Evil Party

Madam Spooky

(Parte 2/2)

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Disclaimer: Saint Seiya pertence a Masami Kurumada. Isso é apenas um empréstimo.

Nota: E aqui está o final. Já era tempo de aderir ao "escreva tudo antes de começar a postar". Tenho que agradecer o Coculto por isso, hehe. Eu gostaria de ter postado isso ontem, mas acabei me distraindo e tinha alguns problemas de formatação para resolver.

Muitíssimo obrigada, dd e Aninhaloka pelos comentários! :D

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Decidir investigar uma coisa é mais fácil do que descobrir como fazê-lo. Aioria era um Cavaleiro de Athena, treinado para a batalha, dono de um poder considerável e sortudo ganhador de uma segunda chance nessa vida. Nada disso, porém, fazia dele um Sherlock Holmes.

Gastou boa parte da noite tentando descobrir qualquer coisa nas fotografias que lhe desse uma pista do que se tratava, mas a única conclusão a que chegara foi que Aioros tinha razão: Afrodite ficava parecendo um figurante da Gaiola das Loucas em um vestido; pelo menos nas fotos que focalizavam mais do que seu rosto.

Ele não parece muito feliz em estar na tal festa. Máscara da Morte, por outro lado, parece estar vivendo o melhor dia de sua vida. Era possível que o Cavaleiro de Câncer discordasse da parte sobre Afrodite e vestidos? E se acabasse descobrindo que eles estavam mesmo tendo um caso tórrido e frequentavam festas... estranhas... fora do Santuário, às escondidas? Talvez Marin e Aioros tivessem razão sobre aquilo não ser da sua conta... Mas ele era um Cavaleiro. Sua vida girava em torno das divindades do Olimpo, cujas crenças abraçavam a ideia de destino.

Tinha sido seu destino encontrar aquelas fotos. Ótimo, assunto resolvido.

Foi com ânimo renovado que apareceu cedo naquele dia na Casa de Peixes. Esperava engajar-se em uma conversa com Afrodite e casualmente mencionar a Evil Party como se fosse algo que tivesse ouvido pelo Santuário. Para sua decepção, o Cavaleiro não estava lá.

Estranho. Sempre se podia contar com a presença de Peixes em seu jardim de rosas mortais durante as manhãs. Aioria, porém, não se deu por vencido. Resolveu fazer o percurso até as arenas de treinamento na tentativa de encontrá-lo. Para o seu imenso prazer, avistou-o exatamente no mesmo trecho do caminho onde o vira enterrar o pacote misterioso um dia antes. Parecia estar procurando por alguma coisa.

- Afrodite, que coincidência agradável!

A frase melosa somada ao sorriso cara-de-pau ganhou a atenção imediata do outro cavaleiro. Peixes praticamente correu até ele, parando a menos de um metro de distância com uma expressão hesitante. Parecia estar em dúvida se o sacudia ou perguntava com educação. Por fim, cruzou os braços e suspirou.

- Eu perdi uma coisa e seu sorriso idiota está me dizendo que você sabe onde está.

- Você perdeu uma coisa...

- Sem gracinhas, Leão, você sabe exatamente do que eu estou falando – disse Afrodite. – Meus... pertences estavam aqui e agora não estão mais.

- Espere um minuto – Aioria fingiu confusão. – Seus pertences estavam aqui. Quer dizer que você os deixou por aqui em algum lugar? – Olhou em volta dramaticamente. – Não há construções nessa área, não vejo seu nome em nenhuma rocha. Se você jogou alguma coisa fora e outra pessoa pegou, não houve apropriação ilícita. Não que essa pessoa tenha sido eu.

O Cavaleiro de Peixes se aproximou ainda mais. Uma rosa vermelha apareceu entre seus dedos e ele a encostou no rosto do Leão.

- Então vai ser do jeito difícil?

Uma rosa não era exatamente algo a se temer à primeira vista, mas Aioria não era estúpido de desafiar as habilidades de Afrodite. Respirou fundo e relaxou os ombros, girando os olhos no processo.

- Não vai haver batalha de mil dias por causa de umas fotos idiotas em uma festa sadomasoquista.

Mesmo que o Máscara da Morte estivesse rindo nelas e o Afrodite... Bom, ele não ia mencionar o vestido enquanto aquela rosa estivesse encostada em seu rosto.

- Festa sad... Mas do que é que você está falando?

A confusão de Peixes não intimidou Aioria.

- Evil Party? Aqueles trajes? E Máscara da Morte estava feliz demais para não ser algo relacionado a sangue, morte, violência... Bom, vamos deixar morte fora disso. Aparentemente o simples pensamento faz o pobre diabo passar a noite brincando com as luzes da casa de Câncer.

