Naruto não me pertence, mas se pertencesse. ú.ú. O Sasuke, Gaara, Itachi Sasori, Neji e Kakashi seriam meus escravos sexuais. *¬* /apanhadasleitorasporserfominha
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Fé e Sangue
Epílogo
"Ele queria estar sozinho"
Apenas seus passos eram audíveis naquele beco frio e úmido. Ele sabia que não estava sozinho; mas isso não lhe causava medo de certa forma. Afinal, ele tinha em mente o que o esperava. As mãos, cujas já tiraram tantas vidas estavam agora relaxadas e escondidas pelos bolsos do Sobretudo. Os cabelos negros rebeldes e úmidos balançavam ao sabor da brisa gelada, entrando em contraste com a pele alva. Os olhos, como que incrustados em ônix, fixos em seu único objetivo.
Soberana dentre as altas construções, a Catedral estava próxima. Os arcos de entrada, dando sustentação a grande cúpula dourada. As portas altas. Tudo decorado com extrema riqueza. Ele não gostava de igrejas. Mesmo tendo nascido em uma. Irônico? Talvez...
Subiu a escadaria de mármore. Degrau por degrau. A noite era perigosa. Mais perigosa do que algumas pessoas podem imaginar. Protegidos pelo anonimato da madrugada, seres que não se revelam vagam livremente a procura de diversão, de sexo, de sangue... Tudo isso poderia ser somado naquela única noite sombria que recobria os pecados dos seres humanos. E de certa forma, de outras criaturas que vão muito mais além do que fantasias deslumbrantes e devassas de qualquer pecador. Bem, não para ele.
Já vira muita coisa nessa vida. Desde demônios sem chifres a anjos sem asas. Seriam humanos normais aos olhos dos outros... Ele caminha sobre essa terra há quase um milênio. Sempre solitário. Sem amigos, sem elos emocionais, sem vulnerabilidade. Sua vida era perfeita? Talvez... Afinal, emoções não servem para nada, apenas atrapalham, não? Mas infelizmente ele sentia. Estranhamente as sentia mesmo relutando do seu interior o máximo possível. Sentimentos humanos... São tão imprevisíveis.
Fechou os olhos quando se viu em frente a porta, podia sentir o cheiro de sangue. Inebriante. Seu maior pecado. Pousou a mão direita sobre a madeira maciça, os músculos se contraíram em súplica, em ardor. Sua sede era algo doloroso. Não importava o quanto bebesse ou comesse. Ela permanecia ali. Intacta, insaciável.
"O pior pecado é aquele que lhe agrada..."
Inclinou o corpo para frente, quase encostando o rosto na porta, suava frio, aspirava demoradamente o ar; seus olhos negros e impenetráveis procuravam por saídas, por salvação. Mas onde elas estavam nos momentos mais impróprios?! Simplesmente era um predador. Um predador noturno saboreando o aroma delicioso de sua presa. Predador que tinha autorização para caçar esta noite. Ainda entorpecido ouviu um revoar de asas atrás de si, seguido de uma risada maquiavélica. Demônios. Perseguidores de anjos e de humanos; visíveis apenas para aqueles que desejam, e este presenciava seu momento de cobiça. Depois se acertaria com ela, entanto agora tinha algo mais importantemente delicioso a ser feito.
"Panem nostrvm qvotidianvm da nobis hodie ""O pão nosso de cada dia nos dai hoje."
O estrondo da porta sendo arrombada ecoou dentro da grande catedral. As imagens de cristo sendo julgado, condenado e morto estampavam os vitrais de cores alegres da luxuriosa Igreja. Logo à frente o símbolo da maior injustiça feita ornava o altar. A majestosa cruz.
"passus sub
Pontio Pilato,
crucifixus, mortuus et sepultus,"
"padeceu
sob Pôncio Pilatos,
foi crucificado, morto e sepultado,"
Atraído pelo estrondo, duas pessoas saem exasperadas de uma porta próxima a sacristia. Dois padres. O mais alto e, aparentemente mais velho, segue até um interruptor. O silêncio é absoluto. "Click". Um grande lustre de cristal ilumina o altar, os padres e os primeiros bancos da igreja. As sombras formadas eram realmente horripilantes. O padre mais velho volta para junto do mais novo que deve ter 30 anos no máximo e que parecia aflito. Este está vermelho e soa como um porco... Além de se parecer com um. O pijama nada esconde da grande barriga que se insinua para frente.
"Gula"
A porta e o misterioso homem moreno ainda estão na penumbra. Ele não agüentava mais. O cheiro casa vez mais forte. Mais inebriante. Mais [b]devastador[/b]. Virou de costas para os clérigos, mas não se retira, apenas fecha as portas que abriu anteriormente. A sós. Finalmente... Ainda de costas, ouve o clamor do padre.
