Absolution

By: SouthSideStory


Gosto de dizer que sou igual a minha mãe em todos os aspectos, mas isso não é verdade. Sou um quebra cabeça montado a partir de pedaços das pessoas que me amam. Mamãe diz que eu tenho o sorriso do meu pai - tão precioso, senão mais raro - embora eu discorde. Não, se eu herdei alguma coisa de Uchiha Sasuke, foi isso: a incapacidade de perdoar os que me fizeram mal.


— Você tem que convidá-lo. — Mamãe diz enquanto olha para mim com olhos verdes tão tristes que eu quase cedo. Quase.

— Não. Eu não quero ele no meu casamento.

— Ele é o seu pai.

— Não ligo. — Digo. Mas de fato, se eu não ligasse, isso não seria tão importante para mim.

Minha mãe pronuncia meu nome com o mesmo tom que sempre usou quando me comportei ou falei desrespeitosamente. Isso freia minha língua, como sempre. Não porque tenho medo da sua ira; eu só não suporto ver sua decepção.

— Me desculpa. — Digo, dessa vez mais gentilmente, porque a última coisa que quero fazer no mundo é machucá-la. — Mas eu só quero a minha família presente - minha família de verdade.

— Metade da vila foi convidada. — Mamãe diz, e sua voz é tão baixa e cansada que eu me sinto cruel por não desistir.

— Metade da vila te ajudou a me criar. Você fez questão que eu nunca me sentisse sozinha, sem amor, e agora eu quero que todas essas pessoas vejam eu me tornar uma Uzumaki.

Minha mãe abaixa o olhar, para longe de mim, e eu não preciso perguntar por quê. Ela não questionou minha decisão de usar o sobrenome do meu marido, mas isso a machuca independentemente. Mesmo assim, manter o Uchiha nunca foi uma opção. E após perguntar somente uma vez se eu tinha certeza, Boruto é esperto demais para voltar a perguntar.

— Se você tem certeza, — Mamãe diz. — então tudo bem. Quero que você seja feliz, Sarada. Essa sempre foi a minha prioridade.

Eu te amo, mamãe. Eu diria, mas se eu o fizer, minha voz falhará e me trairá. Ao invés disso, digo: — Obrigada.

Ela me dá um olhar curioso, que não consigo interpretar, e diz: — Eu também te amo, meu bem.


Sei dos motivos do meu pai, mas não são bons o suficiente. Nada conseguiria justificar dez anos de abandono. Feriados, aniversários e aprendizados perdidos. Meses após meses de silêncio, comprados com as lágrimas de minha mãe.

Teve uma época em que mamãe chorava constantemente. Lembro de flagrá-la tarde da noite, quando ela pensava que eu estava dormindo. Ou ouvir a torneira da pia aberta por tanto tempo no banheiro que eu sabia que ela a estava usando para abafar os sons de seus soluços. Meus primeiros oito anos foram marcados por momentos assim. Momentos em que meu mundinho perdia o eixo porque minha mãe, a pessoa mais forte que eu conhecia, não conseguia conter seu pesar.

Até que dias, semanas e meses se passaram sem que eu visse qualquer vislumbre desse vagaroso partir do lindo coração de mamãe. E eu lembro de perguntá-la, no fim de semana após fazer nove anos, por que ela não chorava mais.

Ela sorriu para mim - e eu nunca tinha visto um sorriso parecer tão triste antes - ao dizer: — Porque eu parei de esperar pelo seu pai. Ele vai voltar para casa, Sarada, e quando ele voltar, eu estarei aqui. Mas até que esse dia chegue, vou me dedicar a você e a mim. A nós, não a ele.

Esse, talvez, tenha sido o momento em que aprendi que a única diferença entre a dor e o amor, é que você se livra rapidamente do sofrimento causado por um, se puder, e do outro, demora demais.


Mamãe se ofereceu para falar com meu pai, explicar que não o quero no meu casamento, porém ela não merece passar por isso, e eu nunca fui de fugir de situações difíceis. Então aqui estou eu, batendo na porta de entrada da casa dos meus pais, me sentindo uma estranha sob a sombra de uma casa que, por direito, me pertence mais que a ele. Mas é aquilo, acho que perdi o direito pela minha casa de infância no dia em que fui embora de vez, nove anos atrás. (Eu era uma cabeça-quente aos dezesseis, tão focada em escapar do meu pai que não parei para pensar no que isso faria com mamãe, e agora me pergunto se estou cometendo o mesmo erro de novo.)

