鉄拳

Tekken: A História – Capítulo 2 – Fome

Um tempo indeterminado após os eventos do primeiro capítulo...

Era uma tarde chuvosa, as gotas da chuva soavam como um epílogo do que havia ocorrido com Kazumi Mishima. Aqueles que estavam presentes no templo para o velório eram em sua grande maioria empresários e sócios da Mishima Zaibatsu. Também era possível ver membros das famílias e amigos próximos que por sinal não eram muitos. Jinpachi Mishima, o próprio Heihachi, Kazuya e Wang Jinrei estavam presentes.

Um por um dos presentes acendiam um incenso na frente do altar aguardando que o monge budista recitasse o sutra e assim fora feito. Durante a oração, era possível ver Kazuya chorando amargamente inconformado com o que aconteceu com sua mãe mesmo sem ter completa noção do que realmente foi o ocorrido. Jinpachi permanecia de cabeça baixa de forma mais discreta em seu luto, tentando entender o que levaria Kazumi a morrer daquela forma. Teria sentido a história que Heihachi lhe contara sobre ela estar sendo agressiva a ponto de demonstrar uma personalidade completamente diferente da conhecida por eles?

Após a oração e levados até uma outra sala onde havia comes e bebes, os poucos amigos e conhecidos prestavam suas condolências procurando agradar com quantias em dinheiro entregues em envelopes para ajudar a pagar os custos do velório mesmo sabendo que dinheiro não seria o problema daquela família. Os membros da família dos Hachijou não haviam comparecido por algum motivo que poderia ser evidente, pois a causa disso tudo foi a própria Kazumi. Após esse momento de pura educação, a família caminhou até o lugar onde o corpo de Kazumi seria cremado e sem dar muitos detalhes sobre seus ritos, tudo acabou em uma noite onde a chuva apenas se tornara um temporal e uma limusine aguardava a família inteira na frente dos prédios.

"Pai, pode levar Kazuya para casa com você? Eu tenho um lugar a ir." dizia Heihachi esperando sua família adentrar no carro de luxo. Por algum motivo, ele parecia ter assuntos a tratar com alguém que não fosse da família. O céu estava escuro e mesmo assim havia um bar ali perto aberto mesmo naquele clima e horário.

"Filho, você não é culpado pelo que aconteceu com Kazumi, devemos descansar." Jinpachi procurava consolar seu filho pelo ocorrido e no mesmo tempo não se desgrudava de seu neto que dificilmente conseguia engolir seu choro.

"Pai... o senhor vai ficar bem? Eu também vou te perder?" Kazuya falava entre soluços tentando manter um diálogo mesmo naquele estado. Ele era instantaneamente abraçado por seu avô Jinpachi e notava um olhar de frieza em seu próprio pai, que pretendia responder com poucas palavras tentando encontrar humanidade em seu filho que fora gerado pela esposa que tinha o Devil gene.

"Não se trata de culpa, o senhor e o garoto precisam de descanso mais do que eu." Heihachi respondia seu pai andando na direção oposta do carro com um guarda-chuva aberto enquanto os outros dois começavam a entrar no carro. "Kazuya, não existe a palavra "ganhar" sem a palavra "perder". Mas você não vai me perder." Heihachi completava suas palavras ainda andando vagarosamente na direção do estabelecimento que estava aberto naquela noite sem deixar evidente que era para lá que ele ia caminhando.

A limusine partia, dentro dela, Kazuya estava abraçado em seu avô Jinpachi em um dos bancos de trás. O garoto estava abatido enquanto mesmo procurando dá-lo o máximo de atenção e carinho, Jinpachi não conseguia deixar de imaginar o que estava se passando com o seu filho e encarava uma das janelas do carro com seu olhar vagando sobre a tempestade. O carro em si por dentro era típico de uma limusine vista em filmes.

Em poucas quadras do carro em movimento lá estava Heihachi adentrando o bar misterioso. Após abrir a porta de correr da entrada, um amigo o estava aguardando não muito contente com a situação. "Escolheu justo hoje para falar sobre esse assunto, Heihachi?" dizia Wang Jinrei desconfiado com a atitude do filho de seu declarado melhor amigo. "Não temos tempo de sobra para decidir outro dia, Jinrei." respondia Heihachi já procurando um lugar para se sentar.

O bar era bem tradicional, havia uma bancada bem simples e sobre ela se encontrava poucas garrafas e copos pequenos de sake. A cor da parede do estabelecimento era um amarelo claro e sua bancada era marrom escuro. Seus bancos eram altos e redondos com assento de couro preto. O atendente ficava boa parte do tempo distante dos dois como que para não ouvir a conversa sabendo que não seria conveniente para ele e que pessoas do alto escalão estariam envolvidas no assunto. Sua aparência era a de um homem idoso de cabelo grisalho e barba mal feita, além de atendente parecia ser o dono do estabelecimento e saber mais do que devia.

