QUE DIA, TINA COHEN-CHANG! QUE DIA!

Nem mesmo os colegas do Glee Club se dão conta, mas a senhorita Tina Cohen-Chang é uma das pessoas mais legais do mundo. Ou pelo menos é assim que ela se considera. Ela não está longe da verdade. A família de Tina não é tão afortunada quanto os Jones ou os Berrys, mas a ela nunca faltou nada. Pelo contrário, por ser filha única, os pais sempre lhe deram mais do que ela muitas vezes achava que merecia. Mas se davam de bom grado, Tina não recusava. Ela também nunca abusou. Ela tinha a coleção de discos mais fantástica entre os colegas. Rachel tinha a coleção de musicais, Mike tinha a discografia do Michael Jackson, Mercedes era fanática pela Motown e Artie tinha obsessão por rappers brancos, como Eminem.

Tina era diferente, a começar pela versatilidade. Os pais de Tina eram apaixonados pelo rock clássico. Tinham tudo das décadas de 1950 a 60. Especialmente as discografias de Elvis Presley, Little Richards, Jerry Lee Lewis e Beatles (inclusive os singles em vinil). Tina era a feliz proprietária do melhor que o rock dos anos 1980 poderia oferecer: The Cure, Tramps, New Order, Joy Division, entre vários outros. Uma ótima discografia de heavy etal, sendo que Deep Purple era o favorito dela. Bom entendimento de world music. Gostava tanto de Massive Attack quando do Chemical Brothers. E, de quebra, estava sempre antenada nas boas novidades. Foi a primeira a escutar as Noisettes e o Cansei de Ser Sexy. Fora que ela lia todos os livros do Nick Hornby, do Douglas Adams e da Anne Rice. "Drácula", de Bram Stocker, ficava num lugar especial da estante. Isso é ou não é ser legal?

Os pais dela ficavam presos a sociedade asiática de Lima por uma questão de proteção. O pai é nascido em Hong Kong, a mãe é uma tailandesa que foi adotada ainda bebê por uma família americana. Más experiências do casal fizeram com que eles se exilassem na comunidade asiática, o que não queria dizer que eles comiam arroz no café da manhã. Oh não! Isso era coisa dos Changs de Mike, não da casa dela. A família de Tina gostava de comer pão com manteiga, bolo e café. Eles viam novelas mexicanas na televisão e gostavam de comida italiana. E para não dizer que eles não gostavam da cultura oriental, havia uma coleção dos filmes de Bruce Lee (mas nada poderia ser mais legal que o Bruce, nem mesmo Chuck Norris), gosto por videogames e uma coleção de respeito de mangás. Na verdade a coleção era da mãe dela, que era desenhista, mas Tina apreciava a leitura.

Tina era pop. A mais pop entre todo o Glee Club. Mas quem poderia saber? As pessoas mal olhavam para ela.

As pessoas olham para mim sim... seu... seu... quem é você?

Robert Smith.

Oh meu Deus, você é deus!

Eu adoro quando as pessoas já entram no espírito da coisa.

Espera aí? Se eu estou falando com deus, quer dizer que estou à beira da morte?

Não entre em pânico! Calma! Respira!

Eu... eu... eu...

Eu disse: respira... isso!

O que você quer de mim?

Absolutamente nada! Eu só quero mostrar às pessoas que você é a pessoa mais legal do coral da sua escola.

Mas se eu falhar nessa missão?

Tina, querida! Apenas seja você mesma, ok? Aliás, esquece que eu vou te acompanhar por um dia.

A campainha tocou. Tina olhou para o relógio. Devia ser Mike. Os dois tinham combinado de ir à escola juntos. Senhora Lisa Cohen foi atender a porta para o genro. Ela gostava muito de Mike, bem mais do que quando a filha namorava Artie. Nem mesmo a deficiência física do amigo da filha a impedia de sentir antipatia pelo garoto. Sim, Artie era educadíssimo, mas havia aquele sexto sentido de mãe que dizia que o menino não era certo para a filha dela. Mike, por outro lado, a deixava tranqüila, mesmo sabendo que ele e a filha já tinham tido relações sexuais. Virgindade não era importante para Lisa – talvez para o marido, Jim Chang, que não sabia. Amor e respeito eram. Ela sabia que Mike e Tina compartilhavam esses afetos.

"Bom dia, senhora Cohen" – Mike ofereceu uma flor à sogra. Era um hábito: sempre que ia à casa da namorada, arrancava uma flor de um jardim qualquer e a oferecia à Lisa. Ainda bem que existiam muitos jardins pelo caminho.