_Quem é você e o que quer na casa de Cristo meu filho! - É o mais velho que fala. Sua voz rouca mostra a dificuldade em se pronunciar.
"Medo. O medo transforma as pessoas..."
_Casa
de Cristo... Cristo nunca teve uma residência tão glamorosa como
esta padre. - A voz grossa e aveludada do moreno se fez presente. Tão
distante quando a do padre, entanto o tom usado por ele fez a pele de
ambos se arrepiarem instantaneamente. A morte nos acompanha desde que
nascemos. Fica como uma sombra, em um canto obscuro a nos observar
pacientemente. Esperando. Afinal... Assim que nascemos, começamos a
morrer lentamente, o tempo impiedoso não poupa ninguém.
O
padre mais velho sentiu que ela não estava mais em um canto
qualquer. Os pêlos da nuca arrepiados mostravam que ela estava ali,
no seu encalço a sussurrar-lhe no ouvido.
"nunc
et in hora mortis nostrae."
"Agora
e na hora de nossa morte"
_Quem pensa que é para adentrar neste solo sagrado durante a noite, e ainda insultá-lo dizendo tal importuno. - Mesmo de costas ouvia o som das bochechas do mais jovem tremendo enquanto falava.
Ele parecia ter uma batata na boca. Ah... O delicioso medo. O moreno virou-se para visualizar novamente sua refeição. Lentamente, seus passos o tiraram da penumbra, seu rosto um pouco contorcido no cenho revelava uma aparente tensão. Pode ver o olhar de alívio dos homens quando viram a lapela branca de seus trajes paroquiais, entanto o mesmo alivio tornou-se o mais puro horror quando se depararam com seus olhos. Os negros ônix agora eram dois pontos de luz vermelha. Vermelho do sangue. Sangue que representa tanto a vida quanto a morte. Afinal... O quê ou quem era aquele homem?!
_Sangue de Cristo tem poder. Vá de reto criatura demoníaca. Aqui o filho do demo não tem morada!! - O mais velho gritava agora a plenos pulmões, com uma cruz empunhada na mão esquerda. A voz rouca e levemente esganiçada era algo que assustava até a ele. - Te enxoto deste solo sagrado. Te repudio em nome de Deus todo poderoso.
O vampiro apenas sorriu de forma dissimulada, elegante e sarcástica. Carregava consigo uma cruz de prata pendurada no pescoço. Sem temer, segurou a delicada cruz entre os dedos levando-a até os lábios pálidos. Pálidos como a morte. Desenhados como os de um anjo. Contorcidos como o de um demônio.
_Também sou filho de Deus padre. Não tenho por que sair da casa de meu pai. Credo in deum patrem omnipotentem,creatorem caeli et terrae; (Creio em Deus, todo-poderoso, criador do céu e da terra.). - Em nenhum momento o moreno parou de caminhar vorazmente por dentre os bancos, o piso gelado. Agora estava ali, parado de frente para o padre. O mais novo e obeso correu sofregamente pela porta ao lado da sacristia. Mas isso não tinha importância. Não era ele que o vampiro queria.
_O que quer aqui? - Aturdido com o que estava acontecido, ele encarava os olhos rubros não conseguindo se mexer. Era como se seus pés fossem raízes presas no chão.
_Você pecou por muito tempo padre...
_Como... Como ousa dizer isso Satanás! – urrou.
_Sabe muito bem do que falo padre. - O vampiro rodeava sua presa, apreciando o cheiro de medo e terror exalado por ele. -... Sei que ainda tem as fitas guardadas sob a tábua de seu quarto. – sussurrou. – Fitas que mostram como gosta de crianças não é mesmo? Principalmente dos meninos... – Terminou com um risinho baixo e inaudível.
O que não deixou de ser apavorante.
_Ma-Mas co-como... - O frio era de gelar os ossos, entanto o padre suava frio com os lábios entreabertos. Como ele sabia?...
_Sim, aqui pode ser a casa de Deus, entanto é você que não tem o direito de permanecer aqui.
"nunc et in hora mortis
nostrae."
"Agora e na hora de nossa morte"
O clérigo sussurrava baixinho seu último pedido em latim.
"Peça-a, porém, com fé, em nada duvidando;
porque o que duvida é semelhante à onda do mar,
que
é levada pelo vento, e lançada de uma para outra parte."
Tiago
1:6
O vampiro por sua vez apenas aguardava pacientemente, afinal, aquela era a sua verdadeira identidade, mas não a sua "usual". Além de que até mesmo os condenados têm direito ao seu último pedido, não? O padre agora clamava a Deus por perdão. Mas como se pode perdoar algo imperdoável?
