Capítulo Um

Músicas Idiotas, absorventes e amassos.


- Lálálálálálá... - cantarolava a criatura em minha frente. Completamente desafinado aliás. Desde quando cachorros cantam?

Grrrrrrrrrrrrrrrrr. Parecia que ele estava fazendo isso só para me irritar.

- Lálálálálálá...- E a musiquinha imprestável continuava.

Como se ficar trancada com Sirius Black sem camisa em um banheiro não fosse suficientemente ruim, ele ainda ficava cantarolando músicas ridiculas para piorar a situação. Esse garoto precisava de tratamento.

Agora ele está me encarando e cantarolando mais alto. Ele com certeza está fazendo isso só para me irritar. Eu queria achar algo suficientemente pesado e perigoso para atirar na cabeça dele. Olhei para os lados à procura do objeto que seria minha salvação mas não encontrei nada.

Suspirei.

E quando já estava desistindo de procurar algo para atirar na cabeça extremamente linda e irritante de Black, eu vi minha bolsa. Eu sei que para muitos isso não é grande coisa mas para nós mulheres isso é realmente muito. Bolsas de mulheres contém os mais impossíveis objetos... E mais perigosos também.

Muaháháháhá.

Ok, depois desse momento psicótico eu fui até onde estava jogada minha bolsa e a peguei. A abri e procurei por alguma arma potencialmente perigosa mas infelizmente, pela primeira vez na minha vida, minha bolsa me deixou na mão. Literalmente.

Dei um tapa no Black.

- Merda Black, será que não dá pra parar de cantarolar? - perguntei olhando furiosamente para ele.

Ele apenas riu e continuou sua canção (lê-se: continuou sua canção mais desafinado ainda).

Respirei dezenas de vezes tentando me acalmar e voltei a minha procura dentro de minha bolsa. Era tipo um passatempo.

Black parecia feliz com sua música, e isso me irritava extremamente. Pessoas felizes de mais me causam alergia, especialmente quando eu não estou feliz e estou presa em um banheiro com um Deus Grego safado e completamente galinha e sem camisa. Muitas pessoas diriam: aproveita Lene!, mas meu bem, como eu posso aproveitar quando o cara que está preso no banheiro comigo é o cara que eu mais não suporto em toda a face da terra?

E você me pergunta o porquê desse ódio todo? Bom, eu vou dizer: porque eu sou Marlene McKinnon e Marlene McKinnon não suporta cafajestes sem vergonha que tentam se aproveitar de garotas indefesas (nem tão indefesas assim), e que acham que garotas são apenas itens que se somam em suas listinhas ridiculas de "quem pega mais".

Depois do momento "odeio Black", eu acho que posso voltar para minha bolsa.

Hmmm, talvez minha bolsa não tenha me deixado na mão.

Black, que continuava a cantar incessantemente não percebeu meu sorrisinho macabro. Minha vingança será maligna. Muaháháháhá.

Peguei minha arma secreta e atirei bem na cabeça dele.

- Que...? AAAAAAAAAAAAAAHHHHHHHHHHHHHHH! MÃAAEE ME SALVAAA! - gritou ele desesperado jogando minha arma longe e olhando para mim com medo - Você tá louca? Que é que você tem na cabeça pra atirar um absorvente em mim?

Não disse que minha arma era maligna?

- Você estava me irritando Black, eu tive que fazer algo - eu disse sorrindo. - Então eu te peço: NÃO CANTA MAIS PORQUE SE NÃO UMA CHUVA DE ABSORVENTES VAI CAIR EM CIMA DE VOCÊ!

Ele se encolheu de medo.

Eu sei que eu sou poderosa.

Nós ficamos algum tempo em silêncio.

E mais algum tempo.

E mais algum.

Até que eu não aguentei mais.

- AAAAAAAFFEE! Eu vou matar Lílian Evans e James Potter quando eu sair daqui. Eu juro! - eu falei olhando para a porta como se esperasse que ela abrisse com a força do meu pensamento.

Sirius riu.

- Que foi? - perguntei olhando para ele que sorria sacanamente.

- Você fica linda irritada sabia McKinnon? Com suas bochechas coradas e seus cabelos escabelados - ele falou, provavelmente querendo me irritar.

E conseguiu.

- Cala a boca - eu falei tentando fazer com que minhas bochechas voltassem à temperatura normal e pondo as mãos em meus cabelos que, para meu alivio, não estavam escabelados. - Hey! Meus cabelos não estão descabelados Black.

Ele riu novamente e chegou mais perto de mim.

JESUS ME ABANA!