"Bom dia! Tina está no quarto. Já deve estar descendo."

"Trabalhando a essa hora?" – reparou as roupas e as mãos manchadas de tinta.

"Meus prazos estão chegando ao fim!"

Lisa Cohen desenhava mangás, mas as editoras, em especial a Dark Horse, preferiam encomendar a arte das capas para os gibis. Lisa era relativamente famosa, costumava ir a convenções (a de San Diego era obrigatória). Apesar disso, o ofício não lhe dava muito dinheiro. Jim segurava a barra da família na época de vacas magras. Ele trabalhava como sub-gerente em uma das montadoras da Dell instalada nos limites de Lima. Também não ganhava muito, mas era o tipo do emprego cujo salário não deixava que nada faltasse à família.

Tina apareceu arrumada em sua habitual roupa preta, cabelos impecáveis com as mechas azuis devidamente encaracoladas. Mike gostava quando a namorada vestia shorts e meia-calça. Os dois se beijaram, Tina se despediu da mãe (o pai já tinha ido trabalhar) e pegou o capacete. Mike tinha uma motocicleta, dessas que causavam inveja a ninguém. Nos dias de chuva, Lisa Cohen pegava o Subaru Legacy 2004 e levava a filha e o namorado à escola. O carro era cliente da oficina de Burt Hummel.

"A gente se vê no terceiro período?" – Tina perguntou assim que tirou o capacete.

"Com certeza!" – os dois se beijaram mais uma vez antes de Tina caminhar até o prédio da escola.

Enquanto Mike correu até o campo de futebol (ele tinha uma reunião com o time naquele horário), Tina encontrou Mercedes, Kurt, Brittany, Lauren e Santana conversando no pátio da escola. Para que todos ficarem de papo no meio da escola daquela forma, amigavelmente, só podiam estar armando alguma coisa.

"Oi pessoal!" – Tina sorriu para os amigos.

"Estávamos esperando você!" – Mercedes logo a chamou para se unir aos demais.

"O que houve?"

"Precisamos fazer uma intervenção entre Rachel e Quinn antes que as duas causem um racha entre os integrantes masculinos do nosso grupo" – Kurt falou em seu tom rápido e dramático.

"Opa!" – Tina já estava se sentindo tonta com todos aqueles humores – "Por que alguém não me explica o que aconteceu com mais detalhes?"

"Rachel e Quinn passaram dos limites nessa guerra pelo Finn e tiveram uma briga feia no tal ensaio dos trios".

"Briga no ensaio..." – Mike era do grupo dos três, mas depois Tina lembrou que o namorado não foi ao último ensaio, até porque a parte dele da coreografia estava mais que definida.

"E daí? Quinn e Rachel nunca se bicaram" – Tina continuava cética.

"Mas agora Quinn ameaçou sair do coral e ameaçou arrastar Finn junto. Sam disse que sairia para ser solidário. E quando Puckerman soube, ameaçou bater tanto em Finn quanto em Sam" – Lauren explicou melhor.

"Eu ainda acho que a melhor solução é expulsar Berry!" – Santana cruzou os braços – "A gente pode se sair muito bem sem ela".

"Santana!" – Brittany a olhou feio – "Rachel é importante! Somos uma família, lembra?"

"Tanto faz!" – Santana revirou os olhos – "Conheço Quinn. Eu sei muito bem que ela é uma bitch e nem está tão interessada assim em Finn. O problema dela é todo com aquela anã. É só Rachel recuar um pouco e tudo ficará bem."

"O problema é fazer Rachel recuar" – Mercedes lamentou – "Kurt, você é o único que ela ainda ouve um pouco..."

"Não desta vez!" – Kurt lamentou – "Desta vez precisamos fazer uma intervenção, com todos nós presentes. Quinn e Rachel não vão poder ignorar a todos nós".

Tina suspirou. Ela estava comemorando cedo demais por uma semana tranqüila e sem maiores dramas na escola. Era até permitido ter uma semana de tédio, numa uma semana inteira. E era sempre os mesmos personagens centrais. Quando não era o triângulo Rachel, Finn, Quinn, era Santana que aprontava alguma. E quando não era nenhum desses quatro indivíduos tinha algum drama menor envolvendo os outros integrantes. Mas quase nunca com Tina ou Mike. Às vezes Tina pensava que ela gostaria de ser mais garota-problema ou que tivesse mais presença frente ao grupo. Mas não era da natureza dela, por mais que ela tentasse. Tina sempre seria a garota quieta que estava ali para dar suporte a todos os outros.

