Capítulo 4
Ele tinha dito, tinha dito com todas as letras. Tinha dito "eu te amo". Como fica uma amizade depois disso? Como fica um mero olhar nos olhos, depois que se sabe? Não era querer, não era sonhar, era amar. Amar. Amar do fundo do coração. Ela se sentiu tocada. Ela quis tentar. Ela realmente, de todo o coração, quis.
E se não desse certo? E se desse? Seria estranho, não seria? Ela o amava também? Se deixou beijar, e o toque mais leve, mais desajeitado, mais inocente... foi a faísca que dá origem ao fogo, o fogo que dá origem a maior das explosões. Jamais poderia supor que seu corpo reagiria a ele daquela forma. Era todo o tempo sem ninguém? Oh, não. Era ele, ela estava bem certa. Como magia. Ele. O homem certo, para a mulher certa, no momento certo. A surpresa foi que não tivesse acontecido antes. Que nunca antes tivesse sequer suposto que poderia ser. Estava tão claro agora! Claro como o dia!
Não, Minerva não era o tipo de mulher que se atirava a fazer impulsivamente o que quer que fosse. Antes pensava, pesava, repensava e repesava. Mas mesmo as mais arrozoadas mentes, por vezes se deixam levar... isto é, quando o coração garante que este é o caminho, quando o coração chama, quando grita que é por aquilo que vinha esperando, que é aquilo que vinha procurando, quem sabe há quanto tempo... quando exige, e o faz em um tom muito firme. Sem ponderar, cada músculo, cada pedacinho de pele, se vê tomado por uma estranha sensação: a de que de repente tudo parece fazer sentido. Tudo o que? Não importa. Fecham-se então os olhos, respira-se fundo... e se lança ao maravilhoso desconhecido, que estranhamente parece ter gosto de casa.
Ela não tinha a menor ideia do que estava fazendo. E não queria pensar. Pensar demais era seu mal e ela bem sabia. Não era mais preciso. Podia confiar nele, e agora podia confiar nela própria também. Estavam a sós e estavam sendo sinceros, que mais importava?
Seria agora.
Quando o tomou pela mão e o conduziu ao quarto, esqueceu-se de quem era ela, de quem era ele... de por que não, de por que sim... de tudo... Forçou-se a esquecer de se perguntar como, quando, e do que seria amanhã. Fingiu que o agora não teria fim. Nunca. Sempre. Em toda parte.
Em noites mal dormidas, pensava nele. Em sonhos nebulosos via seu rosto. Tinha estranhos impulsos que não podia explicar. Essa era a verdade e agora estava claro, finalmente entendia. Os olhos dele, os lábios entre-abertos... aquela barba... sentí-la sobre seu corpo tinha, em poucos minutos, se tornado urgência.
Depois de tanto tempo sem saber o que fosse outro corpo, ela não sabia de onde vinha tanta vontade. Era como se seu sangue de repente tivesse começado a borbulhar lá dentro das veias. E tudo tinha começado com um simples beijo. Simples? O que tinha de simples nos dois, juntos, como um casal? Tudo. Nada. Quem sabe? E funcionaria, não funcionaria? Já funcionava, e ela sabia muito bem.
Já funcionava. Funcionava.
Logo mãos correram pela colcha bordada, sentindo a textura dos nós entrelaçados. Mãos correram por uma barba branca e tão macia. Mãos correram por sobre tantas camadas de tecido, avivando mais e mais aquela chama secreta. Mãos correram. Correram e cobriram lábios quentes, ganhando beijos. Beijos ganharam beijos. Beijos correram pela pela nua. Pele nua correu por pele nua, cobrindo-se, colando-se, roçando graciosamente, a compor um abraço faminto, de uma fome que não se sabia estar lá. Onde estavam as roupas? Quem tinha tirado os botões das casas, aberto os feixos? Os cabelos cor-de-noite eram como seda, e as unhas bem-feitas, como garras que conduzem ao sacrifício mais doce. Um entre-abrir de lábios, um suspiro fugido... e um lento deleite. Um, apenas. E o entendimento mais completo. Como nunca tinham feito isso antes? Como tinham aguentado? Ela admitia, agora parecia tolice evitar: há muito o queria, há muito o tinha como seu homem, mesmo sem os beijos, mesmo sem o toque... há muito tinha se entregado a ele, não de corpo, não, mas de alma. Seu corpo agora reconhecia isso não como algo novo, mas... especial sim, profundamente especial.
Séculos. Séculos se passaram. Séculos que poderiam não ter fim. Séculos de respiração acelerada. Séculos de se sentir em casa, seguros, certos de que tudo estava perfeito, exatamente como devia ser. Séculos da mais melancólica alegria, e da dor mais prazeirosa de todas. Séculos de um rápido gemido entrecortado, de um curvar de costas, de uma incessante busca pelo já vislumbrado... de quando os olhos lembram...
Nunca. Nunca e sempre. Porque não há contradição quando se ama com a alma... quando o gozo do corpo não faz mais que expressar algo já há muito sentido.
Ele tinha seus seios nas mãos, como também tinha seu coração, assim, tão fácil... tão macio... tão forte... e mordia, e lambia a curva do pescoço... respirava quente, rápido... rápido...
– Mais... mais rápido... – ela implorava, tão próxima... tão próxima... – Albus...
Um gemido rouco lhe encheu os ouvidos, fazendo queimar como pólvora algo lá dentro. E então o doloroso fim. O deleitoso fim. E todo o corpo se largando, e se entregando logo ao sono mais perfeito de todos. Finalmente com o calor de outro corpo a aquecendo noite à dentro.
N/A: Curtinho, eu sei, mas prometo que a próxima atualização não demora, ok? :) será que mereço um review? ah, por favor, digam que sim!
Mamma Corleone: Maaaaaaaaaamma! Que saudades, guria! Aaah, desculpa, vai? Te mando um superbeijo e um superabraço agora! Vê se não some não, viu? Que bom que tu gostou das minhocas da minha cabeça, heheheheh! Tenho cada idéia! é, eu sei xD coitadinhos, cada coisa que faço eles passarem! Mas ao menos rende umas risadas, né não? Isso é o que importa!
