Capítulo II –

Terceira semana de Julho – Terça-feira – Lima.

Santana ergueu uma sobrancelha, mesmo sem tirar os olhos da estrada a sua frente.

"Não roube minha marca, S." Quinn repreendeu com um sorriso.

"Ah, cale a boca, Barbie. Depois de anos, alguma merda sua tinha que se impregnar em mim." Santana retrucou, dando uma olhada rápida para a amiga. "Eu não me lembro de nenhuma Rachel Berry na escola. Isso é um bom sinal."

Quinn assentiu, depois de tomar outro gole do seu chá. "É." Disse, sem outra coisa pra falar.

"Então, você vai transar com ela?" Santana perguntou como se fosse algo simples. Quinn somente revirou os olhos – depois de anos convivendo com Santana, já esperava uma frase dessas.

"Desculpe, S, mas eu realmente aprecio a tentativa de conquistar alguém. Não só levar para a cama, sabe? Você deveria tentar a arte da conquista, algum dia, sem levar tudo a sexo." Quinn olhava para Santana, e viu que a morena trincou o maxilar. Com um suspiro, Quinn soltou um "desculpa" baixinho. A loira sabia que aquele assunto – Brittany – não era dos melhores para a latina.

"Certo então. Conquiste-a. E depois a leve para a cama."

Novamente, Quinn só revirou os olhos, e deixou a conversa acabar. Olhando para fora da janela do carro, ficou imaginando como seria encontrar Rachel Berry no dia seguinte.

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Terceira semana de Julho – Terça-feira – Lima.

"Noah, graças a Deus! Onde você se meteu? Você está quase 13 minutos atrasado!" Rachel gritou, indo de encontro ao corpo quente do rapaz e dando-lhe um abraço, para depois se afastar e bater em seu braço, lembrando que deveria estar brava com ele.

"Desculpa, baixinha." Puck sorriu de lado e os olhos azuis brilharam. "O serviço de hoje demorou mais que o esperado. Mas já estou aqui, tudo bem? Pode ir embora desse inferno logo." Ele disse, mas Rachel não foi embora. Ela o acompanhou até a cozinha, para ele pegar o seu avental marrom. Depois de vesti-lo, Puck olhou para a amiga e viu que ela dava pequenos pulinhos e estava com os olhos castanhos meio arregalados. Puck se sentiu olhando para um filhotinho de cachorro. "O que aconteceu, Rach?"

"Noah, por favor, por favor, eu imploro a você." Rachel tomou ar e começou a falar rápido. "Sei do porquê de você ter escolhido o turno da manhã, como já conversamos, mas eu realmente, realmente, preciso ficar com ele amanhã. Aposto que suas mulh-" Rachel deu uma gaguejada, mas logo continuou a falar, ainda mais rápido, se é que isso é possível. "Aposto que suas clientes não se importarão de mudar o horário do seu trabalho para a manhã, pois vejo que você é muito requisitado, e, bem... Eu realmente preciso, Puck, ficar com o turno da manhã, e, já que eu te fiz esse favor hoje, acho que você realmente poderia procurar no fundo do seu coração judeu por alguma compaixão e arranjar um jeito de trocar o turno comigo amanhã de novo. Por favor." Rachel recuperou o fôlego e observou a expressão de Puck mudar de assustada – qual é, seus monólogos não poderiam ser tão ruins, poderiam? – para curiosa. Bem, talvez Rachel não devesse ter mostrado tanto desespero pela troca de turnos no dia seguinte. Era óbvio que teria de explicar a causa.

"Rachel Barbra Berry..." Puck falou lentamente, chegando mais perto da morena com passos também lentos, como dando um suspense ao momento. Parou perto da morena e olhou dentro dos olhos castanhos de filhotinho. "O que você está aprontando?"

"O-o quê? Eu? Puck, eu só quero o turno! Eu-eu... É que vai passar um filme, que eu realmente necessito ver, amanhã à tarde na televisão." Rachel poderia ser muitas coisas, mas, obviamente, boa mentirosa ela não era. Boa atriz, sim, mas mentirosa de última hora? Percebe-se que não.

"Você pode alugar o filme, Rachel." Puck disse, seus olhos se estreitando. Sim, ele era realmente curioso.

