Notas da Autora

O jovem Amesen, futuro Rikudou Sennin continua avançando pela montanha legendária, enfrentando sem saber diversas provações, em busca de conhecimento e sabedoria...

O que o aguarda no final de seus testes?

Antes de lerem, devem estranhar o uso da linguagem formal e culta. Mas, antigamente no mundo, os mais abastados, superiores ou nobres, usavam essa linguagem culta.

No Japão, mesmo atualmente, raramente eles usam Anata (você). Este uso é reservado para quem tem amizade ou intimidade. Mesmo assim, é utilizado raramente. O normal é usar o nome da pessoa, algo que soa estranho para nós que usamos você e vocês.

Assim como é estranho, o uso de conjugação verbal nos sujeitos Tu e Vós, que uso nas falas desses tipos de pessoas... Para as que carecem de instrução na fanfiction, usarei a linguagem coloquial, tentando controlar o fato que uso expressões formais demais, onde não é necessário... Me sinto como peça de museu muitas vezes. Rsrsrrsrsrsrsrs

Agora, sem mais delongas, vamos ao capítulo ^ ^

Capítulo 2 - Encontro do destino.

Após subir uma trilha íngreme, o jovem avista uma imensa caverna escavada na rocha, cujo interior encontrava-se escuro como o breu.

Pega um pedaço de galho caído e improvisa uma tocha, para depois entrar com cuidado, observando a formação de estalactites que pareciam reluzir sobre a luz do fogo.

Porém, um vento misterioso apaga a tocha quando ele já tinha avançado na caverna.

Então, abre um pequeno pergaminho que tira de suas vestes e após fazer alguns selos, surge uma pequena chama que usa para acender novamente a tocha.

Porém, toda a vez que Amesen a ascendia, o estranho vento surgia e apagava, tornando algo infrutífero. Após mais de doze vezes, ele desiste e passa a caminhar pela caverna, usando o bastão para tatear a frente, enquanto fechava os olhos para melhorar os seus outros sentidos, conforme o treinamento que teve.

Após alguns minutos, sente algo passar por ele rente ao chão, como se rastejasse e quando roçou nele, sentiu que era frio e escamoso.

Inicialmente ficou com medo, pois não enxergava nada. Mas, após alguns minutos, recordou-se do treinamento com os olhos vendados que fez e sentou no chão em pose meditativa, após deitar o bastão ao seu lado.

Pegou uma pequena adaga que trazia embaixo de sua roupa, enquanto meditava e se concentrava, prestando atenção nos seus batimentos cardíacos, nos pequenos sons no ambiente a sua volta, como as gotas de água caindo no chão da caverna pelas estalactites, da leve brisa que soprava e depois do pequeno farfalhar rastejante nas pedrinhas miúdas que compõe o chão da caverna.

Ele fica atento, buscando compreender o padrão do rastejamento e com isso, prever quando e onde a provável serpente dará o bote, o que não tarda a acontecer.

Com apenas alguns segundos para reagir, desvia o corpo do bote enquanto sentia o movimento do deslocamento do ar da cabeça do réptil, acertando-o na cabeça com sua adaga, fincando-a no chão, enquanto se afastava para não ser chicoteado pela cauda que se remexia rapidamente na luta para se libertar.

Agilmente pega o bastão e acerta o local da adaga como se martelasse, fazendo com que fincasse a serpente ainda mais rente ao chão, notando que com o tempo, os movimentos paravam, indicando que o animal falecera.

Rapidamente, põe-se a seguir em frente, usando o bastão novamente como vareta para cutucar o chão. Passado meia hora, sem mais problemas, ele sai da caverna e vê a luz novamente.

Respirando aliviado, segue pela trilha sem ver uma cobra alva enrolada em volta do corpo escamoso da mesma, observando-o do alto da caverna, tendo no seu lado a mesma garota de antes.

– Ele derrotou meu clone... incrível...

– Mas ele é persistente... Tive que apagar várias vezes aquela tocha.

– Ele deve ter tido um excelente treinamento antes de vim para cá... Afinal, mesmo que Gyuuki-san tenha facilitado a batalha, ele conseguiu uma boa façanha aguentando bastante tempo os ataques dele.

– Verdade. Mas, falta o penúltimo e derradeiro teste e irei aplicar. Caso passe, só encontrará mais um. Itekimasu, Yori. - nisso, sorrindo, a jovem desaparece em um mini ciclone, deixando uma cobra alva pensativa.

