aplaudiram!

A banda pegou os instrumentos e literalmente saiu correndo do restaurante. Com os demais gleeks não foi diferente. No estacionamento, quando todos se reuniram ainda meio sem-fôlego por causa da pressa e do susto.

"Eu não acredito que você fez isso!" – Rachel estava histérica, enquanto os demais começaram a morrer de rir da situação ridícula – "A gente nunca mais vai poder fazer qualquer coisa no Breadstrix! Aliás, a gente nunca mais vai poder sequer entrar no restaurante!"

Santana pegou um pedaço de pão que ela tinha roubado na confusão e enfiou na boca de Rachel.

"Pronto! Resolvido!"

"Mercedes..." – Kurt passou os braços nos ombros da amiga – "o que foi aquilo?"

"Resumindo a história... desde o início do ano que eu tenho uma queda pelo Marc, do clube de xadrez. Ele até que conversava comigo e não me dava bola. Hoje me perguntou se poderia apresentar Santana e eu disse para ele vir aqui. Sabia que Santana o rejeitaria, então eu cantaria 'Please Love Me' em homenagem a Marc. Mas ele reagiu de uma forma inesperada quando Santana o rejeitou e confessou que fazia a cabeça dos pais dele a boicotar o Glee Club. Aí eu mudei de planos cinco segundos depois..."

Kurt a abraçou mais forte, encostando a cabeça dele contra o ombro da amiga, enquanto todos os outros, menos Rachel, fizeram algum carinho na amiga, como "high fives", um beijo no rosto, um sorriso, um passar de mão nas costas.

"Acho que fui precipitada em te julgar então..." – Rachel disse olhando para o chão.

"Eu te desculpo, Rach... mais o próximo solo é meu!"

Kurt se despediu de Blaine com um beijo e depois foi em direção da melhor amiga. Ela estava precisando muito mais dele do que o namorado. Os dois combinaram em ver um filme em pijamas ridículos. Era o melhor dos programas. Antes, Kurt disse que passaria em casa para pegar as coisas. Mercedes se despediu dos amigos e foi para casa esperar por Kurt.

Você fez um bom trabalho.

Eu arruinei com uma chance de conseguirmos dinheiro.

Acredite, vocês não conseguiriam grande coisa.

Sério? Você não está dizendo isso para me consolar?

Oras, se eu interferisse Marc teria sido mais gentil, você cantaria B.B King, três pessoas iriam aplaudir, Santana ia passar o chapéu enquanto vocês três cantavam "Lady Marmalede" e arrecadariam no total 32 dólares, menos os 20% do dono do Breadstrix.

Fala sério!

Eu não disse que sou onitudo?

Será que eu nunca vou conseguir um namorado?

Aí você quer spoilers. Isso não faz parte dos negócios aqui.

Ok... ei, você poderia me dizer como é que Rachel convenceu Santana a fazer segunda voz numa música da Celine Dion?

Rachel descobriu aquela coisa sobre Santana que você já sabe há muito tempo.

Oh!

Às vezes o feitiço vai contra o feiticeiro.

Kurt abriu a porta do quarto da amiga.

"Tudo bem Cedes?"

"Tudo ótimo. Estou me sentindo leve agora."

"Que filme vai querer ver hoje?"

"Qualquer um que não tenha Celine Dion na trilha sonora"

"Barbra?"

"Por um acaso Rachel está aqui? Não! Que tal 'Dreamgirls'"

"Perfeito!"

...

No próximo capítulo:

Que dia Tina Cohen-Chang, que dia!