Escolhi um horário em que sabia que minha mãe estaria no hospital. Parte de mim espera que ele não esteja em casa. Talvez no mercado, treinando ou importunando o pai de Boruto. O que quer que Uchiha Sasuke faça para matar seu tempo; eu não sei dizer.

Meu pai abre a porta quando levanto a mão para bater pela terceira vez. Ele pode estar surpreso em me ver, mas sua expressão muda tão pouco que é difícil dizer.

— Sarada. — Ele diz. — Você parece bem.

Você não, penso, mas não consigo dizer. Não importa o quanto eu o ressinta, dizer tal coisa é tão improferivelmente rude que, se eu ousasse, posso imaginar minha mãe aparecendo no batente para me castigar. Além disso, seria uma mentira. Ele é um homem bonito, o meu pai. Mesmo com mechas cinzas começando a aparecer em seu cabelo preto e rugas marcando os cantos de seus infames olhos desiguais.

Percebo que estive encarando-o por vários minutos sem dizer uma palavra. Então limpo minha garganta e pergunto: — Posso entrar?

Ele assente e diz: — Claro.

Sigo-o até a cozinha, onde ele lava as mãos e faz uma xícara de chá. É nesse momento que noto que ele está usando um avental coberto de sujeira. — O que você estava fazendo? — Pergunto.

Ele olha para si e depois para mim, então diz: — Jardinagem.

Rio. Não consigo evitar. Esse homem lutou contra o próprio irmão até a morte, abandonou a esposa e filha, perdeu um braço numa batalha contra o Sétimo Hokage. — Desculpa, — digo. — só não sabia que você gostava de… jardinagem.

— Não gosto, — ele diz simplesmente. — mas eu gosto de tomates, e sua mãe mata qualquer planta que toca.

Subitamente, me lembro de plantar uma muda de ácer no quintal com mamãe. Um dos muitos projetos do tipo que ela realizou comigo durante minha infância, mas diferente de assar biscoitos ou construir uma casa na árvore, esse falhou espetacularmente. É possível que tenhamos regado a maldita árvore dez vezes ao dia, e ainda assim ela murchou e morreu, então quando eu chorei por causa disso, minha mãe prometeu que a Tia Ino nos ajudaria a plantar bonitas flores para compensar.

— … e de qualquer forma, preciso encontrar novas maneiras de usar meu tempo. — Meu pai diz. — Não tenho mais o luxo de pegar a quantidade de missões de antes.

— Por que não? — Pergunto. Algo parecido com medo está se espalhando pelo meu estômago. — Você não está doente, está?

Ele coloca duas xícaras de chá quente sobre a mesa e se senta na cadeira a minha frente. — Não. Só ficando velho. Vou fazer cinquenta no próximo verão.

Ele é apenas alguns poucos meses mais novo que minha mãe, e o aniversário dela está se aproximando com a primavera. Ainda assim, me choca ouvir que o homem que eu amei e odiei, e mal conheço, envelheceu tanto.

Ignoro quão aliviada fico que ele não esteja doente, enquanto tomo um gole do chá que meu pai preparou (menta, meu preferido, e por algum motivo me irrita que ele se lembre disso).

Melhor falar de uma vez só, assim posso me mandar.

— Você não está convidado para o casamento.

— Hn, — ele diz. — não esperava ser convidado. Embora eu tenho certeza que Sakura tentou muito te convencer a mudar de ideia.

Me sinto corar, porque é constrangedor que ele nos entenda com tanta facilidade, minha mãe e eu. E embora mamãe tenha transformado em arte o ato de interpretar todas as suas expressões e frases, de catar palavras não ditas em seus silêncios teimosos, eu nunca tive paciência de tentar fazê-lo. Então, não consigo supôr como ele reagirá quando digo: — Vou mudar meu sobrenome para Uzumaki. Espero que isso não te incomode.