"J-já procurei em todas as locadoras. Ninguém t-tem." Rachel respirou fundo e tentou dar um passo para trás, só para perceber que estava encurralada contra a parede. Seus olhos se desviaram para a cozinha, procurando pelo cozinheiro para ter um motivo para fugir do interrogatório de Puck – ela duvidava se seria corajosa o suficiente para recorrer àquele homem, mas ela estava realmente começando a achar que não poderia esconder nada de Puck, não quando ele estava com esses olhos tão determinados – mas a cozinha parecia vazia. Inferno, aquele cozinheiro não tinha timing nenhum. Momentos horríveis para aparecer, tanto quanto para desaparecer.

"Então veja na televisão daqui da cafeteria." Puck semicerrou mais ainda os olhos. O que diabos era tão importante que Rachel não poderia falar?

Rachel engoliu em seco. Ela realmente não queria falar de Quinn para Puck. Afinal, ela nunca tinha se sentido tão atraída por uma garota. Não sabia como Puck reagiria, também, se ela contasse isso – mesmo, no fundo, ela achasse que ele só iria ficar "animado". Mas também, Rachel vira a loira por só, o quê, dez minutos? Menos, provavelmente. Era estúpido estar tão desesperada para encontrá-la novamente.

Percebendo que seus devaneios internos estavam confusos demais, Rachel suspirou. Ao olhar de novo bem dentro dos olhos de Puck, percebeu que teria de falar algo para ele pelo menos se sentir satisfeito, deixá-la com o turno da manhã, e não perguntar mais nada. Mas não, Rachel não falaria. Agora era questão de honra. Se ela não queria falar – não importa o motivo – ela não falaria.

Portanto, ela levantou o queixo e semicerrou seus olhos castanhos quase tanto quanto os de Puck estavam. Depois, deu um passo a frente e apontou para Puck ameaçadoramente – pelo menos ela esperava que tivesse sido ameaçadora – e falou. "Se você acha que vou ceder a esse seu olhar e dizer qualquer coisa que eu não queira, o senhor está completamente e redondamente enganado. Eu me preparo desde os cinco anos de idade para a pressão que a mídia vai fazer, quando eu for uma famosa estrela da Broadway, para saber qualquer coisa da minha vida pessoal, portanto, eu estou mais do que preparada para encarar isso. Então, Puckerman, nem tente arrancar algo de mim. Vai trocar de turno comigo ou não?" Ela completou, com a respiração levemente mais rápida, e segurando um sorriso para a expressão desapontada do garoto a sua frente.

"Credo, Rach. Eu só queria saber, calma. Tudo bem, eu troco, pequena judia." Ele deu um sorriso e Rachel completamente se esqueceu de que deveria estar um pouco brava com ele, logo atirando seus braços ao redor do pescoço do garoto e abraçando-o forte, agradecendo.

Depois disso, Rachel deu um tchau, animado até demais, e foi embora da cafeteria, já pensando no que vestiria no dia seguinte. Ela lamentou, mais uma vez, só que dessa vez por um motivo diferente, ter um cozinheiro tarado olhando para suas pernas toda hora. Não poderia usar algo realmente curto amanhã.

Terceira semana de Julho – Madrugada de terça para quarta – Lima.

Depois de uma tarde de desenhos na TV, tédio, de ignorar duas chamadas de sua mãe, de fuçar em perfis de antigos colegas de NY, tédio, música e um telefonema para saberem se ela queria participar de uma pesquisa sobre quantas vezes por semana ela faz sexo, Rachel não conseguia dormir agora que era noite.

Ela tinha tentado, realmente tinha. Ainda mais porque amanhã ela teria de acordar especialmente cedo para fazer seu ritual da manhã bem mais detalhado, já que veria novamente Quinn Fabray - só a lembrança daqueles lábios verbalizando seu nome já deixou Rachel meio mole.

Mas ela não conseguiu. Agora, lá estava ela. Meia noite e meia, sendo que acordaria às cinco e meia da manhã. Vendo algum filme qualquer impróprio para sua idade (pelo menos ela não prestava atenção). Pensando na loira, para variar um pouco, é claro.

