Os Quatro Elementos
Parte III - Da Diferença de Princípios à Separação
Os anos passaram e tudo parecia correr bem... mas os alunos mais atentos poderiam perceber a carranca do sério Slytherin, que parecia aumentar a cada dia. A atmosfera no Salão Principal tornava-se insuportável toda vez que Godric e Salazar se encontravam; a rivalidade cresceu a tal ponto que os antes grandes amigos agora mal se falavam.
Se antes os problemas existiam devido à diferença de princípios, agora se agravavam. Isso porque o nobre Gryffindor descobrira o grande segredo de Salazar: a Câmara Secreta. Quando Godric cobrou explicações do ofidioglota, o mesmo valeu-se de subterfúgios para explicar-se. Salazar não considerava adequado que Gryffindor soubesse de seu affair com Rowena, isso poderia colocar tudo a perder. Preferiu dar-lhe uma explicação alternativa, dizendo que trouxera Pólux para o castelo para que este cuidasse de seus 'domínios'. Aquilo parecia deixar Godric ainda mais nervoso. Se, naquele momento, Salazar tivesse usado a razão, como geralmente fazia, a união dos fundadores teria sido poupada. Mas ele decidira por usar o coração e pagaria um alto preço por isso, começando por um soco em sua fronte que fora desferido por Godric.
Coube às duas mulheres separá-los e acalmar os alunos que já apresentavam os ânimos exaltados. Apesar de não recorrer à força física, Salazar tinha respondido o soco à altura, agora os dois homens sangravam. Rowena os estuporou e levou-os à enfermaria, deixando que Helga cuidasse dos alunos. Este deveria ter sido o sinal de que aquele ano não seria como os outros.
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Entre as duas fundadoras, a relação continuava a mesma. A amizade que unia as duas não diminuiu com o tempo e, agora que viviam juntas, pareciam mais íntimas do que antes. Foi essa intimidade que fez Helga perceber que o brilho nos olhos azuis da amiga tinha-se apagado. Rowena continuava empenhada na educação dos alunos, mas deixava transparecer a tristeza em seus olhos a cada briga de Gryffindor e Slytherin, que acontecia com grande freqüência.
Foi numa manhã particularmente calma, uma que não havia presenciado briga alguma entre os dois fundadores, que o falcão apareceu. O grande falcão da família Ravenclaw, Salazar percebeu. A ave voou pelo salão principal e pousou dignamente à frente de Rowena, que pegou o pergaminho oferecido e abriu-o, enquanto a ave alçava vôo.
"Querida Rowena,
Parece ter se esquecido de seu pobre e velho pai após a abertura dessa escola. Sei que você sonhava com isso, mas deve se lembrar que, para uma mulher, certas coisas são mais importantes.
Digo isso porque Victorius entrou em contato comigo e mostrou-se confuso com o fato de que você ainda não o procurou para tratarem do casamento. Expliquei-lhe que você não está mais morando comigo e o fato de ter inaugurado uma escola... ele se diz orgulhoso de sua futura esposa."
Nesse momento a face de Rowena tornava-se rubra; como ela poderia ter esquecido que fora prometida por seu pai a um primo distante logo que nascera? Agora que lia aquilo ela se lembrava do fato de ser a primeira mulher nascida Ravenclaw e que, para que continuasse levando o mesmo nome, deveria se casar com um parente. Com o passar dos anos ela havia saído de casa, trilhado seus próprios caminhos e, após a morte de sua mãe, até esquecera de sua família. Mas eles não haviam se esquecido dela.
"Mostrando grande generosidade, apesar de você ter-se portado deselegantemente, seu noivo concordou que a cerimônia ocorra nos jardins da sua amada escola. Em três dias após esta chegar em suas mãos, uma costureira chegará a estação de Hogsmead para fazer o seu vestido. Tudo terá que ser perfeito, minha querida.
Após o casamento você poderá continuar morando aí, Victorius concordou em acompanhá-la. Espero que trate seu marido com todo o respeito e que não me decepcione. A propósito, feliz aniversário.
