Capítulo 5: Ho! Ho! Ho!
- O sinal das outras esferas tá bem forte!
- Então, estamos chegando, não é, Gohan?
-Sim, Videl! Onde estão as esferas, vamos encontrar os criminosos... E onde estão os criminosos...
-... O Papai Noel vai estar! – disse o duende.
- Exato! – disse o jovem herói.
Aterrissaram a alguns metros da entrada de uma caverna e começaram a ouvir vozes.
- Ótimo! Eu não podia ter bolado um plano tão genial, não é mesmo, Shuu, Mai?
- É verdade, mestre Pilaf! – os dois mencionados se manifestaram.
- ...! – tentou dizer uma voz abafada.
- Fica quietinho aí, velhote! Você vai sair assim que eu receber a última esfera como seu resgate... E até lá, o Natal já estará comprometido!
- Eles estão com as outras esferas. – Gohan cochichou.
- É. – o duende concordou. – E também estão com o Papai Noel...!
- E então, Gohan...? – Videl perguntou.
- Assim que eu der o sinal!
- Faltam apenas cinco minutos para a meia-noite! – Pilaf disse, ao olhar o relógio de bolso. – O meu presente ainda não chegou, e o Natal foi comprometido! Ninguém recebeu presentes, assim como eu nunca recebi! Todos vão se sentir como eu me sinto todo Natal!
- Mmmffmm...!
- O quê? – Pilaf perguntou, enquanto tirava a mordaça de seu refém.
- Infelizmente, você passou toda a sua vida se comportando muito mal! Não posso dar presentes para pessoas más e mesquinhas como você!
- Qual é, Noel? O mundo é dos espertos, não dos bonzinhos!
Uma voz interrompeu a "conversinha" de Pilaf com o Papai Noel:
- Está enganado! – era a voz do duende.
- E você acha que vai conseguir resgatar sozinho o velho aqui?
- Não. – o duende sorriu. – Eu trouxe apoio!
- Que apoio? – o verdinho perguntou.
- Se prepare, sequestrador! – soou a voz de Gohan.
- Ou você vai sofrer de dor! – era a voz de Videl.
- Quem, ou o que são vocês? – Pilaf se mostrou aborrecido.
- Nós não perdoamos o mal! – Gohan prosseguiu, iniciando sua série de poses.
- Somos os defensores da justiça! – Videl fez o mesmo.
- Sou o Grande Saiyaman, número 1!
- E eu, sua ajudante, Grande Saiyaman número 2!
"De onde saíram desses malucos?", o vilão pensou.
- Solta o Papai Noel agora! – Grande Saiyaman I ordenou.
- E se eu não quiser?
- Terá que enfrentar a pesada mão da justiça!
- Grande coisa... Enquanto não tiver a última esfera do dragão, eu não solto o velhote!
- Fala desta aqui? – Grande Saiyaman II mostrou triunfante a esfera de quatro estrelas.
- Passa ela pra cá! – gritou Pilaf.
- Nem pensar! – a heroína disse. – Sem Papai Noel, sem esfera!
- Mai! Shuu! – ele gritou. – Ataquem-nos!
Os dois lacaios de Pilaf apareceram pilotando dois robôs gigantes, que foram ao ataque contra os Saiyamans. Obviamente, eles não foram páreos para Gohan que, com um único soco em cada robô – transformado em sucata – venceu os adversários com sua força de saiyajin.
- E então? – Grande Saiyaman I batia as mãos, como se as limpasse. – Já acabou?
- Ainda não. Eu quero a última esfera.
- Aí vai! – o duende arremessou a esfera de quatro estrelas para Pilaf.
- Não faz isso! – Grande Saiyaman vociferou.
Tarde demais. Ele havia pegado a esfera e juntou-a às outras seis. No entanto, as sete esferas não reagiram, piscando como de costume.
- O que está acontecendo, para as esferas não piscarem?
Enquanto Pilaf estava distraído, Grande Saiyaman I e II tiraram o Papai Noel do alcance do verdinho. Foi quando Gohan disse:
- Você acaba de ser enganado, malfeitor! A esfera que está em suas mãos é falsa! – mostrou a bolsa com as outras seis esferas, que conseguira surrupiar rapidamente.
- Ora, seu...! – ele arranjou uma armadura cibernética para atacar o herói, que não se assustou com sua reação.
Grande Saiyaman I simplesmente estendeu o braço direito para a frente, já com o punho fechado. Bastou Pilaf se colidir com a mão do meio-saiyajin para a armadura explodir e mandá-lo pra trás. Mas Pilaf não se contentou com isso, pegou uma bazuca de sabe-se-lá-onde e, quando ia puxar o gatilho...
... Um trenó vermelho invadiu o local, atropelando ele e seus capangas.
- Papai...?
Gohan ficou surpreso ao ver os recém-chegados, que tinham mais uma vez metido as caras no parabrisa do trenó ultramoderno e, em seguida, deslizaram de volta para as poltronas, na posição mais desconfortável possível. Ainda atordoados, Goku "Noel" e seus "ajudantes" desceram.
- Kakarotto... Eu sabia que você não seria tão bom em dirigir, mas não sabia que você era um BARBEIRO! – Vegeta pegou Goku pela gola do traje vermelho e o puxou para baixo, a fim de fuzilá-lo com o olhar.
- Calma aí, Vegeta... – Goku sorriu inocentemente. – Acontece que a gasolina acabou e eu perdi o controle. Tive que fazer uma aterrissagem forçada aqui!
