Capitulo 8 – "Toda A Gente Morre No Final"

Quando entrei no carro. Nenhum dos rapazes falou. O Edward, que ia a conduzir, olhou para mim pelo vidro retrovisor e sorriu. Eu não sorri de volta e apenas me limitei a olhar para fora da janela. Olhando pela última vez para o cemitério.

Como se fosse um cliché de um filme de Hollywood começou a chuver. Isso só fez com que a nostalgia que sentia se prononciasse cada vez mais no ar.

O Ash olhava pela janela dele também, abstraído pelos seus pensamentos.

O resto da viagem foi feita em silencio. Quando chegamos a casa, o carro parou em frente às escadas que davam à porta de entrada da casa. Saíndo do carro, o Ash abriu a minha porta e deixou-me sair.

Antes que eu podesse chegar à porta da casa, também esta de madeira trabalhada seguindo assim o estilo geral da mesma, o Ash falou para mim e para o Edward que, estava fora do lado do condutor, em frente ao Ash.

"Eu vou sair e vou levar o carro comigo. Volto já." – E assim fez, estendendo a mão ao Edward para que este lhe desse as chaves do carro.

Eu fiquei ali parada a ver o Ash entrar no carro e sair em direcção aos portões. Por essa altura, quando me voltei de novo para a porta, o Edward já a tinha aberto e esperava que eu entrasse. Depois de estarmos algum tempo em silêncio à espera que um de nós fizesse ou disse-se algo, ele finalmente disse:

"Essa tua cara... Tu estás a magicar alguma coisa na tua cabeça, não estás?"

Olhando-o com ar de espanto, mas ao mesmo tempo de orgulho eu respondi:

"Já me conheces tão bem... Mas eu estou só a pensar no que vou fazer. Escusas de te preocupares se eu me vou meter em problemas ou não."

"Impossivél. Sabes, mesmo sendo muito mais velho que tu, eu sei perfeitamente como é ser jovem, ainda não me esqueci. Pensamos que o mundo está na nossa mão e que podemos fazer o que queremos com ele." – fazendo uma pausa para olhar de novo para mim, como se estivesse a tentar perceber algo que não entendia na minha cara, ele fechou a porta e continuou – "Mas não me contes o que tencionas fazer. Eu não quero ter que dizer ao Ash nada que te venha a deixar em problemas. Mas lembra-te que nem sempre o que achamos correcto é o que devemos fazer".

Suspirando eu disse numa voz mais alta que anteriormente:

"Mas eu já disse que-"

"Não Merith. Não digas nada. Eu não quero saber de nada."

Assim, continuamos a andar pelo corredor central, a sorrir um para o outro como se estivessemos a desfrutar de uma piada que só nós os dois entendiamos.

Quando saí com o carro, a minha única intensão era fazer o que achava certo. Tinha de falar com o David primeiro. Não quero que ele faça algo de cabeça quente do qual se arrependa mais tarde se não lhe explicar o que se passou, antes de ele falar com a Merith.

Ao contrário do que ele possa pensar, eu sei o que o faz ser agresivo comigo. Sempre soube, mas mesmo assim guardei isso para mim próprio. Eu não queria que nada de mal lhe acontecesse, pelo bem da Merith.

Agora estava no carro, estacionado em frente da antiga casa da Merith. Tenho a certeza que quando a Mrs. Silver abrir a porta, a primeira coisa que ela vai dizer-me será porque é que não fui ao funeral da Merith. Ao qual eu derei que não consegui. Podem pensar que estou a mentir, mas se ela realmente tivesse morrido, teria sido isso que teria acontecido.

Depois de algum tempo sentado no carro, com o motor desligado, e de ter a certeza que revi todos os cenários possiveis, decidi finalmente bater à porta.

Mas quando cheguei à porta, a casa estava estranhamente silenciosa. Algo estava errado. Eu podia sentir-lo. Mal encostei o ponho na porta, esta abriu ligeiramente. A fechadura da mesma encontrava-se intacta, mas o cheiro que vinha de dentro da casda era suficiente para me deixar preocupado.

Abri a porta por completo e caminhei pelo corredor que dava acesso à cozinha e à sala de jantar, sempre com o maior couidado para não fazer nenhuma espécie de barulho. Já o cheiro... Este intensificava-se cada vez mais.

Assim que cheguei à sala, e como se um cheiro desagradável tivesse entrado pelo meu nariz, tapei o nariz e fiz uma cara de nojo.

"Meu Deus... Não... Ma-"

O que estava perante mim nada coincidia com os cenários que tinha previsto.

"Ash..."

De um canto da sala, protegido pelas sombras, saía o meu pai. Um homem nos seus aparentes quarentas, se contarmos pelos anos humanos, alto, com os olhos iguais aos meus, de fato e sobretudo preto. O habitual, caso não fosse a diferença que desta vez as mãos dele estavam cheias de sangue e na sua cara podia-se ver alguns arranhões a sicratizar.

"Achavas mesmo que eu podia deixar que ela tivesse a oportunidade de contar à família dela o que ela é? Sabes bem que mal ela os visse, ela não resistiria em lhes contar"- um longo silêncio procedeu-se enquanto o meu pai andava de uma ponta da sala para a outra. Eu estava em choque. Esperava de tudo menos isto. E como é que ele sabia da Merith? – "Eu acho que tu sabias perfeitamente que ela não o iria conseguir fazer... Por isso é que estás aqui. Tu próprio não confias nela o suficiente a esse nível."

"Mas... Eles não te fizeram nada de mal! Pai!? Eles não tinham culpa..." – A minha voz falhava tanto que nem eu próprio me reconhecia. Ali à minha frente estavam os corpos deles ensaguentados... Os corpos da Mrs. Silver e do David...