Ele fica em silêncio por um bom momento. Ele então entrelaça os dedos em um gesto familiar que, até meus doze anos, nunca soube que não era só meu. — Muito antes de você nascer, eu pensava que o sobrenome Uchiha era a coisa mais importante que eu poderia dar para um filho. — Ele diz. — Quando eu te tive, percebi quão idiota isso era. Meu sobrenome era a última coisa que você precisava, que você merecia de um pai. Mas no fim, foi tudo o que teve de mim. Então, não, Sarada, não estou incomodado que você não queira mantê-lo.

— Preciso ir. — Digo, porque se não partir agora, posso mudar de ideia.

Ele me acompanha até a porta, tão calmo e tranquilo quanto sempre, porém quando me despeço, ele me abraça de forma inesperada. Me rouba um abraço, sem dúvida porque sabe que eu teria negado se tivesse me dado a chance. E talvez seja uma coisa egoísta de se fazer, esse furto desesperado da minha afeição, mas nesse momento, mesmo que eu não corresponda o abraço, não consigo afastá-lo. Simplesmente não consigo.

Isso muda quando ele diz, — Sarada. —, e eu preciso encarar a sofreguidão de sua voz. Como ela falha na última sílaba do meu nome. Então eu me afasto de seus braços e corro. Finjo não escutar seu soluço, mas o som me persegue até em casa. Me assombra a cada passo que dou da minha antiga casa até o apartamento que divido com Boruto.

Dói, mais até do que passar dez anos sem um pai, mas eu não posso chorar. Porque eu sou parecida com a minha mãe, e eu não derramo lágrimas por ele. Não mais.


É alguma surpresa, considerando o que eu vi o amor fazer com a minha mãe, que Boruto tenha precisado de dez anos e três pedidos para me convencer a casar com ele? Ainda tenho medo, pavor até, que chegue o dia em que ele saia para uma missão e não volte para casa. Ou conheça uma garota com menos receio de aceitar o carinho que ele dá de forma tão natural e simples quanto respirar. Mas o que eu sei agora, com vinte e cinco anos, que eu não entendia aos quinze (a primeira vez que ele me pediu para ser sua esposa) é que, mesmo se a dúvida e o medo nunca desaparecerem por completo, o amor de um homem bom vale o risco de um coração partido.

A noite, antes de dormirmos, eu o beijo e digo: — Falei com o meu pai hoje.

— Sério? — ele pergunta, e me olha com olhos azuis tão preocupados e bonitos, que me lembro exatamente como ele conquistou um coração difícil como o meu. — Como foi?

— O mesmo de sempre. — digo.

Boruto não consegue entender totalmente - ele teve um pai ocasionalmente ausente, não um que sumiu por completo - mas chega mais perto disso do que a maioria, então talvez por isso eu tenha me apaixonado também. Ele murmura em compreensão e corre os dedos pelo meu cabelo. — Sinto muito, — ele sussurra. — sei que deve ter sido difícil.

Antes que eu pense melhor, pergunto: — Você acha que estou cometendo um erro? Dizendo que ele não pode vir pro nosso casamento?

— Acho que essa não é uma escolha que eu possa fazer. — Boruto diz.

— Mas se fosse o seu pai, e sua escolha, o que você faria?

— Não sei, Sarada. Meu pai… — Mas ele não precisa completar a frase. O pai de Boruto nunca teria ido embora, nunca poderia, não importa as circunstâncias. Se isso faz de Uzumaki Naruto mais fraco ou forte do que meu próprio pai, não faço ideia.

— Não posso te dar uma resposta. — Boruto diz com gentileza. — Isso cabe a você.

Ele está certo, e sei disso. Eu o beijo de novo e digo "boa noite", porém mesmo após meu futuro marido adormecer e respirar suavemente ao meu lado, fico acordada, incerta e indecisa. Passo o dedo por uma das linhas em sua bochecha esquerda, iluminada pelo luar: a marca de um monstro que não era seu para domar. Claro, admito que eu carrego o legado dos demônios de meu pai assim como Boruto, se não tão nitidamente.


Só falta uma semana para o casamento quando volto para minha antiga casa. Ninguém atende quando eu bato na porta, mas lembro onde a chave reserva fica escondida (e mesmo se não lembrasse, eu sou filha de Uchiha Sakura, afinal, e uma porta fechada não é nenhum obstáculo para mim).

