Capítulo 5 - No fim, tudo acaba em festa
Dentro do carro, Lily observava, pela janela, um campo de futebol, onde vários garotos jogavam, apesar do tempo ruim e um pouco escuro. Ouviu o grupo de líderes de torcida gritar entusiasmadamente: "James, James! Você é o melhor!". Desviou os olhos, irritada. Não queria sequer imaginar o motivo de sua súbita irritação. Segundos depois, o carro parou.
- Já chegamos? - ela perguntou, estranhando.
- Já? Só agora, você quis dizer - disse Marlene, impaciente.
- É, parece que é aqui - disse Ana, também estranhando. - Será que chegamos cedo?
- Cedo? São quase dez e meia! - disse Pedro.
- Wormtail, Wormtail, para uma festa dez e meia não é tarde, sabe?
Pedro corou ao comentário, mas pareceu não se importar muito com o fato de ser corrigido publicamente.
- Humm, parece que há uma construção bem grande atrás desse muro - comentou Lily.
- É... - começou James, olhando para o folheto novamente e bagunçando a cabelo. - Parece que é aqui mesmo.
- Não tem nenhuma placa com o nome da rua? - Ana perguntou.
- Como, se isso parece o fim do mundo?
- Deixa de ser exagerado, Sirius - disse Remus. - Devemos ter errado o caminho, não sei...
- Vamos voltar àquela rua e pedir informação, ué - sugeriu Pedro.
- Boa, Wormtail! Que tal pedirmos informação para as meninas ali, hein? - Sirius perguntou, apontando o campo com a cabeça e dando um sorriso malicioso.
- Ótima idéia.
- Oi, linda! - disse Sirius para uma garota morena de olhos verdes e óculos, interrompendo a coreografia. - Posso saber seu nome?
Ela sorriu, corada.
- É Beatriz, mas pode me chamar de Bia - apesar de tudo, ela olhava diretamente para Remus.
- Belo nome, tanto quanto a dona... - Ela sorriu, sem-graça, e ele continuou. - Escuta, você sabe se esta daqui é a rua dos Pombos?
- Rua dos Pombos? - ela estranhou. - Eu não tenho certeza, mas acho que essa rua é para lá. Você sabe, Lety? - ela perguntou para a garota a seu lado.
- O quê?
- Onde fica a rua dos Pombos.
- Ahh, onde fica eu não sei não... Mas é um nome bastante sem graça - ela respondeu, olhando para Sirius.
- Thaaa! - a primeira garota gritou para uma outra morena,que parecida ser a líder do grupo, incentivando uma garotinha: "Fique tranqüila, você consegue!".
Veio correndo, afobada.
- O que foi?
- Você conhece uma tal de rua dos Pombos?
- Olha, se não me engano, é a próxima depois dessa construção.
- Que droga, vamos ter que dar a volta! - reclamou Lisa.
- Não, não precisam - ela disse. - Ali naqueles arbustos há uma passagem que dá para o terreno que eles usam para festas, essas coisas.
- Festas? Caramba, estamos com sorte! - disse James, olhando para as três e bagunçando novamente os cabelos.
- Obrigada! - disse Lily. - Vamos?
- Que pressa, Lily! - disse James, sem desviar os olhos das garotas. - Vocês têm telefone?
Lílian bufou e começou a caminhar.
- Ah! - ela virou-se, quase trombando com Marlene, que seguia atrás dela. - ÉEvans pra você.
Elas seguiram até os tais arbustos perto do muro, cercado de várias árvores. Lily abriu caminho entre eles, irritada.
- Gente, olha isso! - exclamou Lisa, apontando algumas garrafas contendo restos de bebida alcoólica e um canivete.
- Larga isso, Lisa! - Ana alertou. - Não sabemos de quem é, pode ser perigoso! Além do mais, se vocês ficarem aí vão chamar a atenção!
- É que... sabe... eu nunca experimentei bebida alcoólica! - ela falou, encarando as garrafas.
