Capítulo 5

Minerva acordou no meio da noite, com o peso de um corpo sobre si e uma mão masculina sobre seu seio desnudo (que conveniente lugar para se pousar a mão, ao adormecer!). Ela gostava de reparar em mãos e em barbas mais do que em qualquer outra parte, e as dele (tanto as mãos quanto a barba) sempre tinham lhe agradado particularmente. Sorriu mesmo antes de abrir os olhos. Depois, lenta e preguiçosamente, se desvencilhou dele a se sentar na cama. Passou a mão nos cabelos... os tinha soltos e bagunçados, e tinha também um brilho raro nos olhos. Escondeu o sorriso largo com as mãos, como a que tentar não rir. Lembrou-se de Pomona Sprout, isso mesmo, Pomona Sprout... com 15 anos, lhe perguntando qual dos professores ela achava mais bonito. Na época, tinha tido vergonha de admitir, mas agora... ele sempre tinha sido o mais bonito sim, ao menos de acordo com seu gosto particular. A despeito das rugas, dormia como um menino... e que encatador que era, assim ressonando, largado tão tranquilo sobre e entre seus lençóis e cobertas, seus próprios lençóis e cobertas! Quando imaginaria? Mal podia acreditar no que tinha feito, no que tinham feito... e não podia negar o quanto estava feliz por ter acontecido.

Olhou em volta, as cortinas se balançavam calmamente, entrava um brisa fresca pela janela que tinha sido esquecida aberta. Ela, com cuidado para não acordá-lo, saiu de baixo das cobertas e se levantou da cama, o ar gelado logo veio de encontro com sua pele quente, a fazendo sentir arrepios. Sem demora, se cobriu com seu roupão xadrez, o sorriso ainda estampando os lábios. Em um instante, tornou-se gata, correu até perto da janela e tornou-se mulher mais uma vez... Queria mesmo é sair a correr em torno de todo o castelo, ou dançar! Dançar até de manhã! Lá fora estava escuro, e, sem uma núvem no céu, as estrelas cintilavam como os olhos dele, em torno de uma sutil lua crescente. Tornou a olhá-lo, e ali estava, estendido sobre a cama, um dos joelhos dobrados e o outro não... podia ver boa parte de suas costas nuas, uma cicatriz que não sabia existir, os ombros mais largos do que teria imaginado... Fechou a janela, deixando as cortinas como estavam. Foi ao banheiro, voltou, olhou-se no grande espelho de parede que tinha junto do armário e, do alto de seus recém-completos 40 anos, se achou bonita, jovem. Viva. E cheia dessa deliciosa energia radiante, olhou pra ele mais um pouco (que querida visão!), se aproximou da cama...

O que seriam dali em diante? Seriam amantes? Ela quis rir, acabou por mordiscar o lábio. Amante de Albus Dumbledore? Mulher de Albus Dumbledore? Sorriu, fechou os olhos e pôs essas ideias de lado, para voltar pra cama e engatinhar até seu lugar. Com muito cuidado, muito lentamente, a não atrapalhar-lhe o sono.

Ele se mexeu mesmo assim, balbuciando algo ininteligível. Rolou para o lado, deitando-se de costas. A barba para o lado deixava ver o peito... ele tinha uns poucos pelos brancos bem no centro... era bastante magro, como imaginava, magro e claro, com sardas espalhadas por toda parte. Ao mesmo tempo que ela não o queria acordar, incomodar, queria tocá-lo, conhecê-lo, descobrir dele tudo que ainda não sabia. Curiosidade felina? Talvez.

Lentamente, chegou bem perto, se inclinando sobre ele... os lábios dele, ligeiramente entre-abertos, convidavam a roubar um beijo... eram tão macios aqueles lábios... tão doces... Ela sempre o tinha imaginado carinhoso e gentil, e ele de fato o era, na verdade muito mais do que ela antes supunha. Devia ser todo aquele açúcar que consumia. Ela quis rir desse pensamento tão bobo, mas mais uma vez se conteve. Com muito cuidado, ela levou a mão ao rosto dele, fazendo um carinho leve. Sem nem mesmo pensar, os dedos dela acabaram correndo para os lábios de Albus. De repente, ele a mordeu de leve. Ela deu um pulo.