Com um suspiro, ela levantou-se do sofá e sem nem notar o sexo explícito da TV – e, inferno, só era meia noite e meia – desligou o aparelho. Foi até a cozinha, e depois de pegar a embalagem de leite de soja e beber um pouco direto de lá, foi até o microondas e pegou o bloco de anotação em cima do mesmo. Normalmente, o bloco ficava em cima do microondas – um costume desde os tempos de NY – para que, quando alguém da família estivesse cozinhando e percebesse que faltava algo, fosse fácil anotar. Agora, o bloco ficava lá, além de ser uma lembrança de algo de NY, para que Rachel escrevesse algum recado para seu pai, já que o via só aos domingos, normalmente.

Às vezes, Leroy ia ao seu quarto quando chegava do trabalho e a beijava sua testa, sussurrando baixinho que a amava. Porém, Rachel nunca soube disso, já que ela seu sono era o mais pesado de todos, e Leroy nunca havia comentado.

Então, Rachel escreveu um pequeno recado no papel sem linhas. Oi, papai, o bilhete dizia, sinto sua falta. Eu te amo, durma bem. Rachel. E, com um suspiro, ela colocou a embalagem de suco de soja de volta na geladeira e voltou para a sala, indo em direção a escada, para subir ao seu quarto.

E foi quando um par de faróis iluminaram as janelas da frente e, pelo jeito, um carro parou em frente sua casa. Com um sorriso enorme abrindo em seu rosto, Rachel correu para uma das janelas, imaginando se seu pai teria saído do hospital mais cedo e ela poderia dar-lhe um abraço forte, para tentar acabar com um pouco da saudade que sentia dele.

Porém, ao afastar a cortina fina que cobria o vidro da janela e olhar para fora, ela foi surpreendida. Tudo bem, ela viu seu pai sair da porta do motorista, o que não foi uma surpresa, pois Leroy não suportava outra pessoa dirigindo. Mas – ela semicerrou os olhos, achando que, do nada, ela começou a ter daltonismo – não era o carro dele. E, após marcar mentalmente um bilhete para ir ao oculista para ver se era daltônica, já que o carro lá fora era preto, e não vermelho, como o de seu pai, ela viu um outro homem sair da porta do passageiro. E, quando seu pai atravessou o carro e abraçou a cintura do outro homem, que era um pouco mais alto que ele, e Rachel viu as duas cabeças se aproximarem, ela aumentou o bilhete no fundo da sua mente, adicionando miopia às suas suspeitas.

Quando ela viu o corpo de seu pai afastar do outro e segurar-lhe a mão, depois virando para começar a caminhar até a porta da sala, ela agradeceu a Deus por já ter apagado as luzes da sala. Depois, saiu correndo para a escada e depois para seu quarto, tentando não fazer barulho com seus passos – ainda mais para entender os sussurros vindos do andar debaixo.

Depois de desistir de tentar entender, ela entrou no seu quarto e se aconchegou embaixo do cobertor fino, com um sorriso nos lábios.

E dormiu assim, com um sorriso nos lábios, depois de poucos minutos, e mandando outro agradecimento a Deus ou qualquer outra criatura divina que a estivesse ouvindo, dessa vez por darem ao seu pai outra chance de ser feliz.

E, claro, por saber agora que, com certeza, seu pai não ligaria em nada se ela inventasse de namorar uma garota.

Terceira semana de Julho – Quarta-feira – Lima.

Quinn Fabray acordou com o telefone tocando.

E seu andar inteiro provavelmente acordou com os xingamentos gritados dela ao levantar da cama e ir até a sala para atender o maldito telefone.

E o prédio inteiro, com certeza, acordou com ela mandando Santana voltar para sua casa, o inferno, por tê-la acordado só para perguntar que maldito dia era hoje.

Quinn podia imaginar a gargalhada que a latina soltou depois de desligar em sua cara.

Depois de sua vizinha da frente bater em sua porta e pedir para que, por favor, ela cuidasse de sua linguagem, já que ela tinha dois irmãos pequenos, e uma Quinn envergonhada dar um sorriso de canto e pedir desculpas – e depois olhar para as pernas da garota quando ela voltou para seu apartamento –, a loira finalmente se acalmou e foi preparar seu café da manhã.

