Desafio 100 temas: Tema 89 – Sobre estrelas

Beta: Slplima querida amiga, não sei como agradecer todo o carinho, paciência em me ajudar. Obrigado, obrigado de coração! Minha amizade e lealdade forever and ever!

Notas da Beta: Minha amada amiga!

Que deleite apreciar outra faceta da vida dos nossos patinadores. Foi incrível ler, na sua escrita, o encontro dessas almas destinadas ao amor.

A estória que deu origem a uma das mais lindas sagas de amor do nosso imaginário, não é?

Parabéns!

Para mim é lisonjeiro e muito honroso poder desfrutar, em primeira mão, de tão primorosa obra de arte. Foi um prazer revisar cada palavrinha.

Obrigada pela confiança e amizade preciosos.
Beijos coelha maravilhosa.

Notas da Coelha: Quando vi esse tema, comecei a pensar que já havia escrito algo parecido com Milo e Camus quando utilizei o tema inspirado por uma fanart/foto, e eu sei que fiquei travada um bom tempo. Novamente fui vítima de uma crise de ansiedade, e todos meus projetos ficaram estagnados, o que não foi nem um pouco legal! Mas como sempre, uma hora a inspiração volta, e ela veio em forma de 7 novos plots, que só consegui colocar esse no ar. Espero que me perdoem por algo, e por demorar a atualizar as fics em capítulos. Não as esqueci!

Essa fanfic, também faz parte do universo alternativo Omegaverse criado na fic "Estarei sempre ao seu lado", não há necessidade de ler as anteriores, mas se sentir vontade, ficarei imensamente feliz se quiser ler, e deixar seus comentários. Sem mais, também espero que gostem dessa! Assim... enjoy!

Música inspiradora: Shining Star – The Manhanttans – Agradeço a minha irmã taniatay por ter me lembrado dessa música maravilhosa.

Mais um dia 29/11 que chega, e mais uma vez, mesmo com todos os problemas da vida particular desta Coelha, eu consigo fazer um presente para o aniversariante desta data!

Esse é meu singelo presente ao personagem que continua a me encantar, e que juntamente de seu par Vitya, me faz esquecer um pouco das agruras da vida!

Katsuki Yuuri, Tanjobiomedeto!

Parabéns, moya snezhinka! 3

oOoOoOo

O dia começava a se despedir no horizonte, e mesmo que houvesse sido bastante puxado e cansativo, fora também muito promissor.

O céu claro, um tanto acinzentado, dava seu até logo, deixando que o manto noturno tomasse seu lugar de direito, quando a pequena comitiva japonesa deixara o complexo esportivo, onde no dia seguinte, o jovem patinador estaria se apresentando na exibição de Gala.

Ao deixarem o carro, que os aguardou a frente do ginásio para deixá-los no hotel, Katsuki Yuuri, a revelação japonesa, caminhou apressado ao lado de seu técnico e sua tutora para evitarem alguns repórteres e suas perguntas invasivas sobre sua ida para o grupo Sênior, e até mesmo sobre sua vida!

Definitivamente, ele não queria aquilo para si!

Não queria que sua intimidade fosse revirada quase aos avessos apenas para saberem de algum segredo, ou sua preferência sexual.

Para ser sincero, ser um ômega solteiro no meio da patinação artística era um verdadeiro desafio. E até aquele momento, Yuuri e sua equipe haviam conseguido se sair muito bem, obrigado!

Todavia, o que realmente tinha feito a imprensa voltar seus olhos ávidos e desejosos por saber para cima do nipônico, fora o fato de que ele já estava ficando um tanto velho para ainda permanecer longe do grupo mais experiente.

Não era novidade que assim que ele completasse dezoito anos seguiria para o grupo da elite da patinação. Mas Yuuri ainda não queria ter de lidar com perguntas desnecessárias e que possivelmente ofuscaria seu feito: ganhar o ouro no Campeonato Mundial de Juniores!

Não, ele não queria que isso acontecesse!

Mas desde que ganhara, e que a medalha de ouro repousara em seu peito, Yuuri parecia sentir uma pressão violenta sobre si. Ele sabia que isso poderia acontecer, mas não esperava deixar-se abater tanto. Era até mesmo estranho estar se sentindo tão ansioso.

Talvez, quem sabe, estava se sentindo daquela forma por mais uma vez estar se cobrando demais, esquecendo que já podia relaxar. Divertir-se um pouco seria uma boa saída, no entanto, isso parecia estar a milhas de distância, e o medalhista de ouro se sentia afogar em seu desgaste emocional.

Bufando levemente, Katsuki deixou-se guiar para dentro. Deveria agradecer por estar usando uma máscara cirúrgica, assim seu semblante preocupado não seria facilmente captado pelas câmeras de TV`s ou lentes dos fotógrafos, que se espremiam defronte ao hotel na esperança de conseguirem um grande furo entre as estrelas juniores da patinação.

Voltando seus olhos curiosos em todas as direções o moreno avistou, ao longe, a delegação russa, e entre eles o mundialmente famoso, astro do time Sênior, Viktor Nikiforov.

E nossa!

O coração do pobre jovem se agitou freneticamente. Uma covardia!

Primeiro, descompassando as batidas, para logo em seguida falhar miseravelmente. Ter uma paixonite, podendo até dizer 'amor' pelo alfa desde tenra idade, de nada o ajudaria naquele momento. E tudo que Yuuri queria, mais do que qualquer outra coisa, era conseguir se esconder em seu quarto.

Porém, aquilo talvez estivesse longe de acontecer. Tinha responsabilidades a cumprir, afinal.

