Eu não pretendia continuar, mas como pediram, aqui está a parte dois! Obrigada pelas reviews! XD
Disclaimer: Naruto pertence a Kishimoto Masashi-sama!
To Hatake Yuuki
Um presente de Akamaru? – Parte II
O sol já se começava a se pôr quando as duas kunoichis de Sunagakure terminaram seus afazeres na vila da Folha. Afazeres que se mostraram um tanto chatos e cansativos, já que se limitavam à burocracia e um incessante subir e descer de escadas. "Não, não, isso é no segundo andar"; "Para resolver isso só no quartel jounin"; "Esses documentos precisam ser assinados pela hokage"...
- Cansada? – Temari perguntou a sua nova companheira de assuntos de Konoha.
- Um pouco. – Miaka respondeu. – Todas as suas viagens para cá são assim?
- Não. – Temari riu. – Na época do exame chuunin é mais divertido. Principalmente quando sou fiscal.
- Pobres gennins... – Miaka imaginava como deveria ser aterrorizante para os novatos gennins terem uma fiscal como Sabaku no Temari.
- Voltamos para Suna amanhã, certo? Aproveite para descansar um pouco. Acho que sua primeira missão diplomática te cansou.
Miaka sorriu, assentindo. De fato aquela missão a deixara mais cansada do que pensara, mas lembrara-se do convite de um certo shinobi...
- Hmm... Temari-san, você sabe aonde fica o bairro do clã Inuzuka? – suas bochechas coraram de leve.
A irmã do Kazekage sorriu maliciosamente.
- Não. Mas não deve ser muito difícil para o Yukiko te levar. Embora eu ache que ele vá se recusar a te levar a um bairro lotado de cães.
Ao ouvir a palavra "cães", o belo gato rajado de Miaka grunhiu, os pêlos eriçados.
Miaka suspirou.
- Tudo bem, posso usar meu jutsu para farejar o local.
- Você realmente se interessou pelo Kiba? – Temari perguntou com uma pontada de incredulidade.
Miaka encarou a Sabaku, um sorriso arteiro brincando em seus lábios, deixando-a com cara de menina faceira.
- Do mesmo jeito que você se interessou pelo Shikamaru-san.
Temari corou descontroladamente e cruzou os braços, fechando a cara.
- Anda, vai logo. Te vejo amanhã às sete da manhã no portão de entrada. Não se atrase.
- Sim, senhora! – a Asakura disse, batendo continência.
Temari revirou os olhos. Aquela menina não tinha jeito, era inacreditável, uma eterna criança, mesmo já tendo dezesseis anos.
Miaka fez uma série de ins com as mãos e rapidamente sentiu a diferença em seu olfato. No mínimo, umas sete vezes mais apurado. Já podia sentir claramente a concentração de cheiro canino que só podia ser proveniente do bairro Inuzuka.
Em uma coisa ela tinha que concordar com Yukiko: cheiro de cachorro não era lá um cheiro muito agradável para os narizes felinos. E bom, tecnicamente, ela fazia parte desse último grupo.
Andou vagarosamente, aproveitando a bela paisagem de Konoha. A vila ficava ainda mais bonita sob a luz alaranjada do sol poente. Infinitamente mais bonita que Suna, na opinião da jovem kunoichi.
Konoha a fazia se lembrar do lugar onde nascera, a Vila Oculta da Pedra, aonde vivera até completar dez anos. Lembrava-se do quanto odiara ter que se mudar para a Areia, lembrava-se do quanto odiara o excesso de sol, a falta de umidade, do lindo verde que cercava sua vila.
Konoha, por outro lado, era como sua amada Pedra.
Exceto por um pequeno detalhe: o cheiro canino era mínimo lá; mas agora enchia seus pulmões de forma tão plena que a enjoava consideravelmente. Sim, ela chegara ao bairro dos Inuzuka.
Apressou-se em desfazer o jutsu e Yukiko pulou para seu ombro, completamente apavorado.
- Acalme-se, Yuki-chan. – ela murmurou, passando a mão no sedoso pêlo de seu querido gato. – Ninguém vai te fazer mal.
- Gatos por aqui? – a súbita chegada de um estranho fez Miaka pular, assustada.
- O-Oyasumi... – ela gaguejou, fazendo uma rápida reverência. – Procuro por Inuzuka Kiba-kun.
A kunoichi Inuzuka ergueu uma sobrancelha.
- Sério que você está procurando meu irmão? – o tom de incredulidade era claro em sua voz. – O que você viu nele?!
Miaka corou de leve, incerta sobre o que responder.
- Desculpe-me a falta de educação. – a irmã de Kiba disse, notando a total falta de palavras da outra. – Sou Inuzuka Hana, irmã mais velha do tapado que você está procurando.
Miaka sorriu, nervosa.
- Sou Asakura Miaka. Kiba-kun me convidou para vir aqui.
Hana ainda parecia incrédula. Estariam elas falando da mesma pessoa? Porque o Kiba que ela conhecia era tudo, menos o tipo de garoto que atrairia uma menina tão bonita como aquela.
- Siga-me, vou te levar até ele.
A caminhada foi rápida. Em três minutos estavam entrando em uma pequena casa de estilo oriental.
- Kiba! – Hana gritou. – Você tem visita!
Um forte latido, seguido do inconfundível barulho de passos no assoalho de madeira e logo Kiba e Akamaru estavam na sala onde Hana e Miaka esperavam.
Assim que viu a kunoichi de Suna, Kiba abriu um de seus sorrisos largos, expondo seus caninos afiados, típicos de um cão.
