N/A: Mais outro capitulo e este é bem comprido. Se poderem, leiam a ouvir a música Heart's A Mess do Gotye em repeat. Que como podem ver foi de onde saiu o nome do capitulo. A história está pouco a pouco a chegar a um final, talvez tenha só mais um capitulo (aind não tenho a certeza). Depois vou-me dedicar a uma nova história que estou a pensar em escrever. Não se esqueçam de comentar e partilhar.

Capitulo 7 – "Confusão de Corações"

Prólogo do David

Acordei com o barulho alto de janelas a baterem com o vento do quarto da Merith. Então levantei-me da minha cama e fui bater à porta do quarto dela para ver se estava tudo bem.

"Merith? Está tudo bem?" – Ela não me repondeu e então eu decidi abrir a porta. – "Estou a entrar..." – Disse eu, mas não havia sinal de resposta. Aí, comecei a ficar um pouco preocupado.

Quando entrei senti um vento frio da casa de banho. A porta estava encostada, e sem fazer barulho eu abria a porta para trás, deparando-me com um cenário macábro. As roupas da Merith estavam espalhadas pelo chão. Havia sangue na água da banheira e no chão até à janela, que estava aberta.

Todo o meu corpo gelou. Algo terrívelmente mau tinha acontecido à Merith. O meu cérebro gritava que ela estava em perigo. Eu corri para ver se o telémovel dela ainda estava no quarto. E estava.

Eu não sabia o que fazer. Não sabia o que se tinha passado, mas isto era a obra de algo sobrenatural. Não era qualquer um que escalava até à janela, que estava a uma altura significativamente alta.

Parei em frente à janela, com o telémovel dela na minha mão e achei que a única solução seria fazer o que normalmente se fazia nestas alturas. Ligar à policia.

A mãe da Merith veio juntamente com eles. Pediram-nos para não tocarmos em nada, enquanto pessoas, quase saídas do C.S.I., recolhiam amostras e estudavam o cenário onde estavam.

"Mas David, tens a certeza que não sabes o que aconteceu?" – Perguntou-me a senhora Silver, poxando-me para um canto onde o resto das pessoas não nos podessem ouvir.

"Sim. Eu entrei e deparei-me com isto. Mas eu tenho as minhas suspeitas no que toca às causas... A senhora viu a mesma coisa que eu. Aquilo era sangue, mas não havia nenhum objecto que podessem fazer tal hemorregia... E o cheiro..."

"O cheiro?"

"Sim... Não é o cheiro da Merith."

"David... Eu sei que deve ser difícil para ti, mas não lhes podes contar isso. À polica. Eles não fazem ideia que seres como tu existem..."

"Como eu? Eu não tenho quase nada de vampiro" – Sussurei a última palavra como se tivesse medo que a ouvissem.

"Eu sei. Mas ainda tens outras capacidades que não são totalmente humanas. Se outra pessoa te tivesse ouvido à pouco, iria julgar que eras maluco ou que tinhas um olfato muito aporado... Tu sabes qual da opções mais fácilmente alguém iria pensar..."

"Eu sei. Mas eu quero ajudar a encontrar-la."

"Não te culpes David. Eu também não sei o que foi que aconteceu aqui, mas estou com um persentimento que algo de muito mau aconteceu..." – ela disse, tentando esconder o choro que estava quase a sair. O problema é que nós os dois sabiamos perfeitamente que isso era verdade...

Depois de ter explorado a casa a pente fino e me ter alimentado, encontrei o Ash sentado num dos bancos do jardim. Mal parei ao lado do banco, ele falou:

"Eles andam à tua procura Merith."

"Quem?"

"A tua mãe e o David chamaram a polícia quando viram o estado em que estava a tua casa de banho." – Ele fez uma pausa, como se estivesse a pensar em algo. – "Já pensas-te no que vais fazer?"

Quando ele fez essa pergunta eu sentei-me no lugar vazio ao lado dele e olhando para o vazio eu respondi:

"Eu vou ter de forjar a minha morte..." – Esperei que ele falasse, mas ele não disse nada. Então continuei. – "Visto que agora a polícia está envolvida, vai ser mais complicado. O que achas que devia fazer?"

"Eu podia arranjar um corpo parecido com o teu, desconfigura-lo e colocar o teu ADN para que eles tivessem um corpo para enterrar..." – Ele sujeriu, agora olhando para o meu perfil com uma cara neutra, não revelando nenhuma emoção.

"Mas eu gostava de poder falar com o David..."