- Ah, eu não acredito, Lisa! - falou Lily, se metendo entre os arbustos pela passagem. - Sabe-se lá quem foi que colocou a boca nisso! Que nojo!
- Além dos mais, bebidas alcoólicas fazem mal e têm um gosto horrível! - disse Ana, com uma careta.
- Engorda! - disse Marlene, do outro lado.
Lisa afastou-se imediatamente.
- Ah, pensando bem, deixa pra lá.
- Que enorme! - disse Pedro, em meio às pessoas.
- Não é tão grande - disse Sirius, com as mãos nos bolsos.- Mas, afinal, é agradável. Er, até mais - ele completou, ao avistar uma loira perto da "casa", que parecia ser uma pista de dança isolada acusticamente.
Havia gente de todos os tipos e de idades variadas por todos os lados. A confusão irritava profundamente tanto Remus quanto Lílian.
- Ah, que droga, nem dá pra ouvir a música direito!
- Gente... - Marlene começou a respirar ruidosamente. - Gente...
- O que é, Lene?
- É a música que eu amooooooo! Amanhã não se sabe!
"Como as folhas, como o vento, até onde vai o firmamento! Toda hora, enquanto é tempo, vivo aqui neste momento! Hoje aqui, amanhã não se sabe, viva agora antes que o dia acabeee!"
- Tá bom, Lene, mas não precisa judiar dos meus pobres ouvidinhos - resmungou Lisa, alto o bastante para que a amiga ouvisse, no meio de todo o barulho. - Será que vai vir alguma banda conhecida aqui?
- Não faço idéia... Lily! - Marlene chamou, subitamente.
- Que foi?
- Cadê o Remus?
- Sei lá. Por quê?
- Era pra você vim com ele, né?
- Vim não, Lene, vir. E, não, eu não tinha que vir com ele, portanto, não vim.
- Por que você pode falar "vim" e eu não?
Lily revirou os olhos, entediada.
- Eu não vim, para você vir. Entendeu ou tá difícil?
- Bom, do mesmo jeito tá errado, tá? Todas nós viemos - ela estirou a língua.
- Ah, cala a boca - Lily disse, rindo. - Escuta, eu vou lá pra fora. Te cuida.
James andava de um lado para o outro. Havia ficado com mais de três garotas, mas ele não desejava nenhuma tanto quanto desejava Lílian. Avistou um emaranhado de cabelos ruivos debaixo de uma árvore. Podia reconhecê-los em qualquer lugar, apesar de tê-los conhecido há menos de um dia.
Abaixou-se à sua frente, colocando uma mecha de cabelos da menina atrás da orelha dela.
- Lily?
Ela levantou a cabeça, ainda com a mão no abdômen.
- Eu já disse que é Evans para você.
Lisa andava, distraída, quando levou um empurrão. Tirou alguns fios de cabelo dos olhos e começou a reclamar; com certeza ia falar umas poucas e boas para quem quer que fosse.
- Escuta aqui, quem é que você pensa que é para sair esbarrando desse jeito nos outros, hein? Isso aqui é um lugar praticamente público, você tem que respeitar, e... Sirius?
- Como... Lisa! Nossa, como você está... linda! - ele disse, ligeiramente bêbado, fazendo-a corar fortemente.
- Obrigada...
- Será que você não companhia quer? Quero dizer, minha companhia não quer? - ele perguntou, um pouco atordoado.
"Tá aí", ela pensou. "Minha chance de experimentar cerveja".
- Remus? - Ana perguntou, estranhando. - Por que não está dançando, como todo mundo?
- Talvez eu não seja como todo mundo... - ele sorriu, mas não parecia estar se divetindo. - Além do mais, você também está aqui. Eu prefiro sua companhia.
Ela corou e sorriu, sentando-se também numa muretinha afastada.
- Lily... Ok, Evans. Por que você me trata desse jeito?
- Talvez porque você mereça? - ela respondeu, pressionando ainda mais a barriga. "Maldita hora para ter cólicas..."