- Sim, sim, o maldito tique. Não aconteceria se vocês o tivessem deixado ficar com as cabeças. Não me olhe assim. Elas não eram restauráveis, só estou sendo prático aqui.

Afrodite desfez a posição de ameaça e os dois caíram em um silêncio desconfortável. Peixes não estava feliz, mas tinha aparentemente percebido que a conversa era o meio mais rápido – sem mencionar indolor – de resolver o problema.

- Vai explicar as fotos? – Aioria foi o primeiro a falar.

- Você nem devia ter visto aquilo, maldito Leão curioso. Se eu as estava enterrando, era por um bom motivo.

- Curiosidade é um mal dos felinos. Além disso, quem diabos enterraria fotos comprometedoras em uma área habitada por Cavaleiros de Athena? Qualquer um que resolvesse pisar mais forte naquele terreno teria feito as fotos voarem de dentro do buraco! Se queria se ver livre delas, por que não as queimou?

- Eu escolhi uma área desabitada, que tampouco é utilizada para treinos – Afrodite protestou. – E como é muito improvável que outro deus tente destruir o mundo pelos próximos cem anos, não haveria nenhuma luta nas redondezas. Quem seria o único suficientemente idiota para desenterrar as fotos? Deixe-me ver... Você!

- Ei! – O Leão cruzou os braços. – Se você me visse me esgueirando pelos campos com um embrulho misterioso também não iria desenterrar? Além disso, meu irmão é responsável por ajudar seu companheiro de farra a controlar seu vício por cabeças. Como eu ia saber que você não estava se livrando da prova de um crime?

- Você ainda não sabia da farra. E vamos dizer que eu aceitasse essa explicação. Qual seria a desculpa para não ter enterrado tudo de volta ao ver que não se tratava de nenhuma cabeça?

- Eu... – Aioria não tinha uma boa resposta. Queria uma lembrança dos companheiros de luta? Achara o vestido de Afrodite fabuloso demais para resistir a copiá-lo? Achou que encontraria uma pista do local onde eram realizadas as festas? – Inferno, eu estava entediado, ok? Afinal, como foi que você descobriu que o pacote não estava mais aqui?

- Conheço um solo revirado quando vejo um.

Novamente silêncio.

- Mostrou as fotos a alguém? – perguntou Afrodite.

- Claro que não – mentiu Aioria.

- Devolva-me.

- Vai me dizer o que significam?

- Não.

- Mas...

- Batalha de mil dias ainda é uma opção.

- Droga.

Aioria abaixou a guarda, resignado. Pelo menos sabia o suficiente para continuar bisbilhotando. Acabaria encontrando aquela Evil Party, fosse o que fosse, e descobrindo todos os detalhes sórdidos por trás daqueles retratos. Era uma questão de tempo.

Colocou a mão dentro da camiseta larga que usava e tateou à procura do bolso secreto em que carregava as fotos. Seus dedos, porém, não encontraram nada além de tecido.

- Acho que tenho más notícias.

- As fotos...?

- Desapareceram.

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Já disse um sábio que dormir é para os fracos. A única explicação para o desaparecimento das fotografias era alguém ter vasculhado seus bolsos na noite anterior, enquanto ele jazia nos braços de Morfeu.

O único porém era ele ser um cavaleiro de ouro. Não era tão fácil assim esgueirar-se para dentro de seu quarto durante a noite e roubar o que quer que fosse. Cavaleiros eram treinados para antecipar situações como essa ou pelo menos despertarem a tempo de impedi-las.

Por todos os deuses do Olimpo, acho que Marin estava certa sobre alguns dos meus parafusos terem sido esquecidos no Hades.

- Você perdeu as fotos – disse Afrodite, correndo a seu lado na direção das Doze Casas. – Sabe o que vai acontecer se alguém encontrar aquilo?

- Todo mundo vai saber que o Cavaleiro de Peixes tem um péssimo senso de moda?

- Meu senso de moda é perfeitamente correto. Mau gosto é para gente rude e feia como você.

- Desculpe se andei evitando o salão nos últimos anos – Aioria resmungou sarcasticamente. – Você devia estar agradecido por eu estar dispondo de um pouco do meu precioso tempo para ajudá-lo com essas fotos que mais de duas pessoas, entre elas você mesmo, disseram não ser da minha conta.