Arregalando os olhos, Yuuri tentou conter sua excitação. Ele nunca tivera a oportunidade de estar tão próximo do alfa lúpus, e apenas por pensar que o mesmo estava ali contemplando o Mundial de Juniores, sentia como se lhe faltasse o ar. Sua ansiedade ganhando as alturas.

Proporções estratosféricas, diria Mari, sua irmã!

Balançando a cabeça contrariado e pasmo com o próprio nível de infantilidade, tentou afastar aqueles pensamentos indesejados. Ele não queria fazer feio, ou mesmo bancar o bobo com o platinado ali, vendo tudo!

Preferia cair sobre o gelo e quebrar as pernas.

"Maldição." - praguejou, cerrando os dentes, muito frustrado.

Baixando os olhos, Katsuki parou ao lado de sua tia Minako, que estava como sempre, como sua tutora, e desejou que conseguisse passar sem chamar muita atenção pelo hall do hotel.

"Apenas não olhe para o lado dos russos, Yuuri! Não olhe, não olhe!" - pensou o jovem, tomado por insegurança, ao mordiscar o lábio inferior num tique nervoso.

Pelo canto dos olhos ainda pôde ver os patinadores russos conversando alegremente, e Viktor continuava ali junto deles, com toda sua graça e graciosidade encantadoras.

"Mil vezes, mil vezes maldição." - encolheu-se muito, muito irritado consigo.

Só pensar no alfa platinado fazia o nipônico sentir uma grande revolução interna. Ele nunca poderia, sequer, sonhar com essa possibilidade, e muito menos sonhar com uma oportunidade como essa!

Se alguém lhe contasse quando começou a se interessar pela carreira do alfa que Viktor estaria presente em todos os dias de competições, e que também quereria assistir a gala, ele, Katsuki Yuuri, a promessa japonesa, não acreditaria.

Realmente, seria muito difícil de acreditar.

Era surreal demais para o seu gosto!

No entanto, aquele não era seu maior problema. Ele temia congelar e parecer um verdadeiro bocó a frente de seu ídolo.

Suspirando exasperado, e agonizando, Yuuri voltou sua atenção para Celestino e Minako. Os dois pareciam estarem trocando pequenas frases quase ao pé do ouvido um do outro.

"Deveriam se assumirem logo, ao invés de ficarem tentando esconder o que não precisa." - refletiu, já cansado.

Seria até reconfortante para o ômega, se não o fizesse sentir-se mais agoniado, pois ele conhecia a paixão que Ciau-Ciau possui por sua tia, e que esta correspondia a altura. Se não estivesse em plena final não ligaria de ficar sozinho, dando um tempo aos dois, mas agora, muita coisa estava em jogo. Os adultos não podiam esquecê-lo, ou podiam?

Imerso em seus confusos pensamentos, Yuuri deu um pulo ao escutar seu nome ser proferido pela tia.

Revirando os olhos se aproximou mais um pouco, pois de verdade, ele não sabia dizer quando fora esquecido para trás.

-Yuuri, o que você tem? - a ômega mais velha preocupou-se ao captar, mais uma vez, o muxoxo feito pelo sobrinho. - Não me diga que está preocupado com a gala? - questionou ao lhe sustentar o olhar. - Ou devo pensar que se encontra impaciente, pois certo alfa lúpus estará mais uma vez presente para vê-lo patinar? - perguntou afiada, não dando tempo do jovem responder.

-Tia! - Yuuri alarmou-se ao escutar a última parte. Voltando os olhos de seu técnico para a mulher com olhar zombeteiro, desesperou-se mais, pois Celestino e Minako tinham sorrisos cúmplices. - N-não, não tirem conclusões precipitadas! - pediu ao ajeitar a mochila melhor no ombro. - Não tenho motivos para tanto, ademais, Viktor Nikiforov não teria por quê reparar em um patinador medíocre, que não vale mais que um iene, quando tem muitos outros para apreciar! - ciciou o ômega ao baixar os olhos.

Conformado? Talvez!

Não queria nutrir esperanças e se ferir depois. Não mesmo!

-Yuuri! - preocupado, Celestino, arqueando as sobrancelhas, sustentou as íris chocolate. - Eu não pensaria dessa forma se fosse você! - começou ao chamar a atenção de seu aluno mais precioso. Ele sabia como lidar com aquele jovem, mas nunca imaginara vê-lo tão arredio e negativo. - Você merece estar no lugar mais alto no pódio. E te garanto que foi notado por muitos, incluindo aquele jovem alfa platinado e cheio de charme.

-Ele não é indiferente a você, Yuuri! - Minako murmurou, e sorriu, terna, ao abraçar carinhosamente o moreno. Ela o tinha como seu próprio filho, e como Hiroko, já havia notado certas coisas, que no momento não deveriam serem ditas.

-Não parece. - Yuuri respondeu, baixo demais, não querendo acreditar nas palavras da tia e de seu técnico.

-Tudo a seu tempo, meu pequeno príncipe pessimista e incrédulo. - ciciou a ômega, que afagou carinhosamente os cabelos negros macios, antes de liberá-lo de seus braços.

Sem tentar compreender o que seu técnico e tia queriam dizer, Katsuki sustentou-lhes os olhares, imaginando que, quem sabe, Minako e Ciao Ciao pudessem estar de complô contra ele, querendo passar algo que ele não queria sonhar em ter.

Com as sobrancelhas arqueadas, e o semblante preocupado, o patinador aguardou pacientemente pelo desfecho do que Cialdini tinha mais a lhe falar.

-Não, não me olhe assim, Yuuri! - Celestino exigiu, incisivo, ao gesticular rapidamente com ambas as mãos a frente do corpo. - Sei perfeitamente bem que você percebeu, e sentiu, os olhares cobiçosos de muitos alfas, mas apenas um pareceu o cativar! - o técnico o confrontou, como um gato que encurrala o ratinho.