- Pessoal, pra que brigar? – Kulilin tentou apaziguar qualquer sinal de confusão que pudesse ocorrer entre os dois saiyajins. – Já terminamos as entregas, não terminamos? O Natal tá salvo, e... PAPAI NOEL?
O baixinho logo parou o que falava e viu o bom velhinho ali, junto com o duende, o Grande Saiyaman I e Grande Saiyaman II.
- Olha só, pessoal! – Trunks avisou. – Encontramos o Papai Noel!
- Que legal! – Goten logo sorriu. – Oba! O Natal tá salvo!
Piccolo via a cena toda em silêncio, enquanto Vegeta largava Goku e fazia cara de "Então ele existe mesmo!". Papai Noel olhou para cada um ali presente e, em seguida, sorriu aliviado.
- Vejo que vocês salvaram o Natal de todo mundo... – ele disse. – Não poderia esperar outra coisa de bravos guerreiros como vocês.
- Que é isso, Papai Noel... – Goku disse. – Isso foi graças ao seu ajudante! Ele correu atrás de tudo!
- Mas, se não fosse pela ajuda de vocês, nada disso teria acontecido. – o duende respondeu.
- Bom, vocês já cumpriram a missão que lhes foi dada. Então, podem voltar ao normal.
Após dizer essas palavras, Papai Noel estalou os dedos e, instantaneamente, todos voltaram ao normal. Goku voltava a usar suas roupas de inverno, como os demais. Piccolo estava novamente com seu traje roxo, além da capa e do turbante habituais. Goten, Trunks, Kulilin e Vegeta voltavam a ter cabelos em suas cores normais, bem como as orelhas ao seu formato original.
E em meio a toda aquela atmosfera de alívio e alegria, uma mãozinha verde surge de debaixo do trenó.
- Isso... Não... É justo...! – Pilaf balbuciava, já vencido e com voz chorosa.
- Quem não se comportou bem... – Gohan disse, ainda com pose de paladino da justiça. – Não ganhou presente!
Enfim, o dia amanheceu nas montanhas geladas. A fraca luz do sol anunciava que a manhã do dia de Natal já havia chegado. Todos já estavam de pé, e as crianças já correram direto para a árvore de Natal.
- Nossa! – Trunks exclamou. – E eu achava que tinha faltado presentes!
- Tem razão! – Goten disse. – Eu achava que a gente não iria ter presentes!
Cada embrulho tinha o nome de cada integrante da turma. Os garotos foram entregando cada presente para seu destinatário, até que o garoto de cabelo lilás arregalou os olhos azuis diante do último embrulho.
- Mamãe! Mamãe! – chamou.
- O que foi, Trunks? – Bulma perguntou assim que se aproximou do filho.
- Olha só! – mostrou a etiqueta do embrulho. – O Papai Noel deixou um embrulho a mais! E é pro papai!
- Pra mim? – Vegeta ouvira toda a conversa.
- Lembra daquela carta que eu pedi pra você dar pra mamãe postar no correio? Era pro Papai Noel... Eu pedi pra ele te deixar um presente... Porque você nunca ganhou um dele.
O saiyajin, curioso, abriu o embrulho que recebera das mãos do filho. Ali estava um simples suéter azul, mas algo a mais chamara a sua atenção. Um papel dobrado, que ele abriu, ainda movido pela curiosidade.
Era a tal carta. Reconhecia a letra de Trunks:
"Papai Noel, se possível, eu gostaria que neste Natal o senhor desse um presente também para o meu pai. Este ano ele se tornou um herói, principalmente pra mim. E ele nunca ganhou um presente do senhor. Queria que desse pra ele pelo menos um suéter azul, a cor preferida dele."
E, no rodapé da folha, havia outra frase, escrita por ele mesmo:
"Se você existe mesmo, preste bastante atenção: eu não preciso de presente algum. Já percebi que tenho coisa melhor."
Mas, para sua surpresa, havia uma mensagem escrita com uma letra completamente diferente:
"Que bom que percebeu. Mesmo assim, vou atender ao pedido do seu filho. Porque, este ano, você mudou e fez por merecer o presente. Assinado, Papai Noel."
Dobrou aquela cartinha rapidamente e a guardou no bolso da calça. Como as coisas aconteciam de um jeito tão surpreendente! Em pensar que o universo estava prestes a ser destruído por Majin Boo, e ele havia sido, segundo Goku, fundamental para eliminar tal ameaça.
Sim, as coisas mudaram muito para ele. Um sorriso apareceu discretamente no rosto de Vegeta, que olhou para o garoto. Este lhe devolveu o sorriso e o abraçou:
- Feliz Natal, papai!
Aquela cena foi o bastante para que todos começassem a fazer o mesmo gesto. Foram vários abraços fraternais e sinceros, desejando uns aos outros todas as coisas boas que existem na vida.
Aquele Natal seria inesquecível por tudo que ocorrera ali. Desde as confusões durante a entrega dos presentes, a fim de salvar o Natal, até os menores detalhes. Futuramente, poderiam rir de tudo o que aconteceu ali.
Aquela data ficaria mesmo na memória de todos. Para sempre.
Lá fora, Papai Noel subia satisfeito em seu trenó, após ver o que acabava de acontecer. Estava completamente grato por aquele pessoal ter ajudado a salvar o Natal, e resolveu dar uma passadinha para ver como estavam as coisas ali.
"Obrigado por salvarem o Natal.", pensou. "Nunca vou me esquecer isso."
Sentou-se na poltrona de seu trenó hi-tech e soltou seu famoso "Ho! Ho! Ho!", antes de dar a partida e, por fim, levantar voo.
O Natal fora salvo, graças ao duende, a Goku e aos Guerreiros Z.
Fim