- Que bom que pôde vir! – ele disse, animado. – Estava imaginando se viria ou não.
Miaka sorriu.
- Como acabamos tarde só voltaremos amanhã. – ela explicou.
- Quer dar uma volta? Konoha fica mais bonita quando é noite. – ele ainda sorria, estendendo a mão para ela.
Miaka abriu um sorriso tímido e pegou a mão que o Inuzuka estendia para ela, o que fez Yukiko miar em protesto.
- Você ama Konoha, estou certa? – ela perguntou, enquanto andavam de mãos dadas pelas ruas, agora pouco movimentadas.
- Todos os ninjas daqui amam. É algo próprio de Konoha, dos ninjas daqui. Todos nós daríamos nossas vidas para proteger nossa vila.
Miaka abaixou o rosto, entristecida. O que ela não daria para sentir o que ele sentia...
- Algum problema? – ele perguntou, notando a súbita tristeza que apareceu no belo rosto da kunoichi.
- Não. Eu só... gostaria de poder me sentir como vocês. Chegar de uma missão cansativa e verdadeiramente poder dizer "Estou em casa agora".
- Suna não é sua casa?
- Não. Eu nasci na vila da Pedra. Meu clã é originário de lá.
- Sentia-se em casa lá?
- Sim.
- E por que foi para Suna, então?
- Meu pai e o chefe do clã nunca se deram bem, desde que eram crianças. Não me lembro bem o porquê, mas lembro que meu pai liderou um pequeno grupo de ninjas do clã num motim contra o chefe. É claro que foram impedidos. E expulsos da vila por traição.
- E então você foi obrigada a se mudar para a Areia.
- Sim. A Névoa e a Cachoeira não nos aceitaram. Mas a Areia nos recebeu de braços abertos. – uma pausa, um suspiro. – Sei que pode parecer ingratidão de minha parte, mas a Areia não é um lar para mim. Eu gosto do verde das florestas, da umidade do ar tropical. Suna tem tudo menos isso.
- Entendo. Você sente falta da vida no clã, não sente?
Miaka assentiu. Sentia muita falta de acordar todos os dias num bairro cheio de pessoas como ela, pessoas que podiam entender seu amor por animais, por gatos.
- Bom, se quiser, acho que um toque felino não seria de todo ruim para os Inuzuka.
Miaka o encarou, estupefata.
- Que quer dizer?
- Quero dizer que, se você quiser se mudar para Konoha, será muito bem acolhida por meu clã.
A kunoichi sorriu, os olhos brilhando por conta das lágrimas que insistiam em querer rolar por seu rosto.
- Você é um amor.
Kiba riu.
- Acreditaria se eu dissesse que você é a primeira a me dizer isso?
- Não.
- Mas acredite. Eu sou um monstro bruto pro pessoal daqui. É o que principalmente as meninas dizem.
- Sou obrigada a continuar não acreditando.
- Tudo bem. Fique uns dias por aqui e faça uma pesquisa. Pergunte principalmente para Haruno Sakura e Yamanaka Ino.
- Sério que você é amigo da kunoichi que salvou Kankuro-sama? – ela estava admirada.
Kiba revirou os olhos.
- A única coisa útil que a menina fez na vida e ninguém consegue esquecer.
- Não fale assim, Kiba-kun! Ela é comparável a sua Hokage!
- Bobagens. – ele bufou. – A menina é inútil, acredite.
- Por isso que te acham grosso.
- Agora concorda com eles? – um sorriso malicioso brincou nos lábios do Inuzuka.
- Não. – ela disse, quase sedutoramente.
Kiba passou uma mão pelos sedosos cabelos cor de mel da kunoichi.
- Mas é sério. Você pode vir, se quiser.
- Veremos. Não é assim tão simples.
Não muito longe dali, os sete membros remanescentes dos chamados "Nove Novatos", assistiam à cena, incrédulos.
- É sério que alguma menina consegue se interessar por aquilo? – Ino desdenhou.
- Realmente inacreditável. – Shikamaru resmungou.
- Do que você está falando? Você não é nada melhor. – Sakura metralhou.
Naruto riu.
- Melhor não falar nada na próxima, Shikamaru.
- Cala a boca, Naruto. Você é pior do que os dois juntos. – Sakura disse, lançando um olhar quase mortal para o Uzumaki.
- M-mas, mas, Sakura-chan! – ele choramingou.
- Não concordo com ela, Na-Naruto-kun! – Hinata disse, olhos baixos, rosto corado, dedos batendo um no outro.
- Valeu, Hinata! – o loiro exclamou, consideravelmente mais feliz.
- Parem de bisbilhotar e vamos voltar às nossas vidas. – Shino decretou, indiferente como sempre.
- Isso! Vamos comer! – Chouji gritou, animado.
- Ramen! – Naruto se juntou ao coro.
Os meninos se retiraram, deixando as três kunoichis para trás.
- Não é bom? – Sakura perguntou, sorrindo.
- O quê? – Ino disse, confusa.
- Ver que pelo menos um dos Nove Novatos conseguiu ser bem sucedido amorosamente.
Ino assentiu, um sorriso se abrindo também em seus lábios.
- É. Um de nós conseguiu.
- Acho que logo outros dois também vão conseguir, certo Hinata? – Sakura deu uma piscadela para a Hyuuga, o que a fez corar ainda mais.
- Do que está falando, Sakura-chan?!
Sakura riu.
- Vamos. Eles merecem um pouco de privacidade.
E seguiram os meninos, deixando o mais novo casal de Konoha a ver as estrelas.