- Não é o … - tentou se defender. Só tentou.

-Yuuri, Yuuri… eu não disse estar pensando alguma coisa, disse? - Celestino continuou, e sentiu-se mais animado em prosseguir ao escutar o incentivo de Minako. - Posso apenas lhe dizer uma coisa, meu dileto aluno... - fez uma leve pausa para dar maior ênfase ao que iria dizer. - Cego é aquele que não quer ver! - e sem mais nada a dizer, sorriu para o medalhista de ouro um tanto enigmático.

Piscando várias vezes, Yuuri tentou se acalmar, e colocar em ordem sua mente, mas ele já sabia que seria uma tarefa difícil.

Estava claro, como cristal, que ele havia notado a atenção do alfa platinado voltada para si. Suas íris cerúleas pareciam arder, pinicar. Estava se sentindo... querido?

Quem sabe!?

Mordiscando o canto da boca por dentro e, em seguida, balançando a cabeça, Yuuri voltou a olhar para sua tia e mestra de balet.

-Vou para o quarto! - ciciou, ao mirá-la cabisbaixo. - Não vão ficar de pileque, não se preocupe comigo. - sorriu, ao notar como era mirado severamente pela tia.

-Ora, Yuuri! - exclamou a antiga bailarina. - Vá direto para seu quarto, está bem? - pediu, antes de lhe sapecar um beijo na testa.

- Pode deixar, Minako-sensei. - respondeu o moreno enquanto ia se afastando.

Aproximando-se das portas metálicas escovadas do elevador, Katsuki deu uma olhadinha para trás, tendo tempo de ver a tia e Ciao Ciao de braços dados, conversando com ninguém mais do que com o técnico russo, Yakov Feltsman.

Sentindo-se sufocado, seu coração falhou uma batida. O ômega nipônico, mirou rapidamente, e apavorado, em todas as direções, buscando encontrar o platinado – o qual deveria estar com seu técnico naquele momento -, mas ao que tudo indicava, o Imperador do Gelo não estava mais por perto.

Dando de ombros, e expirando com toda força todo o ar que manteve preso nos pulmões, Yuuri venceu a distância que faltava para finalmente estar a frente do painel eletrônico. Sem pensar muito, apertou o botão de 'subir' para chamar o elevador.

Voltando para a frente das portas, se impacientou. Olhos ávidos e curiosos voltaram várias vezes para o indicador luminoso logo acima da entrada para acompanhar o progresso daquele objeto de metal e vidro.

"Que negócio mais lento."- pensou ao fungar ruidosamente, demonstrando o quanto estava ansioso.

Na realidade, Katsuki queria ficar no seu mundinho pequeno e isolado. O que sabia, infelizmente e em primeira mão, que não era mais possível.

Ah! O preço de ser um patinador começando a despontar.

Por muitas vezes, o jovem ômega se perguntava se seus antecessores naquele esporte maravilhoso, e até mesmo atletas de outras modalidades, se sentiam como ele, ou se realmente, ele era diferente.

Estranho.

Ensimesmado.

Controverso.

Balançando levemente o corpo para frente e para trás, voltou os olhos surpresos ao escutar, finalmente, o barulho sonoro indicando que o elevador havia chegado.

Entrando lentamente, parou ao lado do painel de controle buscando o botão para o seu andar, acionando-o, e em seguida, apertou sem muito pensar o botão para fechamento das portas mais rápido.

Foi quando ouviu aquela voz.

-Segure o elevador, por favor! - aquela, aquela voz. Não havia dúvidas.

O timbre levemente rouco obrigou o ômega a voltar para seu eixo, chamando-o para a realidade, e o levando a apertar outro botão, o qual ele não saberia dizer se adiantara, pois uma mão muito pálida bloqueou o fechamento total da porta, a fazendo abrir devido ao dispositivo de segurança.

De olhos arregalados, Yuuri encarou o recém-chegado. O coração parecia que iria lhe sair pela boca devido ao tanto que batia desenfreado.

De todas as pessoas que poderiam estar ali com ele, justamente seu ídolo se materializava como em um passe de mágica?

Bizarra seria a melhor palavra para poder justificar aquela situação.

Sim. Bizarra!

"Estou morto!" - Yuuri constatou, assim que o outro, cheiroso feito um jardim em plena primavera, se aproximou.

-Obrigado! - o alfa lúpus agradeceu. E, finalmente, quando notou quem estava ali, tão próximo de si, sorriu docemente. Regozijando-se orgulhoso por ver o belo jovem com as bochechas levemente tingidas de vermelho.

-N-Não precisa agradecer! - Yuuri balbuciou sem jeito, quase atropelando o seu inglês.

Agora, sim, estava nervoso. Iria morrer, sabia disso!

-Claro que preciso! - ronronou o platinado, ao se aproximar um pouco mais do japonês, e apertar o botão referente ao seu andar. Claro, e perceptivo como era, não sem notar a luz indicativa a qual mostrava qual o andar daquele tímido, mas charmoso e delicioso patinador.

-Vik… Viiktor… - gaguejou Yuuri, mais envergonhado do que nunca esteve em sua existência. Se é que isso era possível.

Nesse caso... sim, era!

Sustentando as íris chocolate, que para Viktor pareciam derretidas, viu-se refletido nelas. Pequenos pontos com tracejados dourados, e brilhantes como dois diamantes polidos.

Fascinante, como todo o restante do conjunto da obra.