- Agora elas não são da sua conta? Você mentiu para mim! – Peixes estava se controlando admiravelmente bem para quem aparecia usando um vestido em meia dúzia de fotos que agora estavam espalhadas pelo Santuário. Apesar disso, se o Cavaleiro de Leão o conhecesse bem, ou as fotos apareciam nos próximos minutos ou aquele autocontrole seria substituído por algo mais nos moldes de fúria assassina. – Você mostrou as fotos a alguém. Outro cavaleiro de ouro provavelmente. Deixe-me pensar... Seu irmão?

Pelo menos ele não tinha descoberto sobre Marin. Não que ele achasse que ela conseguiria enganá-lo daquela maneira ou, menos ainda, que tivesse o mínimo interesse em tentar.

- Aioros me aconselhou a devolver as fotos – respondeu incerto. Tinha que admitir que das duas pessoas com conhecimento dos fatos, ele era a opção mais provável.

- Você mostrou as fotos para ele! – Afrodite quase gritou. – Ficou completamente maluco? A essa hora todo o Santuário já deve ter visto. Máscara da Morte vai arrancar minha pele com os espinhos das minhas próprias rosas.

E por falar em autocontrole.

- Está insinuando que o meu irmão faria uma exibição das fotos para todos os Cavaleiros?

- Não foi o que eu disse.

Até mesmo Afrodite tinha que admitir que Aioros era correto demais para armar tal esquema. Roubar as fotos e devolvê-las? Improvável, mas possível. Exibi-las para todo o Santuário? Difícil de acreditar.

- Aioros nunca faria isso. – Aioria retrucou indignado. – Quanto a mim, não esteja tão certo. Melhor parar de fazer insinuações sobre o meu irmão ,ou quando essas fotos aparecerem, vou entregá-las direto nas mãos do Máscara da Morte. Com direito a um relato detalhado de como foram encontradas.

Nesse momento chegaram à primeira das Doze Casas. Mu não estava no Santuário, mas um Aldebaran parecendo infeliz andava de um lado para o outro na frente da Casa de Áries.

- Eu não consegui dormir o dia inteiro – ele disse antes que os dos dois pudessem seguir adiante. – Máscara da Morte está piorando. Antes eram apenas as luzes piscando. Agora ele tem que ligar a televisão no volume máximo a cada dez minutos, ou os espectros romperão a barreira do mundo dos mortos e caminharão sobre a terra puxando os pés dos Cavaleiros adormecidos.

- Ele disse isso? – perguntou Afrodite, espantado.

- Não, mas que outra razão ele poderia ter?

Aldebaran sentou-se no primeiro degrau da escadaria e suspirou.

- Se soubesse que isso ia acontecer, não teria ido ao vilarejo ontem à noite – lamentou. – E Shura estava lá. Aquele espanhol não ficaria bêbado nem que o submergissem em um barril de cachaça.

- Vilarejo?

- Houve um festival ontem à noite – explicou o Cavaleiro de Touro. – A propósito, o que você estava pensando para usar aquele vestido? – sorriu para Afrodite. – E você guardando fotos em um local secreto junto ao coração... Aioria, eu sei que Afrodite parece uma garota, mas por Athena, dê uma boa olhada nele.

Ambos os Cavaleiros de Peixes e Leão empalideceram. Os medos de Afrodite tinham se concretizado. Até mesmo Aldebaran ficara sabendo das fotos.

- Foi Aioros, não é? – Peixes perguntou, furioso. – Ele era o único que sabia das fotografias. Aposto que saiu para beber com aquele maníaco do Shura e os dois tiveram um dia no parque mostrando as fotos para todo mundo.

- Meu irmão...

Aioria começou, mas foi interrompido pelo Cavaleiro de Touro:

- Aioros não teve culpa! Vocês sabem que ele tem bom coração. O problema é que ele é ingênuo o bastante para confiar em Shura. Quero dizer... – Abaixou a cabeça envergonhado. – Shura é perfeitamente confiável para coisas importantes, mas em se tratando de dois companheiros de batalha flagrados em uma festa, um deles usando um vestido... Ele simplesmente tinha que ver aquilo.

- Então entrou no meu quarto à noite e surrupiou as fotos – concluiu Aioria, abatido. Conhecia Shura o suficiente para imaginar o tamanho da gozação. Quase sentia pena de Afrodite. Sentiria se não estivesse ocupado sentindo pena de si mesmo.

Pelo menos ele duvidava que todos os oitenta e oito cavaleiros estivessem presentes na festa. Com sorte, a novidade ainda não teria chegado aos Cinco Picos Antigos de Rozan.

- Só por curiosidade – Afrodite falou. Ainda parecia um pouco pálido, mas já recuperara a maior parte da compostura. – Qual é exatamente a teoria espalhada por Shura?

Aldebaran sorriu.