- E o que eu poderia ter feito para merecer isso?
- Nascido? - ela deu um sorriso zombeteiro. - Se você quer mesmo saber, eu cito algumas qualidades suas... 1) Você é insuportável. 2) Você quebrou meu sapato e ainda me fez pagar. 3) É grosso. 4) É convencido. 5) Fica arrepiando esse seu cabelinho ridículo só para se mostrar, se achando o tal. 6) Ficou com um monte de garotas numa única festa!
- Ahh, então é por isso? - ele sorriu marotamente. - Ciúmes, ruivinha?
- Cale a boca se você não quiser ter, oficialmente, uma inimiga.
James calou-se e sentou-se ao lado da garota, que se afastou ligeiramente.
- Eu sei como se sente - ele disse, depois de alguns segundos. - Pode não parecer às vezes, mas eu também tenho sentimentos.
Ele aproximou-se lentamente, hipnotizando-a com os olhos. Fechou-os, prendendo a respiração, contendo a ansiedade...
Paf! James resmungou alto, passando a mão pelo rosto dolorido. Tinha quase certeza de que seu rosto estava marcado pelos delicados dedos da ruiva, que se levantava rapidamente.
- Você só é capaz de nutrir algum tipo de sentimento por você mesmo, Potter.
Sirius quis aprofundar o beijo, mas Lisa fez questão de terminá-lo, dando-lhe vários selinhos.
- Eu 'to com sede, você não?
Ela experimentara um pouco de cerveja, mas não gostou muito, e parecia ter uma certa resistência. Sirius, pelo contrário, parecia ser fraco para bebida, ou havia bebido demais mesmo. Limitou-se a balançar a cabeça afirmativamente.
Lisa sorriu e levantou-se. Não haveria problema em deixá-lo por alguns minutos, é claro.
Um pouco depois, Sirius levantou-se, confuso. Onde ela tinha dito que estava? E como era mesmo o nome dela? Decidiu procurá-la, não agüentava mais ficar ali, parado.
- Por que você está triste?
- Não estou triste! – ele falou rapidamente, e desviou o olhar.
- É claro que está.
Remus soltou um resmungo irritado.
- O que foi?
- Nada.
- Como assim "nada"?! É claro que...
- Ana, não tem nada de errado comigo, ok?
Marlene cansou-se de dançar, estava morrendo de sede. Foi até o balcão e pediu:
- Uma água.
- Água?
- É, água! - ela respondeu, irritada. - Algum problema em não ser mais uma viciada em álcool?
- Nenhum - o vendedor respondeu, estendendo um copinho de água.
- Ah, é em garrafa. - Ela sorriu.
O rapaz entregou-lhe a água, com um olhar irritado. Oh, como ela adorava fazer isso!
A morena virou-se tão rapidamente que quase derrubou a garrafa num loiro de olhos bem azuis que estava em sua frente... Mas seu olhar deteve-se em algum ponto atrás dele: Sirius Black bêbado e sem companhia. Ou melhor, sem companhia há alguns segundos atrás, porque Marlene Mckinnon podia até ser santa, mas tonta, nunca!
Marlene interrompeu o beijo.
- Estou com sede! O que vai querer?
- Sei lá.
- Tá, eu vou trazer água.
- Água? Água por quê? Traz água não! - Ele tentou puxá-la de volta. - Quem precisa de água?
- Eu preciso!- ela disse, levantando-se.
Marlene voltou ao bar, vendo uma figura conhecida. Qualquer um reconheceria os lindos cabelos pretos e extremamente escorridos e compridos de Lisa Delacourt.
- Lisa! - Marlene falou, pulando em seus ombros, assustando-a.
- Lene!! Que mania chata, viu?
- Hey, tenho que te contar uma coisa!
- Ah, é, eu tambééém!
- Eu estou ficando com Sirius Black! – elas falaram simultaneamente.
Arregalaram os olhos.
- Como assim? Eu acabei de deixá-lo ali!