Viktor tinha de concordar com o que a imprensa dizia sobre aquele jovem e promissor patinador, Katsuki Yuuri. Como fora mesmo que vira em uma revista? 'Jovem promessa japonesa com seu jeito meigo e sua força, poderia muito bem ter chegado aos seniores alguns anos antes.'

"Uma pena que ninguém sabe dizer ao certo porque isso não aconteceu antes!"- pensou Viktor, ainda sustentando o olhar do patinador mais novo.

Engolindo em seco, Yuuri desviou um pouco os olhos. Havia pensado tanto em como se comportar quando tivesse a oportunidade de estar perante o alfa, e agora que finalmente estavam tão próximos, não sabia como agir. O que dizer? O tempo parecia correr lentamente.

Muita crueldade!

Uma prova de fogo!

-Parabéns por sua vitória! - Viktor o parabenizou com um sorriso bonito, o qual lembrava um coração. - Você consegue ter uma boa explosão em seus saltos. - pontuou contundente.

-Não sei como consegui ficar em primeiro. - murmurou pensativo. - Meu Toe Loop não aconteceu como eu queria. - Yuuri ruminou, um tanto sentido.

-Sim, pode ser. Bem como balançou na saída de seu Salchow, mas esses pormenores podem ser melhorados, e eu acredito que os juízes viram o mesmo que eu… - Viktor se interrompe, pois as portas se abrem dois andares após o térreo.

-Desce? - uma senhora perguntou, assim que avistou os jovens.

-Sobe! - Viktor responde prontamente, com um sorriso sugestivo, que o ômega conhecia como o mesmo que ele geralmente usava em entrevistas. - O que eu estava dizendo? - questionou-se travesso, ao levar o dedo indicador aos lábios e focar sua atenção nas portas que se fechavam. - Ah! Sim! Você teve uns deslizes, mas nada que afetasse seu programa. Você parece fazer música com seu corpo quando patina. E creio que os juízes viram isso também. - completou, emanando certeza.

-Como você chegou a essa conclusão? - Yuuri estava estupefato. Como o alfa podia ter percebido tudo isso a respeito de sua performance?

"Meu Deus, isso está mesmo acontecendo comigo, não está?" - Yuuri cruzou os braços e aproveitou para se beliscar. A dor que veio em seguida o convenceu que sim, estava acontecendo.

-Sou bom em observar! - Viktor respondeu, simplesmente, não querendo revelar, é claro, que após ter prestado maior atenção naquele ômega algumas competições antes, que havia pesquisado sobre o mesmo na internet, tentando assistir tudo o que encontrava sobre as apresentações deste.

Admitia... estava viciado no lindo e promissor japonês.

-Ah... entendi! - respondeu o júnior, avoado, sem conseguir saber como agir. Verdade fosse dita, ele estava morrendo de vergonha e assombro. E não queria ser indelicado fazendo perguntas que um fã faria.

Mal sabia ele que sua resposta evasiva soava como música aos ouvidos de Nikiforov.

O astro da patinação artística compreendeu que o seu deslumbramento refletia em Yuuri.

-Não, eu falo sério, Yuuri! E eu ainda não consegui entender porque um patinador com tamanho potencial ficou como Júnior até quase... seus dezoito anos? - Viktor capturou-lhe novamente a atenção. As íris, agora levemente avermelhadas, presas as suas cerúleas.

-O técnico Celestino achou que eu poderia me sair melhor com um pouco mais de experiência. Mas devo admitir que, mesmo agora, não me sinto preparado. - Yuuri desviou mais uma vez os olhos, constrangido. Não conseguia continuar uma conversa com o platinado quando sentia que este o tinha como um livro aberto.

-Eu discordo! - quando percebeu, Viktor já havia deixado sua opinião escapar em um rompante de impulsividade. E claro, não lhe passou despercebido que o moreno parecia começar a ficar... acanhado? Coagido, ou quiça, nervoso devido a sua insistência?

-Como você pode discordar? - Yuuri rebateu. Ele nunca poderia imaginar ter uma conversa com seu ídolo, ainda mais sobre sua patinação e potencial. - O técnico Celestino sabe o que é melhor para mim! - completou.

-Às vezes, não! - mais uma vez, o alfa deixou sua impulsividade falar mais alto. - Por vezes também temos que dar nossas opiniões a respeito de tudo que executaremos na composição que vamos apresentar! - e ao ver os olhos chocolates arregalados em surpresa, continuou para conseguir pontuar a questão. - Yakov, no começo gostava de fazer isso comigo, mas depois de um tempo percebi que nem tudo que ele achava ser o melhor para mim o era de verdade! Foi quando comecei a me impor, respeitosamente claro. Afinal, eu tenho que gostar do que vou executar no gelo, e creio que as coisas melhoraram e muito.

-Ah! Sim… - Yuuri replicou ao tomar coragem de mostrar as diferenças entre eles. - Ao contrário de você, eu não sou insubordinado. Ainda sou considerado menor de idade, e creio que meu técnico e minha tutora realmente saibam o que é melhor para mim!

-Ah! Yuu-ri! - Viktor pontuou o nome do ômega segurando mais nas vogais duplas. - Você me acha insubordinado? - perguntou fazendo beicinho.

Viktor, 'drama' poderia ser seu nome do meio.

Arqueando as sobrancelhas, Katsuki mirou o russo incrédulo. Ele nunca sonharia que Nikiforov seria tão amigável na primeira vez que eles se encontrassem.

-Não fui eu quem insinuou isso! - Yuuri ciciou ao sentir seu rosto pegando fogo. Como ele gostaria que o elevador chegasse logo no sexto andar. - Você mesmo disse que se rebelou contra as opiniões de seu treinador. - mordiscando o lábio inferior, o jovem desejou ardentemente que o elevador chegasse logo em seu andar.