Encontro meus pais dançando lentamente na sala. No momento antes de me verem, imagino que isso seja algo que já fizeram muitas vezes antes na privacidade de sua casa, por razão nenhuma a não ser vontade de estar próximo um do outro. Os braços de mamãe estão ao redor do pescoço de meu pai, e ela o olha com uma adoração gentil que a faz parecer ter dezessete anos de novo.

— Ahn, olá. — digo, e a prova de que interrompi um momento especial é que pego os dois de surpresa. Minha mãe até dá um pulo, mas se recupera com rapidez e desliga a música que eles estavam dançando, então diz: — Sarada! Não ouvi você bater.

— Desculpa por sair entrando. Deveria ter voltado outra hora. — Meu remorso tem pouco a ver com a grosseria da minha escolha, é mais por eu interromper um momento bonito entre meus pais. Tanto já foi roubado deles que me odeio por tomar mais um pouco.

— Não seja boba. — Minha mãe diz. — Estávamos prestes a fazer o almoço. Você deveria se juntar a nós.

— Não posso, — minto. — só tenho uns minutinhos disponíveis.

Mamãe sempre sabe quando não estou dizendo a verdade, mas ela não faz nenhum comentário dessa vez. Meu pai está encarando fixamente um ponto sobre meu ombro direito, como se eu fosse o sol, muito difícil de olhar diretamente.

— Podemos conversar? — Eu o pergunto.

Seus olhos pretos finalmente se voltam para o meu rosto. Julgando o perigo, avaliando a probabilidade de se machucar. Sei exatamente o que ele está pensando porque é a mesma coisa que eu penso quando sinto que vou ter meu coração partido. Após a nossa última conversa, quase espero que ele se recuse a falar comigo, mas ao invés disso, meu pai assente. Diplomática como sempre, mamãe aperta sua mão e diz que precisa regar os lírios, de qualquer forma, porque eles aparentemente estão morrendo (novidade).

Após ela nos deixar sozinhos, pergunto: — Como estão seus tomates? — O que deve ser a coisa mais estúpida que já perguntei para alguém.

— Bem melhor do que os lírios. — Ele diz. — Como você e Boruto estão?

— Estamos bem. Obrigada por perguntar. — Digo.

Um silêncio desconfortável recai após as gentilezas serem trocadas, mas estou determinada a não fugir de novo. — Me desculpa pelo outro dia. Fui grosseira com você, e eu não deveria-

— Tudo bem. — Ele interrompe. — Você não precisa se desculpar. Para mim, nunca.

— Ah. — Minha consciência tem pesado, insistindo que, não importa seus erros, esse homem já sofreu o suficiente sem minha ajuda. E agora, com poucas e breves palavras, ele dispensou meu propósito em vir aqui.

Tem uma parte de mim que está com raiva, não dele, mas sim por ele. Porque ele não deveria desculpar meu comportamento tão facilmente. Não deveria me deixar dizer o que eu bem entendesse, não importa quão mesquinha ou magoada estivesse, só porque ele se sente culpado. Sempre dizem que Uchiha Sasuke é o tipo de homem vingativo, mas eu nunca testemunhei esse seu lado.

— Isso é tudo? — ele pergunta.

Tudo? Não. Tudo o que eu quero é voltar no relógio, fazer suas horas reverterem até eu ter de volta o tempo que desperdicei. Talvez ele seja responsável por perder minha infância, mas a perda dos últimos treze anos fui eu que causei.

Temos que viver com nossas escolhas, principalmente as ruins. Você dorme com seus arrependimentos, ele uma vez me disse, quando eu era muito jovem e teimosa para ouvir.

Me sento no sofá, apoio os cotovelos sobre os joelhos e a cabeça entre as mãos.

— Eu não te amava, — digo. — não podia amar o que não conhecia. Antes de você voltar para Konoha, eu não tive um pai. O que eu tive foram estórias, promessas e uma preciosa foto. E metade dessas coisas eu descobri serem mentiras.

Não consigo olhá-lo, ver seu rosto nesse momento. — Sarada, eu queria-

— Deixa eu falar. Eu não falei com você desde que voltou para casa. Não de verdade.

Meu pai se senta ao meu lado no sofá. Ele deixa bastante espaço entre nós, para que eu não me sinta sufocada, mas se mantém próximo o suficiente para que eu saiba que ele presta atenção, está ouvindo.

