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A/N: Para onde será que Jane levou Lisbon à bordo daquele carro antigo? Alguém mais além de mim ficou imaginando? Aqui o que eu acho que poderia ter acontecido.
"Isso foi estranho. O que foi que ele disse?" - Lisbon ainda tentava disfarçar o desconforto de ter encontrado Pike conversando com Jane.
"Ele me perguntou se eu tinha um plano pra você."
"Plano?"
"Eu não tenho… Eu acho que sei o que parece ser certo… acho que nós sabemos o que parece ser certo, e acho que isso deve ser o nosso guia."
"Eu também."
Feliz por ter encontrado sinceridade na resposta de Teresa, Patrick mudou de assunto: "Eu tenho uma coisa pra você. Vira de costas e olha lá fora.
É um Cadillac v16 1930, parece novo. Eu aluguei por um dia."
…
Sentindo o vento contornando seus braços, Lisbon começou a relaxar depois de um dia inteiro de trabalho. Ouvia o barulho do motor e esboçava um sorriso enquanto ela lembrava de alguns momentos corriqueiros da sua infância e adolescência. Quando ela percebeu que Jane pegou a alça de acesso à rodovia, lançou um olhar questionador.
"Aonde estamos indo?"
"Você vai ver" - disse ele com o seu tom suspeito de sempre.
"Jane…"
"Relaxe, Teresa, você vai gostar."
"Jane... você não precisa fazer isso."
"Isso o quê?"
"Isso...o carro, o passeio, todo dia uma surpresa pra me agradar."
Ele pareceu pensativo.
Ela tentou tranquilizá-lo - "Eu sei que vou gostar. Os últimos dias têm sido uma grande surpresa, uma atrás da outra, mas…"
Jane transpareceu uma preocupação repentina em seu olhar e Lisbon continuou de forma doce - "Eu quero me sentir parte do plano. Quer dizer, eu quero que você continue me surpreendendo. Pelo menos agora suas tramas não terminam comigo preenchendo papelada... Mas eu também quero que você compartilhe o que está pensando."
"É eu percebi isso hoje…" Jane deixou escapar um suspiro.
"Está tudo bem? Se for aquilo que Pike disse...ele não deveria ter aparecido."
"De certa forma. É. Ele me fez pensar, sim. O jeito como ele falou... se eu tinha algo mais a oferecer do que Patrick Jane... eu não acho que eu seja o suficiente pra te fazer feliz, então, quero te compensar com as surpresas, fazendo o jantar, com as massagens e, enfim, tudo o que vem depois das massagens."
Visivelmente enrubescida, Lisbon mordeu o lábio visualizando os momentos sobre os quais ele se referia.
"Bem, você deve continuar fazendo tudo isso" - e com o sorriso aberto que ele adorava, ela continuou - "mas você tem que entender que estarmos juntos já me faz feliz."
"Você acha?"
"Aham. Durante anos, tudo o que eu queria ao chegar em casa depois do trabalho era Patrick Jane. Agora, isso é real e eu estou feliz assim." - Lisbon traçava gentilmente um caminho anguloso sobre o osso do maxilar de Jane.
"Sabe, tem esse rancho para onde estamos indo. É uma planície verde, de frente para as montanhas que ficam lá no horizonte. Vamos chegar bem na hora em que o sol se põe e dizem que o céu ganha tons violáceos."
Analisando a expressão que Teresa tinha ao imaginar o lugar, Jane concordava que era uma ótima ideia compartilhar com ela seus planos. Assim, poderia admirar a paisagem que se formava nos olhos dela à medida em que ia visualizando o que ele dizia.
"Eu vou te dizer o que estou pensando com mais frequência" - ele falou com um sorriso.
"Hmm...isso é novo. Que tal começar agora? Mal posso esperar - ela respondeu.
"Não, mudei de ideia, você vai acabar ficando convencida" - ele brincou, sabendo que aquilo jamais aconteceria - "na verdade, chegamos."
O carro parou sob uma árvore que certamente havia testemunhado a beleza daquele pôr-do-sol por décadas. O lugar era de tirar o fôlego e os bandos de aves que cruzavam o céu procurando um lugar para passar a noite deixava tudo ainda mais bonito.
Jane esticou o braço para trás do seu assento e tirou uma pequena cesta de piquenique.
Vendo a expressão surpresa de Teresa, ele falou rindo - "O quê? Você disse que queria que eu continuasse com algumas surpresas. Essa é a última. Por hoje."