Andar...

Em qual andar estavam mesmo?

-Nono andar? - Yuuri se assustou. A voz mais alta que o normal. - Eu deveria ter saído no sexto!

-Sexto? - Viktor indagou-lhe ao fazer sua melhor cara de desentendido. - Nem vi quando passamos pelo seu andar, acho que me distraí com nossa conversa.

-Tudo bem, eu posso voltar quando chegarmos ao seu andar, e… - Yuuri parou de falar antes mesmo de ter conseguido terminar seu pensamento.

As luzes começaram a piscar. A velocidade parecia ter diminuído, e um barulho alto de algo estourando calou fundo na alma do ômega. Em seguida, quase no mesmo instante do estouro, as luzes falharam e o elevador parou entre o décimo e décimo primeiro andar.

-O que foi isso?

-O que está acontecendo?

Viktor e Yuuri questionaram ao mesmo tempo.

O escuro tomou conta de tudo por minutos que pareceram horas. Até que uma iluminação fraca de emergência tomou parcamente o local.

Piscando várias vezes, Yuuri olhou pela primeira vez para vista do outro lado. Metade da cidade - o que parecia -, estava imersa no escuro.

-O que será que aconteceu? - Viktor, que também havia se dado conta da paisagem ao redor deles, perguntou ao se aproximar e parar ao lado do moreno.

-Não faço a mínima ideia! - Yurri respondeu titubeando. - Como vamos sair daqui? Se for uma pane elétrica, pode demorar, e oh! Céus! - gemeu antes de se virar e observar próximo ao painel de controle. - Vamos ficar aqui até quando? - perguntou ao demonstrar que estava praticamente em pânico.

-Ei, ei, calma! Podemos pedir ajuda pelo interfone, e sempre temos nossos telefones celulares. - Viktor tentou acalmar o ômega.

-Sim, claro! Mas o problema é quanto tempo até virem nos tirar daqui? - Yuuri insistiu.

-Bem, é o que vamos descobrir. - garantiu Viktor ao se aproximar do painel e, com alguma dificuldade, abrir o compartimento onde ficava o aparelho para que pudessem interfonar.

Yuuri um tanto impaciente – impaciência essa movida por sua ansiedade -, se aproximou do platinado, tentando não perder nada do que ele fazia ou dizia.

-Alô! - chamou o lúpus ao encostar o fone próximo do rosto. - Alguém? - Viktor acabou ficando um pouco atordoado. Ninguém havia lhe respondido. Ele sabia que deveria esperar um pouco, mas mesmo apertando a tecla de liga e desliga do aparelho, nada acontecia! - Está mudo. - informou ao recolocar o fone em seu lugar. Sem dizer nada, o russo pescou seu celular do bolso ao mesmo tempo que o do nipônico começava a tocar.

Trocando um rápido olhar entre eles, Yuuri viu quando Viktor deu uns passos de distância para que os dois tivessem um mínimo de privacidade, mesmo sabendo que era inútil tomar uma atitude como essa estando ambos numa caixa metálica minúscula.

Caminhando de um lado para o outro o alfa pôde captar uma conversa rápida em outro idioma, o qual Viktor identificara como sendo a língua natal do japonês. Deixando um pouco para lá, o platinado voltou a prestar atenção ao que Yakov, alterado, quase gritava em seu ouvido.

-Ao que parece, eles ainda não sabem o que aconteceu. Apenas nos pediram para ficarmos calmos que o socorro logo vem. - Viktor comentou ao dar alguns passos em direção do outro homem.

-Que situação! - gemeu Yuuri ao evitar ficar olhando para baixo. Não que tivesse medo de altura, pois não tinha, mas era algo agoniante. Se afastando da frente panorâmica, acabou indo ficar próximo de onde antes estivera.

-O que aconteceu? - perguntou ainda com seu treinador na linha. Era uma pergunta direta para Yuuri, e Viktor praguejou quando o alfa mais velho retrucou algo como já ter respondido aquela pergunta. - Yuuri, tem algo te incomodando? - o platinado perguntou, ao finalmente desligar seu eletrônico para dar atenção ao moreno.

-Não, eu não sei dizer, não sei se seria incomodo! - respondeu o ômega ao mesmo tempo em que deixava sua mochila ao lado de seus pés, e recostava-se na parede.

-Não se preocupe! - pediu ao se aproximar um pouco mais. - Eu já fiquei preso uma vez em um elevador, claro que não como este, era um normal, e eu tive que esperar quase meia hora até que eles conseguissem fazer o meu resgate. Eu lembro de ter sido inconsequente e ficado jogando em vez de não gastar bateria para o caso de uma emergência. Em minha defesa – se apressou em dizer antes de ser mirado com interesse -, eu era muito jovem e estava sozinho!

-Ficou entediado… - Yuuri comentou, e com um sorriso de lado foi sentando no chão e encostando as costas na parede. - Ainda bem que você nunca teve uma crise de medo ou ansiedade, Viktor! - ciciou mais para si mesmo, não esperando que Nikiforov ouvisse.

-Não, realmente, eu não me lembro de ter tido algum tipo de crise, ou ansiedade em qualquer outro tipo de situação. - Viktor se aproximou e indicando o lado vazio perto do moreno aguardou ser autorizado a se sentar.

Balançando a cabeça, Katsuki concordou em ter o alfa lúpus ao seu lado.

Deslizando o corpo lentamente para aperto do outro, Viktor observou o céu escuro, as estrelas salpicando o manto ébano com suas luzes. Uma mais brilhante que as outras.

