NOTA DA AUTORA (N/A): Este capítulo contém linguagem e descrições susceptíveis à sensibilidade de alguns indivíduos e não aconselháveis para menores de 16 anos.

Capítulo IV – "Insanidade Ou Luxúria"

Acordei com a sensação de que estava muito fria, não com frio, mas de estar estranhamente fria. Abri os olhos com dificuldade e tentei perceber onde estava. O sítio não me era familiar. Podia sentir o cheiro a maçã com canela no ar. A última vez que eu tinha sentido aquele cheiro tinha sido num sonho, do qual não me recordo bem.

Eu estava numa cama de dossel*, que tinha os dosséis abertos, permitindo-me ver todo o quarto. Encontrava-me coberta por lençóis cor de vinho e macios como cetim. Quando tentei elevar o meu corpo para me sentar, senti uma dor agonizante no meu pescoço, como se me tivessem atingido com um taco de basebol. Apoiando o meu tronco com o meu braço direito na cama e a minha mão esquerda envolta no meu pescoço, olhei para o quarto à minha volta, examinando-o à procura de um espelho.

O quarto estava decorado um pouco à moda do início de século XX, com mobília de madeira trabalhada. Por cima da cómoda, onde se encontravam frascos antigos de perfumes e outros objectos não muito importantes, estava um enorme espelho com uma moldura de madeira onde tinham sido esculpidos dois anjos e flores que descoravam o resto da mesma.

Imediatamente procurei o chão ao lado da cama e dirigi-me ao espelho. Lentamente removi a minha mão esquerda, que até agora estava sobre o lado direito do meu pescoço, para revelar marcas de dentes sobre este. Inclinei o meu rosto um pouco mais para a minha esquerda para melhor ver as marcas, enquanto que o meu dedo indicador e do meio traçavam o caminho deixado por estas, que agora estavam num tom roxo avermelhado.

As poucas coisas de que me lembrava da noite passada começaram a repetir-se na minha cabeça. De repente senti uma pontada na barriga. Tudo voltava lentamente à minha cabeça, e eu mal podia acreditar que tal tinha acontecido.

Abanei a minha cabeça, desviando os meus olhos do espelho, murmurando para mim própria "Foi só um sonho, de certeza…", mas quando olhei para as minhas mãos; para os meus pulsos, tive a certeza de que tudo foi real, e muito real. As marcas das cordas nos meus pulsos estavam vermelhas e bem visíveis apesar da luz ténue que um cadeeiro emitia ao lado da cama.

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A figura do Ash aparecia repetidamente na minha cabeça repetindo os eventos da noite passada… A voz roca dele bem perto do meu ouvido depois de me deitar na cama só com o robe que trazia, enquanto dizia: "Ele nunca te vai ter da maneira como eu te terei, Merith. Tu vais pedir para eu te soltar, para me tocares… Vais implorar para que te tenha e depois verás que eu sou o que realmente queres. Eu, e só eu…".

Ao acabar de dizer isso ele beijava as marcas que tinha deixado no meu pescoço que deixara ali ontem, não sei se por luxúria ou impaciência; traçava um caminho com o toque dos seus lábios pelo meu pescoço, pela linha do meu queixo até chegar à minha boca.

Eu estava tão fraca que mal me conseguia mexer. Parte de mim queria que ele parasse, mas a outra não se queria mexer, como se aquilo fosse reconfortante… como se estivesse hipnotizada.

Ele continuava a beijar-me com fome, fome de me ter. À medida que ele continuava a beijar-me, as mãos dele percorriam o meu corpo dormente, abrindo o robe para revelar o que ele tanto desejava.

Sessando o beijo e assim deixando-me recuperar o folgo, ele pôs-se de joelhos, entre as minha pernas, a observar-me. Tinha as pupilas dilatadas, restando apenas uma linhas cinzenta muito fina, e olhava para mim como, imagino, um tigre olha para a sua presa. O desejo era evidente, e sem hesitar ele começou a traçar um caminho com beijos até aos meus seios… Nessa altura eu consegui arranjar forças para afastar a cara dele de mim, mas como num piscar de olhos e colocando as minhas mãos por cima da minha cabeça ele disse com um sorriso que prometia:

"Na, na, na, na… O que achas que vais fazer?" – Suspirando e segurando os meus pulsos por cima da minha cabeça e com a outra mão a acariciar o meu rosto ele continuou – "Não resistas… Tu sabes bem que queres isto…"

