Primeiro de tudo: The Mentalist não é meu. Ah, se fosse…

Segundo: tenho visto vários comentários em português em fics por aqui. Reassisti a série há algumas semanas e resolvi que não estava satisfeita com várias cenas Jisbon importantes para o desenrolar da história. Pra série, como obra de ficção, foram ótimas cenas, mas para o meu coraçãozinho shipper, foi só sofrimento. Então, vou reescrever algumas delas, a partir do Il Tavolo Bianco. Se uma ou duas pessoas gostarem, vou me esforçar para seguir compartilhando à medida que for escrevendo.

Quem ler, por favor, me diga o que achou. Vou tentar seguir a ordem, do 6x20 em diante.

EDIT: Acabou que a maioria dos leitores não são nativos da língua portuguesa. Adaptei o texto um pouco para que a tradução fique mais confortável. Quem ler em português talvez ache estranho a grande quantidade de pronomes "ele/ela", mas é para melhorar a experiência em outras línguas. Quem estiver lendo com tradutor, por favor, me avise se encontrar algo que não faça sentido. Vou me esforçar para substituir as palavras por outras que se adaptem melhor aos diferentes idiomas.

6x20

"Você não veio até aqui só pra me trazer canolli"- Lisbon achou melhor fechar a porta para ter mais privacidade. O olhar de Jane mostrava que ele tinha algo a dizer, embora ela não tivesse certeza se desejava ouvir.

"Eu estive pensando sobre você indo embora. Eu quero que você saiba que realmente desejo que você seja feliz. Isso é o mais importante pra mim: saber que você está feliz." Jane saiu em direção ao portão, mas parou subitamente, pensamentos dele travando uma batalha com todos os sentimentos antagônicos que transbordavam. Lisbon sentiu um arrepio, um ar gelado estranhamente circulando somente em volta do seu estômago.

Jane virou-se para ela novamente e falou baixo: "Me desculpe por nunca ter sido sincero com você."

O que ele estava dizendo? Ela precisou se aproximar um pouco para confirmar se estava ouvindo direito. Jane continuou: "Primeiro, eu me achava mais esperto, depois, eu me importava tanto que só pensava em te proteger. Quando vi, essa era a nossa dinâmica: silêncio e espera. Eu esperei tanto, que a minha vez passou e eu não me arrisquei."

Lisbon lembrou que precisava respirar, coisa que seu corpo parecia ter esquecido como era. Ela olhou para o chão, para ter certeza de que seus pés ainda estavam lá. O pacote apertado em suas mãos, os lábios selados, incapazes de falar alguma coisa, o coração batendo mais rápido do que deveria. Onde estava o oxigênio, que não chegava no cérebro como era de se esperar? Por que as palavras sumiram? Para onde elas foram?

"Como eu disse: silêncio e espera" - Jane repetiu e Lisbon pode ver um sorriso triste nos lábios dele e um olhar opaco que não combinava com seus dentes brilhantes.

Lisbon despertou daquele transe inesperado, apertando ainda mais o pacote de canolli: "O que você está esperando agora, pode me dizer? Eu estive ao seu lado por todos esses anos, eu dei meu tempo, minha vida, muitas vezes, meu próprio sangue pra te defender. Eu fui abandonada quantas vezes por você? Eu esperei, sofri com tua ausência, chorei a incerteza da sua volta, cada número desconhecido que me ligava podia ser alguém avisando que acharam seu corpo na beira de uma estrada. E, a cada volta, eu brigava comigo mesma por te perdoar tão rápido, eu xingava o espelho por demonstrar tanta alegria por tua presença. Eu te dava de graça o que não ofereço a quase ninguém: a minha confiança. E de que adiantou? Então, não Jane, não venha me falar de silêncio porque minhas atitudes sempre gritaram o quanto você significa pra mim. E quem você pensa que é para falar de espera? Eu sou a que fica. Eu estou sempre aqui pra você…" - Havia tanto mais que ela desejava falar, mas o peso que saiu de seu peito era tamanho, que ela se esforçava para não chorar, principalmente ao ver a expressão de Jane transformada pelas lágrimas que não podiam mais ser contidas, não importava o quanto ele se concentrasse.

Ficaram ambos em silêncio por segundos que pareceram minutos. Lisbon limpou o rosto com a manga da blusa e recomeçou, mais calma: "Eu já nem sei mais o que você veio fazer aqui. Tem um homem lá dentro me esperando, um cara legal, que me adora, um cara que estou tentando amar com todas as minhas forças…"

Jane a interrompeu: "Eu vim aqui te olhar nos olhos e ter certeza de que você está feliz."

"Você nunca quis me fazer feliz" - as palavras voaram pela boca de Teresa antes que ela fosse capaz de segurá-las.

"Eu SEMPRE quis te fazer feliz" - Jane respondeu, um pouco rude e, ao notar a expressão surpresa de Teresa, suavizou sua voz para continuar: "Eu queria ser o cara lá dentro, eu queria ser o cara certo pra você. Mas não seria justo. Eu não posso. Não tenho nada a oferecer além de um coração que, sabe-se lá como, voltou a bater depois de ser quebrado em um milhão de pedaços. E eu ainda estou tentando descobrir o que fazer com o que eu sinto."

Pela janela, Pike conseguia notar que a conversa era séria e que ambos haviam chorado. Uma sensação ruim percorreu o seu corpo. Ele tentou mandar o pensamento para longe, deduzindo que seria normal que parceiros há tanto tempo estivessem emotivos numa situação de despedida definitiva. Isso era um bom sinal, afinal, ela deveria ter falado para Patrick que decidiu se mudar para D.C. Sentou em frente à tv e não ouvia nada do que o narrador do jogo dizia. Resolveu interferir, abriu a porta e, sem sair, perguntou se estava tudo bem. Quem respondeu foi Lisbon, com um "Tudo ok, já estou entrando."

"Você tem que ir" - Jane apontou.

"É, eu tenho" - Lisbon sussurrou.