Era Tina quem secretamente ouvia alguns dos desabafos de Santana. Não que a colega se abrisse tanto assim, mas o pouco que ela falava parecia ser importante, até porque Santana tinha necessidade de conversar com alguém que não fosse Brittany. Tina foi a primeira e única a saber quando "Samtana" rompeu. Depois de "Trouty Mouth", que Tina sabia desde o início que daria confusão, Sam foi conversar com a então namorada, mas Santana simplesmente revirou os olhos e disse que o acordo deles estava encerrado. Tina não soube que acordo era esse, mas foi o que ouviu da boca da colega.

Não apenas Santana. Mercedes e Artie a procuravam constantemente para conversar. Ela particularmente gostava de ficar com Mercedes, que adorava falar duas mil e uma bobagens. Artie desabafava sobre as inseguranças que ele tinha em ficar com alguém tão desejada quanto Brittany. Tina também era presença constante em qualquer encontro de grupo. Em resumo, ninguém dava crédito, mas ela era a única do Glee Club que tinha uma boa noção do que se passava com todos os outros. Uma pena que o contrário não acontecia. Quem a ouvia? Todos estavam tão concentrados em seus próprios umbigos que Tina muitas vezes se perguntava se a vida dela era suficientemente interessante para despertar algum interesse nos colegas.

Não é verdade, eu até que acho a minha vida interessante.

Claro que é!

Então qual a razão do sarcasmo?

Não é sarcasmo, é um fato: você é a pessoa mais legal do seu grupo de amigos, mas ninguém realmente liga pra ti. O que é uma baita contradição, não acha?

Sim...

Daí você procura chamar a atenção deles de outras formas: no seu vestuário, nos seus cabelos azuis, nas suas lentes de contato.

É uma questão de moda e estilo.

E também uma forma de você dizer: eu existo e também posso ser excêntrica. Uma pena que isso não te faça ser tão legal como você naturalmente é. Não passa de uma alegoria.

Está insinuando que o meu estilo é falso?

Estou afirmando que isso não te faz ser mais ou menos legal. Não quer dizer que ache isso errado ou desnecessário.

A hora do almoço chegou. Tina foi com Mercedes e Kurt seqüestrar Rachel. Santana, Brittany e Lauren foram seqüestrar Quinn. O alvo número um estava com o olhar fixo em seu alvo favorito: Finn. Tina podia dizer que Rachel estava armando mais um plano para tentar separar Finn de Quinn. Oh não, isso teria de esperar!

"Rachel!" – Mercedes gritou do fim do corredor, desviando a atenção da pequena diva – "Fique paradinha aí".

"Olá minhas caras colegas de Glee Club. Eu apreciaria imensamente conversar com vocês, mas eu preciso resolver um assunto com urgência e ficar parada aqui para uma conversa edificante com as três vai ter que ficar para outra hora".

"Acho que você vai ter que mudar de planos, querida!" – Kurt sorriu obstruindo a passagem da colega.

"Você vem conosco, Rach, por bem ou por mal" – Mercedes foi mais enfática.

"Isso é ridículo!" – Rachel tentou passar por Kurt, mas Tina ajudou a reforçar a barreira.

"A sua obsessão pelo Finn é que já chegou ao ridículo!" – Kurt disse com mais firmeza – "Isso acaba aqui, Rachel Berry! Você deveria baixar a bola e nos acompanhar."

"Quem são vocês para dizer o que devo ou não fazer?" – Rachel apontou o dedo contra o peito de Kurt.

"Tina, Kurt, peguem as pernas" – Mercedes disse já segurando a pequena diva por trás, passando os braços dela por debaixo dos de Rachel.

E essa foi a cena. Kurt segurando uma perna, Tina da outra e Mercedes sustentando o tronco da colega. Rachel tentou espernear e se contorcer para se libertar, mas o trio continuou o caminho até a sala de ensaios do Novas Direções. Claro que os demais alunos do colégio não deixaram passar tamanha cena pitoresca e registraram em seus celulares a passagem da diva carregada pelos colegas enquanto gritava feito uma louca. Seria sucesso no YouTube. Ao chegar na sala de ensaios, eles praticamente jogaram Rachel no chão. Tina correu para fechar uma das portas e garantir que a conversa tivesse o máximo de privacidade. Minutos depois entraram Lauren carregando Quinn em seus ombros como um saco de batatas. Santana estava de braços cruzados e com jeito de quem estava se divertindo com o ridículo da situação. Brittany fechou a outra porta.

