Capitulo 5:E ele se foi.
Depois desse dia aconteceram algumas coisas sobre as quais eu ainda não estou pronto para falar. Resumidamente, eu terminei com Usagi-san. Foi um momento terrível para mim. Eu realmente o amava. O amava com seus defeitos e aceitos. Mas não quero falar sobre isso. Dói muito até pensar em seu nome. Você so tem noção do quanto machuca depois que passa por uma situação assim.
Por fim, ele sumiu. Decidiu voltar para a Inglaterra, e deixou um bilhete dizendo que eu poderia ficar com a casa. E partiu, sem ao menos me deixar ser orgulhoso e dizer que não queria. Ele saiu pela porta, e foi embora, deixando tudo para trás. Ele não precisava de nada. Nem de mim. A dor da separação ainda dilacerava meu peito, como se eu estivesse morrendo, pedaço por pedaço. Se a paixão havia me consumido como fogo, agora eu enfrentava o gelo, como se finas agulhas fossem fincadas com precisão cirúrgica nos pontos mais sensíveis do meu coração.
Revoltado, me recusei a ficar naquela casa. Cada parede, cada ursinho de pelúcia me lembrava de todos os momentos que estivemos juntos. Da promessa que fizemos de sempre comermos juntos, das broncas que eu tive que dar nele (essas são as xícaras para coisas quentes! Droga, Usagi-san, eu vou ter que marcar na caneca?), das vezes em que eu o peguei usando meu nome em seus romances. Simplesmente arrumei minhas malas e sai.
Não queria ligar para meu niichan. Ele ia acabar me perguntando sobre o que havia acontecido, e no estado em que eu estava era provável que eu acabasse contando tudo de uma vez so, sendo que ele nem sonha que eu sou, digo, era namorado do Usagi-san. Provavelmente ele teria um ataque se soubesse, então era melhor poupá-lo, e a mim mesmo. Ia ter toda a viagem até Hokkaido para pensar em alguma desculpa para minha visita repentina.
No entanto, antes que eu chegasse ao metro, um carro esporte vermelho que vinha a toda velocidade reduziu até quase parar, como se o motorista pretendesse falar comigo. Por um minuto, meu coração parou: não era aquele o carro Dele? Deixei-me acreditar nesta ilusão, de que Ele estava ali.
Misaki, entre no carro agora, Ele diria em seu tom autoritário e inconfundível. Quando eu obedecesse, o que eu obviamente faria, eu iria ignora-lo. Elepegaria meu rosto com as mãos e me falaria desculpe por ter sumido desse jeito, Misaki. Eu prometo que nunca mais sairei de perto de você. Eu, claro, iria empurrar suas mãos, e dizer o quão Ele havia me ferido. E Ele, com raiva, me pegaria nos braços e me daria um beijo doce, porem forte. Seus lábios seriam urgentes nos meus e eu sentiria aquele reconfortante sabor Dele, enquanto me perguntava se Ele sempre havia sido assim, tão delicioso.
Minhas esperanças aumentaram exponencialmente quando, a pesar do vidro fumê, tive a nítida impressão de que o motorista acenava para mim. Senti um calafrio subir pela espinha quando o vidro começou a se mover, e achei melhor começar a escolher as palavras que ia usar. Ele sempre usava muitas palavras bonitas, enquanto eu mal conseguia dizer que o amava sem corar. Geralmente Ele me tascava um beijo na metade, para dizer que entendeu bem e me poupar a angustia do final da frase.
Mas senti que ia cair, feito aquelas filas de dominó, quando a gente sem querer esbarra numa pecinha. Sorrindo e piscando com seus olhos e cabelos da mesma cor dos Dele, Neko-chan me convidava para entrar.
-que bom que você já fez as malas, misaki! Decidi que você iria morar comigo. Preciso de uma cobaia de experimentos.- ela disse, autoritária. Ela so podia der parente Dele. No entanto, ela me ordenara aquilo rindo. Não deixava de ser uma ordem, visto que seu olhar não me deixava alternativas, mas chegava a ser carinhosa.
-mas... como?- eu balbuciei debilmente, sem entender o por que de ela estar me mandando entrar, mesmo que eu já estivesse obedecendo.
-simples. Estava precisando de uma cobaia de testes, ai me lembrei de você. Pensei em ligar antes, mas sinceramente, Taka-chan não ia se incomodar se eu seqüestrasse você um pouquinho. Prometo que so vou molestar você enquanto estiver acordado.- ela disse. porem aquilo não pareceu bem uma brincadeira.