-Você quer conversar sobre algo? - perguntou o platinado, e ao ver o jovem negar veemente, Viktor arqueou uma sobrancelha. - Vamos, Yuu-ri… se ficarmos em silêncio as horas demorarão mais a passar, e teremos a sensação errada. - fazendo beicinho de novo, tentou reverter a situação dobrando a decisão do moreno com um pouco de graça.

Agora fora a vez do nipônico arquear as sobrancelhas, e sorrir. Um sorriso pequeno, mas um apenas para o alfa.

Viktor gostou da sensação que o invadiu ao ter aquele meio sorriso apenas para si. Algo natural, e não forçado como eles tinham o costume de usar quando necessário. O coração do russo palpitou levemente. Mesmo sentindo vontade de continuar falando, Nikiforov decidiu que não gostaria de contradizer a vontade de Yuuri.

Suspirando, o mais velho recostou sua cabeça na parede. Era desconfortável, mas era o que tinha para o momento. Assim, sem reclamar, fechou um pouco os olhos, desejando que o resgate demorasse o tempo que fosse apenas para poder aproveitar aquele momento fugaz.

Egoísta? Talvez!

Mas para ter um pouco de tempo ao lado de Katsuki Yuuri, ele, Viktor Nikiforov faria qualquer coisa!

Christophe estava certo! Desde aquela campeonato que os dois estavam vendo os atletas mais novos competirem, que seu interesse pelo japonês havia despertado. Como se seu alfa sentisse necessidade de estar com ele, mesmo não tendo a oportunidade de sentir seu aroma.

Ah! Os feromônios de Yuuri!

Como ele queria poder senti-lo.

Seria interessante se ele pudesse, mesmo, sentir. Nem que fosse um resquício do cheiro verdadeiro do ômega. Algo um tanto perigoso, mas o platinado tinha quase certeza que valeria muito a pena! Imagina você se eles fossem destinados?

Balançando a cabeça, tentou afastar os pensamentos nada castos. Mas era humanamente impossível esquecer a imagem desejosa do ômega gemendo embaixo de si.

Mordiscando o lábio inferior com um pouco mais de força, Viktor buscou por seu controle. Seu alfa parecia patear em seu peito em protesto, mas ele não conseguiria domar os efeitos dos supressores, e até mesmo a decisão do platinado.

Nunca seu alfa havia saído do controle, e não iria ser agora!

Não queria assustar Yuuri. Não mesmo.

Assim, o lúpus tentou relaxar mais um pouco, repetindo um leve mantra mental. Sua respiração foi ficando mais calma.

oOoOoOo

Yuuri podia ouvir a respiração pausada, calma e rítmica do homem sentado a seu lado. Como ele gostaria de apoiar seu corpo no dele. Como ele queria sentir a quentura de Viktor o aquecendo, ter seus braços ao redor de sua cintura. Descobrir se seus lábios finos e levemente rosados eram macios e saborosos como pareciam serem.

Nem em seus sonhos mais loucos ele poderia imaginar que uma pane, um apagão total, os deixariam presos naquele cubículo.

Voltando seus olhos para o céu, deixou que um pequeno sorriso entristecido surgisse. Era inaceitável poder ter aqueles momentos, e depois os ter apenas na memória. Afinal, o que um alfa como o platinado iria querer com ele?

Yuuri se sentia tão chateado, pequeno. Todavia, teria de se conformar, e aceitar aquele presente que o destino estava lhe dando.

Então, por que ele não conseguia se conformar?

Por mais que ele tentasse entender, achar um motivo, ele não conseguia. E não só isso, o ômega esperava não ter entendido errado; Viktor havia se interessado por ele?

Nããããoooo! Era impossível!

No entanto, e se fosse verdade? Se assim fosse, ele teria de fazer por merecer na sua apresentação de gala. Não poderia errar.

Com olhos brilhantes e curiosos, voltou sua atenção ao platinado. Os cílios longos roçando nas maçãs do rosto, os lábios róseos, e a respiração lenta. Se pudesse, Yuuri ficaria o dia todo o apreciando. Só que não poderia.

Katsuki Yuuri não era um ômega tão bom como tantos outros, o tipo que faria Viktor feliz. Tentando conter sua baixo autoestima e ansiedade o ômega só percebera que lágrimas banhavam seu rosto devido a se sentir frustrado tarde demais. Doeu muito saber que um dia aquele homem lindo e maravilhoso teria outro para seu companheiro.

Os soluços chacoalhavam o delicado corpo do jovem.

Precisava se controlar!

Mas por hora, deixaria sua dor se esvair na forma de lágrimas.

oOoOoOo

Viktor abriu os olhos ao escutar as várias fungadas e soluços.

Por quanto tempo havia adormecido?

Não poderia ser há muito tempo, pois ao abrir os seus olhos e conseguir focar no céu noturno e nas estrelas a recordação de onde, e com quem estava, o atingiram em cheio e forte em seu peito.

O alfa não queria ser indelicado, mas ele não conseguia entender por quais motivos o Campeão Júnior do Mundial estava chorando tão sentido ao seu lado. Ele queria poder abraçá-lo. Confortá-lo como merecia, mas como alguém que nunca teve contato poderia extrapolar a barreira da intimidade?

Pelo canto dos olhos notou que o jovem ômega estava abraçando as próprias pernas, e tinha a cabeça enterrada nos joelhos.

"O que aconteceu enquanto eu cochilei?" - pensou Viktor, começando a se sentir culpado por não ter insistido em ficarem conversando, e por ter adormecido.

Sem muito pensar conseguiu puxar um lenço de seu bolso, e sem cerimônia o colocou entre uma das pequenas mãos, que se agarravam fortemente nas pernas dobradas.

