鉄拳

Tekken: A História – Capítulo 3 – O Precipício do Destino

Poucos dias após o encontro de Heihachi com Jinpachi embaixo de Honmaru...

"Me perdoe meu filho... Eu não te ensinei os verdadeiros valores da vida... Me perdoe meu neto... Eu não posso te proteger de todos os perigos da vida... Pelo menos poderei ver minha amada novamente do outro lado..." Jinpachi soltava seus sussurros finais de sua vida na presença de soldados que sabiam a saída daquele abismo. As tochas não precisavam mais ficar acesas.

"Se quiser conferir com seus próprios olhos, senhor. Jinpachi Mishima está morto." Um dos soldados vigias terminava a ligação para Heihachi, tudo havia ocorrido conforme o planejado.

Do outro lado da linha, o ambiente era completamente diferente. Heihachi caminhava no centro de uma cidade muito movimentada cuja aparência lembrava a de outro país asiático. Era possível ver muitos vendedores ambulantes trabalhando constantemente vendendo comidas exóticas para diversos clientes nativos e estrangeiros. Em meio aquela multidão, prédios altos eram comumente vistos e o barulho das vozes dos vendedores e clientes era alto e constante, algo que parecia mesmo assim não interromper a qualidade da ligação entre Heihachi e um de seus subordinados.

"Que bom, podemos então deixar como está. Eu estou na China no momento e não posso largar meus afazeres pela metade. Prossiga com seu trabalho." Heihachi desligava o celular enquanto parava em uma das calçadas da rua sendo observado por uma criança, um garoto passando necessidades apenas vigiando o homem.

"O senhor tem algum trabalho a me oferecer? Eu posso ser útil se me der oportunidade." Dizia o garotinho de cabelos prateados partidos no meio. Ele se encontrava bem sujo e parecia realmente depender de alguém.

"Trabalho? Onde estão os seus pais?" Heihachi parecia se interessar em conversar com o garoto que ao seu ver era mais novo que Kazuya. Ambos tinham idade para serem considerados inclusive irmãos.

"Eles já estão mortos, eu sou um órfão de rua, senhor. Se o senhor quiser eu posso polir os seus sapatos em troca de algo de valor." O rapaz que estava sentado se levantava fazendo tudo para agradar Heihachi. Inclusive seu sorriso no rosto não parecia ser de felicidade, parecia estar sendo simpático.

Era cerca de três horas da tarde naquele lugar e mesmo assim não era um lugar muito seguro para se perambular. Quando Heihachi foi guardar seu celular no bolso ele logo o teve roubado, algumas crianças que passavam próximas do lugar agiram rapidamente e conseguiram tomar de sua mão antes que ele o guardasse. Aquelas crianças certamente sabiam artes marciais e corriam por suas vidas enquanto o garoto se aproximava dos sapatos dos pés de Heihachi para tentar poli-los.

"Mas que miseráveis!" Heihachi gritava ao perder seu celular e quando olhara para seu lado, o garoto que conversara com ele correra atrás das outras crianças. Heihachi correndo até dobrar a esquina viu que era uma rua sem saída e que o garoto com quem ele conversou já havia cercado os outros para uma luta cujo objetivo era pegar de volta seu celular.

Um rápido combate começara, eram três contra um. O garoto que Heihachi havia conhecido começou a lutar um estilo de Jeet Kune Do e facilmente derrotava os outros três mais velhos do que ele. Após o combate, o garoto voltou para Heihachi o devolvendo o que já lhe era de pertence enquanto os três pequenos ladrões fugiam correndo saindo da rua sem saída pelo lado que entraram.

"Qual é o seu nome, garoto?" Heihachi perguntava com um sorriso no rosto observando a atitude do menino ao lhe entregar o que lhe foi roubado mesmo sem dizer uma palavra após o ter recuperado dos verdadeiros culpados.

"Lee Chaolan, senhor. Eu não podia deixa-los fazer uma covardia dessas." Lee erguia sua cabeça olhando para o empresário que também valorizava artes marciais.

"Muito bem, Lee. Gostaria de morar no Japão e se tornar meu filho adotivo?" Heihachi havia sido direto, aparentemente Kazuya ganharia um irmão e pela visão do público, talvez Heihachi fosse um homem generoso ou simplesmente ele tinha um lado que não mostrava a ninguém.