— Ainda sinto raiva de você, sobretudo pelo tipo de homem que descobri que você era. — Consigo senti-lo enrijecer, talvez magoado, mas eu preciso dizer isso. Preciso. — Um ano antes de você voltar para Konoha, eu disse a mim mesma que não precisava de você, que você não prestava por abandonar sua família. E a mamãe fez questão que nunca me faltasse nada, então eu não sabia, até te conhecer, o que tinha perdido. Você é paciente. Engraçado a sua maneira. Forte, mas tão gentil com a mamãe. Você faz carinho em gatos de rua só porque não suporta ver algo vagando por aí, tão sozinho e sem amor.

Me endireito e encaro meu pai. Temerosa demais para pegar sua mão, mas desejando fazê-lo, entrelaço meus dedos como ele volta e meia faz. — Você é um homem bom. — digo. — Poderia ter tido um homem bom me criando, brincando comigo, me amando. Exceto que eu não tive. E é tão injusto que eu fico sem ar.

— Você realmente acha isso de mim? — ele pergunta.

— Sim, — digo. — acho.

Por treze anos, tenho punido-lhe, mas o único motivo pelo qual não conheço meu pai agora, é que não o deixei se aproximar de mim. Se ele ainda é um estranho, não posso culpar ninguém além de mim por isso.

Sem autorização, minha mão esquerda encontra a sua direita. Elas se apertam, quase forte o suficiente para machucar, mas não o bastante.


Mamãe não estava errada: metade de Konoha vai ao casamento. Todas as pessoas que me ajudaram nos anos em que meu pai estava fora, e nos anos posteriores também. ChouChou foi a que mais ajudou, e hoje ela ainda é a melhor amiga que conheci.

A cerimônia é linda. De alguma forma, consigo segurar o choro, mas Boruto não, e ele nunca esteve tão bonito antes.

Quando chega a hora de assinar a certidão de casamento, encaro a linha preta e simples onde meu sobrenome de casada deve entrar. Só umas letrinhas novas, nada difícil de escrever, mas congelo, incapaz de tocar o papel com a caneta. Por meses, estive determinada a abandonar o sobrenome que meu pai me deu, finalmente me libertar do último vínculo com ele. Porém, agora que o momento chegou, percebo que não é isso o que quero de verdade.

— Me desculpa, — digo a Boruto. — preciso ir. Tem uma pessoa que não está aqui, e a culpa é minha.

Meu marido sorri para mim e diz: — Eu entendo.

O hotel em que está acontecendo a recepção fica a apenas três quarteirões da casa de meus pais, e eu chego lá em pouquíssimo tempo para uma mulher trajando tamancos e quimono formal. Meu pai abre a porta após a segunda vez que bato, e quando me vê, diz: — Sarada, o que está fazendo aqui?

Eu roubo um abraço, não diferente do que ele roubou semanas atrás, mas dessa vez são meus braços que o agarram.

Reconciliação não é simples ou fácil, mas isso é. Talvez tudo o que precisamos é começar de algum lugar.

— Vem, papai. — Digo. — Você está perdendo meu casamento.


Notas da Autora: Esse está longe de ser o caminho que desejo para Sarada e o Sasuke, mas é algo que eu senti a necessidade de escrever. Meu pai morreu quando eu tinha três anos, e eu fui criada por uma mãe solteira que deu o seu melhor. Agora eu vou me casar em menos de duas semanas. Pensei estar de boas em não ter meu pai no casamento, mas enquanto trabalhava nessa história, percebi que talvez eu não esteja. Apesar disso, está tudo bem, porque eu vou ficar bem. De qualquer forma, mesmo que você não tenha gostado dessa fic, espero que a entenda.

Notas da Tradutora: Pouco tempo depois da SouthSideStory me dar permissão para traduzir essa história, o meu pai (também ausente) morreu. Agora, anos depois, talvez essa seja a minha maneira de (começar) a (talvez) me reconciliar com ele e sua morte também. Não preciso dizer que essa história se tornou extra especial para mim depois do que aconteceu, e me impressiona muito que a ficção consiga abraçar duas mulheres diferentes, de lugares diferentes, por um mesmo personagem. Uma vez ao escrever, outra ao traduzir.