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Após uma hora, Amesen se encontra parado frente a uma bifurcação e enquanto pensava em qual direção seguir, uma bela jovem de traços delicados surge em meio a um redemoinho, flutuando no ar na frente dele que fica estarrecido, pois já pensara ter visto o impossível ao conversar com um touro que podia assumir uma forma humana.

Ao ver um humano flutuando, julgou que de fato, precisava ter a mente aberta.

– Amesen... Sou a guardiã dessa montanha, Okikaze (秋風 - briza do outono). - fala com voz étera.

– Esta montanha tem uma guardiã?! Não sabia.

– Sim. Por todo esse tempo estive observando a ti e o parabenizo por chegar até aqui, foste o único a conseguir desde que esta montanha foi criada há centenas de anos atrás... Muitos falharam e encontraram a morte ao ousarem aceitar o desafio de subir este lugar místico.

– Não foi fácil e sinto-me honrado de saber ser digno de tal façanha. - ele fala sorrindo, admirando-se por sua proeza.

– Como tal merecedor, ofereço-lhe duas escolhas.

– Duas escolhas? - ele arqueia o cenho.

– Na trilha a direita, encontrarás a morte, provavelmente... Por mais que esta ofereça conhecimentos.

– Na trilha a esquerda, garanto a riqueza absoluta. Serás mais rico do que um rei, além de ganhar o direito a ter apenas uma pergunta respondida pelo todo poderoso e honorável Kami-sama. Não minto-lhe e portanto, ofertados os caminhos, decida-se.

Amesen olhou para os dois caminhos e após alguns minutos, sorrindo, disse a guardiã:

– Agradeço-lhe as indicações e já falo-te que seguirei o caminho da direita, pois, apesar do perigo da morte, busco o conhecimento e nada mais. A riqueza por mais que pareça seduzir os humanos, a este Amesen ela não consegue.

– É tua escolha definitiva, ningen (humano)? - ela arqueia o cenho.

– Sim... Agradeço-lhe as indicações, Okikaze-sama. - e curva-se respeitosamente.

– Não o impedirei mais. Escolheste o teu caminho e somente resta-lhe um aviso. Ouviste bem, para não arrependeste depois. Sigais sempre a frente, não desvieis do caminho que tomarás... Tens aqui um conselho valoroso.

– Muito obrigado, Okikaze-sama... Este Amesen sente-se honrado pelo tempo que concedeste a conversar com este humilde humano. - e curva-se novamente com a voz humilde, pois notou a aura de poder que ela exalava, indicando o quanto era poderosa e que não parecia pertencer a este mundo.

– Boa sorte... Irás precisar. - nisso, desaparece em meio a um redemoinho.

Amesen torna a acomodar melhor a bolsa de tecido que trazia suas coisas, pondo-se em seguida no caminho a direita, sem se esquecer do conselho da guardiã.

Após algum tempo, nota que uma estranha neblina gélida toma o local, fazendo-o começar a usar o cajado para tatear a sua frente, até que escuta o barulho de asas.

Tenta olhar através da neblina, mas não consegue ver nada, somente vultos brancos que tornavam-se destacados quando se aproximaram dele, que detectou serem morcegos alvos, centenas, senão, milhares voando em sua direção.

Tira o bastão do chão e começa a girar entre os dedos e em seguida em volta dele, produzindo ondas sonoras que faziam os morcegos avançarem no bastão, além de deixa-los confusos.

Porém, eram muitos e o bastão não conseguia dar conta, mesmo com ele girando em torno de si para evitar os ataques que vinham de todas as direções, enquanto ameaçava se movimentar para os lados.

Então, se lembra do que a guardiã disse e começa a avançar, encontrando dificuldade por causa do número de inimigos alados.

Em um determinado momento, gira o bastão em seu eixo com força, atirando-o brevemente no ar, enquanto fazia selos com a mão, falando:

– Fuuton - Kaze no Tate!

Ele libera o chakra da natureza do vento, criando um campo de chakra de vento em volta dele, rebatendo os morcegos que tentavam avançar, enquanto pegava o bastão que havia girado no ar, antes deste ser arremessado para longe pela força do vento circular em torno de si.

Amarrando o bastão em seu corpo, prepara-se para mais uma sequência de selos, pois precisava avançar.

Após terminar a sequência, exclama:

–Fuuton - Atsugai!