E foi aí que ela quase acordou Lima inteira, quando percebeu que seu último bacon, que ela havia guardado cuidadosamente para hoje, já que só teria tempo para ir ao mercado comprar mais hoje à tarde, havia sumido.

Em menos de dez minutos, Quinn já arrombava a porta da casa dos Lopez. Ela poderia se sentir envergonhada por estar no meio da rua com o cabelo totalmente bagunçado, com uma regata branca sem graça toda amassada, já que dormiu com ela, e um shorts que havia vestido às pressas, sem pensar que o comprimento era impróprio. Porém, Quinn estava tão furiosa, e necessitada de bacon, que nem pensou em ficar constrangida quando a Sra. Lopez abriu a porta e a olhou de cima a baixo.

"Tudo bem, Quinn?" Ela perguntou com as sobrancelhas franzidas em preocupação com a expressão assassina da loira.

"Ela está no quarto dela, certo?" Quinn perguntou e entrou na casa sem cerimônia. Depois de ver o aceno rápido que a Sra. Lopez deu, Quinn disparou para as escadas e foi até o fim do corredor, entrando no quarto de Santana.

"Porra, Fabray!" Ela ouviu antes que uma camiseta fosse atirada contra seu rosto. Mas isso não a impediu de pular em uma Santana Lopez vestida só com lingerie preta e cair na cama de casal dela, batendo em seus braços, cabeça, pernas, barriga, tudo que alcançava.

"Eu só não te chamo de filha da puta, Lopez, porque eu respeito sua mãe! Porra!" Quinn gritava enquanto ainda estapeava a latina, que estava quase engasgando de tanto rir.

"Hey, Fabray! Acalme-se!" Santana conseguiu segurar os braços da loira e depois virá-las, ficando sentada no quadril de Quinn. Ela riu mais ainda quando viu o estado do cabelo da outra. "Você nem tentou se arrumar antes de vir me matar, Q?"

Quinn soltou um bufo e ignorou o comentário da latina. "Você comeu a porra do meu último pedaço de bacon, caralho!" Ela gritou e viu Santana rir mais ainda. Quinn se contorceu mais debaixo da outra, tentando soltar suas mãos para estrangulá-la.

"Para, porra! Qual é, você sabe que tem quilos de bacon aqui em casa, você pode comer aqui." Quinn ficou mais calma pela chance de comer mais de um pedaço de bacon e se acalmou. Santana sorriu de seu jeito normal – satânico – e se inclinou por cima da garota, sussurrando em seu ouvido. "E você fica muito sexy com esse cabelo, Fabray. Muito, muito sexy." Ela ronronou uma risada e mordeu a bochecha de Quinn, que juntou forçar e empurrou a outra de cima dela, vendo com um sorriso satisfeito a morena cair no chão.

"Eu vou comer meu bacon, Satã. Agora vê se coloca uma roupa decente, que Brittany pode ficar com ciúmes." Quinn comentou com um dar de ombros e saiu pela porta.

Ao chegar na cozinha, avistou a mãe de Santana fritando alguns pedaços de bacon em uma frigideira e alguns ovos em outra. Com um sorriso, ela sentou-se a mesa depois de dar um beijo na bochecha da mulher, e pedindo desculpas pela entrada.

"Já me acostumei, Q. O que houve dessa vez? Ela ligou para te acordar de novo?" A mulher riu quando Quinn fez uma careta e assentiu.

Quinn olhou para o relógio na parede, percebendo que só eram sete horas. Com tanta raiva, ela nem havia parado para olhar a hora desde que acordou.

Poucos minutos depois, Santana apareceu na cozinha, devidamente vestida com um shorts preto e uma camiseta simples branca. Deu bom dia para sua mãe e depois um tapa na nuca de Quinn, como se fosse um bom dia carinhoso.

As três mulheres comeram seus próprios cafés da manhã em silêncio, com alguns chutes por baixo da mesa por parte das mais novas. Depois de todas acabarem de comer e cada uma fazer uma tarefa da limpeza da cozinha, a Lopez mais velha comentou. "Fazia um tempo que você não vinha tomar café da manhã com a gente, Quinn. Nós sentimos sua falta."

