Já faz um bom tempo, eu sei.
Aposto que pensaram que vos tinha abandonado. Bom, eu também.
Vamos ver como corre e tentar dar uma continuação a esta história.
PS: O capitulo anterior foi reestruturado também.
–Poderá este dia melhorar?!
Sou capturada por druidas que desaparecem, perseguida por Raptors e salva por um homem sem rosto.
–Tudo bem, um dia normal no Mundo Perdido.
Não posso evitar o revirar de olhos. Tão pouco consigo segurar e o suspiro que me escapa dos lábios. A ironia costumava me animar.
Um arrepio percorre-me, enquanto observo a floresta ao seu redor. O local é estranho, assustador e belo. As plantas são altas, de vários tons de verde, roxo e vermelho.
Alguns raios solares passam entre as largas folhas, tocando as gotas que por elas caem. Por breves momentos penso nos belos diamantes mas, por algum motivo, não me parece uma boa comparação. O brilho da água é quase mágico.
O bosque está repleto de sons mas não os consigo identificá-los.
A aparente ausência de predadores, está a deixar-me ansiosa. Odeio o sentimento de "perfeito de mais para ser real".
Estou a caminhar pelo que me parecem horas, apesar de entre as copas não conseguir perceber correctamente o movimento do Sol.
Sinto-me exausta! Cada passo me é doloroso, tornando o meu corpo ainda um pouco mais rígido.
E o que dizer dos meus pensamentos?! Não consigo compreender a minha mente, não parece funcionar correctamente.
Sinto um medo inexplicável, aumentar em razão proporcional ao avanço do Dia.
Por mais que andasse, por mais que pensasse, não me ocorria como voltar ao seu Mundo. Não tenho ideia de onde estou. É desesperante! É impossível regressar a Casa.
Vivi sempre sozinha. Já estive em situação muito piores que esta. Mas imaginar um futuro sem eles...
Nem mesmo sob tortura admitiria mas os últimos anos, tornou-me completamente dependente. Dependente daquela disfuncional família.
Senti uma necessidade atroz, que me estava a devorar, de sair daquele local. Há muito aprendi a não ter medo do desconhecido, a enfrentá-lo de cabeça erguida. Não consigo deixar de me culpar. Não é possível que, em pouco mais de três anos, me tenha tornado tão dependente daquelas pessoas.
O entardecer estava a transformar-se em noite, pelo que uma decisão tornara-se urgente. Onde iria dormir? Uma escolha que pode parecer supérflua mas que, na verdade, é de primeira necessidade.
Aconchegando-se nas raízes de uma monumental árvore, sentia-se uma criança assustada. Pensar em dormir, naquele local, causava-lhe arrepios.
Sabia que deveriam ter passado várias horas, no entanto, ainda não sentia frio. O ambiente não era quente e húmido, como acontecia no Planalto, mas ameno e agradável.
Não sentia coragem de expressar, nem nos seus mais íntimos pensamentos, o que o seu cérebro parecia querer gritar aos ventos. No entanto, por mais que o tentasse ignorar, sabia que poderia estar a deleitar-se com este belo Bosque. Para tal, bastaria que algum dos seus companheiros estivesse a acompanhá-la.
A noite prometia ser longa, e já mal conseguia conter as ansias de chorar. Na verdade, a luta que havia empreendido contra a tristeza parecia perdida. Como pérolas, as lágrimas começaram a correr pelo seu belo rosto.
De cada vez que o sono parecia apoderar-se do seu corpo, ruídos surgiam para a assustar. Após ter passado horas a tentar acalmar o seu ritmo cardíaco, o cansaço tinha vencido.
Sentia os raios solares tocarem a pele, o que estava a despertá-la. O sentimento de calma, transmitido pelo suave calor, fazia-a desejar não se levantar nunca. Mas, como nada é perfeito, os sons que a rodeavam tornavam-se incomodativos.
Tentara ignorar, como todas as suas forças, os ruídos que preenchiam o ar mas era inútil. Desistindo da luta já perdida, abriu seus grandes olhos.