Ele cria um enorme tufão de vento que destrói todos os morcegos a sua frente, enquanto ele avança, virando o corpo para lançar o mesmo jutsu para trás dele, acertando os perseguidores alados, girando em seguida o bastão por cima da sua cabeça para derrubar os que tentavam ataca-lo por cima e pelos lados.

Após alguns minutos, a névoa se dissipa e então nota que passou por um caminho estreito de rocha. Se tivesse ido para os lados, teria caído no imenso precipício que não conseguia ver o fundo.

Notou que como mágica, os morcegos sumiram e deduziu ser uma espécie de teste.

Respirando mais calmamente, enquanto recuperava o fôlego, torna a seguir um caminho íngreme a sua frente, na esperança de ver logo Kami-sama, pois além do conhecimento, desejava perguntar algumas coisas a ele.

A guardiã sorri flutuando no ar, longe da visão dele, contente por Amesen ter passado na ilusão que ela criou com os seus poderes no último e derradeiro teste.

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Após alguns minutos, o jovem chega em uma espécie de planície verdejante com árvores seculares espaçadas e diversos tipos de flores com uma leve brisa soprando naquele local.

Caminhando admirado pela beleza daquele lugar, chega até o centro daquela planície, onde uma espécie de mini ciclone se forma, revelando Okikaze, que sorri gentilmente a ele, para depois falar:

– Fiques orgulhoso, Amesen... Foste o primeiro e último humano a passar pelos testes com louvor, demonstrando todas as qualidades esperadas por Kami-sama... Ou melhor, Megame-sama... Sim, é uma Deusa... Tivermos duas Deusas e estas partiram, mas, sempre nos vigiam e nos guardam, zelando por suas criações... Tivermos um Kami-sama também... Atualmente, de quem receberás a honra e o prêmio, além de explicação de teus futuros deveres, será a descendente direta dos Deuses da Criação, a Joou-Megami ( 女王 女神 - Rainha Deusa) Tennohana-sama, do Zoku HikariTengoku no Eichiteki ( 族光天国の叡知滴 - Clã Luz do Céu das Gotas de Sabedoria)

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– O quê? Deusas? Não só Deus? Descendente direta? - o jovem Amesen fala com a face em visível confusão pelas informações recebidas, enquanto tentava lutar para manter a mente aberta segundo o conselho de Gyuuki.

– És o que entendeste, jovem Amesen - Gyuuki surge na campina como num passe de mágica, trazendo pelas rédeas Tsuki, o corcel do jovem.

– Considere-se sortudo. Serás o primeiro humano a conhecer todas as verdades deste mundo, verdades que irás jurar não contar aos demais humanos... - uma cobra alva surge e fala há poucos metros deles em meio a sibilos.

– Uma cobra falante? - depois de falar, Amesen sentiu-se um idiota, pois vira um touro assumir forma humana e falar, uma garota flutuar no ar, e portanto, uma cobra falar não deveria causar surpresa.

– Passaste no meu teste na caverna. Acertaste meu clone sem poder ver, apenas contando com os seus demais sentidos... Foi surpreendente.

Antes que o humano pudesse falar, um flash de luz imenso surge na frente dele.

A luz era quente e calorosa. Sentia-se seguro e amparado. Era uma sensação confortante que o enchia de felicidade e paz e que revela ao dissipar-se uma jovem de longos cabelos alvos e olhos azuis como o céu de verão, tendo um olhar que emanava calma e benevolência.

Começara a andar em direção a ele, embora parecesse era mais flutuar de tamanha leveza de seus passos. A pele alva como a neve contrastava com o kimono de 12 camadas, um Jûni-hitoe com belos desenhos e cores.

Ele cai de joelhos e prostra-se com a testa rente ao chão, mostrando sua submissão e humildade frente a descendente direta dos Deuses. Nem precisava a menção do que ela era. Apenas pelo chakra que emanava em sua sublimidade, já denunciava seu status. Sentia-se honrado por ser atendido por um ser tão superior.

– Levante-se, jovem Amesen... És digno de olhar-me. - a voz dela era suave e melodiosa como o mais belo canto existente, além de emanar uma imensa paciência e bondade.

Lentamente, ele ergue-se e então a olha diretamente, vendo os traços perfeitos dela. Uma perfeição não encontrada na terra.

