Blue Bird foi perfeito, mas mesmo assim eu quis fazer a minha versão. Porém, todo o início do episódio foi simplesmente irretocável. Então, vamos começar na parte em que eles estão na praia e vamos até momentos antes do assassino ser descoberto. Ou seja, teremos uma parte 2 :D
Mas, antes, quero agradecer novamente aos comentários, em especial à Sil, pelo grande incentivo 3
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Jane estava exultante, passeando na praia ao lado de Teresa, o vento trazendo o delicioso perfume que ela emanava.
"Minha querida, sempre tão perspicaz!" - ele sorria com todo o rosto, deixando Lisbon desconfiada.
"Escute" - ele disse pegando em ambas as mãos de Teresa - "eu preciso te contar uma coisa. Duas coisas. Não, três... são três coisas."
A desconfiança de Lisbon só aumentava, mas ver Jane emoldurado pelo oceano, sorrindo e segurando suas mãos parecia uma cena vinda de um de seus sonhos. Ela sorria daquele jeito tímido que Jane sempre achou tão fofo.
"Primeiro de tudo: eu não sei quem é o assassino, mas sei que nós vamos pegá-lo nesta noite."
"Ok..."
"Em segundo lugar: eu prometi a mim mesmo e estou prometendo a você agora que eu não vou mais esconder os meus planos de você.
O que me leva à terceira coisa: eu planejei essa investigação para ser nosso último caso juntos, caso você vá embora de verdade."
"Eu vou embora de verdade" - Lisbon se apressou em afirmar. "Mas do que está falando?"
"Eu vou te contar tudo enquanto caminhamos - Jane moveu sua mão pelas costas de Teresa, a conduzindo de volta para a caminhada - "eu escolhi um caso antigo que tivesse ocorrido nesse lindo lugar para poder passar um tempo com você aqui. Montei esse quebra cabeça que você acabou de desvendar e que vai nos levar até uma bela pousada, com um ótimo restaurante. Na hora certa, o assassino vai aparecer e nós, ou melhor, você vai pegá-lo. Nesse meio tempo, podemos dividir uma deliciosa refeição e nos despedirmos um do outro de uma forma civilizada. Isso, se você for embora de verdade."
"Eu vou embora de verdade! - Lisbon se sentia ultrajada - "Jane isso tudo é um absurdo! Você está me manipulando de novo e nem percebe."
"Eu fiz isso porque se eu simplesmente a convidasse para uma viagem de despedida, você jamais aceitaria. Estou errado? E, se você quiser ir embora hoje mesmo, eu reservei um voo pra você. Mas eu realmente te peço que considere ficar. Ora, vamos... nosso último caso juntos, comida boa, assassino atrás das grades...que despedida seria melhor do que essa? Vai me dizer que prefere uma festinha no escritório com salgadinhos e refrigerantes?"
O ar da praia e a distração proporcionada pelos pássaros funcionou perfeitamente para evitar que Lisbon reagisse com pânico ou raiva.
"A comida é boa mesmo?"
"Eu li todas as críticas disponíveis sobre eles. Parece que é o melhor cardápio de frutos do mar da região." Jane a guiava pela beira da praia usando todas as formas possíveis para diminuir a distância física entre eles. Aqui e ali, eventualmente seus ombros se tocavam, Jane gesticulava e tocava de leve o antebraço de Lisbon, chegou a tirar uma mecha de cabelo do rosto dela, que sentiu seu corpo congelando quando ele arrastou a ponta do seu polegar pelo rastro de gloss que as madeixas ao vento tinham deixado. Fazia tudo como se não fosse nada. Mesmo depois de uma caminhada de quase quinze minutos, lamentou o carro estar tão perto. Ainda mais porque nos últimos duzentos metros, suas mãos se tocaram e Jane enganchou o dedinho no mindinho de Teresa enquanto ela contava de forma eloquente sobre o dia em que foi a única dentre os irmãos a conseguir pegar um peixe na pescaria da família.
Como ela era verdadeira e especial.
Ele jamais imaginou que seria tão difícil abrir mão de um dedinho e seu coração parecia estar sendo esmagado ao imaginar ter que abrir mão de uma Teresa Lisbon inteira.
