A/N: Na minha cabeça, é assim que Blue Bird termina. Se você gosta de romance, é o seu momento. Se você não gosta, sugiro evitar: as linha abaixo carregam altas doses de açúcar.

Se você gostar, me deixe saber.

Se não gostar, me diga onde acha que posso melhorar.

6x22 - Parte 2 (final)

Teresa acreditava que uma ligação rápida seria o ideal para manter a dignidade de Pike naquele momento. Entrar em detalhes só o faria sofrer mais e esperar para falar pessoalmente só o encheria de falsas esperanças.

Ao ouvir o estampido do tiro no quarto ao lado, ela correu pelo corredor a tempo de prender uma mulher que saía de lá às pressas. Ao invadir o ambiente, encontrou Jane e os três suspeitos.

Soltando um profundo suspiro de alívio, Jane apontou para os demais: "esta você prende e estes dois podem ir embora."

A perícia demorou mais de três horas e já passava da meia-noite quando a agente conseguiu voltar para o seu quarto.

Ela temia e desejava que Jane aparecesse à sua procura e, ao ouvir uma batida na porta, borboletas voaram pelo seu estômago. Mas vendo que Jane carregava uma pequena bagagem, sua expressão se desfez. Ele estaria indo embora? O que isso queria dizer?

"Parece que deu tudo certo, conforme eu planejei" - ele abriu aquele sorriso, mas percebeu uma ruga na testa de Lisbon quando ela avistou a mala - "A gerência do lugar me impediu de voltar para o quarto, alguma coisa sobre controle de qualidade. Aparentemente, buracos de bala não podem fazer parte da decoração."

A ruga deu lugar a um olhar diferente, que Patrick ainda não tinha catalogado em sua biblioteca particular sobre a mulher diante dele.

"E você veio...dormir comigo. Digo, no meu quarto?"

A pergunta que na verdade era uma oferta surpreendeu Jane e ele não pode evitar um olhar mais prolongado para os lábios dela antes de prosseguir arrastando seus olhos por todo o seu corpo até fixá-los no chão e responder com aquele jeito de menino e um meio sorriso.

- "Seria uma saída interessante, mas a própria pousada já arranjou um quarto em outro hotel, há algumas quadras daqui. Eu vim avisar que estou saindo, caso você batesse em minha porta e eu não atendesse."

- E porque eu iria bater em sua porta no meio da noite? - ela provocou.

Ela estava flertando com ele de novo e ele não conseguia acreditar, seus diálogos internos o diziam para agir, fazer algum movimento em direção a ela, ao mesmo tempo, temia que qualquer movimento errado pudesse estragar tudo.

Na falta de resposta, Lisbon abriu a porta e pediu que ele entrasse. Ele não pensou, apenas se moveu puxado pela força gravitacional que ela exercia sobre ele.

-"Eu não preciso disso - disse Teresa com a passagem de avião na mão - "parece que o seu plano realmente funcionou."

Jane abriu a boca como quem vai dizer alguma coisa, mas era apenas para inalar mais ar, todo o ar possível era bem vindo naquele momento. O que ela estava dizendo? E porque a garganta dele parecia tão apertada, deixando seus olhos levemente úmidos e arredondados?

- "Eu liguei para Pike e disse a ele que não posso fazer isso com ele. Não seria justo. Não é assim que eu sou, tirar vantagem dos sentimentos dele só para conseguir o que eu quero."

- "E o que você quer?" Não era a intenção dele que sua voz tivesse saído tão fraca, quase um sussurro.

-"Eu estou tentando descobrir. Mas o dia que eu tive hoje, com você... Eu sei que foi como um conto de fadas e sei que você fez tudo de propósito. E também que você não pode manter isso por muito tempo. Nós não podemos. Essa não é a minha vida. Meus dias têm cadáveres e crimes e perigos" - ela fez uma pausa e deu um passo à frente, chegando o mais perto possível - "me chame de louca, mas mesmo contra todas as probabilidades eu quero tentar. O que eu quero é estar com você. E tudo bem se não der certo.."

Jane a interrompeu. Ele tocou suavemente o rosto de Teresa, que não conseguiu evitar fechar os olhos por alguns segundos, ele correu os dedos pelos seus cabelos com ternura enquanto dizia: "Eu não estou preparado pra essa parte de não dar certo. O que eu sinto por você me machuca quando eu penso que posso estragar tudo. Teresa, você não é uma moça bonita que eu conheci dobrando a esquina. Você é a minha melhor amiga, minha parceira, a voz que me afasta do perigo, meu primeiro pensamento quando acordo...eu não posso te perder."

"Então não me perca" - ela sussurrou. Depois, abriu um sorriso amplo - "sabe o que me fez mudar de ideia?"

"Sei, ganhar de presente três vestidos e um jantar chique." - ele fingiu sentir dor quando ela fez de conta que lhe dava um soco no ombro.