"Rachel e Quinn..." – Kurt indicou duas cadeiras e as empurrou um pouco mais à frente – "Tomem seus lugares".

"Eu não vou sentar ao lado dela" – Quinn esbravejou – "Meu médico recomendou que eu fique no mínimo cinco metros de distância deste ser".

"Como se eu desejasse ficar próxima de uma desalmada, manipulativa e falsa!" – Rachel esbravejou.

"E eu pensando que isso seria chato!" – Santana reclinou-se no piano ao lado de Tina, que discretamente concordou.

"Viu! Esse pequeno animal pode me causar um dano físico" – Quinn era a perfeita HBIC.

"Quinn!" – Brittany gritou – "Senta!" – estranhamente a outra loira tinha esse efeito nas pessoas quando se fazia notar. Quinn arregalou os olhos e se sentou. Mas de um jeito como de quem não perderia jamais a pose – "Rachel! Você também!" – apontou para a cadeira ao lado.

Santana sorriu. Estava excitada com a atitude durona da mulher dela. Bom, não oficialmente ou publicamente, mas isso não a impedia de apreciar. Tina, mais observadora, olhou com atenção para o quadro da sala. Rachel e Quinn sentadas lado a lado, Mercedes, Kurt e Brittany imediatamente à frente das duas. Lauren estava mais afastada enquanto ela e Santana estavam ali mais de expectadoras privilegiadas.

"Rachel. Todo mundo do grupo já entendeu em mais de uma ocasião que você quer Finn de volta" – Kurt retomou a palavra – "Mas o que você está fazendo passa dos limites do aceitável. Você está agindo como uma sociopata! Isso tem que parar!"

"Eu sempre disse isso!" – Quinn revirou os olhos.

"E você Quinn? É justo que você coloque o seu relacionamento acima do Glee Club e você tem razão em reclamar de Rachel. Mas você não pode querer comandar a vida das outras pessoas como se fossem bonecos ou meros seguidores de vossa majestade! Você pode até querer sair do Novas Direções ou querer proibir que o seu namorado falca duetos com Rachel... que aliás, seria até um refresco para o grupo todo... – nessa hora, Rachel fez mais uma vez expressão de ofendida, colocou um bico no rosto e cruzou os braços – "Mas você não tem o direito de fazer campanha para fazer outras pessoas saírem".

"Não quando estamos tão perto das Nacionais!" – Mercedes completou.

"Eu paro com a campanha e fico no grupo... se ela ficar no lugar dela!"

"Você sequer ama Finn!" – Rachel acusou.

"Isso não é da sua conta. É como que ele está nesse momento e você deveria, ao menos, se dignificar em ficar na sua! Se Finn e eu vamos terminar amanhã ou vamos viver felizes para sempre definitivamente não é da sua conta, Rachel! Pára que querer viver essa droga de vidinha idealizada de Broadway, fama e o maridinho matuto, namoradinho de infância à tira-colo! Existem outras pessoas no mundo que não você!" – Quinn rebateu.

"Todo mundo via que você era mais feliz quando estava com Sam! E ele contigo! Diz a verdade, Quinn, você só está com Finn para manter essa sua patética popularidade!"

"Eu gosto do Finn!"

"Eu amo Finn! Eu é que deveria ter o direito de ser feliz com ele!"

"Foi ele que terminou contigo porque você o traiu... com Puck!"

"Deixa de ser hipócrita! Você traiu Sam... com Finn".

"Finn não é inocente!"

A discussão foi longe e Tina ficou tensa quando as duas precisaram ser separadas. Brittany segurou Quinn de um lado e Mercedes conteve Rachel. Kurt e Lauren ficaram no meio do caminho tentando conter os ânimos e como barreira caso alguma das duas escapasse.

"Isso é patético!" – Santana não estava impressionada com a confusão. Sim, ela apreciava uma boa briga, mas tinha um prazer secreto de protagonizar a confusão, não de ser mera espectadora.