-Aceite, Yuuri! - pediu com gentileza, ao conseguir divisar os olhos chorosos do jovem ômega. - Por favor, o que aconteceu, Yuu-chan? - perguntou, e ao vê-lo balançar a cabeça negativamente o alfa quase o puxou para si em um abraço, querendo consolá-lo. - Não fique assim… me deixe ajudar! - Viktor praticamente implorou. - Às lágrimas não combinam com você! - disparou, sem nem perceber que esticava o braço direito, tocando gentilmente o rosto marcado pelas lágrimas.

Yuuri, soluçando mais forte, tornou a esconder o rosto novamente.

Era realmente tão surreal!

E que papelão estava fazendo na frente do alfa.

-Desculpe. - Katsuki murmurou. - Esse sou eu, quebrado, ansioso. Um ômega que não vale mais que meio dólar.

-Nunca mais diga isso sobre você! - Viktor ordenou ao mirá-lo seriamente. - Eu não sei o que desencadeou isso em você, e creio que por hora, você mereça um abraço. - e ao terminar de falar, colocou em ações o que havia dito. Envolvendo a cintura do ômega, puxou-o de encontro a seu peito, cingindo com os dois braços a cintura esguia.

Assustado, Yuuri retesou o corpo um pouco. Não entendia como tudo estava acontecendo.

-Relaxe, Yuuri! - Viktor pediu. A voz baixa, compassiva, terna. Ora, se um dia soubesse que iria agir assim, tentando confortar alguém que havia acabado de conhecer, ele se acharia um doido de pedra. Mas não agora… esse homem aconchegado em seus braços era maravilhoso.

-Como posso relaxar se nem nos conhecemos direito! - Yuuri disse num sussurro acanhado, ainda mantendo o corpo duro. Tentando evitar um maior contato.

-Ora… não seja por isso. - Viktor começou ao empurrá-lo um pouco para poder mirá-lo diretamente nos olhos. - Prazer, sou Viktor Nikiforov! - sorriu e sentiu seu coração falhar algumas batidas apenas por divisar o pequeno sorriso entre as lágrimas do moreno.

-Prazer, Viktor! Katsuki Yuuri! - respondeu o japonês.

-Viu, agora não somos mais desconhecidos. Somos amigos! - e sem esperar, ou pensar, o alfa puxou o ômega para seus braços mais uma vez.

Uma pena que não podiam mesmo sentir o cheiro um do outro.

-Você vai me contar o que está acontecendo? - pediu o alfa ao tentar não pensar em nada mais do que ajudar.

-Eu sou uma pessoa ansiosa, Viktor! Tenho problemas com isso, e acho que esse problema que nos aproximou tenha me feito pensar em coisas. É tão difícil colocar para fora! - choramingou. - Creio que agora você não vai querer mais estar perto de mim. - ciciou entristecido.

-Ei, ei… não faça isso! - pediu. - Lembra, eu sou insubordinado, teimoso, e um perfeito cabeça dura. - começou Viktor, a voz calma, uma das mãos acariciando lentamente as costas do moreno. - Prometa que não vai tentar criar algo que não existe em sua cabeça? - e encarando Yuuri, Viktor fez uma cara de cão sem dono.

-É mais forte do que eu. - chorou mais um pouco o moreno. - Quando era mais novo, e até hoje, quando sinto que não estou bem, gosto de apreciar o céu noturno, as estrelas. Buscar minhas forças no firmamento!

-Então, veja! - Viktor o ajudou a se virar um pouco, mas sem o soltar, mantendo-o em seus braços. - Olhe as estrelas, o firmamento! - pediu com um leve sorriso. - Quando eu era pequeno, e creio que até hoje, apesar de ser menos do que eu gostaria, também me pego observando as constelações. Gosto de pensar que elas brilham para mim. - confidenciou. - Sabe, sem pedir nada em troca, só observando. E vez ou outra fazendo pedidos. - encabulado o alfa sorriu timidamente. Sentindo seu coração se aquecer ao ver o pequeno sorriso iluminando a face bonita de Katsuki. - Apenas não me ache um louco, mas como disse, observar as estrelas me transmite paz! - e fez uma nova pausa ao ver o moreno concordar. - Eu não sei o que te afligiu agora, mas vamos ficar aqui, pode ser em silêncio, observando a constelação de Orion. - e para pontuar o que dizia, apontou brevemente uma formação no céu. - Assim, quem sabe, seu coração se acalme, bem como sua ansiedade se vá. - convidou e, sem esperar, viu quando o ômega apontou outras estrelas, começando a relaxar em seus braços.

-Gosto quando consigo ver as Ursas. - contou ao acaso após algum tempo em silêncio. - Eu gostaria de ter podido ver a passagem do cometa Halley. Minha mãe disse que foi algo fabuloso!

-Minha mãe também. – Viktor comentou – Herdei minha paixão por contemplar estrelas dela. - confessou.

-Creio, então, que temos algo em comum. - gracejou Yuuri ao se aconchegar melhor de encontro ao alfa. - Olhe! - e apontando rapidamente para o rastro de uma estrela cadente instruiu. - Faça um pedido, Viktor! - e sem esperar, fez ele mesmo seu pedido fervoroso.

-O que você pediu? - Viktor perguntou ao quebrar o pequeno momento de contemplação em que eles haviam entrado.

'Curioso', esse poderia ser o segundo nome de Viktor também!

-Se eu te contar, meu desejo não irá se realizar. - Yuuri respondeu prontamente. De forma alguma iria contar o que havia pedido, ainda mais que incluía certo alfa lúpus russo.

Definitivamente não podia. E não iria contar!

