Sentada próxima à janela, Narcissa, fechou os olhos para sentir o vento fresco acariciar o seu rosto e dançar com os seus cabelos. A sensação de tranquilidade a ajudava a pensar, na verdade a se questionar, se viver cercada por muros e portões altos era a vida que sonhara para si. Suspirando alto, seus olhos tão azuladamente cinzentos se abriram, olhando para o céu com seus tons alaranjados de fim de tarde.
Aquela seria mais uma Noite da Deusa Brighid, ou a Festa das Luzes e do Fogo, quando os bruxos celebravam o ponto médio entre o solstício de inverno e o equinócio de primavera. Uma data especial para encarar o horizonte e ver o sol se despedir de sua tarefa diária. Amanhã ele retornaria, mas era o momento de dar espaço aos tons violetas e marinhos da noite. As constelações novamente vibrariam e lhe apontariam para novas fontes de esperança em sua jornada.
O recado que lhe era dado se mostrava simples... por mais que ainda se alimentasse pela dor de perder Severus Snape, deveria vencer a inércia que se instalara em seu corpo e seguir em frente. Nenhum amor ou morte, por mais inconsoláveis que fossem, deveriam fazê-la questionar tanto a respeito dos seus próprios desejos. Deveria olhar para si mesma e restabelecer a força mais teimosa que existia dentro de si.
Ouvir a voz incessante de sua consciência afirmando para prestar atenção no barulho ensurdecedor de seu coração, de viver pela memória do amor tão intenso que queimava o seu peito, de continuar ao lado do filho o apoiando sempre. A mesma que lhe afirmava que, por mais que tudo fosse frágil e finito, ainda havia muito a ser vivido.
