Capítulo O2
esconderijo de morcegos.
A primeira vez que Gwenog Jones colocou os olhos em Caradoc Dearborn fora no quarto ano, quando ela fora até o capitão do time de quadribol de Gryffindor para tentar a vaga para batedora. Naquela época ela era uma garota esguia e desajeitada, que comprava brigas com desconhecidos em defesa do lado fraco e oprimido. Ele, possuia cabelos longos e levemente desarrumados pelo vento, ao qual Gwenog assemelhou como um ninho de passarinhos ou talvez até um esconderijo para morcegos.
A segunda vez que Gwenog reconheceu devidamente a presença do primogenito dos Dearborn ela estava em seu quinto ano e ele no sexto. Estava fora da cama depois do toque de recolher, havia perdido o horário estudando para uma prova de poções na biblioteca e por isso ofegou e segurou a respirção quando cruzou com o rapaz no corredor. Talvez por estar acompanhado de uma loira que estava semi vestida pendurada em um de seus braços, ou por realmente não tê-la notado com devida atenção, Caradoc ignorou o fato de um aluno estar fora da cama após o toque de recolher; porém Gwenog tivera a certeza de vê-lo direcionar-lhe um sorriso divertido.
A terceira vez que a jovem de pele morena encontrou com o cabeludo foi quando o mesmo viera em sua direção na biblioteca, com passos mansos como de um felino que se aproxima do seu dono em busca de um afago; os grandes olhos a observavam com certa cautela e sem dizer nada o garoto apenas lhe entregou um pequeno bilhete escrito por McGonagall que lhe dizia que deveria ensiná-lo transfiguração. E na primeira oportunidade caçoou as habilidades da garota em poções, fazendo-a ficar furiosa e se negar a continuar ensinando-o.
No entanto, a quarta vez que Gwenog cruzara com Caradoc fora no dia seguinte. Mesmo com ela se recusando a dar-lhe as aulas, ele compareceu à biblioteca, ficando sentado à sua frente por horas, fazendo rabiscos aleatórios no livro de transfiguração, ao qual ela havia lhe mandado fazer uma leitura silenciosa. Daquele dia em diante, todas as tardes de segunda à sábado sentavam-se sempre na mesma mesa; na zona leste da biblioteca, próximo aos livros de transfiguração e à uma das janelas que dava-lhes uma bela vista do lago negro. Ela lhe designava afazeres, tão rígida quanto as professoras e ele sempre que possível tentava fazer alguma gracinha ou algum simples gesto que pudesse atrair sua atenção.
Não podia explicar como se sentia tão intensamente bem por simplesmente conseguir arrancar uma gargalhada dela tão menos como se sentia tão irritado quando ela lhe dizia que deveria se concentrar mais, que deveria crescer. Fato era que a jovem garota de longos cabelos e pele escura começara a roubar seus pensamentos e aparecer constantamente em seus sonhos. Ansiava cada vez mais pelas aulas particulares de transfiguração e seu sorriso se intensificava sempre que à via saindo do vestiário feminino antes de algum treino de quadribol, com uma expressão de total concentração. Gostava até mesmo quando ela lhe dizia que deveria cortar os cabelos. "Você esconde morcegos aí?" ela costumava lhe perguntar, mordendo os lábios avermelhados para não rir, antes de rebater algum balaço e voar para o outro lado do campo.
