Vai mesmo se casar comigo, Hilda? - perguntou Siegfried, atônito - E meu filho? Vai ser reconhecido realmente como meu?
- Claro que sim. Para as duas perguntas.
- Mas... não vai ser ruim para sua reputação?
- Não me importo. Antes de me casar com Gûnter, tinha medo de desagradar as massas em geral. Agora que meu primeiro matrimônio deu apenas em tragédia, quero fazer o que meu coração mandar, independente do que os outros digam ou pensem.
E realmente agiu assim. Inovou em tudo que pôde: vestiu-se com a roupa de sua escolha e convidou apenas quem ela e Siegfried quiseram. Arrumou tudo de maneira bem menos suntuosa, porém mais íntima e pessoal. E para tornar tudo mais chocante ainda, colocou Freya, sua irmã, para a cerimônia de unir as mãos do noivo e da noiva. As aias, os valetes, todos os conhecidos, e até a própria Freya, lhe aconselhavam a não fazer um casamento tão divergente do comum, mas Hilda não ouvia a ninguém.
Apenas na hora da cerimônia todos ficaram sabendo quem era o noivo. E se seguraram para não ficarem logo boquiabertos diante do próprio casal, embora não conseguissem disfarçar bem a surpresa.
Hilda foi levada, dessa vez radiante como uma estrela, para o altar pela sua irmã, e lá segurou com firmeza a mão do amado, quase antes de Freya unir ambas.
Logo após a cerimônia ter sido realizada, a rainha subiu ao altar e decidiu fazer um breve comentário antes de a festa em si começar.
- Sei que devem estar estranhandoi bastante o fato de eu estar me unindo a uma pessoa que nao possui sangue nobre. Mas tenho um motivo bem forte para fazê-lo. Vêem Sigmund? - e apontou para a aia que trazia seu filho no colo. Todos olharam instintivamente.
- Pois então - continuou a monarca - Ele é meu filho com Siegfried.
Um "oooohhhhh!" nada contido, seguido por um burburinho nervoso, tomou conta do enorme salão.
- posso imaginar o que estão dizendo de mim. Mas é justamente para não praticar novamente um ato como o adultério que me caso da forma que quero, com o homem a quem amo. Não importa o que as ações ou os contratos anteriores digam.
Nessa hora, Siegfried a admirou talvez mais do que nunca antes. Ela realmente não tinha medo do que falassem ou fizessem contra si própria! Era uma mulher autêntica.
Na festa, os noivos dançaram e ficaram juntos durante todo o tempo. Não receberam felicitações tão efusivas, já que o matrimônio era estranho aos olhos da maioria, mas o peso de, após tantos anos, teem finalmente revelado e assumido a todos que na verdade se amavam, havia se dissipado e os deixado três vezes mais leves. Isso era suficiente para deixá-los felizes por toda uma vida.
Quando, finalmente, foram ä sua oficial noite de núpcias, riram.
- Já é a terceira, não é mesmo? - disse o guerreiro.
- Sim, querido. Mas esta será a mais doce das três. Pois agora somos marido e mulher perante todos os que nos conhecem, e não precisamos mais nos esconder. Felizes os que esta proeza conseguem realizar!
Hilda e siegfried foram muito desaprovados (até mesmo depois de suas mortes), várias vezes pelas costas e algumas mesmo pela frente. Mas as ofensas batiam como vento numa muralha. O que lhes importava era saber que nada impediria Sigmund de subir ao trono um dia e que, acima de tudo, suas almas pertenciam uma a outra para sempre.
FIM
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EEEEEEEEEEEEEE!!! Finalmente acabei esse treco!! Ficou clichezão, previsível, mas foi o que saiu na época em que eu escrevi (2005), e resolvi não modificar. Críticas, sugestões, elogios, ameaças de processo, é só mandar review!! o/
