#Bakuten Shoot Beyblade não me pertence
#Ana pertence à Anamateia
#Aviso de potencial linguagem explícita
#Não betada
Boa leitura.
É domingo, um domingo de sol tranquilo onde Ana pôde acordar às nove e isso é a maior dádiva que ela poderia receber, principalmente depois de rodar por toda Kyoto com Kai a reboque - ela só voltou às dez porque Kai parecia realmente cansado, tão cansado quanto aquela cara de poker poderia transparecer e ela sabe diferenciar um olhar de "eu não ligo" para aquele olhar de pálpebras levemente pesadas que indicava "se eu não voltar pro hotel eu vou dormir no banco de praça mais próximo e foda-se você".
Quando você treina como um condenado e praticamente vive com seu treinador, você aprende algumas coisas, como o temperamento perpetuamente ruim deste.
Mas bem, voltar cedo foi algo bom, ela pensa. Um pouco mais e seu corpo estaria ainda mais triturado, nem o exercício de perna mais pesado poderia competir com a pernada da noite anterior (e da semana que já tinha sido bastante agitada por si só); é então que Ana se lembra que não treina há algum tempo. Treino focado ela quer dizer. Ela está passando pelo corredor quando que ela ouve o familiar choque de metal colidindo - um metal muito específico de uma peça muito específica que ela sabe que pertence a alguém... Muito específico.
De uma das janelas do primeiro andar ela pode ver Kai lá embaixo, agachado próximo à borda de uma cuia média, muito concentrado se o ângulo baixo e fixo de sua cabeça for algum indicativo. Dranzer está fazendo... Coisas de Dranzer. Praticamente parada no centro fazendo algumas sequências de investidas. Ela admite que não conhece aquele movimento e para para olhar atentamente. Parece um movimento de boxe. 1, 2, esquiva, 1, 2, esquiva... Ela se lembra que Dranzer é um tipo Equilíbrio, um pouco inclinada para o Ofensivo, qualquer que seja dos dois, se ela ainda se lembra de todas a batalhas que já teve - e com certeza não é um número para se envergonhar - são movimentos mais próximos de um estilo Resistência; se Kai quer inovar ou tentar alguma estripulia digna de sua reputação de devastador de cenários - e por conseguinte, de si mesmo - ela com certeza não vai ter algo a dizer sobre isso, nem sequer teria a chance de competir com as ideias malucas dele.
Se apoiando contra o parapeito ela decide observar mais um pouco. Agora que ela está mais concentrada nos movimentos da Fênix, ela consegue ouvir o baixo chiado do giro de Dranzer, o que ela sabe que significa que é um dos seus giros mais lentos - "ele está poupando energia?", ela pensa. "Mas dependendo da hora que ele acordou, ele pode estar cansado." - ela complementa.
E então ri.
Hilário. Kai Hiwatari cansado enquanto treina. Ela sabe que ele não tem estamina infinita, mas por vezes duvida disso. E claro que ela sabe que ele é apenas humano, que tem todo o direito de ficar cansado - chateado, puto, confuso consigo mesmo (o que é um eufemismo para as suas crises existenciais, ela já viu muito disso para saber que algo sempre esteve errado com ele, mas Ana é pelo menos sensata e não mete o bedelho onde não é chamada). De qualquer forma, isso a lembra de que se ele tem o direito de ficar exausto, também tem o direito de ser um idiota. Como ele está sendo agora quando ela vê sua garrafa de água vazia tristemente abandonada num canto muito longe dele e como seu braço está sangrando por qualquer merda imprudente que ele tenha feito.
Pra alguém tão seguro de si - campeão mundial e tudo, ela não esperava que Kai tivesse um embate tão ferrenho controlando um espírito que literalmente nasceu com ele. E nem era como se Dranzer fosse hostil, mas seu nome era Dranzer por um motivo. A força como a de um maldito tanque de guerra, o poder de fogo capaz de destruir tudo em seu caminho, inclusive seu próprio mestre (O fato de ele quase não ter nenhuma cicatriz visível era uma sorte, porque ele acaba de adicionar mais meia dúzia à lista, que em dias bons, desaparecem em algumas horas - o bastardo pretensioso que ainda por cima tem a pele limpa e suave como a de um bebê).
É claro, ter uma ferabit daquele calibre e conseguir controlar à perfeição nunca foi fácil. Dranzer é um espírito sagrado afinal, lendário, imponente, etc etc. Mas por mais que o vínculo entre eles seja forte e sólido, por experiência própria ela sabe que controlar é uma palavra muito forte. (A mídia, como sempre ignorante daquilo que não vê e não busca entender, simplesmente pinta a coisa toda como um dom ou habilidade nata, sempre desenhando uma realidade bonita e épica do que foi praticamente uma vida de resistência e autocontrole, "Todos nós somos uma bomba relógio, mas ninguém está pronto para essa conversa", disse Kai uma vez. Ela sente o peso da realidade toda vez que lembra).
Com um suspiro, Ana decide que já está cheia disso. Já são quase dez e ela nem mesmo sabe se Kai, sendo o madrugador que é, comeu adequadamente ou simplesmente foi treinar depois de algum "episódio noturno". Ela vai apontar a hipocrisia de merda na cara dele algum dia, pode esperar. Felizmente ela tem seu próprio equipamento por perto - que inclui sua própria água, bandagens e antisséptico, e pra finalizar, um par de reprimendas.
N/A: Henlo~ Eu sei o que eu disse no capítulo anterior sobre postar e sumir. É que isso também estava mofando nas minhas notas (um parágrafo disso pelo menos). E tem algumas coisas que eu gostaria de pontuar:
Eu não dei o devido contexto no capítulo anterior mesmo que eu já o tivesse no processo de escrever, (eu só meio que não achava que iria adicionar mais capítulos à esse negócio). Pois bem: Isso pode se situar em qualquer momento, mas eu gosto de pensar que isso se passa pouco depois dos acontecimentos d'O Retorno, mas basicamente eles estão de férias e desde que Kai aceitou Ana como pupila, eles têm viajado juntos e treinam juntos também. Não é realmente romance a menos que você queira *smirk*.
Quanto à outras coisas mais sutis que eu coloquei deliberadamente:
Em Next Generation Beigoma Battle: Beyblade (Jisedai Beigoma Batoru Beiburedo - no original), o jogo que foi o piloto da coisa sobre Beyblade, Dranzer era um f... dragão azul de três cabeças e, segundo um fórum , o nome veio de Dragão e Panzer (um blindado ou tanque), fica a referência se alguém sentiu alguma estranheza sobre a comparação do tanque de guerra. (Que foi metade da inspiração desse capítulo).
Também teve uma leve referência ao Retorno (de Anamateia) no sentido de que Ana viu muito dos lados de Kai no decorrer da história, até mesmo ele chorando e tudo, então estou considerando isso canônico sobre ela não se surpreender com aspectos emocionais dele - me processe :)
De onde surgiram esses capítulos pra começar? Kuroi Nana foi responsável pelo meu surto quando me inseriu no maravilhoso mundo do Tumblr. Essa plataforma é maravilhosa. (Also, eu tenho cerca de três trabalhos pra fazer, mas meh, são só desculpas então eu continuei escrevendo *insira emoji fazendo careta para contexto sarcástico aqui*). Isso é um agradecimento mal disfarçado btw e uma dedicatória também*menorquetres*
E como a Ana me disse uma vez "o bom filho a casa torna".
Tô feliz de ter criado coragem pra escrever e, principalmente, escrever sobre o drama King e fazer pouco caso na mesma medida mwehehe
Obg por ler :)
Beyjos e até.