"Tenho que concordar!" – Tina comentou sem se preocupar em falar baixo diante da gritaria que os outros estavam fazendo na sala – "Quinn está sempre certa quando fala de Rachel. E Rachel sempre está certa em tudo que fala de Quinn. Mas uma nunca pode recuar diante da outra por serem duas forças opositoras. Mais ou menos como você e Brit. A diferença é que Brit é sua melhor amiga enquanto Rachel e Quinn são as melhores inimigas. A impressão que eu tenho é que Finn é só uma desculpa para manter essa guerra, sabe, uma razão que elas encontraram para continuar disputando espaço contra a outra. Se ao menos elas usassem essa energia ao nosso favor, nosso grupo seria imbatível... teríamos equilíbrio de forças entre a potência de Rachel e a suavidade de Quinn, com todos nós fazendo a devida escala entre as duas usando sempre o que temos de mais forte. Somos nós, as mulheres, que fazemos essa diferenciação, porque, tirando Kurt, o tom de voz dos meninos é muito próximo! Não temos ninguém com voz de Elvis Presley ou que possa cantar como Steve Tyler ou gritar como Robert Plant. Cadê o nosso rock'n'roll? Não temos Kurt Cobain. Se ao menos o professor Schue pudesse participar das competições... infelizmente não é possível. Então somos nós, as mulheres, que temos esse poder de diferenciação nas músicas. Rachel e Quinn têm papel fundamental nisso, mas não! As duas são egoístas demais."

"Tina, quando você se ficou tão esperta?" – Santana sorriu.

"Sempre fui, Santana. Você é que nunca prestou atenção!"

"Você é como a Brit: as pessoas não dão o verdadeiro crédito!"

De repente as duas perceberam que a gritaria havia acabado e o restante do grupo estava emudecido, olhando para as duas encostadas no piano. O silêncio reinou durante alguns minutos a mais.

"Bom..." – Rachel foi a primeira a falar, olhando para baixo – "Eu acho que posso erguer a bandeira branca da paz" – e encarou Quinn – "Acho que andei exagerando um pouco... vou procurar não ser tão invasiva na sua relação com Finn".

"É só o que eu peço!"

"Talvez eu deva mudar de grupo..."

"Você será bem-vinda no meu grupo" – Mercedes sorriu.

Mais um drama encerrado. E Tina foi a heroína inesperada. Não seria surpresa se os amigos dessem mais crédito. Tina não era apenas a pessoa mais legal, como também era uma das mais lúcidas. A não ser quando o assunto era Mike. Aí ela derrapava aqui e acolá por amá-lo demais. Um a um, os integrantes foram saindo da sala de ensaios. Haveria reunião de todo o Glee Club no final das aulas, mas o importante era que essa crise imediata havia passado. Tina encontrou com Mike no final do quinto período. Ele ia se arrumar para o treino de futebol, enquanto Tina fazer as tarefas de casa na biblioteca junto com Mercedes, Brittany e Santana. Enfim a calmaria.

Depois das apresentações e da discussão sobre as próximas músicas originais que deveriam ser apresentadas no campeonato nacional, Mike e Tina pegaram a motocicleta e voltaram para casa. Uma turma iria passar no café, mas a menina decidiu que ela já tinha tido o suficiente por um dia. Tina ficou secretamente feliz por não precisar ia à casa da sogra. Eles sim, eram asiáticos com tradições rigorosas e ela simplesmente não se sentia muito bem. Gostava do liberalismo e da lucidez que existia dentro de casa.

Encontraram Lisa dentro do estúdio no porão fazendo a finalização da arte no computador. Ela tinha o hábito de desenhar na tela comum, com tintas pastel, antes de jogar pro computador e fazer o acabamento. Assim ela tinha mais liberdade de estudar ângulos e enquadramentos de uma determinada cena. Diziam que era por isso, por causa dos detalhes das pinceladas e por causa da textura, que os desenhos das capas de Lisa Cohen eram tão admirados.

"Mãe... chegamos!" – Tina e Mike desceram até o porão.

"Essa capa está maravilhosa!" – Mike elogiou. Ele era, de verdade, muito fã do trabalho da sogra.

"É para uma edição especial de Hellboy" – Lisa sorriu – "Estão com fome?"

"Um pouco! Estava conversando com Mike em fazer um lanche e ver um filme".

"Faça melhor: peça uma pizza! Eu estou azul de fome e preciso de algo consistente no estômago... preciso de carboidrato, entendeu?"

Tina acenou para a mãe e sorriu. Não era só Tina que era uma pessoa legal: a mais legal de todo o Glee Club. A família dela também era e ela considerava que a mãe tinha o emprego mais bacana entre os pais de todos os amigos. Pegou a mão de Mike e os dois subiram as escadas para a cozinha. Pizza de calabresa era a favorita de todos.

"Será que depois a gente..." – Mike sorriu.

Tina também sorriu e acenou positivo. Mais tarde, os dois dariam um jeito de escapulirem para dormirem juntos. E Tina adorava o fato da fama a respeito dos homens asiáticos ser uma injustiça: pelo menos no que se aplicava ao seu belo namorado. A vida era mesmo boa!

...

Próximo capítulo:

Que dia, Santana Lopez!