Capítulo 4: Botando moral
Bobo apaixonado que sou, me deixei levar pela falação dele, para variar. Não que eu concordasse, mas não havia como eu não obedece-lo. Ele simplesmente mandava, e não adiantava discutir. Então, mesmo achando grosseria sumir desse jeito, eu o acompanhei, entorpecido pela discreta declaração. Ele fazia aquilo o tempo todo, mas o tom da voz dele ainda tinha o mesmo efeito profundo da primeira vez.
Mas, quando estávamos quase deixando o salão, algo aconteceu. Neko-chan havia subido ao palco, para fazer um discurso, justo quando nos avistou. Eu gelei ao vê-la lançar um olhar malicioso a nos dois, como se fosse se vingar. Vi izaka-san entregar-lhe o microfone, enquanto Usagi-san ignorava tudo o que acontecia ao nosso redor, e a vi começar o discurso.
-Muito obrigada a todos que vieram prestigiar meu trabalho esta noite. É uma honra inimaginável receber esse premio e eu gostaria de agradecer a todos por ter essa oportunidade. Gostaria de agradecer também a meus amados familiares, que me apoiaram durante o período em que estava dando a luz a este livro. Entre eles, gostaria de dedicar um agradecimento ao meu amado primo, Usami Akihiko, e ao meu amigo de infância, Takahashi Misaki, que hoje vieram, representando meus familiares e amigos. Venham aqui, Akihiko e Misaki!
Todos os que estavam no salão desviaram seus olharas para onde estávamos, reconhecendo Usagi-san, que com um suspiro admitira a derrota, e por fim acabou se virando para as centenas de pessoas, com o sorriso mais falso que já vi estampado em suas feições perfeitas. Ele me conduziu, sem nem hesitar, até o palco. Ele me fez subir na frente, e Neko-chan nos recebeu com um abraço que, para quem visse, juraria que ela estava sendo carinhosa. Mil flashes de câmeras nos cegaram, e eu sinceramente agradeci por ter sido impossibilitado de ver o olhar psicopata e amedrontador dela. Bem, para mim ele era amedrontador, mas Usagi-san mantinha-se inabalável ao meu lado. Porem, visivelmente contrariado de estar no palco.
-priminho amado, você vai ficar aqui o resto da noite. Eu estou odiando isso tanto quanto você, mas vou fazer esse esforçinho para você me traduzir logo de uma vez aquele diário.- ela sorriu.
-não vou falar uma palavra. Você vai ter que descobrir sozinha.
-pois bem, mas como você já foi visto por todo mundo, vai ter que ficar aqui por mais algumas horas...- ela sorriu, maliciosa. Ela sabia que nem o ousado Usami Akihiko poderia simplesmente sair dali, sem perder completamente a compostura. Dezenas, talvez centenas de grandes personalidades da literatura japonesa contemporânea estariam La como testemunhas de sua gafe.
-voce venceu desta vez- disse ele, a soltando daquele abraço antes que ele entrasse no Guinness Book, e estalando um beijo na sua testa, como parte da atuação.- mas não espere ter a mesma sorte de outra vez.