– Albus! Que susto!

Ele abriu os olhos, rindo. Então se ajeitou na cama, a trazendo mais pra perto de si.

– Estava me olhando... – Não era uma pergunta.

– Achei que estivesse dormindo.

Ele sorriu.

– Eu estava. Mas tenho o sono leve.

– Hm, que grande anfitriã eu sou! Nem mesmo deixo meu hóspede dormir à noite. – Ela soltou um muxoxo.

– Não precisamos dormir realmente... e, se quer saber, estou gostando muito da estadia, é um ambiente muito agradável. – Ele sorriu de canto.

– Temos ambos que acordar bem cedo amanhã, e sabe disso.

– Sou o diretor desta escola e oficialmente a dispenso de todas as aulas até o horário do almoço.

– Não seja tolo! – Ela riu.

Ele, então, fez menção a se levantar. Ela lhe deu espaço.

– Volto em um minuto. Não saia daí. – e lhe deu um beijo rápido nos lábios, para então saltar da cama e sumir através da porta do banheiro.

Minerva deitou na cama, se esticou... levantou-se, por fim. Depois de uma busca rápida pelo chão, encontrou algumas de suas peças de roupa. Procurava especificamente por sua calcinha, mas não a achou em parte alguma. Buscou outra em uma das gavetas do armário, vestiu-a, abriu uma das portas a escolher uma camisola... esta não, aquela... não, essa outra definitivamente não... bem, esta, talvez... Mas foi só levar a mão ao cabide para tê-la sobreposta por outra mão, ao mesmo tempo que uma terceira lhe envolvia a cintura.

– Albus...

– Hmm, já está vestindo roupas demais, meu amor.

Era a primeira vez que ele dizia assim dessa forma. "Meu amor". Minerva só pode sorrir.

– Está frio.

– Voltemos pra cama, então. – ele sossurrou ao pé de seu ouvido – Eu a manterei aquecida.

Como protestar?

– Está bem... – Minerva disse, voltando-se a ele, que expunha descaradamente toda sua nudez, sem a menor sombra de constrangimento (ou frio, a despeito da temperatura que fazia).

– Então podemos deixar isso aqui? – ele perguntou, já levando as mãos a desatar-lhe o roupão. Ao abri-lo, suspirou longamente... a olhando como sempre quis olhar, correndo as mãos pelo corpo dela com delicadeza e carinho. – Minerva... você é tão linda! Tão linda!

Vinha da parte dele com tanta sinceridade, com tanto amor... que era impossível não acreditar. E era tão bom ouvir! Tão bom ver no fundo dos olhos dele tamanha adoração! Sobretudo por ser tão semelhante ao que ela também sentia por ele.

Albus se abaixou devagar, com intenções muito claras: escorregar pernas à baixo uma desagradável peça de roupa branca, rendada, que ele teria achado bastante bonita se não estivesse tão mais interessado em vê-la sem nada. Ela não reclamou, antes sorriu de canto, o achando deliciosamente atrevido.

Abaixado ali diante dela e de suas, digamos, tão imaginadas formas, a calcinha já de lado, só lhe restava levantar-se mais uma vez a se livrar agora do roupão, último infame pedaço de tecido que ainda se atrevia a tentar ocultá-la de seus olhos. No entanto, já não sendo mais tão atlético quanto um dia tinha sido (o que, mesmo naquela distante época, já não fora tão impressionante assim), por querer levantar-se de modo dramaticamente lento, enquanto ia depositando uns beijinhos doces por sobre a pele dela... acabou perdendo o equilibrio e cambaleando para o lado do armário. Instintivamente, levou a mão a se agarrar em qualquer coisa, e acabou caindo com muito pouca graça e levando consigo algumas peças de roupa arrancadas dos cabides.

– Albus! – ela não sabia se ria ou se se assustava. Mas o vendo levantar-se muito ruborizado, com cara de quem finge que nada aconteceu... acabou rindo. Riram-se ambos. – Você está bem?

– Estou bem, está tudo bem. – Ele disse, pensando em como devolver as peças de roupa ao lugar de onde as tinha tirado. Mas Minerva acabou por puxar-lhe pelo braço, dizendo:

– Deixe isso aí, não se preocupe... Venha, venha pra cama.