-Sendo assim, também não contarei o meu, afinal, quero muito que ele se realize! - e com um sorriso divertido, voltou a olhar o céu. - Elas parecem brilhar com maior intensidade agora, não? - perguntou Nikiforov.

-Sim, parecem estar nos dando um belo espetáculo. - Yuuri concordou, e apontando uma em separado. - Veja… seu brilho é tão intenso!

-Sim! Aquela é Sirius, e lembra muito quando seus olhos brilham intensamente quando está patinando, ou como agora. O brilho é tão forte que me lembra dessa estrela. - Viktor só percebeu que estava flertando quando era tarde demais, mas não se arrependeria de ter feito o que fez. Ao voltar os olhos para o moreno, este estava com o rosto em chamas, e as lágrimas já não mais deslizavam por seu rosto bonito. - Viu só, eu disse que elas não combinavam com você. - e ao mesmo tempo que falava, acariciava o rosto do ômega.

Mirando os lábios cheios, levemente rosados serem mordiscados, Viktor não pôde se conter, avançando no espaço pessoal do moreno. E quando este não se afastou em objeção, se aproximou mais, roçando seus lábios em um beijo suave, casto, que só não foi aprofundado devido ao solavanco dado pelo funcionamento do elevador.

Com olhos arregalados, os dois se entreolharam.

-V-Voltou a funcionar! - Yuuri murmurou, ainda estando bem próximo do alfa. Colados.

- Sim, eu sei... - Viktor respondeu, hipnotizado, deixando seus lábios roçarem nos do homem a sua frente. - Que brilho raro… - ciciou ao se encantar mais e mais com o brilho especial dos olhos do Katsuki. - Um brilho tão especial, que eu quero poder apreciar sempre; esse brilho lindo de seus olhos. - declarou sôfrego, antes de mais uma vez roubar novo beijo, agora deslizando a língua pelos macios lábios do ômega, e aprofundando o beijo.

-Meu primeiro beijo! - Yuuri deixou escapar, ao esconder o rosto no peito largo do alfa.

O que fez com que o mesmo se regozijasse em contentamento.

"Se depender de mim, pequeno, quero ser o primeiro em tudo de sua vida. O primeiro e o único!" - pensou Viktor ao acarinhar os cabelos ébanos alternando com o início das costas.

-Venha, moya snezhinka! Creio que em breve estaremos no térreo, pois não estamos subindo. - constatou Viktor ao ajudá-lo a se levantar.

-Promete que vamos observar as estrelas mais vezes? - Yuuri perguntou ao tomar coragem.

-Sim, sempre que pudermos e que você quiser! É uma promessa. - Viktor o mirou com interesse, e para selar o que havia dito, o beijou com adoração. Um beijo amoroso, e carregado de muita esperança.

Ao se separarem, Yuuri pescou o celular dele de dentro de seu bolso do casaco.

- Aqui… - Yuuri estendeu o aparelho destravado para o alfa. - Me passe seu número. - pediu, e ao ver o platinado fazer o mesmo com o dele, sorriu ao imitar o gesto do mais velho.

-Agora podemos combinar de nos vermos após sua apresentação de gala. - Viktor sorriu abertamente.

-Sempre que quisermos, não só hoje! - Yuuri murmurou com um bonito sorriso, e ainda não acreditando no que estava acontecendo.

O alfa sentiu-se envaidecido! Queria puxá-lo para seus braços mais uma vez, mas assim que as portas se abriram, uma revolução se seguiu. Eles foram arrebatados pelos seus, que os levaram em direções opostas.

Enquanto Viktor e Yuuri se observaram naquela noite, poderia se dizer que estrelas eram espelhadas das íris cerúleas para as chocolates.

Um esplendor que irradiava felicidade.

O destino fazendo sua parte e atando os laços entre os futuros companheiros.

Observar as estrelas seria, a partir dali, algo simplesmente especial.

-Shining Star. - Viktor confabulou consigo mesmo, perdido em devaneios, enquanto caminhava lado a lado com seu técnico reclamão.

oOoOoOo

Lembretes e explicações:

Desta vez, a Coelha que aqui está, não conseguiu fazer muitas pesquisas, e eu peço que sonhem, como eu fiz, imaginando cada cantinho dessa nova história!

Momento Coelha Aquariana no Divã:

* ouvindo música enquanto arruma o pouquinho da fanfic para ir ao ar *

Kardia: Ouvi dizer que ela estava adoentada! *murmurando para o ruivo ao lado.

Dégel: Sim, e desta vez foi pior que das outras vezes. Assim, Kar, pega leve com ela, tá bem? Faz isso por mim? *fazendo beicinho.

Kardia: Hmm… ganho algo em troca? *olhar matreiro e cheio de interesse.

Dégel: Se for bonzinho, quem sabe! *o ruivo pisca os olhos várias vezes em pura sedução. Sem tempo para agir, quase grita alto quando o loiro o pega no colo, levando para o quarto. * - Kar…

Kardia: Shhhh… Gelo, quem sabe ela se inspire novamente e volte a escrever conosco!

Dégel: Realmente, você não tem jeito! *riso abafado.

*Coelha tirando os fones e voltando os olhos para todas as direções *

Sozinha? Mas eu jurava…
Ah! Deixa, melhor ficar quieta, pois vai que aparece uns e outros pra reclamar! *riso conformado

Olá para quem aqui chegou!
Agradecida mais uma vez por me dar nova chance, e eu espero conseguir voltar a escrever mais como antigamente!

Obrigado por ter lido, e se gostou, pode deixar um comentário, pois terei o prazer em responder, e como sempre digo: Ficwriter feliz, escreve mais!

beijos
Theka Tsukishiro