"Falas depois. Se queres fazer isso tens de praticar a tua capacidade de hipnótismo para apagares a memória dele. E para, além disso, tens de pensar bem na história de como tu morreste. Tem que ser convincente."

Ele já se estava a preparar para se levantar quando eu o parei, segurando o braço dele, prendendo os olhos dele com os meus.

"Ash..." – Eu queria-lhe dizer o que sabia sobre o David, mas lembrei-me que isso o poderia por em perigo... Então tentei pensar rápido em algo para lhe disser...

"Sim Merith?" – Ele estava à espera.

"Ah... Como é que vais fazer com que o corpo tenha o meu ADN?"

"Deixa isso comigo e não te preocupes." – visto que não tinha mais nada a dizer, larguei o braço dele pondo num pequeno sorriso. Ele seguiu a minha mão até ela cair nas minhas pernas e depois de retribuir o sorriso, ele continuou. – "Hoje jantamos juntos."

Ele não me deu a oportunidade de responder e começou a andar em direcção à casa.

Por pouco eu ia-me esquecendo de tudo que o David me disse. Se alguém soubesse o que ele era, principalmente o Ash, ele estaria em perigo.

Aí percebi que tinha perdido tudo o que tinha.

O Ash esperava que eu pensasse na maneira de como morri, mas tudo o que eu pensava era como é que eu ia dizer adeus às pessoas que mais amava.

Dois dias mais tarde, já estava tudo organizado. A policia tinha encontrado o "meu" corpo. A história foi a de um homem, já com antecedentes de rapto, tinha-me raptado, mas tudo correu mal, pois quando ele me surprendeu na casa de banho, firiu-me com uma faca e eu acabei por morrer de infecção e hemorregia em cativeiro. O suposto homem confesou tudo, e o corpo que encontraram pareciasse estranhamente com o meu. Por o meu corpo estar em tão mau estado foram feitos testes de ADN e aos ossos para aporarem a identidade do mesmo e chegaram à conclusão que era o "meu".

Eu não sei ao certo todos os detalhes, pois não tive coragem de saber e deixei tudo com o Ash e o amigo de longa data da dele, o Edward.

O Edward parecia entender como eu me sentia e sempre tinha um olhar carinhoso para me dar. Por isso, quando eu pedi ao Ash para me levar ao "meu" funeral, foi ele que o convenceu a me deixar ir.

Eu estava agora escondia por entre as àrvores e via toda a gente à volta do "meu" caixão de uma distância segura. Na multidão encontravam-se a minha mãe, o David, a Tryvie, mais umas quantas pessoas minhas conhecidas e da escola, e o meu pai.

Quando eu o vi ali a chorar, todas as lágrimas que até agora tinha conseguido segurar, escorreram-me pela cara. Eu não o via à um ano e tinha tantas saudades dele. Doía tanto ver-lo assim.

Eu senti o braço o Ash na minha cintura e a voz quente dele no meu ouvido.

"Isso vai passar amor."

Se ia passar ou não eu não queria saber. Naquele momento pensei se não tinha sido melhor ter mesmo morrido. Assim não tinha assistido a tudo isto e não me sentiria tão miserável.

E, outra vez, como se tivesse captado essa minha linha de pensamento o Ash disse:

"Acredita que não. Eu nunca me teria perdoado por não te ter salvo."

Depois de o padre dizer o discurso, o meu caixão começou e ser descido no buraco, e aí todas as pessoas, uma a uma chefavam perto para colocar as rosas brancas, que cada pessoa trazia.

A minha mãe estava agora a chorar compulsivamente abraçada ao meu pai. Algo que eu não via desde há muito tempo. Senti uma pequena brisa de felicidade ao pensar nisso.

Distâncidado dos meus pais estava o David, ainda com a rosa dele na mão. Nenhuma lágrima caia do rosto dele, como se ele não acreditasse. E eu sabia o porquê.

"Tens a certeza que queres falar uma última vez com ele? Isto fecha a história sem dúvidas, não precisas de fazer isso." – Dissse-me o Ash. Mas eu precisava deixar claro ao David o que sentia. Eu precisava de ter essa paz.

"Sim, eu tenho a certeza. Hoje à noite eu falo com ele..."

"Então, assim será." – disse o Edward, caminhando com o Ash de volta para o nosso carro.

Eu ainda fiquei a olhar para os meus pais e para o David. Quando o David finalmente atirou a rosa dele para o buraco eu voltei-me e comecei a andar dizendo a mim própria:

"Hoje será a última vez..."