Capítulo 2
Carlisle sumiu por uns dias, Anne ficou preocupada, achou que algo poderia ter acontecido. Depois de quase um mês sem noitícias de Carlisle, Anne recebeu um buquê enorme de lírios, com um cartão que dizia:
" Querida Anne,
Perdoe-me se não fui visitá-la nos últimos dias, tive uns pequenos imprevistos. Estou sentindo falta de sua companhia. Amanhã irei vê-la.
Afetuosamente,
Carlisle.
Anne sorriu, sentia vontade de sair cantando pela rua, seu coração foi invadido por uma felicidade que nunca havia sentido antes. Ela queria que o dia seguinte chegasse logo, estava impaciente. As horas se arrastavam, parecia que o tempo não passava.
Enfim chegou o dia da visita de Carlisle. Anne passou o dia se arrumando, queria estar bonita para ele. Ela sabia que, como de costume, ele só chegaria depois do pôr-do-sol.
- Carlisle! - Assim que o sol se pôs, Carlisle chegou à casa onde Anne estava hospedada. Ela correu ao seu encontro.
- Olá, Anne. - Carlisle levantou o chapéu que usava, acenando.
- Ah, senti sua falta! - Anne disse com um sorriso, mas ela também estava um pouco chateada com o sumiço.
- Desculpe-me, eu realmente não planejava ficar tanto tempo longe. - Carlisle também sorria, mas tinha uma expressão levemente preocupada.
- Você está bem?
- Anne, escute... eu... bem... vou deixar a cidade.
Anne ficou em silência, surpreendida pela notícia e então disse:
- Bem, por quanto tempo? Para onde você vai?
- Eu vou embora da França, vou para Itália. Definitivamente.
Anne não conseguiu conter as lágrimas, sentiu um aperto no coração, não tinha palavras.
- Anne, por favor não fique assim, eu voltarei para visitá-la, eu...
- Não, não... - Anne interrompeu e deu uma risda forçada. - Que estupidez a minha! Eu não estou chateada, nem tenho esse direito. Bom, foi muita gentileza sua me avisar! Espero que você goste muito da Itália! Você merece ser muito feliz. Eu estou bem... vou ficar bem.
- Anne, calma. Não precisa se preocupar. Você poderá continuar aqui, eu continuarei...
- Por favor, não me ofenda! O que pensa que eu sou? O que as pessoas vão pensar de mim? Você não é nem meu parente... embora você tenha dito para a dona desta casa que é meu irmão, eu sei que ela desconfia. Eu não quero seu dinheiro. Isso foi um empréstimo e eu vou pagar! Eu vou conseguir trabalho. Eu sempre trabalhei em casas de família. Não preciso de nada. Obrigada. - Disse Anne, extremamente ofendida. Ela levantou-se e andou em direção ao portão de saída.
- Anne, eu não quis ofender...
- Tudo bem, agora, por favor, você pode ir embora?
Carlisle olhou para Anne, a intenção dele não era magoá-la, se ele ao menos pudesse explicar... mas era uma explicação incompreensível.
Depois que Carlisle foi embora, Anne se trancou no quarto e começou a chorar, um choro que parecia não ter fim, que parecia levar as forças dela, a vontade que ela tinha de viver. Ela gostava de Carlisle mais do que de qualquer pessoa que ela havia conhecido, mas do que qualquer coisa. Ela o amava.
Carlisle não queria magoar Anne, enquanto ela andava ele podia escutar seu choro.
- Ah, Carlisle. Eu te amo tanto. - Anne exclamou baixinho.
Carlisle ouviu e, ao mesmo tempo em que gostou de saber disso, sentiu-se mal por deixá-la.
Anne ficou na cama por uns dias, não tinha forças para nada. Ela desejava que ele nunca a tivesse encontrado, queria que ele tivesse deixado ela morrer.
Por fim, depois de muito pensar, tentar reunir forçar para continuar, Anne decidiu. Por que não arriscar? O que importava o que os outros poderiam pensar?
Ela iria atrás dele, iria para Itália.