– É uma ótima ideia, minha cara.

Pouco depois, sem nenhuma peça de roupa inconveniente os separando, já se aconchegavam um junto do outro, debaixo de grossas cobertas de pena. Havia muito pra ser dito, e, ao mesmo tempo, nada. Havia a necessidade de se conversar sobre o rumo que tudo aquilo tudo teria, e a vontade de procrastinar ad eternum o fim daquele momento tão tranquilo tão... completo, bom, especial. Tentando aproveitar ao máximo o calor do corpo dela, o seu perfume, o seu contato... ele a abraçou com carinho, fechou os olhos e suspirou silenciosamente... Passaram-se alguns instantes de silêncio, nenhum dos dois com sono, trocavam apenas carinhos muito castos. De repente, ela perguntou:

– O que você via na penseira?

– Uh?

– Quando eu entrei... sabe, eu fiquei curiosa. Gostaria de ver.

– Er... eu não sei se...

– Vamos, diga que me mostra.

– Ahm, Minerva, eu acho que...

– Está corando! Albus Percival Wulfric Brian Dumbledore, o que estava vendo naquela penseira?

Ele riu, sem graça.

– Você vai me mostrar a memória.

– Não, eu acho que não...

– Oh, sim, você vai. Amanhã mesmo.

– Não.

– Vai sim.

Riram ambos, agora ela se aproximando mais... trocaram um beijo, dois... cinco... e as mãos dele foram descendo... os carinhos, devagar, se transfigurando em outros, de outro tipo, um tipo muito mais vivo, muito mais quente. Os corpos, naturalmente foram se encaminhando a encaixar-se um ao outro, cada pedacinho... reagindo e borbulhando como os ingredientes de uma poção mui simples, mas também mui poderosa... um suspiro pesado e um franzir de cenho, os lábios entre-abertos... e, muito lentamente...

Oh, sim, aquilo sim... aquilo sim era... bom. Como era bom! Merlin! Em toda a Terra, não poderia haver nada melhor...!

Em pouco tempo, o calor debaixo das cobertas se tornou insuportavelmente sufocante. Tiveram que ser afastadas, e a pele úmida de ambos, cruelmente exposta ao ar gelado da noite. E a isso não houve protesto de nenhum tipo, antes um estranho alívio. Como se só deste modo o fogo que crescia dentro deles pudesse ser controlado, a tornar mais longo o momento. Isso era mister. Ter tempo o bastante para gozar de cada sensação, cada toque, cada som... desvendarem um ao outro um pouquinho mais, conhecerem-se, prestando atenção a cada centímetro inédito, a cada nova reação... beijar cada pedacinho de pele ainda não beijado, memorizar cada mínimo detalhe, a poderem se sentir perto um do outro mesmo quando não pudessem estar.

Se ela, de início, cogitou a possibilidade de se valer do sexo para convencê-lo de algo, esse logo se revelou ser o mais tolo de todos os planos. Uma vez em seus braços, lhe era completamente impossível interromper o curso natural das coisas; digamos apenas que Dumbledore era mesmo um homem muito persuasivo e envolvente. Ela também não demorou a descobrir o quanto ele gostava de vê-la terminar antes, e, em nome de Circe, que se saiba que poucas qualidades podem ser tão desajáveis quanto esta em um bom amante! E, inacreditavelmente, a ela lhe parecia que este homem tinha não só todas, como ainda mais algumas além. Talvez fosse o encantamento da primeira noite, ou talvez... sua alma gritando pra que ela não o largasse NUNCA mais!

Madrugada à dentro, acabaram por adormecer um nos braços do outro. Desta vez para só acordar de manhã. Depois daquela noite, ela não o largou nunca mais.


N/A: Gente, MIL DESCULPAS por quebrar a promessa de atualizar logo. Demorei horrores, eu sei. Escrevi a primeira metade do cap e travei, é uma desgraça sempre que isso acontece. Penei até recuperar minha inspiração, maaaas, aí está! Espero que tenham gostado do capítulo. Agora só falta mais um. :)

Pearll e Deia, obrigada pelos reviews, gurias, sempre fico feliz em vê-las acompanhando as histórias! E mais feliz ainda em saber que estão gostando, heheh. Um beijão pras duas e apareçam sempre, viu?