Santana assentiu quase imperceptivelmente e murmurou, batendo seu ombro no deu Quinn com um sorriso de canto. "E depois você reclama de eu ter comido seu último pedaço de bacon. Estratégias, Fabray, você tem que aprender a entendê-las." Quinn riu e abraçou a morena ao seu lado, que depois de poucos segundos já se afastava. "Nós somos do lado colorido da força, tudo bem, mas eu, pelo menos, não vomito arco-íris, Quinn. Controle-se."

Depois de mais alguns carinhosos tapas, as duas voltaram para o apartamento de Quinn, para que ela pudesse se trocar e "tentar arrumar a juba que ela chama de cabelo", de acordo com Santana.

Com Quinn com uma roupa sem tanto amassados e um shorts agora em um comprimento aceitável, Santana perguntou. "Cafeteria?"

Quinn olhou para seu iPhone, vendo que já eram 8h15. Depois, assentiu com um sorriso e confirmou. "Cafeteria."

Santana e Quinn, dessa vez, caminharam até a cafeteria. O sol ainda não estava tão forte, então era suportável caminhar.

Elas andavam com os braços entrelaçados, até que Santana comentou. "Acho que qualquer um que nos visse agora, diria que somos namoradas."

Quinn olhou para a garota com as sobrancelhas franzidas e depois se desvencilhou do braço da outra.

Santana sorriu novamente do seu modo natural e murmurou. "Efeito desejado."

Quinn seguiu o olhar fixo da latina, que mirava uma ruiva entrava na cafeteria a que elas se dirigiam, e depois revirou os olhos. "Certo, vá lá. Mas, por favor, sem transar no banheiro."

"Não prometo nada." Santana apressou o passo, deixando Quinn um pouco para trás, e entrou no estabelecimento. Quando Quinn chegou lá, viu que a latina já havia se sentado na mesma mesa que a ruiva ocupava, e que a vítima da vez soltava um sorriso tímido.

Então, Quinn mudou o foco do olhar, procurando a sua vítima. Com um sorriso, viu a morena balançando os quadris, enquanto estava inclinada contra o balcão e virava as páginas de uma revista. Quinn sorriu e começou a andar para perto do balcão.

Quando estava a apenas um passo, Rachel virou o rosto para trás e olhou para o relógio na parte de cima da parede pintada de um bege claro. Quinn acompanhou o olhar e viu que eram 8h25. Rachel aprumou a postura e foi pegar a revista para guardar, quando viu a loira parada a sua frente. Um sorriso despontou em seu rosto no mesmo segundo, e a loira sentiu seu coração dar um pequeno pulo quando Rachel umedeceu os lábios.

"Quinn Fabray." A morena soltou em um único suspirou, e a loira se sentiu viajar na voz da garota. Tão macia, e seu nome combinando tanto com o tom de voz rouco usado pela morena.

"Rachel Berry." Quinn sorriu e deu o último passo para o balcão. Queria se inclinar e tirar a franja que caía nos olhos castanhos da morena, e foi isso que ela fez.

Rachel soltou a respiração que não sabia que havia prendido quando os dedos de Quinn se afastaram. Um toque foi tão delicado, mas fez suas pernas tremerem.

"Hey, garçonete! Pedidos aqui!" Quinn ouviu a maldita voz da latina ecoar pelos ares e forçou seus olhos a desviarem da morena. Enquanto encarava Santana, Quinn desejou com todas as suas forças que tivesse visão de raio-laser.

Rachel demorou alguns segundos para lembrar que a garçonete chamada era ela, e quando percebeu, levou mais alguns segundos para ter coragem de tirar os olhos de cima da loira a sua frente, dos seus cabelos loiros um pouco bagunçados – e totalmente fofos -, das suas pernas brancas e perfeitas, nem um pouco cobertas pelo shorts jeans, e ainda dos lábios dela, que estavam crispados, enquanto mandava um olhar mortal para a pessoa que a havia chamado.

Escondendo um sorriso, Rachel virou-se e pegou o menu para levar até a mesa. Seu sorriso cresceu quando viu que a morena do dia anterior, que havia estado encostado ao carro, estava se inclinando contra uma ruiva que estava sentada na mesma mesa.

Bem, Rachel sorriu ainda mais abertamente e mexeu os quadris enquanto ia para a mesa, parece que ela não tem uma namorada.