Capítulo O5
o último pôr do sol.
— Não comece com esse assunto de novo Gwenog. Por favor. — O homem pediu, seu tom de voz demonstrando que estava farto daquele assunto.
A mulher morena suspirou, cruzando os braços e virando o rosto para a direção oposta, um movimento involuntário que sempre repetia quando estava com raiva de algo. Ou quando sabia que aquela seria uma batalha já perdida; o que era o caso.
— Acha que eu gosto de vê-la assinar seu nome de solteira? — Caradoc perguntou, as narinas inflando levemente, começando a ficar aborrecido. — Que eu gosto de ver na certidão de nascimento de Megan que a paternidade é não existente? — Agora seu tom de voz estava algumas oitavas mais alta que o normal, fazendo o pequeno bebê em seu colo se remexer soltando alguns barulhos aborrecidos — Que eu gosto de ver aqueles jogadores de quadribol dando encima de você por que não fazem idéia que você é a Sra. Dearborn e que temos uma filha juntos? — Sua voz ficava mais grossa a medida que despejava as palavras que sempre segurava quando a mulher insistia em querer tornar público o casamento.
Gwenog nunca fora de aceitar as opiniões alheias com facilidade, tão menos abaixar a cabeça para qualquer decisão que não partisse dela mesma. Porém dessa vez precisava admitir que o marido tinha razão; nos tempos atuais a pior coisa a se fazer era admitir qualquer ligamento com membros da Ordem da Fênix. Era como colocar um holofote sobre sua cabeça e implorar pela perseguição dos comensais. Gwenog possuia uma irmã e cunhado que faziam parte da Ordem. Se suspeitassem que havia se casado as escondidas com seu namorado de escola que era principalmente um dos membros fundadores do grupo que combatia os bruxos das trevas, não levaria dias para que os comensais lhe fizessem uma visita.
— Vá me dizer que se esqueceu do verão passado quando... — Porém antes que o homem pudesse continuar, Gwenog o interrompeu.
— É claro que eu sei o que aconteceu no verão passado. — Respondeu, o maxilar trincado, fazendo sua voz sair mais grave que o normal.
Bartemius Crouch havia unido as pontas soltas, descobrindo que Hestia Jones a auror que era uma verdadeira pedra em seu sapato tinha como irmã caçula a famosa jogadora de quadribol Gwenog Jones. A garota de pele escura ainda possuia as cicatrizes no corpo, da rápida visita que Bartemius lhe fizera. Afetada pela memória a morena passou levemente a mão pelo cotovelo, onde havia uma enorme cicatriz; Bartemius lhe empurrara contra uma mesa de vidro. Os medibruxos até lhe mandaram jogar na loteria bruxa. Alguns centímetros acima e a mulher jamais poderia voltar a segurar um bastão de Quadribol.
O Dearborn respirou fundo, ajeitando a manta da pequena Megan. Uma leve brisa bagunçava os cabelos longos e negros como ébano da jovem mulher, que resolveu deixar o orgulho de lado e aproximou-se do marido e da filha, recebendo de bom grado o braço que o mesmo passou por seus ombros. Em seu primeiro encontro, Gwenog confidenciara ao garoto de cabelos longos que adorava ver o nascer e o pôr do sol. Por tal motivo, todos os anos em um certo dia do mês de agosto, quando estavam nas férias escolares o garoto a levava para uma praia próxima a sua casa e assistia ao seu lado o pôr do sol, passavam a noite juntos admirando as estrelas e somente após o sol ter nascido novamente é que a levava para casa. E mesmo depois de casados, continuavam com esse mesmo ritual, trazendo agora a filha que em alguns dias completaria um ano.
— Eu entendo. Eu só realmente gostaria de ser tratada como senhora. E poder sair na rua com Megan sem um jornalista a ver e começarem as perguntas. E gostaria de assinar Gwenog Dearborn em qualquer pedaço de papel.
Caradoc retirou o braço que abraçava os ombros da jovem esposa e pegou a varinha que estava ao seu lado. Murmurou algo que Gwenog não entendeu e em poucos segundos um punhado de areia começava a transfigurar-se em um pedaço de pergaminho, tinta e uma pena. A mulher entendeu o que ele queria fazer e começou a rir, com lágrimas nos olhos escuros.
Pegou o pedaço de papel e com uma caricatura inclinada e elegante, assinou Gwenog Dearborn. Ao terminar, carinhosamente dobrou o pergaminho, colocando-o em seu bolso.
— Eu te amo, senhora Dearborn — Caradoc a puxou, voltando a aconchegá-la em seu braço, depositando um beijo em sua testa.