- Nada demais, não se preocupe. Algo sobre uma festa sadomasoquista.

Afrodite pareceu a ponto de desmaiar.

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- Eu realmente sinto muito – disse Aioros pela terceira vez seguida, desde que se vira reunido com Aioria, Máscara da Morte e Afrodite na Casa de Câncer. – Servirá de alguma coisa se eu prometer nunca mais beber um gole sequer de vinho na companhia de Shura?

O Cavaleiro de Sagitário ouviu os suspiros e esperou que fosse um sinal afirmativo. Não conseguia vê-los. As luzes da sala tinham queimado alguns minutos antes, depois de Máscara da Morte acendê-las e apagá-las repetidamente por meia hora seguida.

- No final de tudo, a culpa é toda do Aioria – disse Afrodite de algum lugar à esquerda. – Nada disso teria acontecido se ele não tivesse desenterrado aquelas fotografias.

- E nada disso teria acontecido se você não as tivesse enterrado em primeiro lugar – resmungou Máscara da Morte mais à frente. Os outros cavaleiros ainda podiam ouvir o som do estalo do interruptor sendo movido para cima e para baixo, apesar de não estar funcionando. O impulso de matar alguém devia estar se manifestando com força total.

- Eu tinha que me livrar delas. Você disse que as espalharia pelo Santuário se eu não o acompanhasse à próxima convenção!

- É esperado que eu leve companhia – respondeu um Máscara da Morte na defensiva. – E quem diabos enterra fotos ao invés de queimá-las?

- Eu nunca poderia queimar uma foto na qual minha beleza tivesse sido imortalizada – explicou Afrodite como se fosse algo óbvio. – Como eu ia saber que o idiota do Leão estava me vigiando?

- Eu não sei, pelo cosmo dele? Esse é o tipo de coisa que um cavaleiro de ouro deveria ser capaz de fazer.

- Eu não estava vigiando ninguém, foi pura coincidência – foi a vez de Aioria resmungar. – Não sei por que estão fazendo tanto escândalo. Aioros já prometeu recuperar as fotos com Shura. E não foram vocês que foram mencionados como perseguidor apaixonado do Afrodite.

- De qualquer maneira – disse o Cavaleiro de Peixes – eu não voltarei a uma dessas Evil Parties por nada nesse mundo. Podem espalhar as fotos se quiserem. Uma coisa é acompanhar Máscara da Morte à terapia, o que eu já não me ofereceria para fazer caso ela existisse, outra muito diferente é sair de casa travestido para tirar fotos no meio daquele bando de malucos adoradores de filmes de horror.

- Filmes de horror? – perguntou o Leão. – Alguém vai me explicar do que tudo isso se trata?

- Faz parte da recuperação – disse Aioros, que observara a discussão em silêncio. – Athena trouxe de volta à vida todos os Cavaleiros de Ouro, até mesmo aqueles que tinham... problemas. A deusa e o Grande Mestre estavam de acordo em que algo deveria ser feito para ajudar Máscara da Morte a controlar sua urgência por... bem...

- Matar aldeões e decepar suas cabeças – disse Afrodite tranquilamente.

- Bom, sim. Não existe terapia convencional para esse tipo de problema.

- Desejo incontrolável de colecionar cabeças – o Cavaleiro de Peixes parecia feliz em colocar o problema em perspectiva.

- Obrigado, Afrodite, nós todos já entendemos a ideia – respondeu Aioros secamente. - Então foi decidido que Máscara da Morte deveria se concentrar em seus outros interesses.

- Que se resumem, basicamente, a assistir filmes de terror e atender convenções cheias de groupies de assassinos seriais, reais ou não – explicou Afrodite. – Evil Party é o nome idiota de uma dessas convenções. Máscara da Morte faz muita questão de ir fantasiado e o Grande Mestre perdoaria um ou dois acidentezinhos que causei com as minhas preciosas rosas no passado se eu topasse acompanhá-lo daquela vez. Acho que temia que o nosso companheiro de câncer encarnasse o personagem tão bem que acabasse voltando do evento com um ou dois sacos cheios de... bom... cabeças? Se ele saísse da linha teriam que mandá-lo de volta ao Hades. O próprio não gosta da idéia ou não estaria acatando as ordens tão pacificamente. E quem poderia culpá-lo? Não é como se ele tivesse uma casa de campo nos Campos Elíseos.

- E do que raios o Máscara da Morte estava fantasiado? – perguntou Aioria.

- Dexter? De quem mais ele estaria fantasiado com aquele colante? Você é um detetive muito ruim, sem mencionar um completo ignorante quando o assunto é ficção em geral – Peixes balançou a cabeça em reprovação. – A preocupação do Grande Mestre era compreensível. O personagem podia inspirar a ideia de colecionar outras partes do corpo além das cabeças.