Frutas frescas, chocolate e champanhe eram o combustível perfeito para se recompor ao final daquele dia. Teresa acabou ficando responsável por beber a maior parte do champanhe, pois Jane ainda precisaria dirigir por quase uma hora na volta.
Já estava escuro quando recolheram tudo e se dirigiram de volta para o carro. Antes de entrar no carro, Lisbon abraçou Jane com tanto carinho, que ele chegou a sentir que poderia chorar. Mas logo afastou o pensamento, pois não queria parecer bobo.
"Obrigada" - sussurrou Teresa naquele abraço gentil e quentinho. O contato de seu corpo com o corpo de Jane começou a despertar sensações que não combinavam com aquele momento acalentador e ela culpou a bebida que ela precisou consumir quase sozinha.
Em um milésimo de segundo a expressão inocente no rosto de Teresa ganhou um tom mais profundo. Ninguém perceberia, mas ele não era ninguém, ele era Patrick Jane.
"Você quer mesmo saber sobre as coisas em que estou pensando?" ele perguntou, tentando quebrar o ritmo com que a temperatura dos dois subia.
"Hmm?"
"Você pode ficar entediada, geralmente, estou pensando algo bom sobre você. E são coisas que eu já pensava antes de nós sermos nós...mas eu tinha que guardar pra mim e isso virou um hábito. Mas agora eu posso te contar."
"Como o quê, por exemplo?"
"Como o fato de eu respirar mais profundamente toda vez que você usa esse shampoo...esse com cheiro de canela. É como se eu quisesse guardar seu cheiro dentro de mim. Ou como você dá uma pequena mexidinha com o pescoço, assim, quase imperceptível quando junta coragem de me dizer algo sobre o qual ficou pensando por muito tempo."
"Eu não faço isso" - ela protestou, sem muita certeza.
"Você faz sim. Você desvia o olhar, depois me olha de baixo pra cima, faz esse movimento com o pescoço e fala...e quando termina de falar, por um segundo teus lábios ficam entreabertos, enquanto teus olhos medem a minha reação."
"Patrick Jane, você me lê o tempo todo? Isso é meio esquisito"
"Eu não posso evitar. Você fez isso hoje pela manhã. Quando você me ofereceu as chaves de casa."
"Você não pareceu tão empolgado."
"Eu sei. É que eu não estou acostumado com essa sensação de fogos de artifício explodindo em mim o tempo todo. Não quero te assustar."
"Você não vai me assustar."
"Ah não? Se cada vez que você der provas de que confia no que eu sinto, eu te pegar nos braços, girar e girar até cairmos tontos, exaustos e rindo à toa, você vai achar normal?"
"Ok, talvez você possa apenas falar que está feliz."
"É o que estou fazendo agora."
"É. Estou orgulhosa de você."
"Eu também."
"Acho que talvez você mereça uma recompensa."
"Você fez de novo. A coisa do pescoço."
Lisbon tentou desviar o olhar, mas ele capturou o rosto dela - "Está pensando nessa recompensa há muito tempo?" As sobrancelhas dela se acentuaram minimamente - "Tanto tempo assim?"
Ao perceber o tom de um acentuado vermelho no rosto dela, ele engasgou ligeiramente - "Uau...Teresa...o que você... aqui? Você tem certeza?"
A resposta veio com um olhar malicioso e uma provocação de Teresa, que se inclinou até quase tocar os lábios de Jane. Mas quando ele tentava eliminar a distância, Lisbon recuava milímetros, somente para apreciar a expressão confusa e frustrada dele.
"Você ainda quer saber em que estou pensando?"
"Não. Me mostre" - Ele a agarrou pela cintura e a suspendeu no ar, fazendo com que ela precisasse envolvê-lo com as pernas em volta do seu quadril. Lisbon estava presa entre Jane e o carro.
Até então, seus jogos de amor haviam sido cheios de intensidade, porém, dentro da segurança da pequena bolha que eles construíram nos últimos tempos. Ela precisava ter certeza de que eles saberiam lidar bem com o improviso, com a pressa e a adrenalina do dia a dia, pelo menos enquanto mantivessem o relacionamento em segredo.
E quando ela sentiu Jane tomando para si o seu corpo cheio de desejo, ela percebeu que deixá-lo no comando de vez em quando poderia ser a melhor ideia de todas.
De vez em quando.