Jane tinha razão, a pousada era uma graça. O quarto parecia saído de um romance contemporâneo. Teresa se sentia sobrecarregada com tudo o que estava sentindo no momento e ficou completamente sem palavras quando avistou os vestidos sobre a cama. Ele pensou em tudo mesmo. Uma ruga de preocupação surgiu em sua testa. Até onde ele estaria disposto a ir para convencê-la a não partir? Até onde ele estaria disposto a ir se realmente a convencesse a não partir? Lisbon estava se deixando levar pela sensação incomparável de ser o objeto de desejo de um Patrick Jane que não tinha olhos para mais nada. O Jane romântico, um ser exótico, quase mitológico, que ela jamais imaginou conhecer de perto. Mas o medo de dar de cara com o Jane trapaceiro ao virar na primeira esquina era enorme. Esse ela conhecia bem e sabia de seus efeitos devastadores dos quais estava tentando fugir ao aceitar viver com outro homem há milhas e milhas de distância.
Num banho longo e relaxante, Lisbon pensou na falta que a sua mãe fazia. Um conselho sobre sua vida amorosa viria bem agora. Havia um homem que a esperava para começarem uma vida juntos em outro estado. E outro homem esperava lá embaixo para...Para o quê? Era óbvio que ele a estava seduzindo. Todos aqueles toques durante a caminhada na praia, os vestidos, o jantar. Ele não podia achar que ela não perceberia. Ela é uma agente do FBI, pelo amor de Deus. Todo o discurso sobre despedida era uma desculpa até que boa, mas ela o conhecia bem demais para saber que era mais um de seus truques. Era hora de demarcar um limite entre o aceitável e o desejável, algo que não a fizesse abrir mão de valores tão importantes como a fidelidade e a honestidade.
Teresa apertou a cruz em seu pescoço e fez uma breve, porém sincera oração pedindo discernimento para saber como agir e o que dizer.
Se sentiu um pouco mais preparada para o jantar com Jane.
Patrick nem tentou esconder o quanto Lisbon estava absolutamente estonteante com aquele vestido. Ele se levantou e puxou uma cadeira para acomodá-la à mesa.
"Você está tão linda. Essa cor fez um contraste incrível com o seu cabelo."
"Ah, isso? Foi presente de um fã." - Lisbon olhou para si mesma com uma falsa modéstia proposital, enquanto Jane sentia seus joelhos derretendo aos poucos.
"Homem de bom gosto" - ele disse enquanto se sentava sem tirar os olhos da hipnotizante imagem de Teresa - "para vestidos e para mulheres" - completou, medindo a reação de sua acompanhante.
Lisbon achou estranho o fato de não sentir seu rosto corar. Ela estaria se acostumando aos flertes de Jane ou apenas se achando merecedora das palavras dele?
"O vinho está ótimo, mas só vou beber uma taça. Temos trabalho ainda hoje, lembra?"
A mudança de assunto foi providencial e logo eles estavam conversando sobre tantas coisas diferentes que mal terminavam um e já engatavam outro. Como descobririam o assassino logo mais, qual o prato mais gostoso do cardápio, as situações mais engraçadas envolvendo a equipe, truques simples com moedas. Foi ensinando um desses a Lisbon que eles acabaram com as mãos entrelaçadas sobre a mesa, parecendo um casal como todos os outros do restaurante. "O segredo é apertar esse dedo contra esse outro aqui e segurar firme, sem deixar a moeda escorregar. Assim..." E a mão de Jane não largou mais a de Teresa até a última colherada da sobremesa que eles dividiram.
"Está quase na hora. Seus convidados devem estar chegando em alguns minutos" Lisbon avisou Jane, que ficou desolado em ter que concordar que aquele era o fim do jantar.
Ele a acompanhou escada à cima, caminhando vagarosamente até a porta do quarto, desejando que o tempo parasse só um pouquinho.
"Obrigado, Teresa. Não tenho palavras pra dizer o quanto me sinto feliz. Nosso primeiro encontro foi muito melhor do que eu sempre sonhei"
"O quê? Não..." Mas Jane não a deixou terminar e se inclinou deixando um beijo rápido em seu rosto e sussurrando em seu ouvido: "Estarei em meu quarto esperando um assassino. Por favor, tenha cuidado "
Ela não estava preparada para a sensação da respiração de Jane em seu pescoço e não conseguiu disfarçar o tremor que a balançou como um pequeno terremoto.
Jane entrou no quarto ao lado ainda com um sorriso nos lábios, sonhando acordado sobre o dia perfeito que tiveram juntos.
Lisbon, por sua vez, entrou no quarto mais confusa do que quando saiu. Aquilo obviamente tinha sido um encontro - e que encontro! - seria apenas desperdício de tempo tentar negar. Um sentimento de culpa a invadiu de repente e ela sentiu urgência em fazer uma ligação importante para resolver um assunto delicado.
Continua...