"Amém"
O rosto do homem banhado pelas lágrimas. Ele não teria piedade, afinal, o padre não tivera de suas "crianças". Passou lentamente a unha pela garganta do clérigo, com gosto, com ódio, com fome. Respingos de sangue molharam a altar imaculado. O moreno segurou o homem agonizante que arfava em pânico e levou seus lábios até o corte. Vampiros não existem, e ele não provaria sua existência deixando rastros. Sangue é algo indescritível. Sentir o líquido quente e viscoso escorrer pela garganta. O vazio no estomago preenchido de um modo delicioso. Um sopro de vida em seu corpo morto.
Ouviu o seu próprio coração bater quando o do padre parou e soltou o corpo ainda quente no chão. Sem vida. Ele caiu em uma posição meio estranha, entanto os olhos azuis estavam vidrados no altar. O vampiro seguiu o olhar do morto com o seu rubro e vazio; se deparou com o olhar benevolente de Deus. O olhar daquele que ama seus filhos como a si próprio. Ele se ajoelhou em frente ao altar e fez o sinal da cruz. Fechou os olhos e suspirou baixo. Beber sangue era algo extasiante, no entanto apenas a primeira sensação era maravilhosa. Logo depois vinha a culpa. A dor. A rejeição. Sentia como se os olhos benevolentes de cristo o estivessem julgando e condenando
"Ele queria estar sozinho, mas Deus está em todo lugar"
Sabia que não podemos julgar alguém por um erro... Mas possamos julgá-la por uma lista inteira. E era isso que ele temia vez ou outra. Era isso que temia sempre que cometia os seus pecados. Levantou sentindo o corpo mais forte, entanto o espírito mais fraco. Se é que ele ainda teria um espírito pelo qual zelar. Estava na hora de limpar a sujeira. Colocou ambas as mãos na extremidade do altar e empurrou para cima, derrubando e quebrando várias imagens de santos. O barulho estrondoso ecoou pela Capela. Por um momento se lembrou de Sodoma e Gomorra. Queimadas por cultuar estatuas.
Ajoelhou-se ao lado do padre e puxou o crucifixo de ouro. Estava sujo de sangue, observou; sangue que ele logo limpou com a língua de um modo que julgou propício. Quebrou mais algumas estatuas e entrou pela porta ao lado da sacristia. Viu-se em um corredor iluminado parcamente por velas. As luzes amareladas deixavam seus olhos laranja. Laranja que significava calor, vida. Algo que ele jamais teria. Sem muita dificuldade encontrou o quarto do padre.
Um quarto simples. Uma cama. Uma cômoda e uma cruz pendurada na parede. È claro, não poderia se esquecer da tábua solta onde estava a coleção caseira de pornografia e pedofilia do bom sacristão. Empurrou a cama com certa repulsa, fazendo-a se chocar contra a parede. Era a tábua do meio, como lhe fora dito. Levantou com cuidado a madeira, puxando uma mala negra de viagem. Estava pesada e limpa. Isso indicava que devia ser usada com freqüência. Mais uma vez sentiu a garganta raspar de ódio. Talvez seria uns dos sentimentos dos quais ele mais sentia naquela vida: O ódio. Se aquilo poderia ser chamada de vida afinal. Colocou a tábua no lugar e derrubou o criado-mudo sobre ela. Estava feito.
No corredor novamente. A última porta dava acesso no jardim dos fundos. Provavelmente por lá o roliço padre fugiu. Não se preocupava com ele. Afinal, quem acreditaria em vampiros?
"Vampiros não existem"
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_Onde está?
_Aqui. - Colocou a bolsa negra sobre a mesa.
_Bom trabalho Sasuke.
Atrás da mesa, o homem usava um grande e pesado anel de ouro no dedo mindinho direito. Anel com uma cruz gravada em relevo, sendo que o sulco do mesmo era tingido de vermelho. Vermelho como as vestes do mesmo. Tão vermelho quanto o sangue. Sasuke o observa puxar a bolsa com suas mãos pequenas e rechonchudas. O cardeal não era gordo, entanto suas mãos parecem de criança. A falha no cabelo denuncia que a idade já chega.
O zíper da bolsa sendo aberto fez com que o vampiro olhasse em direção a janela. Já viu esse ritual várias vezes. Ele verifica as fotografias e guarda no arquivo. Menos um escândalo para a igreja católica. A sujeira feita em casa deve ser limpa em casa. O padre vai ser enterrado como um homem santo que teve uma morte violenta. As crianças abusadas por ele suspiraram aliviadas. Sentiram o gosto amargo da felicidade de ver alguém morrer. O fim definitivo da inocência. Algumas dessas crianças vão se tornar adultos perturbados, que talvez repitam com outros o que foi feito com elas. Talvez ele volte daqui a vinte anos naquela mesma cidade para matar uma dessas crianças que tenha se tornado o novo padre. Talvez...
As vezes mesmo a morte, o ajuste definitivo, não repara o que ficou pra trás. O clérigo fechou a bolsa e sorriu amistoso para o vampiro. Este apenas assentiu e se retirou da sala..
Continua...