- Ah, então foi por isso! Eu vim aqui pegar alguma coisa pra beber e ele simplesmente desaparece!
- Mas que cachorro! Ah, mas ele vai ver só, nós vamos fazer alguma coisa...
- Lene... você pensou o que eu pensei?
- Montar um dicionário todinho de xingamentos pra esse sem-vergonha? - ela perguntou, de sobrancelha erguida.
- Se o Sirius é mesmo um cachorro - ela engoliu em seco - será que o James...?
- Espera, Lily!
Finos pingos de chuva molhavam a grama e também o casal, afastado da festa.
- Vai ficar fugindo de mim agora?
- Eu só quero me ver livre de você, Potter! - ela retrucou, sem virar-se.
- Se você não me ouvir... - ele disse, puxando-a pelo braço e virando-a. - Nunca vai saber o que eu realmente sinto por você...
James envolveu-a rapidamente num beijo ansioso. Os pingos de chuva aumentavam gradativamente, assim como a intensidade do beijo.
Numa fração de segundos, Lily relembrou cada momento daquele dia maluco, daquele encontro completamente fora dos padrões. Em uma fração de segundos percebeu que nem tudo é tão previsível quanto imaginava. Naquele mínimo espaço de tempo Lílian soube que nem todos os beijos eram especiais. Aquele era o beijo. E com quem ela mais queria no mundo. Naquela pequena fração de segundos percebeu o que era surpreender-se com o inesperado. Naquele exato momento percebeu o que era conhecer James Potter.
De repente ela sentia como se tivesse caído de um precipício, como se perdesse o chão... Bobagem, era só o salto que havia quebrado.
Lily ficou extremamente constrangida, e os dois começaram a rir, apesar de ser óbvio que desejavam mais.
- Olha só o que você fez!
- Eu fiz? – ele estranhou e olhou para o sapato. – Você... você comprou o quebrado?
Ela fez uma careta desgostosa. Ele não precisava comentar isso assim, não é?
- Eu não tive escolha! – Ele começou a rir, para sua irritação. – Eu lá ia pagar dois sapatos? Tem uma loja que reforma sapatos no shopping, e ficava muito mais barato!
James riu e segurou o rosto da menina com as mãos, beijando sua testa, depois seu nariz e suas bochechas, molhadas de chuva.
- Eu te amo – ele falou, num sussurro rouco.
- Olha... não use palavras fortes demais – ela falou, desconcertada.
- Eu não estou usando.
- Remus! Será que dá pra esperar??
Ele virou-se para a garota e suspirou.
- Me desculpa, eu me irritei.
- Hunf, percebi! Eu só perguntei, não quis ofender.
- Não ofendeu, pode ficar tranqüila.
- Certo.
Eles ficaram em silêncio, muito próximos, sem saber exatamente o que dizer.
- Ana... humm... eu... – Remus corou furiosamente. – Eu acho que vou te beijar.
- Posso não ser muito boa nisso – ela disse, também corando.
- Impossível. (N/A: trecho de Um Amor pra Recordar da menina sem criatividade xP)
N/A: Ah, esse capítulo foi muito idiota HUAUHAHUAUH
Isso é porque eu escrevi quase meia-noite, sendo que eu estava tentando escrever desde... ahm, umas 10 horas da manhã, no mínimo. Fiquei sozinha em casa porque não podia parar de tentar escrever. Isso é o que dá não ter inspiração até o último dia do prazo do challenge /se mata/. Mas oook...
O próximo capítulo é o epílogo. Algumas coisas se acertam e outras nunca mudam... Mas no final, tudo acaba em festa, certo/morre de novo/.
Espero que tenham gostado!
Beijos.
(obs: Obrigada, Thaty e July, pelas reviews! July, eu não sei muito sobre Mamonas Assassinas, realmente... Eu sou muito pirralha HUAHUAUHA Esse é o último capítulo normal e talz, mas depois desse vem o epílogo. Espero que gostem, de verdade!)