Será que eu queria mesmo? Mas ele nem me deu hipóteses de pensar sobre o assunto. Quando dei por mim, ele estava a amarrar os meus pulsos às barras da cama. Tentei libertar-me mas ele envolveu a mão dele no meu pescoço e inclinou-se, colocando a sua boca perto do meu ouvido, sussurrando:

"Assim é melhor não é? Nem precisas de decidir… Eu decido por ti. Assim não te sentirás tão culpada…"

Eu tinha-me esquecido sobre esse pormenor, ele consegue ler-me, não só mentalmente mas também fisicamente. Assim num movimento rápido e ágil ele atirou o meu robe e a sua camisa para o chão, junto à cama. Estava completamente nua e apesar do medo que sentia, parte de mim estava expectante para o que o Ash ia fazer a seguir.

Continuando o que tinha deixado para trás, ele começou o caminho para o meu peito, beijando cada centímetro, fazendo com que eu me arrepiasse de vez em quando.
Mas enquanto isso, eu não conseguia deixar de pensar no que ele disse. Porque ao mesmo tempo que eu sabia que o que ele estava a fazer era errado, o meu corpo respondia na mesma a cada estímulo, gritando pelo toque dele onde eu mais queria. E isso era o que eu mais temia. Eu não sabia se era o Ash que estava a manipular-me ou se tudo o que estava a sentir era real.

Perdida em pensamentos, fui interrompida pelo súbito toque dos lábios dele nos meus mamilos, mordendo suavemente, mas com pressão suficiente para arrancar, bem do fundo da minha garganta, um gemido. Aí senti os lábios dele a curvarem-se num sorriso.

Ele sabia o que estava a fazer comigo e conhecia melhor o meu corpo do que eu própria.

Depois de fazer o mesmo ao outro seio, ele seguiu para sul, beijando e às vezes mordendo cada centímetro da minha pele que estava exposta.

Eu podia sentir a temperatura do meu corpo aumentar e a minha libido crescer com a frustração de não o ter onde o meu corpo mais queria.

Aí, movendo-se para cima, ele capturou a minha cara com uma mão e beijou-me, e deslizou dois dedos em mim com a outra em surpresa, que fez com que eu gemesse na boca dele, quase como um pequeno choro. Isso fez com que um grave gemido viesse bem do fundo dele, mostrando o quão eu o afectava.
Quando ele começou a mexer os seus dedos a um ritmo, não rápido mas suficiente para que o meu corpo respondesse, eu abri os meus olhos, que ardiam prestes a inundarem-se com lágrimas. Eu procurei os olhos dele, e quando os nossos olhares se cruzaram e ele retirou os dedos de mim, deixando-me na ponta do abismo. Ele olhava-me agora com uma expressão que nunca conseguirei explicar. Um misto de tristeza com carinho…
Aí ele passou os nós dos dedos pela minha cara e numa voz tão grave que mal o reconheci, ele disse-me:

"És tão linda, até quando choras…" – Uma lágrima caía pela minha cara, e com o pulgar ele limpou-a – "…eu amo-te Merith."

Mal ele disse-me essas três palavras ele entrou em mim. Eu arregalei os meus olhos - ainda mantendo contacto com os dele – e abri ligeiramente a minha boca em espanto. Ele olhava-me com luxúria, apreciando cada expressão da minha cara.

À medida que o meu corpo se começou a habituar ao ritmo, o prazer crescia e isso só me fazia sentir ainda mais culpada. Eu não queria sentir isso com ele. Mas eu não mandava no meu corpo naquele momento e ele sabia bem disso.

Quando ambos chegamos ao nosso ponto de ruptura, ele colapsou sobre mim. Eu não conseguia parar de chorar.

Saindo de mim e rolando da cama ele dirigiu-se ao que parecia ser a casa de banho. Depois disso, caí lentamente no sono.

Quando olhei para o espelho de novo, vi o Ash atrás de mim. Estive tanto tempo perdida a rever o que se tinha passado que nem me apercebi dele chegar. Instintivamente saltei e tentei afastar-me dele. Ele não se aproximou, mas riu-se para si próprio.

"Estou a ver que te estás a adaptar bem…"

Subitamente todo o meu corpo gelou… O que queria ele dizer com adaptar- Oh meu deus! Não…

"O que é- que- o que é que me fizeste?" Eu estava agora a um passo do colapso, e eu não quis acreditar no que ele me ia dizer.

"Agora serás minha para sempre, Merith. Minha… Para sempre"