– Convido-te para ires ao reino desta Tennohana, na Dimensão dos Tenshis, onde poucos humanos já pisaram... Serás o 9º. Lá, contarei tudo o que deseja saber e sobre as muitas verdades que deverás guardar para ti... Se os demais humanos souberem, poderá levar o mundo a ruína... Lá, também, receberás um dom e conhecimento, além de um treinamento especial. Quando retornares a esta Dimensão, deverás compartilhar aos demais apenas certos conhecimentos para ajuda-los a evoluir e com isso, defender-se melhor dos youmas, por mais que saiba que tal evolução trará guerras ao mesmo tempo que salvará humanos dos youmas. Porém, é imperativo que haja evolução e após guerras, deverás surgir aquele que mostrará um caminho digno e que será um exemplo a ser seguido, uma influência boa, um raio de luz e esperança neste mundo conturbado... Tal como bebês que um dia aprenderão a andar graças a este humano que irá ensina-los, sendo o primeiro passo para a derradeira evolução dos homens.

– Ao palácio de Tennohana-sama? A Dimensão dos Tenshis? - ele pergunta embasbacado, não imaginando que fosse digno de tal honra e também, tinha curiosidade em saber quem foram os demais humanos que pisaram em solo tão sagrado, segundo a sua visão do que ouvira até aquele instante.

– Sim... Serás um convidado por um longo tempo. Quando terminares teu treinamento, receberás um novo nome e serás um autêntico Sennin.

– Muito obrigado, Joou-Megame-sama... Este humilde Amesen sente-se honrado. - fala humildemente.

– Poderás levar Tsuki... Esta Tennohana sabe que possuí uma grande afeição por este corcel. Separa-los seria no mínimo crueldade, pois quando retornares a este mundo, este cavalo já terás falecido.

– Muito obrigado. - e curva-se novamente.

– Agora, venha, jovem Amesen. - ela faz um gesto para que ele se aproxime e ao fazer isso, ambos desaparecem em um imenso clarão de luz.

– Ficou tão comovido por ser atendimento pela Joou-Megame-sama, que esqueceu de agradecer a este Gyuuki - comenta levemente aborrecido.

– Não pode culpa-lo... Amesen nunca imaginaria que teria tamanha honra... É normal este esquecimento. - Yori fala em meio aos silvos, enquanto vira-se para um portal de luz aberto por Okikaze.

– Yoru-san tem razão, Gyuuki-san... Não condenais aquele jovem humano.

– Entendo Okikaze e tentarei esquecer tal afronta - e nisso bufa.

– Tal como uma criança... - Yori comenta mordazmente, já irritada pelo comportamento do amigo.

– Não sou criança! Só prezo a boa educação! Qual o mal nisso, ô cobra superdesenvolvida?! - ele fala cuspindo.

– Vaca superdesenvolvida?! - Yori estica seu pescoço grosso e escamoso, ultrapassando o tamanho de Gyuuki que já pegava seu bastão, enquanto a cobra alva chicoteava o solo.

– Crianças! Vamos! Andardes logo e entrem para podermos voltar a nossa Dimensão... Ou por acaso não sentem saudades de casa? - Okikaze fala aborrecida pela discursão que ameaçava virar uma briga.

– Não somos crianças! - Gyuuki e Yori falam em usino.

– Certo... certo... Agora, vamos. - Okikaze fala em tom de descaso.

– Sua...! - ambos falam novamente em usino, para depois se olharem e voltarem suas faces aborrecidas para o lado, bufando.

A guardiã apenas suspira cansada após revirar os olhos, clamando aos Deuses por paciência.

Nisso, Yori e Gyuuki entram no portal, seguidos de Okikaze, enquanto a mesma fechava, selando a passagem para a outra Dimensão criada pela filha direta dos Deuses, Susano no Mikoto.

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Na vila mais próxima da montanha lendária, o jovem agricultor olha para onde deveria estar a mesma, notando que ela sumira em um piscar de olhos.

Ele coça os olhos e torna a olhar de novo, enquanto lutava para acreditar que a montanha imensa já não encontrava-se lá, para depois sair correndo desesperado, gritando e chamando a atenção dos demais.

Porém, antes que começasse uma histeria em massa, uma estranha névoa percorre vários quilômetros em um raio de distância do local, manipulando a memória de todos que moravam próximos dali, apagando-a de todos a existência da montanha.

Distante do seu local de trabalho, o mesmo trabalhador que correra primeiro, não entende por que não estava no campo, arando-o, assim como os demais, que retornam confusos aos seus afazeres, sem compreender o porque de terem se afastado.