Capitulo 2: Por alguem que amo.

Vesti-me, como Usagi-san me pedira, e o acompanhei até o carro, com a pulga atrás da orelha. Por que ele, que sempre odiara demasiadamente esse tipo de evento, me arrastaria para uma festa assim? E também, por que me levar junto? Não que eu estivesse reclamando, mas eu seria apenas um estorvo, e com certeza me sentiria deslocado. E ele sabia disso, ele me conhece muito bem.

Durante o trajeto, não me contive, e indaguei pelo motivo de tão súbita mudança. A resposta, mesmo levando em conta que era o Usagi-san, me surpreendeu.

-estou fazendo isso por uma pessoa que amo.- ele disse, sem tirar os olhos do volante.

Me findei consternado, no banco do carro. "Alguém que amo". Quem seria essa pessoa, que o teria feito agir daquela maneira? Ele so fizera isso uma única vez antes. No caso, foi quando Isaka-san disse-lhe que eu desejava ir.

-voce fica tão kawaii quando esta com ciúmes.- comentou Usagi-san, me olhando com seus olhos de um azul profundo, como o azul do mar. Eu fiquei corado, obviamente. Eu? Ciúmes? Não, não, não, não, não, eu não estava com ciúmes.

-que bobagem. Eu, com ciúmes so por que você disse que amava alguém alem de mim? Não sei de onde você tirou essa historia. Como eu poderia ficar com ciúmes por algo assim? Não, não, não, eu não sou ciumento!

Eu nem havia notado que já havíamos chegado ao hotel Teito. Ele, então, estacionou o carro, e ficou olhando para mim, com aquele jeito hipnótico que so ele saberia me olhar. Então ele se inclinou um pouco sobre mim e estalou os lábios nos meus. E eu nem me lembrei de gritar algo como "maldito! O que você pensa que esta fazendo? E se alguém nos vir?" ou qualquer coisa. Por que eu estava ocupado demais, sentindo aquele sabor de Usagi-san que sempre me deixava inebriado. E, desta vez não foi diferente. Aquele maldito aproveitou-se da minha distração, e, para variar, eu deixei.

Quando chegamos, logo reconheci Aikawa-san, com um vestido vermelho com fenda lateral. Ela ficou muito surpresa com a nossa presença, como eu imaginava que ficaria. Mas, aparentemente ela estava tendo problemas, e não perguntou nada sobre isso, apenas chamou Usagi-san para conversar em particular. Enquanto isso, fiquei olhando um banner enorme, com a capa de um livro, que, ao lado do titulo havia escrito, numa tarja amarela e vermelha "Ganhador do Prêmio Naomori". O livro tinha na capa o desenho de dois homens abraçados.

Romance de garotos. Eu mereço.

Enquanto me distrai me lembrando de como parecia que aquele cara alto que abraçava o menor me lembrava um pouco o Usagi-san(ão que ele fosse parecido com ele, mas a maneira possessiva como ele abraçava o menor, como se o impedisse de fugir, ou algo assim) ouvi um barulho de passos atrás de mim. Então, um par de mãos pequenas, porem fortes e decididas agarrou meu braço.

-Usami-sensei, pelo amor de deus! Todas estas pessoas estão aqui por sua causa!- implorou uma voz conhecida atrás de mim. As mãos me puxaram, me virando para que eu pudesse ver Aikawa-san falando com uma mulher de cabelos claros. Estranhamente, ela havia mudado o vestido, e estava usando um prateado, mais curto.

-fale alguma coisa, rapaz, e eu te mato.- me disse a mulher, baixinho, me fuzilando com seus olhos cor de safira.- desculpe, querida, mas eu tenho negócios tratar no momento. Esse garotinho aqui tem "certas necessidade" – ela riscou as aspas no ar, e depois se pendurou ao meu pescoço, me impossibilitando de fugir. Por que Aikawa-san não me salvava, como ela geralmente fazia com Usagi-san (tipo na vez que eles invadiram a casa quando ele estava me agarrando, ai ele ficou me prendendo enquanto Isaka-san tentava convencê-lo a ir a própria festa)?- e se ele não tem suas necessidades atendidas, ele fica triste. Por conseqüência, eu tenho bloqueio artístico e demoro ainda mais a escrever meus livros.

Então ela deu as costas a Aikawa-san, e me arrastou para fora do salão, so me soltando quando chegamos à suíte da cobertura. Ela se sentou numa poltrona e fez sinal para que eu ficasse a vontade. bem, o que era impossível, levando-se em conta que eu havia sido seqüestrado por uma assassina em potencial.

-desculpe-me por fazê-lo passar por isso, rapaz. Eu precisava despachar-la antes que chegasse a gêmea dela. As duas trabalham na editora que publica meus livros, e estavam me enchendo a paciência.

-Aikawa-san tem uma Irma gêmea?- perguntei. Se bem que fazia sentido o fato de ela não ter me reconhecido. Não era a Aikawa-san que conheço, e sim sua gêmea.

-ah, vocês se conhecem?- ela disse, com vago interesse. Sua expressão, inclusive me lembrava um pouco Usagi-san.- sim, ela tem uma Irma gêmea. A que você conhece é a que estava usando vestido vermelho, certo?

Mas eu nunca pude responder a ela. Quando eu abri a boca para falar, já sem tanto medo da seqüestradora, a porta se abriu e Usagi-san entrou. Eu imaginei que ele fosse direto me tiras de La, mas ele nem sequer olhou para mim: virou-se para a mulher que me mantinha como refém e sorriu.

-a quanto tempo- ele disse, calorosamente.- Kiomi-chan.

-Akihiko!- ela gritou, pulando em seus braços e beijando-o carinhosamente. E, para a minha surpresa, ele permitiu.