"Não! Quando você me contou que planejou essa emboscada."

"Hey, não chame assim os meus planos de um dia romântico."- Jane protestou, enquanto a segurava pela cintura.

Alguns segundos de contemplação encheram o quarto de silêncio, que foi quebrado pela voz de Lisbon: "Então…"

"Então…" Jane não sabia fazer mais nada além de sorrir e admirar os contornos do rosto de Teresa com adoração.

"Jane?"

"Hm?"

"Você pode me beijar agora?"

"Sim, eu posso."

Ele estava ocupado demais criando uma ala especial em seu palácio de memórias, especialmente dedicada àquele momento. Ainda bem que aquele era um lugar espaçoso, pois nem em seus sonhos ele imaginou ter que catalogar tantas sensações.

Lisbon olhou para Jane com um olhar tímido e um sorriso um tanto envergonhado que não combinava com a tempestade de beijos pela qual eles haviam acabado de passar.

"O quê?" - ele perguntou juntando-se a ela na amplidão daquele sorriso.

"Eu não sei. Não consigo parar de sorrir. Não me olhe assim." ela enterrou o rosto no pescoço de Jane se deixando ficar ali, naquele lugar recém conquistado, mas que ela sentia como se a pertencesse por toda a vida. Era como voltar para casa. Jane a embalava devagar, percorrendo seus cabelos, respirando fundo e antes que ele pudesse pensar no que dizer, ele ouviu a própria voz, profunda e desamparada, como uma confissão: "Eu te amo."

Não foi difícil perceber os músculos de Lisbon tensionando ao ouvir a declaração de Jane. Ela estava tão relaxada, se ocupando de absorver o perfume que sentia, estando ali naquele abraço, a temperatura perfeita dos dois corpos unidos, a sensação surreal de ficar quietinha recebendo carinho do homem que a amava. Jane a amava? Jane a amava! Sua mente acelerada jorrava mais pensamentos do que sua boca era capaz de dizer.

Jane não queria deixá-la naquele estado. Ele se afastou vagarosamente, a segurando gentilmente pelos braços - "Hey, está tudo bem. Não pense demais" E roçou delicadamente os lábios dela: "Eu preciso ir."

"O quê? Não, você não precisa" - disse Lisbon com um breve olhar para a cama.

"Sim, eu preciso. Não quero, mas preciso. Olha.. eu comecei o meu dia com medo que você fosse morar em outro estado e estou terminando com você em meus braços estremecendo ao ouvir que eu te amo. Não quero abusar da sorte. Não mereço tanto assim."

Lisbon suspirou, com uma cara mal humorada.

"Teresa, por favor, não faça essa cara. Você sabe quantas vezes eu já tive que me esforçar ao longo desses anos pra não perder a cabeça quando você fica assim?"

"Uma vez?"

"Hm hm"

"Duas vezes?"

"Hm hm"

"Quantas?"

"O suficiente." Uma nuvem escureceu os olhos de Jane anunciando uma nova tempestade. E quando ambos estavam tomados por um fluxo de paixão e ansiedade incontroláveis, Jane fez uma rápida e dolorosa pausa - "Você tem certeza?" A resposta veio entre dentes e lábios se devorando novamente quando Teresa conseguiu expressar o seu sim, que saiu mais como gemido do que como palavra.

Uma luz fraca entrava pela janela esboçando os contornos dos corpos emaranhados sobre a cama. Lisbon entretia a si mesma ouvindo as batidas do coração de Jane, enquanto ele desenhava padrões nos ombros, costas e quadris dela, descobrindo o mapa de seu corpo: qual lugar a fazia sentir cócegas, qual a relaxava, qual despertava seus desejos.

"Jane?"

"hmm?"

"Eu acho que nunca tinha feito isso antes" - ela falou com voz sonolenta que demonstrava o cansaço causado por horas e horas investidas naqueles jogos de amor.

"Isso é impossível" - ele respondeu sorrindo para o teto - "pra mim, parece que você sabia muito bem o que estava fazendo."

Jane já sabia que ela lhe daria um tapinha no peito e segurou sua mão para plantar um beijo em sua palma. Depois, ficou sério em sua resposta: "Eu sei do que você está falando…os arrepios que não passam, uma sensação dolorosa que parece ser fora do corpo, em uma parte que você não consegue tocar, mas sente que existe, uma vontade de rir e chorar ao mesmo tempo, os pulmões que parecem que vão explodir com tanto ar…"

"Como você sabe?" - Lisbon perguntou levantando levemente a cabeça, deixando o ar fresco mostrar a falta que aquele contato físico fazia para ele.

"Isso é fazer amor, minha querida." - Jane beijou a testa de Teresa e ela conseguiu o impossível se aconchegando ainda mais perto dele, deixando escapar um suspiro junto com uma pequena lágrima carregada de um novo tipo de sentimento...talvez, felicidade.