Atenciosamente, seu pai."
Após ler o pergaminho, Rowena levantou-se da mesa dos professores e dirigiu-se ao seu quarto. Naquele dia os alunos da ruiva não tiveram aulas.
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Ela entrou no quarto e jogou-se na cama sem nenhuma cerimônia, passando a chorar como uma criança desconsolada. Não se preocupara com o fato de não ter trancado a porta nem pensou que algum aluno pudesse ouvir seus lamentos. Como ela poderia ter se esquecido daquela antiga promessa? Como uma bruxa sagaz pode cometer o sacrilégio de esquecer uma promessa de seu pai feita no dia de seu nascimento? Como, em nome de Merlin, poderia ter se esquecido disso e se apaixonado por um homem diferente do que aquele ao qual ela havia sido prometida?
Perdida naqueles pensamentos, surpreendeu-se ao sentir uma mão afagar levemente sua cabeça.
- Row, o que aconteceu?
Aliviada por ouvir a voz de Helga, a ruiva suspirou. – Veja por si mesma... – entregou-lhe o pergaminho e passou a fitá-la.
Conforme lia a carta, Helga murmurava pequenos impropérios ao pai da outra. Chegando ao final, já com o rosto vermelho de raiva, ela segurou a mão de Rowena entre as suas a fim de confortá-la.
- É terrível que seu pai tenha lhe feito isso, querida... Como ele ousa apenas comunicar um fato tão importante assim?
- Você já disse tudo, Hel... ele apenas comunicou. Ele não se importa que a filha dele esteja com trinta anos e senhora de sua própria vida. Não... Para ele sou a 'primeira mulher nascida Ravenclaw' e só se importa que eu continue sendo da família. – os olhos azuis estavam inchados e sombrios, as lágrimas correndo-lhe pela face.
Num abraço Helga fez com que a outra se deitasse com a cabeça em seu colo e, soltando-lhe os cabelos, procurou acalmá-la. – E se você falasse com ele sobre... bem, sobre Salazar? Se ele soubesse que você está...
- Não, Hel... ele não entenderia. A lei está a seu lado, a magia a seu lado... ele pode. – Rowena falava aos soluços, como uma criança. – Senhor Ravenclaw sabe muito bem que eu nunca quis esse casamento, que pouco me importo em 'continuar na família'. O fato é que ele fez uma promessa a esse tal primo dele e está disposto a cumpri-la. Minha única chance seria se os dois desistissem e isso não vai acontecer...
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Com falsa passividade, o moreno observava a amada saindo pelo salão. Estava para segui-la quando uma pequena mão pousou em seu braço: Hufflepuff. A loira voltou-se aos outros fundadores com um olhar preocupado e saiu atrás da outra mulher.
Salazar via os alunos terminando o desjejum e encaminhando-se às suas classes, contemplando o salão a esvaziar-se. Para não gerar comentários, rumou às masmorras para, de lá, seguir ao encontro de Rowena.
Nunca aquela câmara fora tão longa, nunca Pólux fora tão inoportuno... queria a ruiva em seus braços, o mais rápido possível, e o castelo parecia tramar para que isso não ocorresse. Finalmente, chegou à saída e ouviu as duas mulheres. Inspirou fundo e saiu da passagem, já indo sentar-se ao lado das duas. Sem fazer comentário algum, Helga levantou-se e deixou os dois amantes a sós.
Sem o conforto da amiga, Rowena sentou-se e encarou Salazar. – Eu... eu vou me casar.
Ele sentia o coração apertar-se e lágrimas virem a seus olhos, as palavras faltavam. Então, carinhosamente, abraçou a mulher e depositou-lhe um terno beijo na testa, saindo do quarto em seguida.
3/5 - 19/04/2008
Nota: bem... demorei a postar porque só hoje notei o quanto esta parte estava curta (até mesmo para os meus padrões). Aumentei um pouquinho e até gostei de como ficou, mesmo que só tenha aumentado pouco mais de uma página no Word.