"Eu te disse, meu pai é uma ameaça. A empresa sendo dirigida por ele pode acabar indo à falência." Dizia Heihachi para Jinrei se dando a liberdade de servir Jinrei com a garrafa de sake e pegando um dos dois copos para ele, aguardando que Jinrei aceitasse sua oferta. "E então? Amigos de verdade trocam copos de sake juntos, não? Hahaha." Heihachi dizia rindo aguardando Jinrei o servir em seu lugar, e assim ele o fez balançando sua cabeça negativamente por algum motivo, talvez pelo momento de luto não respeitado por Heihachi.

Após brindarem e beberem o primeiro gole... "Serei eu que vou pará-lo, de uma vez por todas!" Heihachi insinuava que ele precisava parar seu próprio pai por algum motivo aparentemente relacionado a empresa. Jinrei parecia se alegrar com aquilo no momento, por anos Heihachi havia o manipulado a acreditar que seu melhor amigo na verdade era uma ameaça que devia ser parada por algum motivo. "E então, qual é o plano?" Perguntava Jinrei para Heihachi acreditando cegamente que Heihachi teria bons motivos para tomar as atitudes que ele tomaria no futuro.

Meses depois...

Honmaru, esse era o nome de um templo pertencente aos Mishima. Ele era um templo ancestral usado para adoração que continha uma grande estátua de um Buda dourado no andar superior. O templo era um pagoda de duas camadas localizado em uma residência privada dos Mishima. Ele era localizado na beira de um penhasco envolto a uma floresta e próximo de uma cachoeira. A residência era conhecida como uma Propriedade dos Mishima. Era na Propriedade dos Mishima que ficava localizado Honmaru. A propriedade consistia de grandes prédios e continha inclusive o dojo onde Devil Kazumi atacou Heihachi. Na verdade, era a residência principal dos Mishima e não a mansão apresentada anteriormente como um local que na verdade era menos amplo.

"Vim te visitar em seu novo lar." Heihachi dizia em um ambiente que se assemelhava a uma caverna com tochas acesas ao redor do local. Naquele local, Jinpachi estava preso por correntes e aparentava não se alimentar. O ambiente era bem escuro apesar das tochas e o estado que o corpo de Jinpachi se encontrava era considerado lamentável. "Meu próprio filho me trouxe aqui para morrer de fome?" Jinpachi questionava a atitude de Heihachi se perguntando em seus pensamentos sobre a Mishima Zaibatsu e como estava Kazuya.

"Eu vou te explicar. Eu manipulei algumas pessoas inclusive do mundo dos negócios para acreditar que você era uma má influência. Dessa forma, apliquei um golpe em você e tomei o que me era por direito, a Mishima Zaibatsu. Mas como você acabou acorrentado aqui? Nós treinamos exatamente nesse lugar, o dojo Honmaru que está acima de nossas cabeças e com o tempo eu consegui te dopar o suficiente para te trazer para baixo do templo da nossa verdadeira casa. As pessoas armadas que evitaram que você fugisse depois que recobrasse a consciência, elas eram pagas por mim. Sabe quem eu manipulei por anos contra você? Seu fiel amigo Wang Jinrei que acreditou em mim. A Propriedade dos Mishima será uma residência melhor para mim sem você para me impedir de fazer o que eu bem entendo." Heihachi dava um longo discurso sobre como ele enganou o próprio pai e usou de suas próprias artimanhas para roubar o que para ele sempre foi dele mesmo.

"Entendo... Então empresários estavam envolvidos nisso. E os soldados que eu derrotei para fugir daqui? Eram na verdade então da Mishima Zaibatsu? Como conseguiu os documentos necessários para a empresa eu não sei, mas considerando que a anos você tem manipulado inclusive meu melhor amigo... Como você decaiu, Heihachi! E Kazumi? Ela realmente tentou te matar? Por que razão você iria querer exterminar sua própria família um por um? Kazuya! Se encostar um dedo em meu neto você me paga!" Jinpachi acorrentado e constantemente sendo dopado por soldados da Mishima Zaibatsu estava sem forças e prestes a morrer.

"Isso tudo é verdade. Kazumi era uma ameaça a todos nós e agora só me resta o filhote de demônio. Será que ele assim como a mãe possui o Devil gene? Tudo que me interessava era poder e agora eu realmente o tenho, me faz sentido agora algumas palavras de Kazumi antes de me atacar." Heihachi novamente falava, mas dessa vez se despedia para sempre do pai que ele mesmo pretendia matar de fome na escuridão debaixo do templo da própria família. Ele então saía sabendo que seu pai estava em seus últimos momentos de vida para voltar depois e se certificar de que ele estava morto.