- Claro... E quanto ao vestido?

- Eu estava fantasiado de Norman Bates. Um clássico parecia mais digno da minha pessoa, embora eu tenha encarnado uma versão muito mais bela e refinada do personagem, indiscutivelmente. Não repetiria a experiência, mas todos aqui têm que admitir que eu fique espetacular em qualquer figurino; mesmo em se tratando de um maluco que sai por ai com as roupas da mãe para cometer assassinato. Agora se me dão licença, minhas rosas foram negligenciadas durante todo o dia e...

- Espere um instante – interrompeu Aioros. – Onde está o Máscara da Morte?

- Estão ouvindo o barulho?

Os três ficaram em silêncio. Aioria e o irmão perceberam um baque abafado vindo de dentro da casa, provavelmente da cozinha.

- Parece que ele lembrou que há luz na geladeira – disse Aioros.

Afrodite suspirou.

- Ele só vai abrir e fechar cento e cinquenta vezes até seus desejos assassinos enfraquecerem. Vocês têm certeza de que devolver as cabeças está fora de quest...? Tudo bem, nada de cabeças.

Afrodite saiu da casa de Câncer apressadamente, antes que Aioros pudesse incluí-lo na lista de Cavaleiros carentes de supervisão.

- Vocês ainda estão por ai? – o Cavaleiro de Câncer gritou do outro cômodo. – Porque eu tenho uma convenção na semana que vem. Há uma festa a fantasia. Eu já decidi que vou de Jack, o Estripador, mas preciso de uma Elizabeth Bathory para me acompanhar.

A única resposta que obteve foi o som abafado da porta da geladeira que continuava a abrir e fechar.

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- Alguém já disse que você fica adorável de vestido longo, Aioria? Bem melhor que o Afrodite. O espartilho que você usou fez maravilhas pela sua silhueta.

O Leão arrancou a foto da mão de Marin e resmungou alguma coisa incompreensível antes de amassá-la e enfiá-la no bolso. As fotos de Afrodite e Máscara da Morte tinham gerado uma confusão dos diabos, e ninguém menos do que ele levara a culpa por como as coisas se desenrolaram.

Esqueçam Afrodite e seu narcisismo, Shura e sua tolerância ao álcool, Aioros e sua boca grande. A culpa é sempre do felino indefeso.

Como castigo, fora obrigado a bancar a dama de companhia de Máscara da Morte na festa bizarra que ele chamava de confraternização entre amigos.

Ordens de Athena, muitíssimo obrigado. Os outros Cavaleiros ficariam eternamente gratos por um dia inteiro sem o show pirotécnico habitual vindo da Casa de Câncer. Não que ele tivesse muita escolha.

Correu tudo bem no evento. A conversa sobre os melhores métodos de desmembramento nem teria sido tão insuportável se não fosse pela maldita fantasia. Quem diria que se vestir como uma condessa vampira do século XV fosse tão complicado?

- E a peruca. – continuou Marin. – Deuses, eu nem sei o que dizer da peruca.

- Muito engraçadinha. – Disse o Leão com um meio sorriso. – Aproveite enquanto pode, porque meus dias de condessa vampira acabaram definitivamente. Pouco me importa se Máscara da Morte terá que mandar o Santuário para uma de suas dimensões infernais cento e cinquenta vezes para manter sua sede de sangue aplacada. Aioria não usará outra anágua. Não nessa vida.

Marin deu risada e o encarou.

- Isso quer dizer que os seus dias de tédio acabaram? Porque, se me lembro bem, foi por essa razão que tudo começou.

Os dias de tédio tinham acabado? Absolutamente. Por enquanto.

- Você precisa de um hobbie. Sabe o que dizem por aí: mente ociosa, moradia do diabo.

Aioria sabia. Esperava não ter que providenciar aquela placa em um futuro próximo.

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FIM

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Para o caso de alguém não os conhecer:

Dexter: pt. wikipedia .org/wiki/Dexter_(s%C3%A9rie_de_televis%C3%A3o)

Norman Bates: pt. wikipedia .org/wiki/Psycho

Elizabeth Bathory: pt. wikipedia .org/wiki/Erzs%C3%A9bet_B%C3%A1thory

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Se você chegou até aqui, muito obrigada por ler! O desfecho ficou bem mais corrido do que eu gostaria, mas achei preferível não transformar esse fanfic em um monstro de várias partes (eles tendem a criar tentáculos e usá-los para me engolir e nunca serem finalizados).

Até uma próxima vez. :)