Algumas semanas depois no Japão...

Dentro da Propriedade dos Mishima, exatamente no andar do topo do templo Honmaru havia uma aula de artes marciais, ou seria melhor chamar de treino? Heihachi Mishima se encontrava sentado em posição de meditação zen na frente do Buda dourado, mas de costas para a estátua para assistir a luta que lhe interessava, aquela em que seu novo filho demonstrava o que havia aprendido do Karate do Estilo de luta Mishima além de demonstrar sua mistura com Jeet Kune Do que já era algo que ele já sabia. Tanto Kazuya quando Lee se posicionavam um de frente ao outro antes de começar o duelo.

"Humph, vai continuar com esse ar de superioridade? Não tem medo de desmanchar o penteado do cabelo?" Kazuya Mishima dizia para seu irmão com quem tinha uma convivência de rivalidade. Esse tipo de atitude era bem comum entre os dois desde o dia em que Kazuya o conheceu pessoalmente pela primeira vez. Os dois trocavam seus "cumprimentos" antes de começar a batalha.

"Não é plausível que você use esse tipo de vocabulário, meu caro irmão." Lee Chaolan fazia uma pose clássica o chamando com o dedo indicador para ir em sua direção começar a luta. As formas como esses dois agiam não eram típicas de crianças, e mesmo assim era uma luta de um garoto de cinco contra um garoto de quatro anos de idade.

Após alguns minutos do fim do combate, os dois se encontravam com seus corpos estendidos no chão de tamanho cansaço. Heihachi percebendo que era o fim, se levantava de sua pose e observava os dois caídos. Ele já imaginava que aquela seria a hora certa.

"Kazuya! Levante-se ou vamos nos atrasar. Lee pode ficar aqui no templo para intensificar seu treinamento, você tem muito o que aprender sobre nossa família, inclusive aperfeiçoar nosso estilo de luta." Heihachi falava com ambos os seus filhos. Sobre o atraso de Kazuya falado por Heihachi, ele o prometeu uma viagem distante como um passeio, onde o mesmo conheceria alguns parentes. Enquanto Lee precisava se acostumar mais com o cotidiano dos Mishima.

Os dois filhos se levantavam vagarosamente e Kazuya corria como se não houvesse cansaço até Heihachi. "Chegou a hora de irmos?" era a sua pergunta vendo que Heihachi o virava as costas. "Vamos caminhar um pouco antes disso, preciso te mostrar uma vista das montanhas e conversar com você coisas que eu preciso te contar." Seu pai começava a caminhar esperando que o mesmo o seguisse.

Parecia um momento tocante entre pai e filho, uma caminhada a céu aberto onde os mesmos subiam um penhasco próximo da residência que também continha subidas de estradas para automóveis. No caminho, Heihachi contava a verdade sobre a morte da mãe do garoto de cinco anos de idade como se ele fosse um adulto para entender como seria possível a própria mãe tentar matar o pai e dizer que o pai seria uma ameaça no futuro. Mas claro, deixando os detalhes mais chocantes e importantes para quando eles alcançassem o topo do penhasco.

"...Por isso, fui eu quem matou sua mãe." Heihachi terminava de contar e o garoto se virava para o pai ao ouvir suas palavras. Ambos frente a frente prestes a iniciar uma luta por parte de Kazuya que mesmo sendo uma criança, não iria deixar de descontar o ódio que sentia pelo pai.

"Eu sabia que você não a amava! Se não fosse por você... Minha mãe poderia estar viva agora!" Kazuya esbravejava gritando e partindo para cima de Heihachi querendo lutar com o mesmo e vingar a morte de sua mãe. Mesmo assim seus esforços pareciam inúteis, afinal de contas, havia discrepância na diferença de idade e de experiência de luta, além do tamanho e formato do corpo.

"Tente de novo após renascer em outra vida!" Heihachi lhe dava um chute que o adormecia, após isso, ele carregava seu filho nos braços e se aproximava da beira do penhasco. A vista do ambiente era bela e no mesmo tempo assustadora. Era possível ver diversas montanhas e penhascos ao céu aberto, porém ao olhar para baixo, lá estava o precipício. O lugar onde quem caísse não poderia voltar. Heihachi olhava para baixo com seu filho em seus braços e após segundos de reflexão o arremessava.