Tipo, tudo bem que eu disse que eu não gostava do Black, mas fala sério, até a mais santa das mulheres se sentiria compelida a agarrar esse homem.

Será que não dá pra ele ficar mais longe? Eu estou sentindo falta de ar!

E ele parou de chegar perto de mim quando estava a apenas alguns centímetros de distância.

- Agora está - ele falou e passou a mão por meus cabelos fazendo com que eles ficassem parecidos com um ninho.

- Black, seu merda! - eu falei empurrando ele que ria.

Bom, na realidade, eu não estava realmente empurrando ele. Qual é? Ele tem o triplo da minha massa corporal. Nem em sonho eu conseguiria empurrar ele um centímetro sequer.

Eu comecei a bater nele, mas ele só fazia rir da minha cara que deveria estar mais vermelha do que antes.

- Sai Black! Sai, sai, sai - eu falei tentando e tentando fazer ele sair de perto de mim.

Eu estava sentindo minha sanidade mental fugir de mim ao ficar vendo aquele tanquinho tão perto.

Ah, ele não queria sair é?

Eu peguei de dentro da minha bolsa o pacote de absorventes e o encarei.

- Sai da minha frente Black! - ele arregalou os olhos e se afastou bem rápido. - Sabe, pra um garoto de seu tamanho, você devia ser mais corajoso.

- Ah, qual é? Esses negócios são nojentos! Vocês usam pra... pra... - ele não conseguia terminar a frase.

- Pra não deixar o sangue que sai de dentro da gente quando estamos menstruando manchar nossas roupas. É, pra isso mesmo que usamos - eu falei fazendo ele se encolher de nojo.

- Você é nojenta McKinnon.

Eu ri.

- Só pra avisar: se você tentar qualquer coisa comigo eu vou usar minhas armas contra você - eu falei, mostrando o pacotinho para ele.

- E se eu fizer isso? - ele perguntou agarrando o pacote de minhas mãos e atirando do outro lado.

Merda, merda, merda, merda!

Ele voltou a ficar a centímetros de mim. Eu respirei fundo.

- Que foi McKinnon? Não consegue resistir? - ele falou me fazendo perder o fio dos pensamentos quando aproximou mais sua boca da minha.

- É claro que eu consigo Black. Você pode tentar o que quiser, não vai conseguir - eu falei.

Merda! Onde eu tava com a cabeça quando eu falei isso?

Ele agora está fazendo uma trilha de beijos pelo meu rosto e, merda cara, isso me arrepia toda.

- Que é isso Marlene? Você tá com frio? Ou tá arrepiada desse jeito porque eu tô perto de você? - perguntou ele perto do meu ouvido.

- É frio - eu sussurrei.

Ele riu e veio com sua boca em direção a minha.

Faça o que fizer, mas não retribua o beijo. Não retribua! Você vai arder no inferno se você retribuir.

E ele encostou sua boca na minha. Tentando me fazer corresponder.

Mas eu sou teimosa. Muuuiiito teimosa.

Não retribua o beijo Marlene! Não retribua.

Ele pareceu achar graça na minha teimosia em não o beijar.

- Garota dificil heim? - perguntou ele me encarando. - Mas eu também posso ser muito teimoso sabia?

E ele voltou sua boca para a minha, só que agora ao invés de tentar me beijar ele começou a dar mordidinhas nos meus lábios.

MELDELS! Ele sabe o que faz. Ô se sabe.

Ok, foco Marlene, FOCOO. O foco é o marido da foca? Huhasuhaushauhsauhsuas.

Merda, eu nunca mais ia conseguir pensar em foco sem rir.

Ele percebeu que eu estava irredutível em minha reação e decidiu pegar mais pesado.

Ele foi em direção ao meu pescoço. E começou a distribuir beijos por ali.

Merda, merda, merda!

Não retribua. Você vai para o inferno lembra? INFERNO!

Ele suspirou. Eu pensei que ele fosse desistir. Mas eu devia saber. Ele é Sirius Black. Ele nunca desiste.

Ele parou de dar beijos em meu pescoço. Mas começou a dar mordidas.

Eu gemi. Ele sorriu.

Voltou a meus lábios que agora estavam ávidos por seus beijos. E me beijou. E eu retribui.

Eu senti formigamentos por todo o meu corpo, sensações maravilhosas me tomavam. Eu já nem conseguia mais pensar, que dirá respirar. Sentia como se estivesse flutuando.

Que se dane o Inferno!

Se eu tivesse que ir para lá por causa dos beijos dele, eu iria muito feliz.

Afinal, o inferno nem era tão ruim assim.